Robert Whittaker nocauteia Derek Brunson num primeiro round de animada pancadaria na Austrália

Num dos mais animados rounds do ano, Robert Whittaker chega à quinta vitória seguida no peso médio e interrompe a série invicta de Derek Brunson no UFC Fight Night 101.

O card principal do UFC Fight Night 101, que aconteceu neste sábado em Melbourne, na Austrália, não tinha a mesma empolgação do preliminar. Isso até Robert Whittaker e Derek Brunson entrarem no octógono para a luta principal.

Os 13.721 torcedores que lotaram a Rod Laver Arena foram ao delírio com um dos rounds mais selvagens e movimentados do ano. Os lutadores tentaram trocar couro logo no começo. Com Whittaker levando vantagem, Brunson resolveu mudar o plano para as quedas. A primeira tentativa foi ruim, mas suficiente para travar Whittaker na grade. A segunda tentativa foi ridícula e fez a luta descambar para uma pancadaria no pior melhor estilo dos bailes funks cariocas.

Quando o nível técnico despencou, Brunson levou vantagem ao acertar alguns petardos toscos. Porém, o americano estranhamente resolveu mergulhar nas pernas do oponente mesmo à uma distância que seria impossível completar a queda. Whittaker, que havia suportado a blitz com dignidade ímpar, tentou abrir espaço e viu o americano correr desesperadamente atrás dele com o queixo totalmente exposto e os braços parecendo hélices. Era hora de o neozelandês reagir. O “Ceifador” devolveu ferro com ferro, balançou Brunson com um gancho de esquerda e, na hora de abater a presa, inverteu a sequência, inciando com um direto de esquerda, passando para um jab de direita que foi emendado com um chute alto. Brunson foi à lona e acabou engolido pela metralhadora de socos de Whittaker. Herb Dean interrompeu na marca de 4:07 de ação.

A animada pancadaria acabou premiada como a melhor luta do evento. Whittaker ainda embolsou US$50 mil adicionais pelo bônus de desempenho e empatou com Michael Bisping e Krzysztof Jotko como a segunda maior sequência na divisão dos médios (cinco vitórias cada), atrás apenas das oito de Yoel Romero.

Andrew Holbrook vence Jake Matthews em decisão dividida

Apesar de todo o apoio dos compatriotas demonstrado na véspera, na pesagem, e na hora da luta, o australiano Jake Matthews não conseguiu superar nem uma lesão no pé, nem Andrew Holbrook.

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Mais atlético, o jovem prospecto começou o combate aplicando bons chutes, mas acabou parando na estratégia de Holbrook, que queria desacelerar o combate e travar Matthews no clinch. Foi assim que o americano levou o primeiro assalto. Holbrook ainda teve seu trabalho facilitado por uma lesão no pé de Jake ainda na parcial inicial.

Com a contusão, Matthews não conseguiu imprimir sua pressão costumeira e acabou fazendo o jogo do oponente. Mesmo quando estava por baixo, Holbrook atacou com tentativas de finalização, deixando o australiano em posição defensiva durante alguns momentos. No terceiro assalto, sem o senso de urgência necessário, Matthews novamente aplicou uma queda e ignorou os pedidos do córner para se levantar, provavelmente por causa da lesão. Numa luta parelha, é possível ver os dois últimos assaltos a favor de Matthews, como o MMA Brasil e o juiz Charlie Keech marcaram. No entanto, Anthony Dimitriou e Evan Field anotaram o contrário, dando a vitória para Holbrook, o maior azarão nas casas de apostas do evento.

O resultado fez o UFC Fight Night 101 empatar com o Fight Night 36, em Jaraguá, o 84, em Londres, e o UFC 169, em New Jersey, como os eventos que mais tiveram lutas decididas pelos juízes laterais (10). A Austrália já tinha o recorde de maior número de interrupções, no UFC Fight Night 55 (11).

Omari Akhmedov aposenta Kyle Noke com vitória por decisão

Talvez o veterano Kyle Noke tenha encontrado o fim de linha no UFC. O australiano tombou pela terceira vez consecutiva, dessa vez pelas mãos do russo Omari Akhmedov.

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O confronto iniciou com o russo buscando encurtar e o australiano usando mal os chutes. Quando o cruzado de direita entrou, Akhmedov conseguiu derrubar. No chão, não adiantou muito o trabalho de Noke na guarda, que é um de seus principais ativos. O russo fechou bem os espaços, esmagou o australiano na grade e desceu a lenha no ground and pound. Noke tentou sair de quadril, tentou um triângulo, mas ficou à mercê da punição do oponente e voltou para o córner sangrando bastante no inchado olho esquerdo.

O segundo assalto começou com pouca ação, com Akhmedov tentando atrair a atenção de Noke para seus socos de direita enquanto arrumava uma brecha para derrubar. A queda chegou no segundo minuto, numa investida que nem foi executada com a melhor das precisões. Desta vez, Noke trabalhou mais para sair da situação de prejuízo por baixo em vez de fazer guarda e contou com a ajuda do árbito Steve Percival, que mandou os lutadores voltarem ao centro de pé. Golpes esporádicos conduziram o minuto final e Akhmedov abriu vantagem com 20-18, com margem para 20-17, na contagem do MMA Brasil.

Noke voltou a telegrafar os golpes no terceiro assalto, facilitando a defesa de Akhmedov. O russo adotou postura de apenas contra-atacar, sem se expor, enquanto o australiano não mostrava o senso de urgência necessário para quem poderia inclusive estar perdendo por três pontos. O córner de Noke berrava pedindo pressão, mas seu pupilo não atendeu, seguindo como se estivesse vencendo a luta. Só para garantir mais um round, Akhmedov derrubou faltando 40 segundos para o fim e manteve Noke com as costas no chão praticamente até o fim, sob tímidas vaias do público australiano. O russo venceu por decisão unânime, com um juiz repetindo nosso 30-27 e os outros dois anotando 29-28.

Após o combate, Noke foi ao Twitter anunciar que esta foi sua última luta.

“Obrigado ao UFC e a todos fãs. É hora de pendurar as luvas. Tive uma vida abençoada fazendo o que eu amo. Eu não mudaria nada.”

Alexander Volkanovski nocauteia Yusuke Kasuya com ground and pound poderoso

Em combate que começou cheio de mudanças, o australiano Alexander Volkanovski conseguiu a vitória em seu primeiro compromisso no UFC. A vítima de seu punitivo ground and pound foi o japonês Yusuke Kasuya.

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Quem tem credenciais no wrestling é Volkanovski, mas foi Kasuya quem conseguiu derrubar quando o overhand de aproximação do australiano não funcionou. Porém, Alex escapou, levantou e pressionou o japonês no clinch antes de derrubá-lo junto à grade. Dali, Volkanovski aplicou um pesado ground and pound. Foi a vez de nova virada, quando Yusuke tentou uma chave de joelho e conseguiu acabar por cima da guarda fechada do rival. Em meio a tantas alternativas, Volkanovski saiu na frente.

Alex precisou de 20 segundos para derrubar e voltar ao trabalho de socar e cotovelar por cima da guarda. Kasuya tentou fazer guarda, mas Volkanovski disparava golpes brutais. Não houve outra alternativa ao árbitro senão salvar a pele do japonês na marca de 2:06 da segunda etapa.

Tyson Pedro estreia com virada sensacional sobre Khalil Rountree

Reviravolta marcou a estreia do australiano Tyson Pedro no maior palco do MMA mundial. Ele começou em perigo contra Khalil Rountree, mas conseguiu uma grande virada ainda na primeira etapa.

O primeiro assalto deixou clara a diferença de estilos e estratégias. Mais técnico e mais forte na troca de golpes, Rountree pressionou logo no começo e aplicou um knockdown com uma violenta esquerda em forma de direto. No entanto, Pedro mostrou excelente capacidade de recuperação, levantou para derrubar o adversário e mudar o cenário do combate. Melhor grappler, o australiano tentou montar, passou para as costas e tentou um esgana-galo. Khalil tentou fazer o giro para escapar e acabou preso no mata-leão. Pedro puxou, apertou o estrangulamento e fez o americano batucar na marca de 4:07 da primeira etapa. O novato levou o outro bônus de desempenho do evento.

Danielle Tylor vence Seo Hee Ham em decisão controversa

O combate que abriu o card principal em Melbourne não seguiu a tônica de animação das preliminares. A sul-coreana Seo Hee Ham iniciou melhor contra a americana Danielle Taylor, usando bem a envergadura e aplicando maior pressão nos golpes, especialmente o direto e o cruzado de esquerda. O combate caiu em certa morosidade quando as lutadoras deixaram de variar a movimentação, deixando as ações previsíveis. O segundo assalto foi parelho, com Taylor encaixando boas direitas, mas a asiática se beneficiou de uma tentativa malsucedida de queda da rival e caiu por cima para garantir mais um assalto.

Após receber uma dedada no olho que pareceu intencional no terceiro round, Ham sinalizou para o árbitro, que ignorou os apelos e não interrompeu o combate. Taylor, que não tem nada a ver com o erro do mediador, aproveitou o descuido da adversária e acertou potentes golpes, dando a impressão que poderia se recuperar. A americana ainda conseguiu uma queda, venceu a última parcial, mas não fez o suficiente para vencer, pelo menos na visão do MMA Brasil. Anthony Dimitriou e Evan Field, os dois juízes que deram a vitória a Holbrook na luta coprincipal, marcaram um absurdo 30-27 a favor de Danielle Taylor.

  • Sexto Empírico

    Caraca! O q o Derek quis fazer? Usou a tática do Werdum e do Aldo: sair correndo, desesperado, caçando borboleta e ignorar a 3a lei de Newton. Nestes casos, até um jab derruba. Acho q aquilo foi desespero para o bonus. Se foi isso, de certa forma deu certo a estranha estrategia. Luta divertida, mas um tanto bizarra.
    Matthew lutou com o pé inchado e muita raça. Me lembrou uma entrevista do Marco Ruas (verdadeiro inventor do MMA, como pratica marcial) na qual ele dizia q a chave de pe, calcanhar era a sua preferida pela eficiencia, ja q uma vez q o lutador escapasse, conseguiria mal ficar em pe na luta. Apesar do Matthew ter resistido bem, e até vencido na opinião de alguns, falta algo em seu jogo para torná-lo mais eficaz. Seria esse “algo” mais experiência, para ficar mais malicioso, ter antevisão e entender a luta mais como um jogo de xadrez do que uma guerra onde mata ou morre? Não sei. Continuo acreditando no Justin Bieber do MMA. Penso que, em 2 ou 3 anos, poderá estar se alinhando no pelotão dos top 10.

    • Acho que o Brunson se preocupou em aumentar a sequência de nocautes no primeiro round. Se ele conseguisse ontem, teria se tornado o líder isolado nessa estatística na era moderna e teria dado um belo passo rumo á disputa do cinturão.

      Matthews precisa vir pro lado de cá do mundo, até no Brasil tem treino melhor pra ele. Mas eu iria pros EUA ou pra Tristar.

  • Fernando Reporta

    Achei que faltou algumas cadeiradas, voadora nas costas, casco de cerveja na cabeça e o Didi com extintor de incêndio na luta principal. Tirando isso, foi a luta mais “maravilhosamente feia” que me recordo.

    • Sexto Empírico

      “a luta mais maravilhosamente feia…” kkk. Ótima definição.

    • Faltou tocar Chatuba de Mesquita na luta.

      • Fernando Reporta

        Didi nos trapalhões com extintor de incêndio e gritando: “é caflito, é caflito” é do meu tempo. Mais “chatuba de mesquita” (seja lá o que isto signifique) não cheguei a ver. Então, que danado é “chatuba de mesquita”?

        • Funkão. Essa luta foi porrada de baile funk. Mas, sim, o Didi também estava perto de entrar no octógono com um extintor na mão atirando no Sargento Pincel.

  • Beto Magnun

    Tava torcendo pro Whittaker, pois além de ser um dos caras mais empolgantes dos médios é um dos únicos prospectos junto com o Jotko (se é que da pra considerar o Jotko prospecto há essa altura), mas achei que o Brunson ia levar. Nunca imaginei que o Brunson ia ser tão burro. Implorou pra ser nocauteado.

    • Whittaker tem 25 anos, Jotko tem 27. Ainda dá pra considerar que os dois são novos. Com a evolução do MMA, daqui a pouco não vai mais ser assim.

  • Gabriel Carvalho II

    O card principal foi tão bizarro que quatro lutadores ali tem potencial de serem cortados. O Noke já facilitou o trabalho e aposentou.

    Brunson já correu muito risco nessa estratégia de cavalo selvagem contra o Alvey (que apesar de não ser um bom lutador, tem um contra ataque perigoso), agora sofreu as consequências. Apostaria no Vitor Belfort se o Derek usasse a mesma estratégia.

    Matthews tem que ir pros Estados Unidos (ou Canadá, na Tristar) urgentemente. Um talento desses não pode perder pro Andrew Holbrook.

    • Noke se adiantou hahaha

      Sabe o que eu achei do Brunson? Acho que ele tava muito preocupado em estender a sequência de nocautes no primeiro round. Ele seria o líder isolado da era moderna se conseguisse ontem.

      Matthews tem que ir pra América mesmo. Até aqui no Brasil daria mais certo do que com o pai e o irmão.

  • Bruno Brunet

    Totalmente alucinado o Brunson, quis ir de qualquer jeito contra o lutador mais técnico na luta em pé. Fez tudo errado e mereceu perder. Faltou consciência tática para ele nessa luta. Selo Patrick Cummins de plano de luta. E agora o Whittaker merece um grande nome como próximo adversário, provavelmente será o Mousasi.

  • Igor Vovchanchyn

    Meu deus! Que luta horrível! Brunson encarnou o Leonard Garcia, até o Wanderlei parecia um primor técnico comparado ao que o Brunson apresentou ontem! Imagina assistir um Lomachenko em estado de arte e depois depois ver essa briga de baile funk… como diabos esses caras estão no top 10? O peso médio tem um top 6 muito forte, Romero, Jacaré, Weidman, Rockhold, Mousasi e Kennedy mas o resto da divisão é sofrível… por isso contesto a suposta evolução técnica no MMA, é claro se estamos falando apenas do top 5 de qualquer divisão, a evolução é nítida, mas se colocarmos um top 20, fica claro que os lutadores ainda apresentam as mesmas deficiências do passado.

    • Eu vi o Lomachenko imediatamente antes de ver essa luta. Foi um choque, mas deu pra divertir.

      Sobre a evolução, eu acho que não é bem por aí. Pegue por exemplo o peso leve ou o meio-médio.

  • Luiz Gustavo

    Ver o Brunson no top 15 pra mim é tão triste qnt ver Tim Boestch,Caio Monstro,Josh Sammam…e entre outras barangas…
    Que bom q o Whittaker o venceu.Nunca me amarrei neste jogo d ventilador do americano

  • James sousa

    depois de acabar de ver a luta do lomachenko coloquei no UFC e vi essa pancadaria de baile funk e concordo que o Matthews precisar ir para os Estados Unidos ou pra Tristar ,não precisa nem ir pra uma equipe grande só indo treinar com um Eric Delfierro ,Matt Hume ou um Firas Zahabi por exemplo acredito que conseguir moldar o talento do garoto

  • Weslei Alvarenga

    Ainda bem q fiz outras coisas no Sábado e só fui ver a luta principal de manhã…. Na moral, eu tenho q fazer uns highlights dessa luta ao som de um baile funk de “primeira” e com Didi correndo com estintor.

    A luta foi divertida, mas a qualidade do meu Domingo aumento dps vendo mais um show do Vasyl, GP de Abu Dhabi da F1 ( foi do krl ) e a vitória do mengão.

  • Rafael Alves

    Vi que na luta principal (não tenho certeza, mas acho que vi em alguma outra) tinha lutadores com TAB no calção. Um site australiano de apostas, pelo que vi.
    Será que o modelo Reebok começa a amolecer e abriu-se a possibilidade de patrocínios por evento? Será que isso diminui a insatisfação de parte do elenco?
    Como seria bom se existisse uma coluna que tratasse dos negócios por tras do MMA (Ultimate Business seria um nome interessante….)!

    • Sexto Empírico

      Acredito que aquilo é o mesmo acordo q o UFC tem com a Monster, que também põe seus logos nos calções. E os atletas estão alheios a isso, isso é, não devem receber nada.

      Na imprensa brasileira, quase nada se falou disso, mas o MMA Junkie conseguiu alguns documentos com um investidor, que mostra, de modo geral, as finanças do UFC e, por aí, conseguimos entender o planejamento e certas decisões. Dá uma procurada lá (4 ou 5 semanas atrás, não lembro) que é bem interessante.