Retrospectiva MMA 2016: O melhor e o pior do ano no Bellator

O Bellator viveu em 2016 o ano mais movimentado de sua história. Momentos espetaculares, polêmicas, tragédias e crescimento como nunca acontecera até hoje.

Fala, galera! Chegamos ao final de 2016, que foi marcante em inúmeros fatores para a segunda maior organização de MMA do mundo, o Bellator. A empresa presidida por Scott Coker, que entrou em seu segundo ano no cargo, teve um ano recheado de novidades, polêmicas e recordes ao longo de seus 22 eventos.

Vamos então fazer aqui uma retrospectiva do que rolou de melhor e pior no Bellator em 2016.

Expansão internacional

O ano de 2016 ficou marcado pela maior expansão da história da organização. Foram realizados dois eventos na Itália (em Torino e Florença), um em Israel (na capital Tel Aviv), um na Inglaterra (Londres) e outro na Irlanda (Dublin), totalizando cinco cards disputados fora dos Estados Unidos, algo inédito no Bellator. Apesar de alguns deles não terem sido tão fortes, sobretudo os dois realizados em território italiano, o Bellator foi sucesso de público em todos os locais, fechando com um saldo muito positivo e promessas de novas aventuras internacionais para 2017. Quem sabe um evento no Brasil não estará nos horizontes do maior rival do UFC no ano que vem?

Para tornar a experiência internacional ainda mais bem sucedida, o Bellator fechou acordo com promoções regionais dos países nos quais fez evento. Por exemplo, a organização britânica BAMMA e o evento italiano de kickboxing Oktagon foram parceiros na organização dos cards, inclusive cedendo atletas para lutar no Bellator.

O acordo com promotores regionais pode trazer dividendos para Coker no futuro, atraindo e criando talento internacional para o Bellator. Também vale lembrar que a organização possui, desde 2015, uma parceria com o Rizin FF.

O Bellator expandiu seus horizontes também em outras frentes após acabar sua parceria com o Glory, criando o Bellator Kickboxing e realizando quatro eventos durante o ano. Dando a opção para seus lutadores decidirem se desejam lutar no MMA ou no kickboxing, vimos a segunda edição do Bellator: Dynamite!! nos trazendo mais um grande momento, com o segundo nocautaço de Hisaki Kato sobre Joe Schilling, dessa vez no kickboxing, modalidade de origem do americano.

Mudanças no plantel

Um dos pontos de maior evidência do Bellator em 2016 foram as contratações. Retirando três top 10 do UFC, Scott Coker só tem a agradecer o poder de barganha que ganhou após o acordo do rival com a Reebok.

Primeiro a chegar, Ben Henderson já disputou dois cinturões, porém saiu derrotado nas duas oportunidades, sem ser dominante como foi em sua época no UFC, mas demonstrando resistência e garra de sobra. Sua única vitória no ano aconteceu após uma lesão de Patricio Pitbull, em uma luta que parecia tender para o lado do brasileiro.

Matt Mitrione foi outro que chegou e, diferentemente de Henderson (sem comparar níveis de adversário), ganhou suas duas primeiras lutas no cage circular em menos de um mês, ambas por nocaute. Muito valorizado no Bellator, o “Meathead” ganhou até espaço como comentarista, fazendo entrevistas pós-lutas com os atletas, e agora está marcado para a maior luta de sua carreira, no Bellator 172, contra Fedor Emelianenko.

Por último, mas definitivamente não menos importante, tivemos o anúncio da contratação de Rory MacDonald, que ainda se recupera de uma fratura no nariz e só estreará no Bellator no primeiro semestre do ano que vem, já prometendo disputar o título não só nos meios-médios como também nos médios.

Outras contratações também geraram muito interesse público no evento, foram as de Chael Sonnen, Wanderlei Silva, Sergei Kharitonov e o próprio Fedor – tirando Sonnen, os demais chegaram graças à parceria com o RIZIN.

Apesar de já estar contratado, Wand ainda está sob efeito da suspensão da NAC após fugir de teste antidoping, em 2014. Ele foi liberado do contrato com o UFC e fechou para lutar no Rizin FF, já que lá ninguém se importa com suspensões. Após disputar uma luta de submission em abril, Wanderlei acabou desistindo de lutar no GP de fim de ano após se lesionar. Enquanto isso, Sonnen e Emelianenko assinaram contratos de múltiplas lutas com o Bellator, já marcando suas estreias respectivamente contra Tito Ortiz e Mitrione. Coker já declarou que realizar a luta entre Silva e Sonnen definitivamente está em seus planos.

Entretanto, para compensar as entradas, tivemos também algumas saídas importantes na organização. O Bellator decidiu liberar seu campeão dos leves Will Brooks e os ex-desafiantes Marcin Held e Dave Jansen ao final de seus contratos. Brooks e Held assinaram com o UFC e já estrearam no octógono. Outros nomes menos relevantes, como Houston Alexander, Mike Richman, Mikkel Parlo e Isao Kobayashi também foram cortados durante o ano.

Audiência

Outro acontecimento que definitivamente marcou o ano do Bellator foi o recorde total de audiência com o Bellator 149, que foi liderado pelos confrontos entre Royce Gracie e Ken Shamrock, além de Kimbo Slice e DaDa 5000. Contudo, a marca de cerca de 1,9 milhão de telespectadores foi um ponto totalmente fora da curva e não representou um aumento real de audiência do Bellator na Spike TV – os números mantiveram a mesma média de outros anos, em torno de 600 mil.

O Bellator 149 quebrou recordes também de público e de bilheteria, atraindo mais de 13 mil pessoas para o evento e gerando uma renda de mais de US$1,2 milhões, mostrando que, apesar de todos os pontos negativos que podem ser encontrados no evento, ele ainda pode ser tratado como um sucesso pela organização. O recorde anterior pertencia ao primeiro Bellator: Dynamite!!, que teve público de 11 mil pessoas e bilheteria de US$700 mil.

Furadas

Apesar dos excelentes resultados de audiência e bilheteria, o Bellator 149 foi um dos principais centros de polêmica do MMA no ano. O evento principal, entre os aposentados Royce Gracie e Ken Shamrock, teve um final ridículo, com Gracie derrubando Shamrock após uma joelhada ilegal e finalizando com socos para conseguir o primeiro nocaute de sua carreira. Este encerramento virou polêmica com declarações raivosas de Shamrock, até este ser pego no exame antidoping, apresentando níveis de testosterona elevados demais para um senhor da idade dele, mostrando sinais de anabolizantes e de metadona, droga com propriedades semelhantes à morfina.

O pior do Bellator 149, porém, aconteceu na luta coprincipal, quando Kimbo Slice e DaDa 5000 fizeram uma das lutas mais bizarras da história do MMA, com Kimbo vencendo por nocaute técnico no terceiro round, após DaDa não conseguir mais se manter em pé de tão cansado. Mostrando as consequências que esse tipo de luta pode trazer, DaDa saiu de maca do cage diretamente para o hospital, onde sofreu uma parada cardíaca, mas, sob cuidados médicos, conseguiu se recuperar completamente. A situação poderia se tornar ainda mais desastrosa em caso de dano severo à saúde de DaDa, visto que Slice também foi pego no exame antidoping por uso de esteroides naquela noite.

Outras muitas polêmicas aconteceram durante o ano, com diversas lutas terminando em resultados muito controversos após decisões dos juízes. Decisões controversas são uma constante no MMA, mas foram definitivamente mais frequentes no Bellator neste ano, em lutas como a de King Mo Lawal contra Phil Davis, a de Rampage Jackson contra Satoshi Ishii e de Rafael Carvalho contra Melvin Manhoef. A realização de eventos em localidades com comissões atléticas mais desorganizadas dão margem para esse tipo de erro, mas as lutas citadas foram julgadas por juízes que também são responsáveis por grandes combates no UFC, como Sal D’Amato e Marcos Rosales.

A última polêmica da lista foi a retirada do título dos pesos pesados de Vitaly Minakov após longo período sem defender seu cinturão. O russo agora está há mais de sete meses em disputa contratual com o Bellator, provavelmente lutando por uma liberação para assinar com o UFC. Ainda que tenha retirado o cinturão de Minakov, o Bellator até hoje não definiu o que fará com o título, que não é disputado desde abril de 2014.

Tragédias

O Bellator, em 2016, também foi afetado por algumas tragédias que, infelizmente, tiraram a vida de três lutadores da organização. Em maio, o peso pena Jordan Parsons foi atropelado por um carro em alta velocidade quando atravessava uma rua perto de sua casa. Após o motorista fugir, Parsons foi levado para o hospital, onde passou três dias em coma até falecer. O motorista foi pego alguns dias depois e vai responder na Justiça Criminal, ainda com o agravante de já ter um histórico bastante ruim, tendo a carteira de motorista suspensa por seis vezes.

O nome de Jordan Parsons voltou a ser falado novamente mais para o final do ano, quando ele foi o primeiro lutador de MMA a ser diagnosticado com encefalopatia traumática crônica (ETC), apresentando possível dano cerebral após traumas contínuos na cabeça, assunto que rendeu uma entrevista de nosso companheiro Guilherme Pontes.

Contudo, a notícia mais chocante do ano ainda estava por vir. No dia 6 de junho, foi noticiado que Kevin “Kimbo Slice” Ferguson estava em condição crítica em um hospital da Flórida. Kimbo, que estava no meio de um camp para uma luta contra James Thompson, em Londres, acabou falecendo poucas horas depois, vítima de uma falha no coração, sem que os médicos tivessem nenhum tempo para botá-lo em uma possível lista de transplantes. Tendo falhado no antidoping poucos meses antes da morte, foram levantadas muitas suspeitas de que anabolizantes poderiam ter afetado suas condições cardíacas. De qualquer jeito, a notícia da morte de Slice foi muito sentida no meio do MMA, já que o ex-lutador de rua era muito popular e querido.

Apenas uma semana após a morte de Kimbo, o peso galo Ivan Cole foi encontrado morto em seu apartamento com um tiro na cabeça. Após investigações, foi reportado que Cole se matou enquanto jogava roleta russa, jogo que consiste em deixar uma bala no tambor de um revólver, fazê-lo girar, apontar o cano da arma para si próprio, sem conhecer a posição exata da bala, e apertar o gatilho. A última luta de Cole no Bellator tinha sido no começo de 2015 e ele nunca foi muito conhecido no meio, então a notícia de sua morte não foi tão divulgada.

Mudanças nos cinturões

Apesar do pequeno número de disputas de título, somente sete em 22 eventos no ano, quase todos os cinturões da organização trocaram de mãos neste ano. No primeiro semestre, vimos Eduardo Dantas bater Marcos Loro e se tornar o novo campeão dos galos – ainda deu tempo de defender o título contra Joe Warren, em dezembro. Com a saída de Will Brooks da organização, foi posto para jogo o cinturão vago dos leves, que foi conquistado novamente por Michael Chandler, em duelo contra Patricky Pitbull. Na sequência de eventos de final de ano, mais dois títulos trocaram de mãos com vitórias de Phil Davis e Douglas Lima em cima de Liam McGeary e Andrey Koreshkov, respectivamente.

Os únicos campeões que podem se dar ao luxo de dizerem que sobreviveram ao ano de 2016 com seus cinturões são Daniel Straus e Rafael Carvalho. Tudo bem que Straus passou o ano inteiro sem lutar e a defesa de Carvalho foi uma luta horrível, na qual para a maioria ele perdeu para Melvin Manhoef.

Enquanto isso, o cinturão dos pesos pesados continua sendo procurado pelos mais altos esquadrões de inteligência americanos. Nenhuma pista foi achada sobre seu paradeiro.

Melhores Lutas, nocautes e finalizações

Chegando ao final de nossa retrospectiva, vamos listar os principais destaques que estarão nas disputas do nosso clássico Melhores de Ano.

Apesar do claro sucesso do Bellator 149, a organização promoveu eventos muito superiores e que podem ser considerados realmente os melhores do ano. Primeiramente, tivemos o Bellator 153, capitaneado pela grande surra de Koreshkov sobre Henderson e com Patricio Pitbull finalizando Henry Corrales na luta coprincipal. O card contou ainda com finalizações surpreendentes de Evangelista Cyborg e Michael Page, um com uma chave de tornozelo e o último com uma esquisita chave de pé.

Outro excelente evento foi o Bellator 148, que contou com quatro nocautes nas lutas principais. Paul Daley tratou de finalizar a noite com um uppercut destruidor em Andy Uhrich, após nocautes de Paul Bradley, Patricky Pitbull e Tony Johnson em cima de Chris Honeycutt, Ryan Couture e Raphael Butler.

Fechando nossa lista de eventos, tivemos a primeira viagem do cage circular para a Inglaterra, no Bellator 158. O card, liderado pela excelente luta entre Douglas Lima e Paul Daley, também foi marcado pela joelhada voadora de Michael Page em Evangelista Cyborg. Para completar, tivemos vitórias de Matt Mitrione e Francis Carmont, além da estréia do prospecto James Gallagher.

A discussão de melhor luta do ano na organização não existe, com praticamente um consenso geral de que Michael Chandler e Ben Henderson merecem a honra. A grande luta entre os dois leves é seguida de longe pelo duelo de trocação entre Paul Daley e Douglas Lima, mas bem de longe mesmo.

Entre os melhores nocautes, a presença da joelhada voadora de Michael Page em Evangelista Cyborg, seguida pela personificação de Page em mestre pokémon, é inquestionável. Seguindo, em minha opinião, temos o cruzado lindo de direita de Michael Chandler, que entrou limpamente no queixo de Patricky Pitbull, que caiu apagado no chão. Por último, temos o brutal uppercut de Paul Daley que fez com que Andy Uhrich caísse de cara no chão. Como menção honrosa, a pancada de Patricky que mandou Couture para a vala.

Para encerrar, passamos para as melhores submissões do ano, com Page novamente entre os destaques com sua finalização em Jeremie Holloway, na qual a maioria dos espectadores não viu na hora a chave de pé do inglês encaixar, tendo que procurar o porquê de o americano ter batido. Seguindo o inglês, tivemos a bonita guilhotina que Joe Taimanglo aplicou em uma entrada de queda de Darrion Caldwell, conseguindo uma das maiores zebras do ano. Só não foi a maior porque tivemos a vitória de Alexis Dufresne sobre Marloes Coenen, com a americana conquistando uma bonita submissão após ser raspada pela holandesa, finalizando a segunda melhor peso pena do mundo forçando seu braço no triângulo.

É isso, pessoal! Finalizamos a cobertura do ano de 2016 no Bellator. Qual a sua opinião sobre o ano na organização? Quais são as suas expectativas para 2017? Alguma discordância nas listas de melhores do ano? Deixe na caixinha de comentários suas opiniões.

  • Gabriel Carvalho II

    Eu particularmente achei que esse ano de 2016 foi inferior ao de 2015. Os casamentos eram melhores e eventos legais rolavam com mais frequência, isso foi justamente caindo após Kimbo vs. Shamrock. Essas contratações (principalmente a do Rory) devem melhorar, espero que 2017 seja interessante pro Bellator.

    • Independentemente de ter sido melhor ou pior, 2016 foi bem mais movimentado do que 2015.

    • Rafael Oreiro

      Acho que 2017 é o ano com mais potencial da história do Bellator, se tudo der certo pode ser o melhor ano disparado do evento.

  • Henrique Santos

    Esse ano o Bellator se testou no exterior e acho até que foi bem , foi sucesso na Itália e Israel, na Irlanda a atmosfera tává demais, mas o UFC e um concorrente direto tanto na Irlanda quanto na Inglaterra

    • O UFC não é concorrente direto, o Bellator que é concorrente do UFC. Os dois mercados são dominados pelo UFC e Israel e Itália também serão. O Bellator ainda não rivaliza a este ponto.

    • Rafael Oreiro

      Não chega ao ponto de rivalizar com o UFC nessas áreas, mas é um ótimo passo pro crescimento da marca Bellator internacionalmente.

  • James sousa

    melhor luta pra mim foi Chandler x Henderson e a pior foi Dada e Kimbo se é que dar pra chamar aquilo de luta tem chance de um evento no Brasil em 2017 ?

    • Rafael Oreiro

      Evento no Brasil já tá sendo falado faz um tempo já, se acontecer vai ser no eixo RJ-SP.

      • Henrique Santos

        Bellator em 2017 vai fazer um evento na Escócia, acho q Brasil só 2018

  • Beto Magnun

    Pô Derek Anderson vs Sad awaad no Bellator 160 foi uma lutaça!

    • Rafael Oreiro

      Foi luta maneira mesmo, mas não acho que chega valer a pena figurar em uma lista de melhores do ano.

  • Lero

    Torcendo para o Rory chegar fazendo estrago no 2017.

  • Guilherme Yamashita Anami

    Ótima retrospectiva! Bem que o Bellator poderia promover mais disputas de cinturão…

    • Rafael Oreiro

      Valeu Anami!