Santiago Ponzinibbio fuzila Gunnar Nelson no UFC Fight Night 113 rumo ao top 10

Finalizações brutais foram a tônica de cinco combates do UFC Fight Night 113, que deixou Santiago Ponzinibbio perto da elite da divisão dos meios-médios com o nocaute avassalador sobre Gunnar Nelson.

Parecia mais uma luta ao feitio de Gunnar Nelson, mas os punhos de Santiago Ponzinibbio deram outros contornos ao duelo principal do UFC Fight Night 113. Diante de um público empolgado de 10.589 torcedores na SSE Hydro, na capital escocesa Glasgow, o argentino conseguiu a maior vitória de sua carreira.

O islandês iniciou em sua clássica base do caratê, de movimentos econômicos, mas muita precisão e pressão nos golpes. Santiago tentou se mexer lateralmente para não se tornar um alvo fixo e acabou engolindo alguns socos. No entanto, o argentino não parou um segundo de buscar uma alternativa. E ele conseguiu quando encontrou Gunni no centro do octógono e largou um foguete de direita. Nelson saiu de órbita e não mais se recuperou. Santi cometeu uma falta ao agarrar o short do europeu, mas o árbitro não percebeu. Ponzinibbio então enquadrou o ainda atordoado adversário e jogou uma sequência de socos. No instinto, Nelson tirou os três primeiros, mas o quarto, um jab, atingiu o alvo em cheio. Gunnar foi a knockdown e o confere dado pelo sul-americano sequer era necessário.

Esta foi a quinta vitória consecutiva de Santiago Ponzinibbio na divisão dos meios-médios do UFC. Ele está atrás apenas das sete de Demian Maia, o próximo desafiante do campeão Tyron Woodley. O resultado deve catapultar o argentino para o top 10 da divisão e talvez ligue definitivamente o alerta para Nelson tentar baixar para os leves. Santi embolsou ainda um dos bônus de desempenho distribuídos na noite escocesa.

Luta agarrada dá vantagem a Cynthia Calvillo sobre Joanne Calderwood

Enquanto o combate entre Cynthia Calvillo e Joanne Calderwood foi disputado no striking, os juízes tinham uma missão dura para resolver. Para sorte deles, a americana botou o wrestling e o jiu-jítsu para clarear o julgamento.

Cynthia Calvillo dominou Joanne Calderwood no chão e mostrou força também em pé

Pela maior parte do tempo, parecia que Calvillo queria se testar em pé contra uma striker talentosa. E ela passou neste primeiro teste. O primeiro assalto estava equilibrado, com JoJo melhor no volume e Cynthia, na potência. No minuto final, porém, a americana conseguiu levar o duelo para o chão e mostrou que ali não havia equilíbrio. Ela tentou um mata-leão e quase finalizou o combate numa chave de braço – a buzina de fim de round salvou Calderwood.

Na segunda etapa, o tempo disputado em pé tornou o round difícil de ser julgado. Novamente Joanne teve vantagem (pequena) no volume de jogo, enquanto Cynthia aplicava os melhores golpes. Como a nova regulamentação manda valorizar a potência, a americana abriu 20-18, mas num cenário em que era possível anotar empate em 19-19.

Calvillo adotou a mesma tática da primeira parcial. Ela seguiu forçando o jogo em pé, acertando os golpes mais contundentes, mas dando margem para Calderwood equilibrar as ações. Então a americana garantiu a vitória levando a oponente para sua zona de conforto. Calvillo novamente pegou as costas de Joanne e encaixou outro mata-leão. O estragulamento dessa vez era mais profundo, mas mais uma vez faltou tempo. A buzina estourou com Calderwood já na expressão de que desistiria do combate.

Não deu tempo de finalizar, mas os juízes confirmaram a vitória de Cynthia Calvillo, que chegou ao terceiro triunfo em três lutas no UFC. A decisão unânime teve os placares de 30-27 (duplo) e 29-28.

Paul Felder brutaliza Stevie Ray com joelhadas e cotoveladas

Em mais um duelo em que a brutalidade reverteu o cenário, Paul Felder aplicou um nocaute violento sobre Stevie Ray, ampliando os reveses dos donos da casa no card principal.

Ray mostrou que pretendia cozinhar a luta nos minutos iniciais e desgastar principalmente os braços de Felder. O escocês conseguia o intento no clinch na grade, mas ali também ele viu tudo ruir quando o americano se desvencilhou parcialmente da pegada, apenas para encontrar o espaço necessário para uma joelhada mortal na ponta do queixo. Ray caiu apagado e recobrou a consciência quando bateu no chão. Talvez fosse melhor ter ficado por ali. Felder seguiu para o solo e deixou duas cotoveladas que afundaram o osso orbital do rosto do europeu. O nocaute aconteceu na marca de 3:57 da primeira etapa e rendeu a Felder um dos bônus de desempenho.

Jack Marshman vence Ryan Janes com mais dificuldade que o esperado

A expectativa era de nocaute no primeiro round, mas parece que Jack Marshman resolveu praticar boxe amador nas regras antigas contra Ryan Janes. O queixo duro do canadense conduziu o combate até o fim.

Foi tenso perceber que Marshman tinha uma avenida para explorar e não conseguiu. A melhor alternativa para Janes era levar a luta para o chão, mas não conseguiu superar a defesa de quedas do galês e desistiu de tentar. Ryan então aceitou a disputa no striking e até teve os seus momentos.

Janes se posicionou com o tronco ereto e o queixo exposto. Pior, seu jab parecia um varal esticado, que não servia para nada ofensivamente e não o ajudava muito defensivamente. Bastava Marshman avançar pendulando e subir com um uppercut para dar contornos finais ao combate, mas ele preferiu lutar boxe olímpico da época em que valia mais tocar o adversário do que acertá-lo com potência. Jack até conectou alguns cruzados e ganchos potentes, que jogavam a cabeça de Janes para trás, mas faltou variar os tipos de socos lançados.

No terceiro assalto, Janes não só equilibrou as ações como superou Marshman na troca de golpes. Como o galês insistia na abordagem errada, o canadense teve as melhores oportunidades. Infelizmente para Janes o esforço foi tardio. O triplo 29-28 apontado pelos juízes oficiais foi o mesmo placar conferido pelo MMA Brasil.

Khalil Rountree aplica duro nocaute em Paul Craig

Numa análise prévia preguiçosa desta luta, pensei que Paul Craig levaria vantagem sobre Khalil Rountree explorando a conhecida dificuldade do americano no chão. Apostei feliz da vida no escocês até que, faltando 10 minutos para a luta começar, quando bate aquela reflexão verdadeira do que pode acontecer, senti que tinha apostado errado.

Realmente, se a luta fosse para o chão, Craig passearia. Porém, o que levava a crer que Craig chegaria ao chão? Qualquer um derruba Rountree quando quiser? Andrew Sanchez, que fez o que quis na final do TUF, foi bicampeão nacional de wrestling na NAIA. Craig não está sequer perto desse nível no wrestling e tampouco é um Demian Maia ou Toquinho para confiar em derrubar se embolando. Tyson Pedro finalizou Rountree depois de chegar ao clinch usando o kickboxing que falta a Craig. Enfim, isso tudo para dizer que Craig sequer teve chance e que isso deveria ter sido mapeado por mim. Mal, timê!

Rountree atuou com uma tranquilidade que beirava o desleixo. Isso foi possível porque a cada vez que o escocês avançava, levava uma pedrada e ficava acuado. Com o passar dos minutos, foi ficando mais claro que o europeu não conseguiria entrar no raio de ação do americano. Nos segundos finais, Rountree pegou o oponente com um violento cruzado e Craig caiu praticamente nocauteado. A interrupção aconteceu faltando quatro segundos para a buzina encerrar o assalto.

Demais destaques do UFC Fight Night 113

O card preliminar do UFC Fight Night 113 reservou alguns bons momentos. O boxeador britânico Danny Roberts parecia que teria problemas quando o americano Bobby Nash lembrou de sua base no wrestling e anotou seguidas quedas executadas em tempo perfeito. Porém, Roberts mandou o oponente para a vala com um overhand de canhota dos infernos aos 3:59 do segundo round.

Antes deles, Alexandre Pantoja estragou a festa de despedida de Neil Seery. O peso mosca brasileiro se expôs em alguns momentos na troca de golpes, mas a maior intensidade e velocidade garantidos pelos 11 anos de diferença garantiram a vitória de Pantoja, que derrubou, montou e finalizou o irlandês com um mata-leão na metade do terceiro assalto.

A finalização mais bruta do evento de Glasgow aconteceu nas mãos do estreante Galore Bofando. O striker congolês estava sendo bloqueado no clinch pelo irlandês Charlie Ward quando tentou uma contraqueda. O golpe foi tão violento que Ward apagou quando bateu o rosto no chão.

No combate imediatamente anterior, os estreantes Danny Henry e Daniel Teymur entregaram muita ação. Teymur nunca tinha passado do primeiro assalto e venceu a parcial inicial aplicando knockdowns e levando a melhor na pancadaria franca. No segundo assalto, Teymur deu sinais de cansaço e Henry acelerou com socos, joelhadas no clinch, quedas, montada, um ground and pound feroz e tentativa de finalização. O terceiro round teve mais domínio de Henry, enquanto Teymur não tinha forças para produzir nada ofensivamente. Cabiam dois 10-8, mas apenas um juiz repetiu o 29-26 dado pelo MMA Brasil – os outros dois simplesmente ficaram no protocolar 10-9, mostrando que precisam se reciclar. Esta luta foi merecidamente bonificada como a melhor da noite.

  • Idonaldo Gomes Assis Filho

    Nessa foto de capa o Gunnar tá com uma cara de “não me mate”, estranho pra ele que sempre tem aquela cara que tá importando com porra nenhuma. E o Ponzinibbio merece muito, sou fã desse cara, humilde, empolgante e espero que o UFC trate ele como joia pra crescer nos países da América do Sul.

    Aliás achei magnífico de colocar os demais destaques no lugar de Willis x Mulheron, ainda que teria sido melhor ver essa luta que Vasco x Santos…

  • James sousa

    só vir a luta principal legal a evolução do Ponzinibbio nunca imaginei ele chegando no top 10

  • Ricardo Sedano

    Apesar de ter errado no fantasy, bem feliz pela vitória do Ponzinibbio. Depois de ter visto a transmissão da fox sports para america latina (menos mexico) deu para ver a empolgação deles com o argentino (tudo bem que a transmissão era argentina mas…). Acho que ele pode ser um trunfo para o UFC tentar entrar nesse mercado, que até agora é quase nulo para eles.

    No mais, belissima apresentação dele, mas o quanto essa questão do dedo no olho não reportado pelo nelson/visto pelo árbitro pode prejudicar esse momento dele??

  • Ricardo Sedano

    A Calvillo se mostra cada vez mais como um prospecto interessante… meu medo é ela se queimar pelo fato da categoria ser rasa e ela após uma vitória acabar sendo lançada para lutar com a Gadelha ou com a Joana pois há um gap gigantesco entre elas…

  • Tonny Varela

    Ponzinkbbio é sinistro hein, queria muito ver ele contra o condit…

    • Gabriel Carvalho

      É a luta a ser feita.

  • Gabriel Carvalho

    Calvillo se saiu muito bem contra um nível de competição mais alto, vamos ver o futuro dela. Acho que uma luta contra a Michelle Waterson seria bem legal.