Por Alexandre Matos | 11/09/2016 04:42

Os fãs de MMA (e de telecatch) viveram uma noite louca no UFC 203, realizado neste sábado. A Quicken Loans Arena, em Cleveland, viu o herói local Stipe Miocic defender o cinturão dos pesados pela primeira vez com um nocaute sobre Alistair Overeem, em luta cheia de alternativas.

Seguindo o plano do técnico Greg Jackson de expor cada vez menos seu queixo frágil, Overeem optou por usar toda a extensão do octógono para se movimentar, chegando a correr dando as costas a Miocic. Isso fez com que o americano tomasse a postura de caçador, deixando o holandês como contragolpeador. Num desses momentos, Overeem parou bruscamente, girou rapidamente e acertou um violento direto de canhota que mandou Miocic a knockdown. Alistair tentou definir a parada na guilhotina, mas Stipe escapou e voltou a ficar de pé.

Por um breve momento, Miocic pareceu ter ficado nervoso, o que teria sido um perigo. Porém, ele logo recobrou a paciência e voltou à caça. A luta ficou equilibrada, com os lutadores trocando momentos de pressão. O campeão chegou a encurralar o desafiante na grade após um chute na linha de cintura e acertar violentos socos, mas não deu sequência. Quando Overeem tentou um pisão lateral no joelho, foi a hora de derrubá-lo e acabar com a luta. Stipe posturou e desceu a lenha. Os primeiros golpes pegaram um tanto no bloqueio, mas três deles furaram a proteção e explodiram contra o rosto de Overeem, que apagou. O árbitro Marc Goddard encerrou a contenda na marca de 4:27.

Após o combate, Overeem disse no microfone de Joe Rogan que tinha sentido que Miocic bateu na guilhotina, mas ficou claro no replay que isso não aconteceu. Agora o holandês amarga o fato de ser o lutador do plantel do UFC que mais sofreu derrotas por nocaute.

Fabricio Werdum volta a vencer Travis Browne em luta repleta de bizarrices

Em confronto que contou com barbeiragem de árbitro, repetição de erro, golpes amalucados e queda brusca de ação, o ex-campeão Fabricio Werdum venceu Travis Browne pela segunda vez.

Fabricio Werdum manda um dos golpes amalucados que lançou contra Travis Browne (Foto: John David Mercer-USA TODAY Sports)

Fabricio Werdum manda um dos golpes amalucados que lançou contra Travis Browne (Foto: John David Mercer-USA TODAY Sports)

Mal começou o duelo e Werdum decolou numa voadora de baile funk que explodiu no queixo de Browne. O americano não entendeu nada e ficou na defensiva. Em seguida, ao bloquear um soco, Browne machucou um dedo da mão e pediu tempo, o que é proibido pelas regras. O confuso árbitro Gary Copeland não ordenou a interrupção e Werdum acertou um soco no rosto do havaiano. Imediatamente Copeland parou o duelo e permitiu que o médico entrasse no octógono para avaliar Browne, o que também foi um erro, já que a lesão não ocorreu por golpe ilegal. Ao invés de decretar o nocaute técnico a favor de Werdum, o barbeiro Copeland mandou a luta seguir.

Até o final do round, só deu Werdum. O ex-campeão anotou um knockdown, tentou finalizar num mata-leão, aplicou várias cambalhotas no melhor estilo Tony Ferguson com 110 quilos tentando uma chave de pé. O domínio do brasileiro valeu um 10-8 na contagem do MMA Brasil.

Depois do primeiro assalto animado, a qualidade da luta despencou. Werdum e Browne pareciam dois pesos pesados regulares, no pior sentido da expressão. Sem conseguir usar a mão direita, o havaiano foi alvejado diversas vezes e só tentou alguma coisa no fim da luta, quando a produção de Fabricio foi quase a zero. Ainda assim, Werdum venceu também a terceira parcial e completou o 30-26 na marcação do MMA Brasil.

Ao final do duelo oficial, mais bizarrice. Alegando que ouviu Edmond Tarverdyan o xingando, Werdum lamentavelmente deu um chute no técnico de Browne e ambos plantaram guarda. Um fim ridículo para uma luta bizarra.

Mickey Gall atropela e finaliza estreante CM Punk

Se alguém ainda tinha dúvidas que telecatch não é sequer um esporte, muito menos de luta, CM Punk tratou de deixar claro. Sem fazer menção de absolutamente nada, o ex-astro da WWE foi atropelado por Mickey Gall, um lutador de verdade.

CM Punk não tinha ideia de como deter o double leg de Mickey Gall (Foto: John David Mercer-USA TODAY Sports)

CM Punk não tinha ideia de como deter o double leg de Mickey Gall (Foto: John David Mercer-USA TODAY Sports)

Acostumado com o teatro da WWE, a entrada de Punk no octógono foi digna de nota. Ao som da música que o caracterizou no telecatch, ele entrou com cara de mau, tirou o capuz do casaco com virilidade e fez o ginásio delirar. Pois quando os portões do cage se fecharam, a vida do superastro virou um martírio.

Mal começou a luta e Punk partiu para cima de seu adversário com o tronco ereto. Gall não perdeu tempo e entrou com um double leg que Punk pareceu nem saber do que se tratava. A partir dali começou o martírio de Phil Brooks. Mickey largou punhos e cotovelos no ground and pound, passou a guarda, tentou um crucifixo e pegou as costas. Algumas marteladas foram suficientes para Punk se abrir para o mata-leão. O telecatcher tentou resistir, mas em vão. CM Punk bateu na marca de 2:14 sem aplicar um único golpe ou mostrar condição de se defender de qualquer investida do adversário. Lembrou o ex-boxeador James Toney, com o agravante que Gall não é Randy Couture.

O UFC errou rude ao permitir que um cidadão sem qualquer base de luta e aos 37 anos pudesse estrear em seu octógono, que deveria ser palco para os melhores do mundo. E errou mais ainda ao dar a Punk um adversário 13 anos mais jovem, com talento promissor e que se sente confortável sob os holofotes. Que sirva de lição para quem achava que luta encenada poderia servir de base para luta à vera.

No fim da luta, mostrando muita maturidade no microfone, Gall percebeu outra oportunidade de ouro e desafiou Sage Northcutt. Mais tarde, Dana White disse que essa luta deve acontecer.

Jimmie Rivera conquista maior vitória da carreira sobre Urijah Faber

Urijah Faber jamais havia perdido como peso galo numa luta regular. Sempre há a primeira vez. Quem lhe tirou o selo foi Jimmie Rivera, que se juntou ao campeão Dominick Cruz e ao ex Renan Barão como os únicos da categoria a terem batido o California Kid.

Os chutes baixos de Jimmie Rivera arrasaram a perna de Urijah Faber (Foto: John David Mercer-USA TODAY Sports)

Os chutes baixos de Jimmie Rivera arrasaram a perna de Urijah Faber (Foto: John David Mercer-USA TODAY Sports)

O primeiro round teve muita movimentação e poucas ações ofensivas. Faber tentou confundir os juízes lançando muitos socos praticamente sem nenhuma contundência. Rivera foi bem menos ativo, mas acertou todos os melhores golpes da parcial. De quebra, ainda negou duas tentativas de queda e uma entrada de clinch do veterano, mostrando que o wrestling não seria um caminho para o líder do Team Alpha Male.

A partir da segunda etapa, Rivera dominou inteiramente as ações com belas combinações de socos na cabeça e no tronco, reduzindo Faber a tentativas esporádicas de um overhand cada vez mais previsível. De quebra, Jimmie ainda maltratou a perna esquerda do adversário com fortes chutes baixos, o que diminuiu cada vez mais a movimentação de Urijah. “El Terror” ainda levou um chute baixo no primeiro assalto e uma dedada no olho no terceiro, mas nada que impedisse uma vitória por 30-27 na contagem do MMA Brasil e dos três juízes laterais.

A divisão do peso galo fica cada vez mais interessante em relação aos novos talentos invadindo o ranking. No momento temos Cody Garbrandt com 5-0 no UFC e duas vitórias sobre ranqueados. Rivera tem 4-0, também duas contra ranqueados, mas uma delas bem mais relevante do que qualquer vitória dos concorrentes. John Lineker tem 3-0, duas contra ranqueados, uma delas contra ex-desafiante. Já Aljamain Sterling e Thomas Almeida vem atrás do grupo por já terem perdido uma luta no octógono (ambos estão em 4-1 no UFC).

Jessica Andrade atropela Joanne Calderwood e cresce no peso palha

A pequenina Jessica Andrade vai se mostrando uma força na divisão mais leve do UFC. Ela não tomou conhecimento de Joanne Calderwood e conseguiu a segunda vitória na categoria, ambas no primeiro round.

Jessica Andrade não teve pena de Joanne Calderwood (Foto: John David Mercer-USA TODAY Sports)

Jessica Andrade não teve pena de Joanne Calderwood (Foto: John David Mercer-USA TODAY Sports)

Aproveitando o conhecido começo devagar da escocesa, Jessica tratou de jogá-la ao chão. A primeira vez foi numa queda de grande amplitude, que valeria quatro pontos se fosse numa luta de wrestling. A segunda foi uma cravada violenta no chão. A “Bate-Estaca” passou a guarda e surrou a adversária no ground and pound. Quando JoJo tentou se levantar, deixou o pescoço exposto e Andrade encaixou a guilhotina. A europeia tentou levantar o quadril para diminuir a pressão, mas o estrangulamento estava justo e Joanne bateu quando o cronômetro mostrava 4:38 de luta.