Sergio Pettis mostra maturidade na vitória sobre Brandon Moreno no UFC Fight Night 114

Sergio Pettis mostra maturidade na vitória sobre Brandon Moreno no UFC Fight Night 114
MMA

Com problemas na luta agarrada e domínio na troca de golpes em pé, Sergio Pettis segue a escalada rumo à elite do peso mosca vencendo o dono da casa Brandon Moreno na Cidade do México. Alexa Grasso compensou os fãs locais na luta coprincipal.

Passo a passo, Sergio Pettis segue evoluindo rumo à posição que se esperava dele. Neste sábado, na luta principal do UFC Fight Night 114, ele não se enervou com o começo ruim e a postura de Brandon Moreno para conseguir uma sólida virada na altitude da capital mexicana.

Apesar da boa atuação, Pettis ainda tem pontos a trabalhar antes de encarar a elite do peso mosca. Isso ficou claro no primeiro assalto, quando Moreno aplicou um passeio na luta agarrada. A defesa de quedas de Sergio foi facilmente superada e, no chão, embora ele tivesse mantido a calma e tentado bloquear os espaços, teve a guarda passada, as costas dominadas e ficou um bom tempo se safando de um mata-leão.

O 10-8 a favor de Moreno acendeu o alerta em Pettis e a luta mudou completamente a partir do segundo assalto. Nos dez minutos seguintes, o mexicano se preocupou mais em tirar a concentração do rival do que em lutar. Como resultado, viu sua produção ofensiva desabar enquanto Pettis tinha ótimo aproveitamento nos golpes lançados na longa e média distâncias. Sergio ainda conseguiu mostrar serviço no chão ao dar vários botes no triângulo e omoplata. Luta empatada.

Já com o rosto ensanguentado, Moreno finalmente resolveu levar a luta mais a sério. O problema é que Pettis já tinha engatado o ritmo. No quinto assalto, o mexicano voltou a derrubar e cair por cima, mas não só não levou perigo como ainda tomou duas pedaladas para pensar na vida. Quando o duelo voltou em pé, Pettis confirmou a virada no assalto. Na contagem do MMA Brasil, Sergio Pettis venceu por 48-46, mesmo placar anotado por dois juízes oficiais – o terceiro marcou 49-46.

Alexa Grasso vence Randa Markos com mesmas virtudes e defeitos de Sergio Pettis

Se o dono da casa perdeu na luta principal, a dona venceu na anterior. Também mostrando maturidade e problemas na luta agarrada, Alexa Grasso passou pela canadense Randa Markos.

O sistema defensivo como um todo da mexicana teve problemas mesmo nos assaltos que ela venceu. Grasso engoliu alguns golpes duros no começo acelerado de Markos, mas foi bem nas quedas e no ground and pound para sair na frente.

No segundo round, Randa explorou a defesa de quedas deficitária da rival em várias oportunidades. No chão, passou a guarda, montou e bateu no ground and pound, empatando a luta. Grasso errou em alguns momentos tentando se defender, oferecendo posições para a canadense. Por sorte, Randa não é a maior especialista do mundo no grappling. Se fosse, fatalmente teria conseguido a finalização.

O duelo ficou imprevisível no terceiro assalto, bastante equilibrado. O boxe de Grasso surtiu efeito, mas ela voltou a ser derrubada. Desta vez, o domínio de Randa foi menor. Alexa foi bem ao bloquear os braços da rival para se levantar e depois ao defender uma entrada de queda com uma guilhotina em pé, fazendo a canadense desistir da ofensiva. O placar de 29-28 para qualquer lado é aceitável. O MMA Brasil e dois dos juízes oficiais ficaram ao lado da mexicana.

Niko Price segue invicto com nocaute brutal sobre Alan Jouban

O meio-médio americano Niko Price estendeu sua invencibilidade para dez lutas no total e três no UFC com mais uma demonstração de poder. A vítima da vez foi Alan Jouban.

Parecia que Jouban sabia o caminho a percorrer quando ele tentou se movimentar e controlar a distância. Porém, assim que Price achou uma brecha, contra-atacou um chute do rival com um cruzado de direita que abalou Jouban. Niko sentiu a oportunidade, emendou uma bica e avançou com socos, mandando Alan à lona e fazendo o árbitro Gary Copeland interromper na marca de 1:44 de luta.

Humberto Bandenay estreia em menos de meio minuto

Se Price foi rápido, Humberto Bandenay foi três vezes mais. O peruano estreou no UFC com um nocaute sobre o mexicano Martín Bravo em 26 segundos.

Empurrado pela torcida, Bravo, vencedor do TUF América Latina 3, partiu para o ataque. Quando Bandenay reagiu, atirou no que viu e acertou o que não viu. O peruano lançou um chute alto no exato momento em que Bravo se abaixou para tentar uma queda. Resultado: o joelho de Humberto colidiu violentamente contra o queixo do mexicano, que caiu teso. Bandenay ainda acertou dois socos na cabeça do estático Bravo, nocauteado de modo assustador.

Sam Alvey afunda ainda mais Rashad Evans no poço

Num combate previsivelmente insosso, Sam Alvey aumentou a má fase de Rashad Evans lançando o ex-campeão dos meios-pesados à quarta derrota consecutiva.

Pelo menos na teoria, Evans sabia o que fazer. Logo no começo, ele tentou uma queda e seguiu na pressão no clinch. O problema é que ficou latente a falta de explosão do veterano ex-campeão. Rashad conseguiu derrubar uma vez, mas pouco fez por cima. Em pé, girou à toa e teve muita dificuldade em evitar ser enquadrado por um lutador de baixa movimentação.

Em pé, Evans se limitou a mata-cobras sem a precisão e potência de outrora. Para piorar, levou a pior na curta distância, situação em que Alvey encaixou cotoveladas e joelhadas no corpo. Como a produção ofensiva de Alvey foi baixa e de Evans foi quase nula, o sorridente venceu com o apoio dos torcedores, que gritavam “Canelo! Canelo!” em homenagem à cor dos cabelos de Alvey.

Alejandro Pérez vence luta controversa contra Andre Soukhamthath

A melhor luta do card principal do UFC Fight Night 114 teve também o resultado mais contestado. O mexicano Alejandro Pérez mostrou coração para virar o combate sobre Andre Soukhamthath.

Pérez teve a iniciativa na troca de golpes em pé, mas foi a knockdown quando o ex-goleiro de futebol acertou um duro jab de encontro. A situação se repetiu pouco depois, ainda no primeiro assalto, e fez com que Alejandro perdesse a confiança.

O terceiro knockdown aconteceu no segundo round. Porém, ao invés de capitalizar e tentar o nocaute, Souk preferiu provocar o rival fazendo sinal de 3 com os dedos, indicando a quantidade de vezes que mandou Pérez à lona. O mexicano então reagiu, acertou um bom cruzado de direita e reequilibrou as ações. Ainda assim, Andre venceu a parcial na contagem do MMA Brasil.

Souk baixou seu ritmo e permitiu que Pérez aplicasse uma queda. O mexicano pressionou contra a grade, mas sem contundência ou transições. Os esforços valeram o terceiro round para Pérez, mas a luta para Soukhamthath. Bom, pelo menos na visão do MMA Brasil e de um dos juízes. Os outros dois acharam que Alejandro virou o segundo assalto e marcaram 29-28 para o mexicano.

  • James sousa

    O Rashad Evans hoje e um ex lutador em atividade uma pena para um lutador que no passado já foi excelente

  • Gabriel Carvalho

    Ótimo evento. Sete interrupções no primeiro assalto, um recorde no UFC e tem gente que não quis ver porque o card tava “fraco”

  • Sexto Empírico

    Pettis venceu, Moreno foi bem, mas a impressão q fica é q ambos não têm ainda as armas necessárias pra elite, muito menos pra peitar o DJ,, apesar de estarem ali na porta. Há espaço pra evolução, no entanto.

    Grasso e Markos: mesmo caso aí de cima, exceto a Randa q já espremeu todo o suco da sua laranja.

    Nico Price, q mala! Precisava aquele escândalo todo? Parecia q ele tinha nocauteado o Jon Jones. E o Jouban, hein, minha gente? Se uma pomba cagá na cabeça dele, ele sai cambaleando igual bêbado.

    Aiaiai, Rashad. Vale a pena continuar?

    Perez venceu? Ué, aquilo era concurso de quem guenta levar mais na cara?

  • Gabriel Carvalho

    Ah, vale lembrar que é bastante mau caratismo falar que Grasso-Markos foi decisão caseira.

  • Marcio Rodrigues

    Coitado do Rashad. Perdeu pro Alvey, vai empatar com quem? E o que deu nele pra pegar luta na altitude?

    Que trocaçao bizarra desse Moreno. Parece que ta tentando construir uma identidade de lutador heterodoxo mas só tem mata cobra. Pior que isso só Valmir Bidu e Fernando Açougueiro.

  • Nicolas P S

    Grande evento cheio de surpresas e emoção ! Mas o tradutor em espanhol pois luta era uma vergonha absoluta. O pior tradutor da história do UFC. Até mesmo quando Ortiz acaba de concluir o nocaute mais rápido da história do UFC, ele era ao mencionar que ê o mais rápido do peso mosca, e quando o Pettis, como filho de imigrante mexicano nos Estados Unidos, menciona a sua mãe mexicana e o prazer de lutar no pais das suas raízes, o cara nem o menciona. Lamentável ! E foi pior com perguntas informadas do Brian Stann sobre os termos e as estratégias utilizadas pelos vencedores das lutas. O tradutor escolhia transformar diretamente as perguntas para perguntar coisas clichês e completamente vazias. Eu não sei quem é, mas eu espero que isso não era um cara para ficar e que o UFC vai substituí-lo por alguém mais competente.