Saudável, Vicente Luque quer chegar ao top 15 com vitória contra Price

Em tempos de muitos ídolos brasileiros se aposentando, novas caras vão chegando no UFC com a esperança de renovação, e um deles é o meio-médio brasiliense Vicente Luque, que encara o americano Niko Price no UFC Fight Night 119, que rola em São Paulo no sábado.

Após conseguir quatro vitórias seguidas, Luque se aproximou do topo da divisão e foi frustrado pelo inglês Leon Edwards, no UFC Fight Night 107, em março. Para o seu duelo de retorno, Vicente lutará com o apoio da torcida e ele contou ao MMA Brasil em entrevista exclusiva sobre a importância do público:

“Com certeza é muito importante o apoio brasileiro. A energia é diferente, antes de lutar no UFC, fiz todas as minhas lutas no Brasil e sei que existe muito apoio da torcida. Pelo UFC será minha segunda luta no Brasil, com certeza será um dierencial pra mim e pra todos os brasileiros do card”.

Um dos aspectos negativos de sua última luta foi a questão do preparo físico, já que Vicente acabou cansando e virou vítima do jogo do inglês Edwards. Para a luta contra Price, Luque comentou que fez melhores em tal aspecto e pretende se apresentar melhor para o próximo sábado:

“O fato da minha última luta ter tido erros no preparo físico, que vai estar muito forte pra essa luta. Venho trabalhando isso bastante e muita gente acha que pra luta três semanas é pouco tempo, mas eu já vinha treinando, pensando e pedindo pro UFC pra lutar em outubro ou novembro, eu já tinha na cabeça lutar nessa época, eu já estava em camp. Foram três semanas que fiquei sabendo da luta, mas já estava treinando antes disso como se fosse lutar, acabou que tudo casou perfeito”.

Niko Price está invicto no MMA com 10 vitórias. O brasileiro foi perguntado sobre a importância de enfrentar um atleta que vem em uma fase boa como a de Price, que pode lhe colocar de volta entre os nomes aspirantes a entrar no top 15 da divisão:

“Eu sempre quero estar lutando com os melhores da categoria, acho que um cara que tem apenas vitórias na carreira e no UFC, é uma luta interessantíssima. E vindo de uma derrota, podendo ganhar de um cara assim, com certeza me bota lá em cima, na mesma sequência de quatro, e continuo procurando os de grande nome, top 15”.

Também perguntamos para Luque o que ele acha do duelo contra Price, onde cada um é melhor, e ele mostrou confiança na sua superioridade sobre o atleta americano:

Acredito que sou mais favorecido misturando, as vezes dentro e as vezes fora, o estilo de luta é muito parecido. A gente começa na trocação, os dois tem um chão bom e sempre pressionando. A luta não vai ser diferente disso, com ele indo pra cima, ele vindo pra cima e quem conseguir pressionar mais e quem tiver mais vontade vai levar. Acho que não vai durar três rounds, mas pode ser um grande nocaute ou a melhor luta da noite.

Voltando a falar do duelo de março contra Leon Edwards, Vicente citou os problemas que teve na preparação e acredita que não deveria ter aceitado o combate na época. No próximo combate, ele acredita que estará mais saudável e com um corte de peso mais tranquilo para o seu retorno ao octógono:

“No dia, foi uma soma de várias coisas que aconteceram no meu camp. Eu vinha numa sequência de muitas lutas e os cortes de peso agrediram bastante o meu corpo, acho que não deveria ter aceitado a luta, mas aceitei e estava animado com a sequência, com aqiele pensamento de ‘vamos lá e vamos ganhar’, e foi um aprendizado, precisava aprender a respeitar o meu corpo mais, por isso tirei esse tempo fora pra próxima luta para poder recuperar o corpo, e acho que isso foi que mais aprendi na última luta”.

“Sim, um Luque mais saudável e que vai repeitar mais o corpo. Por exemplo, a luta de Nova York, eu aceitei e foi bom, assim como essa agora, pois estava me sentindo bem, mas existem algumas lutas que você não está se sentindo bem, não estou no momento e me oferecem, ai eu vou lá porque vou ganhar de algum jeito. Esse tipo de luta eu vou repensar e com certeza um Luque mais saudável e mais focado entrará lá para dar o seu melhor”.

Para encerrar, perguntamos para Luque se ele acredita que existe um tabu entre os lutadores para topar lutas, e ele acredita que isso é psicológico, e não algo forçado pelos matchmakers do UFC:

“Eu não diria que é um tabu. Muitas vezes, como no meu caso, o que acontece é que amo lutar, eu luto porque realmente amo isso. Então, quando me oferecem uma luta, o que eu quero fazer é lutar, aceitar a luta. Acontece que as vezes isso entra e mexe no julgamento. Não julgo de forma correta, do que é interessante para carreira, e sim, ‘ah, vou lutar e pronto’. Acho que isso não é um tabu, ninguém impõe pra gente que temos que aceitar todas as lutas, mas temos muita vontade de lutar porque somos competidores, então tem aquele de ‘ah, colocaram esse cara na minha frente, é um desafio, vou aceitar e passar por cima dele”.