Sergipe Fight Combat traz lutas de diversas modalidades e bons prospectos locais

Por Gustavo Burity | 30/04/2018

Foto: Ítalo Damasceno

Além da disputa do cinturão dos superleves de muay thai, o Sergipe Fight Combat, que fez sua estreia na tarde do último sábado, na capital Aracaju, trouxe sete lutas de MMA, um GP de jiu-jítsu, um arte tailandesa e mais dois confrontos casados também de muay thai. A arbitragem do evento ficou a cargo dos baianos Alexandre Câmara e Carla Freitas, a primeira árbitra de MMA no Brasil.

GP de Muay Thai: jovens lutadores pegam experiência na arte tailandesa

Existe algo muito especial nos pequenos começos: eles podem ser trampolins caso não os desprezemos. E esse ensinamento marcou o Grand Prix semiprofissional de Muay Thai na categoria até 57,2 kg.

Mostrando uma boa técnica para a idade e nível de experiência, o lutador Daian Santos Amorim, de apenas 18 anos e membro da Siam Fight, mostrou-se dominante e bateu seus adversários na semifinal e na final, quando nocauteou com uma joelhada potente na altura da costela, para levar o título a Salvador e anotar sua sexta vitória em sete lutas amadoras.

Embora Daian seja de terras soteropolitanas, a sede da Siam Fight, liderada por Reni Fraga, localiza-se em Salgado, interior de Sergipe. No cenário local, a equipe tem despontado apresentando importantes nomes, dentre eles o componente do córner vencedor do GP, Paulo Canela, atleta que disputou 11 lutas na Ásia e foi campeão da arte tailandesa em evento localizado no renomado Bangla Boxing Stadium, em Phuket, na Tailândia.

Daian, Paulo Canela, Siam Fight nos levam à reflexão do pequeno começo. Muitos treinam em locais acanhados e necessitam da ajuda de patrocinadores que vejam potencial em atletas antes de vê-los ostentando cinturões.

 

Apresentação de Ram Muay

GP de Jiu-Jitsu: Emoção dentro e fora do cage marcam título de Fabrício Alagoinhas

O 4 de abril foi um dia triste. O capitão da Polícia da Caatinga Manoel Oliveira era morto covardemente a tiros no sertão sergipano. Vinte e quatro dias depois, o capitão é homenageado pelos colegas policiais, dentre os quais o atleta da Gracie Barra Fabrício “Alagoinhas” Oliveira (11-5 no MMA), que contou com a força do legado do capitão para conquistar o Grand Prix de Jiu-Jítsu do peso leve na faixa preta.

Após bater Alisson Nunes na semifinal, Oliveira se encontrou com Victor “Craque” Arcieri, que passou por um aperto para chegar na final, conquistando uma importante finalização por chave de perna sobre Felipe Ywasaki na fase anterior. Submissão essa tão precisa e intensa que deixou Felipe mancando ainda ao sair do tatame e impossibilitou a realização da disputa pelo terceiro lugar.

No confronto decisivo, a vitória foi por pontos, por um placar de 2-0, após uma luta complicada e bem administrada por Alagoinhas depois da abertura do placar. Com isso, o PM pôde dar um pouco de alegria ao corpo de militares que têm trabalhado pela segurança do sertão nordestino.

Principais lutas de MMA: surgem bons prospectos

Lutar no UFC é o que almeja todo lutador de MMA. Porém, a não ser que você se chame CM Punk, é natural que se inicie em eventos de menor porte. E, nesse sentido, o MMA fez parte abundante do Sergipe Fight Combat, trazendo sete lutas, incluindo um desafio Sergipe x Bahia, recheado de rivalidade e emoção.

Antes de entrar na parte em que dois homens se digladiam (Alô, Galvão Bueno!), vamos a um pouco de emoção e trash talking. O desafio SE x BA, que originalmente contaria com quatro confrontos, teve a baixa de Júnior Orgulho (14-6 no MMA), irmão do ex-campeão do peso meio-pesado do Jungle Fight Kleber Orgulho. O caçula não bateu o peso na véspera da luta e alegou problemas pessoais para não atuar no evento. Acontece que Anderson Negão não gostou de perder sua luta e decidiu subir ao decágono para explicar a situação. Após isso, Orgulho pegou o mesmo microfone para se justificar, o que gerou um clima de atrito entre ambos. Será que teremos esse confronto na próxima edição do SFC?

Voltando ao contexto do portão fechado, quatro braços, quatros pernas, duas cabeças e muita vontade, tivemos uma luta marcada por um nocaute digno de concorrer ao Prêmio Osvaldo Paquetá vindo da parte de Willian “Colorado” Souza (1-1 no MMA), membro da DFC, academia renomada na menor unidade federativa do país. Após um início parelho, com boas ações vindas de Nicolas Sávio (que estreava no MMA), Colorado melhorou na luta, culminando em um cruzado de direita vindo de encontro sobre Sávio, que o mandou para a vala mais próxima. Antes que o árbitro pudesse agir, o reflexo de Willian o fez “conferir” o resultado com dois ou três socos limpos sobre o corpo estendido no chão. Nocaute clássico, potente e espetacular.

Em entrevista ao MMA Brasil, Colorado contou que tinha treinado muito esse cruzado: “Meu forte é o striking, sabia que ele (Sávio) iria querer a luta agarrada. Esperei ele se afastar um pouco e acertei o cruzadão”. Além disso, Colorado se mostrou aberto a uma revanche, uma vez que Sávio o havia vencido no MMA amador, ou qualquer outra luta. Independentemente de quem seja, espero que tenha mais cuidado com um cruzado repentino de direita, ou você pode ser acordado com uma lanterninha no olho.

Entrando no desafio entre os estados vizinhos, tivemos o encontro entre o membro da conhecida academia baiana Nordeste Jiu-Jítsu Felipe Esteves (3-0 no MMA) e Felipe Pastor. Em uma luta que não poderíamos duvidar que um Felipe sairia vencedor, logo após os primeiros segundos outra certeza chegou: o Esteves provavelmente seria esse Felipe. Dominante do início ao fim, o pentacampeão brasileiro de wrestling anotou o melhor desempenho da noite, sendo superior em todos os aspectos da luta e fechando o embate com uma guilhotina que colocou Pastor no sono dos justos.

Além da inveja de quem sofre de insônia, Esteves também provou do sentimento negativo advindo de Marcelo Guará (4-6 no MMA), que originalmente iria lutar com Ademir Silva (luta alterada por questões contratuais). Guará subiu no decágono e desafiou Felipe, acusando-o de ser fraco e escolher apenas adversários fracos, oferecendo-se para sofrer um corte de peso maior, descendo uma categoria para enfrentar Esteves no peso mosca. Será que Esteves continuará invicto após essa luta e será elevado ao nível de eventos maiores como um Shooto Brasil ou Jungle Fight, ou Guará provará sua afirmação?

Sergipe Fight Combat traz lutas de diversas modalidades e bons prospectos locais

Felipe Esteves dando boa noite a Felipe Pastor

O sergipano Ademir Silva (3-1 no MMA) tratou de empatar a parada ao enfrentar o lutador oriundo do muay thai Mateus Taylor. Talvez o fato de entrar no evento duas semanas antes da luta tenha ajudado Taylor a não ter muitas chances contra o atleta local. Após um momento de ação na grade, em que Ademir dominou no clinch, ele conseguiu boa transição para um triângulo que levou à desistência de Taylor. Tudo empatado e ficaremos a cargo dos pesos pesados para decidir quem leva o confronto dos estados.

A não ser que o lutador seja o Matt Mitrione e se ache um Dominick Cruz com três dígitos de quilogramas, é natural que uma luta de peso pesado seja mais lenta e potente. Foi exatamente isso que vimos em Aracaju. Na única disputa de MMA que passou do primeiro round, o atleta da LG System Pedro Acarajé (2-1 no MMA) venceu por decisão unânime o sergipano Edinho Canal (0-3 no MMA). O placar justo ressaltou o domínio das ações e da luta agarrada por parte de Acarajé, que claramente conquistou os dois primeiros rounds e, por menor vantagem, o terceiro.

Cinturão de Muay Thai: Boneco x Avatar

Cinturão é bom e todo mundo gosta. A luta principal da noite valeu esse equipamento para os lombos, em um embate válido pelos superleves de muay thai. Experiente e com dezenas de lutas no cartel, Alexsandro Boneco enfrentou Rafael Avatar e levou a pior no segundo round. Após um começo equilibrado, quando Boneco controlava o centro do ringue e atacava, Avatar foi mostrando um bom jogo de contra-ataques, que resultou em um golpe final no segundo round, marcando a vitória por nocaute.

Balanço Final: O Sergipe Fight Combat veio para ficar

O evento, em suma, foi bastante organizado, seguro e divertido. Estrutura bem montada, lutadores se entregando e muita força de vontade marcaram a primeira edição do Sergipe Fight Combat. Embora existam alguns pontos a serem ajustados, como um espaço reservado para os atletas se prepararem para as lutas (o local destinado à preparação era de acesso a qualquer espectador do evento), o SFC parece estar no caminho de se consolidar como um grande encontro neste estado com tão poucos eventos. A segunda edição já está marcada para setembro, prometendo ser ainda melhor e, quem sabe, com o surgimento de novos bons lutadores.

Resultados Oficiais de MMA

Pedro Acarajé venceu Edinho Canal por decisão unânime
Ademir Silva venceu Mateus Taylor aos 3:10 do R1 por submissão (triângulo)
Willian Colorado venceu Nicolas Sávio aos 2:19 do R1 por nocaute (soco)
Felipe Esteves venceu Felipe Pastor aos 4:31 do R1 por submissão técnica (guilhotina)
Samir Silva venceu Igor Damond aos 4:38 do R1 por submissão (guilhotina)
Alan Homem de Pedra venceu Jenisson Spartacus a 0:33 do R1 por nocaute técnico (socos)
Roque Fight venceu Carlos Diego aos 4:26 do R1 por submissão (guilhotina)