Por Alexandre Matos | 14/05/2017 04:08

Mais um recorde foi igualado no UFC. Neste sábado, na luta principal do UFC 211, Stipe Miocic se juntou a Randy Couture, Cain Velasquez, Brock Lesnar e Tim Sylvia como os únicos a defender o cinturão dos pesados duas vezes seguidas. Para coroar o feito, o americano ainda se vingou de Junior Cigano, último a vencê-lo.

O combate ocorrido no American Airlines Center, em Dallas, foi bem diferente do primeiro confronto entre ambos, que aconteceu em dezembro de 2014. Cigano até começou bem, com uma estratégia bem definida de agredir as pernas de Miocic com chutes baixos visando desmontar a base de equilíbrio do campeão. Enquanto isso, a ideia era circular, variar as direções e evitar a aproximação de Miocic.

A tática deu errado quando a movimentação de Cigano não funcionou. Mais lento, ele foi paulatinamente sendo encurralado contra a grade por Miocic. Sem conseguir escapar, o brasileiro passou a receber pancadas fortes. Depois de balançar duas vezes, sem conseguir esquivar, Junior foi a knockdown vitimado por um violento cruzado de direita. Stipe ajoelhou para descer a lenha no ground and pound. O árbitro Herb Dean poderia até ter interrompido alguns segundos antes dos 2:22 de luta, visto que o desafiante não se defendia.

Além da vitória conquistada, o quinto nocaute consecutivo desde a derrota para Cigano, e do recorde igualado, Miocic ainda embolsou US$50 mil adicionais por um dos bônus de desempenho da noite. Agora ele fica no aguardo da resolução da categoria, que não tem um desafiante claro: Fabricio Werdum tem luta marcada com Alistair Overeem e Cain Velasquez não consegue ficar sadio. Do jeito que as coisas andam, periga surgir um Derrick Lewis ou Francis Ngannou disputando cinturão.

Joanna Jedrzejczyk tem outra atuação fenomenal diante de Jessica Andrade

Já é difícil parar Joanna Jedrzejczyk em condições normais, imagine quando ela tem uma noite inspirada. Azar de Jessica Andrade, que mostrou coração imenso, mas não conseguiu lidar com o maior talento da campeã do peso palha.

A desafiante brasileira, assim como Cigano, experimentou sucesso no começo do combate. Com uma postura agressiva, Jessica aproveitou do tradicional começo lento de Joanna e a pressionou para levar o duelo para o chão. A pequenina ergueu a campeã e a lançou ao solo, mas não a manteve lá. Na segunda tentativa de combate corpo a corpo, Jessica levou uma cotovelada e três joelhadas no thai clinch. A partir dali, a luta virou.

Jedrzejczyk pisou no acelerador e não olhou mais para trás. “Bate-Estaca” avançava corajosamente, mas a polonesa era perfeita até atacando enquanto recuava. Joanna variou socos com chutes, socos na cabeça e no corpo, chutes baixos e altos, cotoveladas curtas em pé, joelhadas de encontro, vários contragolpes. Um repertório ofensivo vasto e usado de modo orquestrado. Quase uma obra-prima.

Já no terceiro round era nítido que nem um milagre salvaria Andrade. Mas você pensa que ela arrefeceu? De modo algum. Mesmo avançando em linha reta, atacando desguarnecida e com dificuldade de produzir ângulos, Jessica não parou de avançar por um momento sequer, mesmo quando sua perna estava muito inchada de tanto ser chutada. A pressão fez Joanna ter que voltar para o hotel com um inchaço na testa do tamanho de uma bola de pingue-pongue, mas não serviu para desestabilizar a campeã.

O passeio de Jedrzejczyk representou a quinta defesa consecutiva do cinturão do peso palha e o fim da série de três vitórias de Jessica desde que ela mudou de categoria.

Demian Maia passa por Jorge Masvidal com dificuldade e vai atrás do cinturão

Parece que agora vai. Demian Maia passou aperto contra Jorge Masvidal, mas conseguiu sua sétima vitória no peso meio-médio e ouviu de Dana White que ele é o próximo da fila.

O combate teve um round para cada um. No primeiro, o paulista mostrou seu talento enorme de encurtar, chegar ao chão e dali para as costas. Masvidal vendeu caro a primeira queda, conseguiu arrefecer as investidas de Maia, mas acabou cedendo. Mochilado, Demian socou tentando abrir espaço para o mata-leão, que não apareceu.

No segundo, Maia aparentou ter se desgastado mais e facilitou a tarefa do adversário de defender quedas ao se atirar de longe, sem velocidade. Masvidal lançou chutes à vontade, deu bons socos e passou a impressão que nocautearia se pisasse no acelerador. Como não pisou, levou o combate ao último assalto.

Jorge novamente começou melhor, mas teve menos volume e contundência em relação à parcial anterior. Na metade do tempo, ele se desequilibrou ao defender a perna de um ataque de Demian e acabou no chão. Contra um grappler do naipe de Maia, foi muito difícil sair da posição. Demian não tinha mais forças para botar pressão no estrangulamento, mas manteve o controle posicional.

Como Demian não foi tão agressivo enquanto controlava a luta agarrada, acabou dando brecha para os juízes valorizarem os golpes iniciais de Masvidal no terceiro assalto. Foi assim que o juiz Aladin Martinez viu o combate, pontuando 29-28 para o americano. Porém, Sal D’Amato e Jeff Mullen deram maior peso ao controle do brasileiro e concederam a ele a vitória por decisão dividida com dois 29-28.

Ao final do combate, Demian ajoelhou ao lado da grade para conversar com Dana White e ouviu do presidente que ele será o próximo. Ou não. Vai que Georges St. Pierre resolve aceitar o desafio de Tyron Woodley…

Frankie Edgar dá choque de realidade em Yair Rodríguez

Acabou dando o óbvio, mas Frankie Edgar é um sujeito tão excepcional que surpreende até quando faz o que dele se espera. Com uma atuação muito agressiva, ele passou a carreta sobre o mexicano Yair Rodríguez, que perdeu a invencibilidade no octógono.

Não houve um momento em que Edgar não estivesse ativo. A transição do boxe para o wrestling foi tão bem executada que o mexicano não conseguiu evitar a queda. Mesmo tentando ficar ativo na guarda, Rodríguez apanhou que nem mala velha no ground and pound repleto de socos, cotoveladas e braçadas. O “Pantera” voltou para o córner com o olho esquerdo praticamente fechado.

A sessão de pânico do mexicano seguiu no segundo assalto. Rodríguez tentou uma chave de joelho, mas Edgar mostrou desenvoltura e calma para girar para o lado certo, escapar da posição e ainda acabar montado. E tome de ground and pound. Provavelmente sem enxergar nada pelo olho esquerdo, Yair não passou no teste feito pelo médico no intervalo para o terceiro assalto. O árbitro Chris Reed acatou a recomendação médica e não permitiu que o combate prosseguisse, decretando o nocaute técnico a favor do americano.

David Branch volta ao UFC com boa vitória sobre Krzysztof Jotko

Depois de sair pela porta dos fundos, sem despertar nenhuma saudade, David Branch teve um retorno triunfal ao octógono mais famoso do mundo. Ele interrompeu a série invicta de Krzysztof Jotko e já deve aparecer ranqueado em breve.

O polonês iniciou as ações controlando a distância e provocou o ex-campeão do WSOF a buscar a luta agarrada. Branch foi melhor no clinch, derrubou, mas não foi muito ostensivo no ground and pound no assalto inicial.

No segundo round, Jotko teve mais espaço e conectou várias canhotas, além de um belo chute rodado no fim da parcial. Com a luta empatada, o polonês se enrolou onde deveria levar vantagem. David acabou superando um erro de postura de Jotko, que passou a perder a esgrima dos jabs, acabando exposto para os diretos de Branch. Jotko ficou tentado a buscar o clinch, já que não estava dando certo trocando golpes. No fim das contas, dois juízes marcaram 29-28 para o americano, mesmo placar visto pelo MMA Brasil, e outro fez o mesmo, mas para o polonês.

Fundador e editor-chefe do MMA Brasil. Colunista do site oficial do UFC. Prestes a se aposentar e virar colunista especial do próprio site.