Stephen Thompson mais uma vez nos mostrou como é muito bom o Caratê no MMA

Por Rodrigo Cruz | 09/02/2016 05:18

No último sábado, 6 de fevereiro, o lutador de caratê Stephen Thompson teve mais um compromisso em uma competição de nível internacional. Concentrado, subiu no tatame, ouviu as instruções do árbitro, cumprimentou seu adversário e, humildemente, iniciou mais uma batalha de kumite. O combate começou estudado, com muito respeito. Thompson ainda soltou um tobi geri para medir distância e atenção do oponente. Depois disso, começou o verdadeiro show de sua arte-mãe. Saltitando, para facilitar a movimentação de defesa e ataque, frustrou um ataque do seu oponente com um deai perfeito, encaixando um gyaku zuki jodan. Logo depois, um lindo kizami mawashi jodan, seguido de um mawashi bem defendido e, para finalizar a sequência, uma série de gyaku zukis.

Johny Hendricks, seu oponente, já estava confuso, sem saber o que fazia ali, em um ambiente tão hostil e mesmo assim tentou alguns ataques, mas sem sucesso, pois não conseguia achar Thompson, que, àquela altura, se divertia bastante com a expressão de horror de Hendricks. Ippons, waza-aris e yukos para todos os lados. Parecia que Thompson, experiente faixa-preta, lutava contra um iniciante. Para finalizar a luta, um ushiro geri e uma sequência de zukis. O árbitro foi obrigado a interromper, pois o desfecho mais parecia uma luta de MMA.

E era.

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Esse combate aconteceu não em um dojo, mas sim no UFC Fight Night 82. O purismo das técnicas de caratê utilizadas pelo norte-americano Stephen Thompson diante do ex-campeão dos meios-médios do UFC, Johnny Hendricks, impressionaram e mais uma vez comprovaram que a arte das mãos vazias, se bem utilizada, pode e vai render bons frutos no mundo das artes marciais mistas. Anteriormente eu já vim aqui expor meu contentamento com a boa utilização da arte de Ginchin Funakoshi no MMA.

Dos muitos amigos que tenho nas lutas, alguns são oriundos do caratê. Porém, nos treinos e camps para lutas de MMA, seus treinadores querem mudar a ferro e fogo sua origem, inserindo, quase como um estupro, bases, movimentações e golpes de kickboxing e muay thai, levados pelo senso comum. Claro que influências de outras artes são importantes e devem ser levadas em conta, mas sem deixar de lado a origem de cada lutador.

Aqui, faço um apelo a treinadores e lutadores: deixem seu estilo e o de seus alunos fluírem. Melhorem isso, mas não mudem. A pluralidade é linda e, acredite, eficiente e funcional. Voltando às características do caratê, mas não querendo ser purista: você, que vem dessa arte, solte-a no cage como se estivesse num dojo. Movimente-se, concentre-se no deai. Use e abuse de suas técnicas, nos treinos e nas lutas. Se não der certo – o que eu duvido – pode me procurar e demonstrar sua insatisfação. Mas os exemplos mostram que estou certo.

Oss.

Faixa-preta de caratê e praticante de jiu-jítsu e MMA. Jornalista e publicitário por formação, atua profissionalmente como promotor de eventos e agenciamento de atletas.