Rogério Minotouro e Ryan Spann debatem duelo de gerações no UFC 237

Por Gustavo Bizzo | 09/05/2019 21:20

O card preliminar do UFC 237, no Rio de Janeiro será fechado em um embate de gerações. Rogério Minotouro, com 31 lutas nas costas (6-5 no UFC), vai enfrentar Ryan Spann, oriundo do Contender Series e com apenas uma luta e uma vitória no UFC. Separados por 15 anos de idade, o Little Nog, em entrevista ao MMA Brasil, diz acreditar que sua experiência deve balancear o peso da juventude do adversário. “Acho que a juventude dele é boa, realmente, porque dá um pouco mais de vigor a ele. A minha experiencia também vai ser boa, com certeza, porque eu já estou mais rodado, já estou mais experiente; não só de luta, mas de treino, de visão de jogo”.

Além da idade, Minotouro – que tem três nocautes técnicos em suas últimas quatro vitórias – precisará lidar com os quase 10 cm de diferença entre ele e o “Super-Homem” para colocar seu jogo em prática. O veterano esteve atento a isso. “Tive que fazer sparring com caras mais altos. Consegui encontrar o Montanha, que é um cara muito grande, tem 1,97 de altura. Consegui encontrar também um outro sparring de 2,2m. Tive que fazer sparring com cara grande para poder chegar nesse nível de lutar um cara desse tamanho”, completa Nogueira.

“É isso que sempre pedimos: grandes oportunidades (…) Vencer uma lenda brasileira, no Brasil, na sua própria terra”

Do outro lado, Spann, também em entrevista ao MMA Brasil, diz que quer aproveitar a oportunidade de enfrentar um veterano de nome para ganhar mais visibilidade. “Eu acho que essa é a ideia. É isso que nós sempre pedimos: grandes oportunidades. Ter o meu nome dito por aí, vencer uma lenda brasileira, no Brasil, na sua própria terra. Quer dizer, poderia ser uma luta grande mesmo se acontecesse nos Estados Unidos, mas, aqui no Brasil, ela é tão grande quanto pode ser”, explicou o Super-Homem. Apesar de 10 de suas 15 vitórias serem por finalização, Spann não considera o grappling sua arma principal para derrotar Minotouro. “Eu tenho treinado striking há mais tempo do que grappling. Eu acabo tendo várias finalizações porque eu não gosto de nocautear as pessoas, por isso que eu tenho mais finalizações. Eu sou primeiro um striker, depois um grappler“.

Ao aceitar enfrentar um dos donos da casa, a fama da torcida brasileira não teve peso relevante na decisão do americano, que considerou a oportunidade grande e boa demais para deixar passar. “Eu não pensei muito sobre o ambiente hostil e essas coisas. De onde eu sou, nos EUA, também temos lugares bem ruins nesse sentido. Eu estou tranquilo com tudo isso”. E qual foi a pior parte de enfrentar uma grande estrela, conhecida pelo grande e assustador público brasileiro? “O que eu não gosto é desses pequenos aviões, eu tenho 1,95 (…) se você me perguntasse eu iria preferir lutar no meu quintal todas as vezes [risos]”, disse o americano bem humorado.

“Quando eu luto aqui [no Brasil], eu faço boas lutas e a gente quer entregar bastante”

Na opinião do lutador da casa, a pressão do público invariavelmente vai acabar afetando o visitante. “A gente vai tentar motivar a torcida e colocar a galera para gritar ali pra gente poder ir pra cima. Quando você vem embalado pela motivação da torcida, você dá mais, você luta mais. E isso sempre acontece comigo. Quando eu luto aqui, eu faço boas lutas e a gente quer entregar bastante. Queremos entregar uma luta show”, disse Minotouro.

Primeiro passo: Spann teve sua primeira vitória na organização em 2018, no UFC São Paulo – Crédito: Jason Silva-USA TODAY Sports

Histórico profissional: uns com tanto, outros com pouco

Enquanto Minotouro acumula uma longa carreira aos 43 anos de idade, Spann chega ao UFC buscando seu lugar no holofote. O americano chegou à organização após ser frustrado em sua primeira tentativa no Contender Series, quando foi derrotado por Karl Roberson. Nesse meio tempo, entre uma temporada e outra no programa de Dana White, o Superman não só se aventurou na LFA, mas também conquistou cinturão na organização. “Depois de perder no Contender Series nós decidimos voltar, conseguirmos o cinturão e, a partir daí, uma oportunidade para lutar no Contender uma segunda vez. Então foi algo que acabou acontecendo, eu estava pensando ‘vamos lá, vamos buscar o cinturão’ e aconteceu”, disse o Superman.

“Estar lutando em frente a essas crianças me motiva bastante. E esse é legado que a gente deixou na arte marcial, né?”

No canto de cá do Equador, mesmo a quilometragem acumulada e com o tempo de casa, Minotouro descarta planos de aposentadoria para agora e conta o que o motiva a se manter em atividade: servir como exemplo para outros jovens que aspiram usar as artes marciais como ferramenta de transformação de suas vidas. “A gente tem bastante aluno aqui no Brasil. Na Team Nogueira, são 10 mil alunos; no projeto social, o Instituto Irmãos Nogueira, são 1.200. Estar lutando em frente a essas crianças me motiva bastante. E esse é legado que a gente deixou na arte marcial, né? Quando a gente começou, praticamente não tinha MMA, não tinha UFC. A gente tinha um sonho de estar lutando no UFC e, hoje, realizamos esse sonho de lutar no Brasil”, abriu nogueira.

A mesma motivação deve alimentar o tempo do veterano, assim que os planos de aposentadoria começarem a serem postos em prática. Além do projeto social e das atividades ligadas à Team Nogueira, Rogério também deve trabalhar em nome do esporte — semelhante ao que seu irmão, Minotauro, faz como embaixador do UFC. “Hoje eu sou presidente da Confederação Brasileira de MMA Esportivo. A gente tem um trabalho muito grande pela frente com o esporte, pensando em trazer condições para que esses jovens atletas cresçam no MMA”. Nogueira indica que os trabalhos devem se conectar, já que o Instituto Irmãos Nogueira funcionaria como um primeiro passo, colocando as os mais jovens para serem iniciados no esporte.