Por Idonaldo Filho | 01/06/2020 21:54

Realizado no UFC Apex – arena do UFC onde, geralmente, acontece o Contender Series -, o UFC Vegas viu um novo postulante ao cinturão dos meios-médios surgir nas costas de uma atuação preocupante de um ex-campeão. O card, que começou bastante animado, com quatro interrupções nas primeiras lutas, também contou com duas lutadoras se recuperando de derrotas com desempenhos impressionantes.

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Vale lembrar que, por ter sido realizado no UFC APEX, em Las Vegas, o octógono utilizado na arena foi menor, o que certamente influenciou de certo modo nas lutas, algo em que ficaremos de olho também para os próximos eventos feitos no local.

Durinho tem a maior vitória da carreira contra um Woodley apático

O ex-campeão Tyron Woodley, em seu reinado, sempre se mostrou um lutador cauteloso, que muitas vezes esperava – até demais – para tomar as ações no combate, mas que sempre exercia um bom controle de distância e tinha momentos de explosão que levavam riscos a qualquer lutador. Esse Woodley não apareceu contra Kamaru Usman e também não apareceu contra Gilbert Durinho no último sábado.

O brasileiro, que nada tem a ver com isso, aproveitou e mostrou muita evolução, tendo o maior desempenho de toda sua carreira contra o número 1 da categoria, se consolidando no top 5 e entrando no bolo para disputar, futuramente, o cinturão de seu companheiro de treinos, Kamaru Usman.

No round inicial, Durinho já mostrou que a luta seria extremamente complicada para Tyron, encaixando fortes golpes e conseguindo um knockdown, além chegar à montada e golpear fortemente no ground and pound, chegando a abrir um rasgo no rosto do americano. O primeiro assalto terminou com um 10-8 para dois dos juízes laterais.

Woodley seguia sempre muito acuado contra a grade, e suas blitzes de golpes não levaram risco nenhum para Gilbert, além de constantemente ser acertado sem conseguir revidar os golpes do atleta da Combat Club. Em vários momentos da luta, Durinho conseguiu fortes socos que atordoaram o ex-campeão, mas o mais surpreendente foram suas duas quedas limpas em cima de Woodley, wrestler credenciado e conhecido pela boa defesa de quedas. No final, Durinho saiu vitorioso na decisão unânime, com dois juízes marcando 50-44.

Gilbert sempre foi conhecido por ser campeão mundial de jiu-jítsu, mas a arte suave agora virou somente mais uma das ferramentas do extenso arsenal que o brasileiro mostrou ter. A evolução na trocação é notável, adicionando à potência que sempre teve nos golpes agora com mais cautela e segurança, além de mostrar que suas quedas estão em ótimo nível também.

Vale mencionar que Durinho é um dos lutadores que mostraram evolução enorme ao subir de categoria, saindo do peso leve com uma derrota para Dan Hooker – outro que se beneficiou demais com uma subida de categoria – e depois vencendo o mediano Mike Davis, para se tornar, agora, um dos principais lutadores dos meios-médios. É uma tendência que espero que cresça cada vez mais, não faltando exemplos que mostram que muitas vezes é melhor subir de categoria do que tentar descer.

Já para Tyron Woodley, que perdeu todos os últimos dez rounds que lutou, fica a dúvida se os 38 anos de idade já estão cobrando fisicamente, se o desempenho ruim foi devido a mais de um ano sem lutar ou se são problemas de motivação ou pessoais que estão atrapalhando na carreira. Atualmente, Woodley se coloca em um contexto de porteiro da categoria, restando descobrir se ele seguirá na carreira no esporte.

Billy Quarantillo e Spike Carlyle fazem luta atrapalhada no card principal

Dois nomes pouco conhecidos foram escalados para o card principal, suscitando algumas dúvidas se realmente o combate entre Billy Quarantillo e Spike Carlyle deveria estar na porção mais importante do evento. Tecnicamente, eles mostraram que não tinham condição nenhuma de estarem ali, mas garantiram o entretenimento do fã de MMA com momentos cômicos.

O “Alpha Ginger” Spike Carlyle chegou ao UFC como substituto e em sua primeira luta garantiu um grande nocaute contra Aalon Cruz. No circuito regional, Carlyle já causou por entrar para sua luta vestido de Raiden, do Mortal Kombat, além de sua personalidade um pouco excêntrica. No último sábado, mal começou o combate e, com uma voadeira no melhor estilo do jogo de lutas, o ruivo já surpreendeu Quarantillo e o desequilibrou, aplicando fortes cotoveladas logo depois e quase encerrando o combate. Faltando pouco para o round acabar, Carlyle simplesmente desiste de lutar e dá as costas indo para o corner, somente para levar um soco por trás de graça nos últimos segundos.

Toda essa energia gasta no início da luta sem definir o combate não podia resultar em outra coisa se não cansaço. Já com um ritmo menor, Spike na metade final do duelo deixou Quarantillo conseguir a virada, sendo derrubado, quase finalizado em um triângulo por duas vezes – ele saiu da primeira mas decidiu colocar a cabeça lá novamente sabe se lá o porquê. O ex-TUF 22 quase finalizou a luta com alguns estrangulamentos, pegou as costas, atacou o já exausto adversário no chão e, nos últimos segundos, poderia ter definido a peleja em pé se houvesse mais tempo. Justamente na decisão unânime, Billy consegue a segunda vitória seguida desde que foi contratado do Contender Series.

Não que Spike seja bom lutador – ele mostrou que é limitado e que tem sérios problemas para dosar a energia, mas atletas que costumam entregar desempenhos assim são muito apreciados por Dana White. Com os casamentos certos, o “Alpha Ginger” pode entregar confrontos divertidos e deve durar por algum tempo na organização.

Melhor fisicamente, Mackenzie Dern finaliza com chave de joelho no primeiro round

Uma das principais críticas a multicampeã de jiu-jítsu Mackenzie Dern no MMA refere-se à sua indisciplina quanto aos seus cortes de peso em confrontos passados,  além de não se apresentar nas melhores condições físicas, mostrando algum desleixo quanto a parte “atleta” de um lutador de MMA. A Mackenzie que vimos no último final de semana pareceu outra pessoa.

Batendo o peso palha sem problemas e muito mais magra, Dern entrou para enfrentar Hannah Cifers vindo da única derrota da carreira, contra Amanda Ribas. A americana/brasileira tinha um nível infinitamente superior e provou isso com uma finalização muito bonita ainda no primeiro assalto, obtendo uma chave de joelho reta após Hannah Cifers ter a muito duvidosa decisão de derrubá-la.

Não houve muito tempo para mostrar se houve evolução na trocação, mas o pouco que foi mostrado não foi diferente do que já vimos. Mackenzie, sem dúvidas, é uma atleta que pode ser futuramente uma top da categoria, principalmente se mostrar adições em outras áreas do MMA, além de seu jiu-jítsu. A evolução física mostra que ela aparenta estar mais focada na carreira.

Katlyn Chookagian vence Antonina Shevchenko inapelavelmente no grappling

Não é todo dia que a americana Katlyn Chookagian tem um desempenho empolgante. Não que ela não seja boa lutadora – afinal de contas, é uma das melhores da divisão – mas costuma fazer lutas pouco divertidas baseadas em um kickboxing burocrático e pouco contundente. Nesse sábado, Chookagian decidiu fazer tudo diferente.

Enfrentando Antonina Shevchenko, irmã da campeã Valentina – que aplicou uma baita surra em Chookagian -, Katlyn, pela primeira vez em sua carreira no UFC, partiu para derrubar a adversária, conseguindo isso em várias oportunidades. A “Blonde Fighter” atacou ferozmente no ground and pound, não dando chance nenhuma para a quirguiz naturalizada peruana tentar alguma coisa. O primeiro round contou também com algumas tentativas de finalização, que só não deram certo muito provavelmente por falta de habilidade de Chookagian na área.

O primeiro assalto terminou em 10-8, assim como o segundo. No terceiro assalto, com a luta em pé, Chookagian seguiu superior. Antonina revelou que não sabe nem o mínimo no grappling, mostrando que tem muito o que aprender com a irmã Valentina Shevchenko no MMA, uma vez que ela possui muito menos experiência no esporte. Como faz 36 anos em outubro, não sabemos se o tempo será suficiente para Antonina ter algum tipo de evolução na área para prosperar na divisão.

Outros destaques: UFC Apex

– A luta coprincipal nem merecia estar na resenha, mas avisando para quem não assistiu o evento: não perca tempo com ela. Blagoy Ivanov e Augusto Sakai entregaram uma luta sem vergonha típica de peso pesado. A desgraça foi tão grande que logo no início do segundo round era possível ouvir os dois lutadores extremamente ofegantes nos microfones da arena vazia. Venceu o brasileiro e perdemos nós que assistimos isso de madrugada.

Jamahal Hill surpreendeu o grappler brasileiro Klidson Abreu com um nocaute no primeiro round. O feito foi surpreende pois, fora do UFC, Hill sempre se mostrou um lutador com pouco senso de urgência, mas, aparentemente, o americano evoluiu. O brasileiro deve ficar alerta, pois os desempenhos pobres podem levar facilmente a uma demissão.

Brandon Royval e Tim Elliot fizeram tudo aquilo que se esperavam deles: uma luta empolgante e movimentada no solo, que foi bonificada como a melhor da noite. Mesmo mais experiente, foi Elliott quem caiu nas armadilhas do estreante, que o finalizou com um katagatame. Casey Kenney, que já venceu Royval no LFA, foi outro que finalizou seu combate, estrangulando Louis Smolka.