Por Alexandre Matos | 21/07/2019 03:12

Ainda bem que Manny Pacquiao e Keith Thurman salvaram a noite de sábado, porque se dependesse do UFC San Antonio

O UFC desrespeitou San Antonio. A cidade que nos brindou com as “torres gêmeas” Tim Duncan e David Robinson viu um punhado de pesos pesados barangudos. O pior que não foi só isso. Provavelmente o UFC San Antonio foi o evento que mais enviou candidatos na história do Baranga Awards. Foi um tal de lutas feias, chatas, placares absurdos, movimentos estúpidos. Mesmo a luta que prometia ser a melhor da noite durou meio round. O evento igualou o total de decisões da história do UFC e superou o recorde de sequência de decisões desde o começo (as nove primeiras acabaram na leitura das papeletas).

Tem que falar desse evento, né? Então vamos lá, porque aqui é trabalho, já dizia o rei caolho do futebol.

Confira também os resultados oficiais do UFC San Antonio.

Leon Edwards consegue a maior vitória da carreira

É inegável que Leon Edwards vem se mostrando cada vez mais um lutador completo e inteligente. No entanto, eu não esperava tamanha facilidade contra Rafael dos Anjos.

Leon Edwards venceu Rafael dos Anjos no UFC San Antonio

Em momento algum o brasileiro foi capaz de pressionar o jamaicano naturalizado inglês. Com um minuto de luta, Edwards botou Dos Anjos para baixo e ficou um bom tempo por cima. Rafael tentou ser ativo na meia guarda, ora mandando cotoveladas, ora afastando a pressão corporal de Leon para tentar se levantar. Mesmo quando conseguiu ficar em pé, o ex-campeão dos leves não foi capaz de afastar o rival, que o dominava sem sustos no clinch contra a grade.

Rafael não adaptou a distância em momento algum. Ele tinha a oportunidade de pressionar quando Edwards insistia em lançar dois golpes retos. No retorno do segundo soco, era a hora que Dos Anjos tinha para avançar lançando socos e dali entrar num double leg, estratégia que lhe rendeu o cinturão contra Anthony Pettis. Ao invés disso, Rafael tentava encurralar o oponente na grade. Como se tivesse manipulando um peso leve, Edwards não teve nenhuma dificuldade de lidar com essa situação.

Assim se deu todo o combate. Edwards ora acertava combinações de socos, ora encaixava o rival na grade, ora se aproximava, largava uma e voltava rapidamente – numa dessas, no segundo assalto, acertou uma cotovelada que abriu um rombo no supercílio do brasileiro. Na segunda metade do combate, já tinha ficado claro que uma virada não aconteceria.

O topo do peso meio-médio tem um novo concorrente para encarar de igual para igual os demais integrantes daquela selva.

Walt Harris anota o terceiro nocaute mais rápido da história dos pesados

Eu comentei no grupo dos colaboradores do site no WhatsApp que essa tinha sido a luta mais difícil de apostar. A possibilidade de Aleksei Oleinik vencer por submissão era praticamente idêntica a de Walt Harris conseguir um nocaute. O que me fez escolher foi apostar que o russo seria jegue o suficiente pra trocar soco.

Não deu outra. Mal o homem de preto autorizou o início do combate e lá foi Oleinik, no auge dos seus 42 anos, trocar pau com um sujeito seis anos mais novo e 12 quilos mais pesado. O russo largou uma direita toda desgraçada e recebeu uma joelhada voadora (foi meio voo de galinha, mas vá lá). Aí Harris aterrissou, causando tremor de três pontos na escala Richter, e aterrissou um soco em cheio na cabeça do rival. Oleinik pareceu que torceu o tornozelo quando caiu com as pernas tortas. Doze segundos foi o tempo oficial do nocaute, mas eu achei que foi uns dez.

Juan Adams entrega o Mitrione do Ano

Oleinik sequer foi o maior jumento do evento. Havia Juan Adams.

Sei lá o que se passa na cabeça de Adams. Ele era favorito por uma estreita margem por conseguir igualar Greg Hardy em brutalidade e ser menos cru do que o patife espancador de mulher expulso da NFL. Ao invés de sair naquela pancadaria honesta, ele resolveu entrar em queda. Só que ele fez isso na velocidade de um jabuti com artrose. Quando Hardy olhou para baixo e viu aquele troço agarrado em sua perna, largou a mamona na cabeça de Juan. E o que o rival fez ao levar soco na orelha? Largou a perna e se defendeu, certo? Errado. Ele continuou lá abraçado na canela de Hardy e levando soco na cabeça. O árbitro Dan Miragliotta decretou o nocaute técnico e ele lá, se emancebando com a canela de Greg. Adams ainda teve a toleima de reclamar da interrupção.

O peso pesado não é só a categoria mais desprovida de talento e de capacidade atlética, mas também é a maior reunião de jumentos do MMA.

Em evento ruim, Hooker-Vick dura pouco

Todo castigo para corno é pouco. Não bastasse um evento arrastado, a luta que eu mais esperava por diversão durou meio round. Foi o tempo que Dan Hooker precisou para aplicar um nocaute sensacional em James Vick.

Dan Hooker nocauteou James Vick no UFC San Antonio

Os lutadores aqueceram trocando socos e chutes baixos. A impressão era que Vick tentaria cozinhar na longa distância, enquanto Hooker tentaria a pancada definitiva. Deu a segunda opção. Numa sequência inteligente e plástica, o neozelandês jogou uma direita para desviar a atenção do texano. Quando o lutador da casa virou os olhos, Hooker emendou uma bomba de esquerda que mandou o rival à lona. Mais três socos e o árbitro Kerry Hatley apareceu para interromper.

Robaro o Massaranduba

Apontar vitória para Alexander Hernandez contra Francisco Massaranduba já era feio. Marcar 30-27 para o lutador de San Antonio parece aquelas caseiradas que os juízes brasileiros aprontam em evento aqui no país.

Mesmo 14 anos mais velho, foi o piauiense quem demonstrou mais agressividade e contundência. O texano se preocupou muito em se movimentar, em girar, mas sem efetividade alguma. Deu uns engana-trouxa, mas normalmente recebia fogo pesado em contragolpe. Quando Hernandez tentava se aproximar visando o clinch ou uma queda, era negado pela maior pujança física do homem que nasceu para bater em outro homem.

Dava até para marcar um 29-28 para Massaranduba, mas nenhum juiz teve a dignidade. Enquanto Gino Garcia foi de 29-28 Hernandez, Ruben Carrion e Marcos Rosales tiveram o descaramento de anotar 30-27 para o americano. Barangão neles.

Resenha MMA Brasil: UFC San Antonio – outros destaques risos

– O que faz Andrei Arlovski no UFC? Por que ele ainda tem contrato? Por que ele ainda luta MMA? E o que falar de Ben Rothwell, que só fez apanhar de um cara que deveria estar aposentado? Até mesmo um saco de pancadas pressiona mais do que Rothwell fez neste sábado. Óbvio que um troço horroroso desse durou 15 minutos. Eu mereço.

– O único destaque de verdade do card preliminar foi a animada pancadaria vencida por Mario Bautista contra Jin Soo Son. O sul-coreano lembrou o começo da caminhada de seu mentor, o “Zumbi Coreano” Chan Sung Jung, defendendo socos com a cara e se recusando a cair.