Robert Whittaker coroa trajetória inesperada com o cinturão interino dos médios no UFC 213

Robert Whittaker coroa trajetória inesperada com o cinturão interino dos médios no UFC 213
MMA

Com a perna machucada e o nariz sangrando, Robert Whittaker consegue virada heroica sobre Yoel Romero e coroa com o cinturão interino um caminho que começou numa edição pouco celebrada do TUF e duas derrotas seguidas.

O MMA contou mais uma bela história neste sábado. Na luta principal do UFC 213, realizado na T-Mobile Arena, em Las Vegas, o peso médio Robert Whittaker venceu Yoel Romero e uma lesão na perna para se tornar o primeiro australiano campeão na história do UFC. O evento atraiu 12.834 torcedores, que produziram renda de US$2,4 milhões.

O combate foi difícil desde o começo. Romero abriu dois rounds de vantagem usando primeiro o striking, especialmente fortes chutes baixos que lesionaram a perna de Whittaker. No segundo assalto, entrou em ação o wrestling do campeão mundial e vice olímpico. Com excelente tempo de quedas, Romero levou Whittaker consistentemente ao solo, embora o australiano tenha mostrado uma ótima defesa na luta agarrada, atrapalhando o cubano a manter controle posicional.

O esforço dos 10 minutos iniciais levaram embora o gás do quarentão Romero e seu ritmo caiu sensivelmente a partir do terceiro assalto. O que parecia uma pausa para recuperação no terceiro ficou claro que era queda de rendimento já no quarto. Whittaker cresceu na luta, passou a conectar jabs, ganchos de esquerda e chutes no corpo. O confronto chegou empatado para o último round.

Ambos tentaram apertar o ritmo para garantir a vitória. Whittaker claramente arrastava a perna esquerda e viu Romero abrir pequena vantagem. O cenário virou quando o cubano caiu ao tentar executar um chute. Robert acabou por cima e mandou socos e cotoveladas. Exausto, Yoel não teve forças para sair da posição de desvantagem e Whittaker completou a virada para 48-47, contagem do MMA Brasil que foi replicada pelos três juízes laterais.

A vitória por decisão unânime rendeu a Whittaker o cinturão interino do peso médio, já que Michael Bisping, o dono do título linear, não está apto a defendê-lo. Assim, completa-se uma bela história de um garoto que venceu uma edição pequena do TUF e viu as esperanças esvairem com duas derrotas seguidas como meio-médio. A redenção, tema do fim de semana, aconteceu na categoria de cima, sob dúvidas da maioria dos especialistas. No peso médio, Whittaker alcançou a sétima vitória consecutiva, a maior série atual na divisão.

Alistair Overeem desempata rivalidade com Fabricio Werdum

O Alistair Overeem mais cuidadoso e o Fabricio Werdum menos atlético fizeram um combate abaixo das expectativas. Melhor para o holandês, que venceu a segunda luta da trilogia contra o gaúcho ex-campeão do UFC.

O primeiro round foi muito tenso e pouco movimentado. Werdum iniciou com voadora parecida com a que lançou contra Travis Browne e tentou tomar a iniciativa, pressionando o rival. Porém, a produção ofensiva foi baixa. A de Overeem também foi, mas ele acertou um pouco mais de golpes, o suficiente para sair com o primeiro 10-9.

“The Reem” melhorou um pouco no segundo assalto, especialmente quando pegou Werdum com um direto de esquerda e uma joelhada no corpo. Com mais moral, o holandês voltou a alvejar o rosto do oponente, ainda que sem impor maiores danos. Além disso, as tentativas de thai clinch do brasileiro foram facilmente negadas pelo ex-campeão do K-1.

Werdum conseguiu seu melhor momento no último round, quando acertou uma joelhada poderosa e caiu por cima de Overeem. O multicampeão de jiu-jítsu trabalhou por cima, tentando transições enquanto usava o ground and pound. Foi o suficiente para vencer o round mais claro da luta, mas não para garantir a vitória.

Na contagem final, dois juízes marcaram 29-28 para o holandês, mesmo placar anotado pelo MMA Brasil. O terceiro juiz transformou a vitória de Overeem em decisão majoritária ao enxergar empate em 28-28, com um 10-8 para Werdum na última parcial.

Curtis Blaydes vence limitado Daniel Omielanczuk com atuação fraca

Maior favorito do card principal do UFC 213, o peso pesado Curtis Blaydes fez o que se esperava ao vencer Daniel Omielanczuk. No entanto, os esforços foram limitados para quem é considerado um dos prospectos da divisão mais fraca do UFC.

O polonês incomodou pouco o americano ofensivamente, fora alguns socos e joelhadas espaçadas nos 15 minutos de combate, mas deu muito trabalho ao wrestling de Blaydes, que deveria ser o porto seguro do jovem de 26 anos. Curtis pressionou o adversário no clinch contra a grade, mas teve muita dificuldade para derrubar.

O panorama seguiu o mesmo até Omielanczuk cometer o erro de tentar derrubar Blaydes. O europeu acabou por baixo, alvejado por um forte ground and pound.

Consistente Anthony Pettis bate Jim Miller e recupera confiança

Com um retrospecto de quatro derrotas nas últimas cinco lutas, Anthony Pettis precisava recobrar a confiança perdida. Contra Jim Miller, de volta ao peso leve, a atuação não foi genial, mas consistente e suficiente para trazer a carreira do “Showtime” aos trilhos.

Ajudou muito o fato de Miller não ter mais a vitalidade de outrora. Jim até começou bem, pressionando Pettis, seguindo a receita que deu certo aos oponentes que venceram o ex-campeão do UFC e do WEC. Porém, seu ritmo caiu e Pettis cresceu. O ex-campeão ora minou a linha de cintura de Miller com chutes, ora controlou o adversário no clinch na grade. Como ponto positivo, um uso mais eficiente dos punhos, algo por muito tempo criticado no jogo de Pettis.

Miller teve uma breve chance quando derrubou o oponente e pegou suas costas no segundo round. Porém, Pettis mais uma vez foi competente na defesa da luta agarrada e escapou sem susto. No último assalto, as tentativas de queda de Miller ficaram telegrafadas, o que facilitou a tarefa de Pettis em defendê-las. O placar final foi um triplo 30-27 para o “Showtime”, mesmo resultado anotado pelo MMA Brasil.

  • Gustavo krt

    Muito bom evento e sobre Werdum x Overeem eu gostei muito da luta… é muito bom ver a maestria que Overeem luta no striker e os fortes golpes sempre com muita precisão. Concordo com o resultado e tbm achei que Overeem ganhou 2 rounds mas perdeu de 10-8 o terceiro, nesse caso eu tbm daria empate nessa luta.

    Romero x whintaker foi uma ótima luta e fiquei impressionado com as defesas de quedas de whinterker…cara defendeu 17 das 21 tentativas!!! Gostei da forma agressiva que o australiano se portou na luta. Merecida vitória e espero que bisping mate!!!! Rsrdrsrs gosto de bisping! Rsrs

    • Marcos E

      Muita técnica naquelas defesas de quedas do Whittaker! Frieza para lidar com aquela pressão. Impressionante mesmo!

  • Marcos E

    Robert Whittaker lutou muito. Que luta! Muito foi decidido no wrestling defensivo do atual campeão. Acho que Whittaker vai fazer o Bisping parecer pouca coisa. Whittaker está rápido, está escolhendo bem os golpes e está dificílimo lidar com o cara no grappling. Resta saber se o volume de golpes do Bisping vai conseguir surpreender. Acho que não.

  • James sousa

    Robert Whittake foi excelente ainda mais lutando com problema no pé desde os primeiros rounds
    Werdum foi burro deveria tentar o nocaute mesmo cansado uma blitz de 15 , 30 segundos resolveria Overeem não havia se recuperado

  • Paulo Josué Lemos Alves

    É, no primeiro teste de 5 rounds, o gás do cubano foi para o ralo. Torci por ele, até porque na sua idade não se tem tempo a perder, mas a vitória do australiano foi bem justa. Será que o Romero aposenta? Werdum ganhou o round mais claro da luta, mas na disputa round a round, ele perdeu mesmo, e inclusive estava bem fora de forma, aliás até Overeem, já não é mais o mesmo nesse aspecto.

  • Marcio Rodrigues

    Bisping teria mais chances contra o Romero. O cubano, apesar dos lapsos de brutalidade, é um cara com pouco volume de golpes (o contrario do Inglês) e não pode, nem mesmo, usar sua maior arma, o wrestling, por conta do excesso de musculos que roubam todo seu oxigenio. Da pra imaginar o Bisping vencendo na movimentaçao e volume.

    Contra o Whittaker não há nada que o Conde possa fazer pra vencer

  • Beto Magnun

    Nunca curti Romero e torcia por um nocaute brutal por parte do Robert. Nos primeiros 2 rounds parecia que o Cubano é que ia brutalizar. Gás acabou e ficou só fazendo firulas e tentando surpreender aqui e ali. Bom o primeiro grande striker que ele enfrentou desde o Feijão (carregado no suco) venceu com autoridade e quase fazendo cosplay de Saci. É até estranho ver um cara com menos de 30 anos ostentando o cinturão dessa categoria.
    E o Browne? Treinando com Ray Sefo e ainda assim apresentou uma trocação tosca e QI de luta pior. Lamentável assim como a performance do Blaydes.

  • Gabriel Fareli

    Minhas opiniões :
    -Eu esperava mais desse evento, as lutas me decepcionaram um pouco.
    -Mais cedo ou mais tarde, a idade “avançada” do Romero iria cobrar o preço, e ela cobrou justamente na disputa de cinturão. A partir do 3 round ele não tinha mais força nem pra levantar guarda, parecia um peso pesado.
    -Whitakker foi bem, não foi show, mas foi uma vitória consistente, pra mostrar que ele vai ficar mesmo entre só tops por um bom tempo.
    -Bisping deve ter ficado feliz por ter se livrado do Romero, mas acho que ele ainda não sabe que continua com uma baita encrenca pra encarar.
    -A derrota pro Miocic em Curitiba parece que acabou com a alma do Werdum, ele não é mais o mesmo nem taticamente e nem psicologicamente.
    -Quem diria que depois daquela sequência de derrotas e de uma carreira tão longa, que o Overeem ainda conseguiria evoluir ? Tá sendo legal ver ele mais estratégico, com mais combinações de golpes, com um plano de jogo bem treinado pelo pessoal da Jackson’s MMA.

  • Marco antônio

    Quem diria que em uma categoria com Yoel Romero, Cris Weidman, Lucke Rockhold, Ronaldo Jacaré, Gegard Mousase, Anderson Silva e Vitor Belfort, Michael Bisping e Robert Whittaker seriam os campeões. Dito isso, parabéns ao Whittaker, que conseguiu anular o cubano e sair merecidamente com a vitória. Sobre a luta do Werdum, achei justo o resultado, pra mim o Werdum perdeu a chance de aplicar o nocaute ou até um 10-8 no terceiro round quando derrubou o Overeem e ficou por cima sem pouca ação. Vi muita gente reclamando do resultado, sugerindo que, de acordo com as novas regras de avaliação, os juízes deveriam ter dado 10-8 pro Werdum no terceiro round, e consequentemente o empate ao final da luta. Alexandre, você acha que os juízes perderam a oportunidade que, de acordo com as novas regras de avaliação dos rounds, ter marcado 10-8 para o Werdum, ou a vantagem do gaúcho no terceiro round não mereceu mesmo o 10-8?

  • Rafael Maia

    Eu não gosto do Romero, me parece um lutador sujo – não por causa de esteroides, mas porque usa de estratégias que não são limpas. Mas isso não muda o fato de que ele é um grande lutador.

    Dito isto, a vitória do Whittaker foi excelente e a parte do grappling foi bonita de ver (de ambos).
    Acho que o Bisping vai ter dificuldades com a velocidade e potência dos golpes, mas acho que o jogo de pernas do campeão linear é superior.

    Queria registrar também que o Browne deve estar treinando Boxe com a Ronda, só pode… o cara parecia amador!