Por Matheus Costa | 16/02/2020 13:13

A cidade de Rio Rancho, no Novo México, recebeu pela primeira vez um evento da maior organização de MMA do planeta. 6.449 mil pessoas compareceram a Santa Ana Star Center para presenciar um evento sem muitas surpresas. E depois de um breve momento de férias, a Resenha MMA Brasil está de volta, embora que com um autor que tentará suprir a qualidade do patriarca do formato. E deve passar longe disso.

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O evento, em si, foi mais do mesmo. Nada espetacular – longe disso. Tivemos uma eterna promessa que provou mais uma vez que não deve chegar ao tão sonhado topo da categoria. Tivemos um luta cheio de fatores bizarros e um fim nada diferente disso. Teve um veterano que mostrou que ainda não é a hora de passar o bastão para a nova geração da divisão, enquanto dois veteranos mostraram, mais uma vez, que está na hora de pendurar as luvas.

Simbora.

Hoje sim, hoje sim… hoje não.

Como nosso editor Rafael Oreiro disse no grupo dos colaboradores logo após o ocorrido: toda vez que a gente acha que o Corey Anderson vai engrenar, ele nos prova o contrário. Sempre.

Embalado pelo excelente nocaute sobre o promissor Johnny Walker com certa facilidade, Corey Anderson dava sinais de que, enfim, se tornaria a realidade que sempre esperamos. Mas, mais uma vez, ele entregou o ouro e voltou para o fim da fila. Anderson não conseguiu impor seu jogo contra o polonês Jan Blachowicz, e ao tentar entrar na curta distância, acabou dormindo após um gancho certeiro de direita do ex-campeão do KSW.

Blachowicz parou o hype e nocauteou Corey Anderson no primeiro assalto (Foto: UFC/Divulgação)

É engraçado porque de todas as vezes que Anderson ameaçou de fato decolar rumo ao topo da categoria, esta foi a vez que eu mais tive esperanças. Anderson mostrou em suas últimas lutas que evoluiu, corrigiu a maioria de seus defeitos e se tornou um lutador muito melhor. Mas parece que seu destino não é fazer parte da curva da categoria.

Enquanto isso, Jan Blachowicz vence mais um adversário de nome depois de nocautear Luke Rockhold e bater Ronaldo Jacaré por decisão dividida. De volta ao top 5 da categoria, o polonês pode estar a uma vitória de disputar o cinturão dos meios-pesados.

E isso também significa que teremos Jones x Reyes 2. Então, acho que foi melhor para todo mundo – menos para o “Overtime”.

Sobre Michel Pereira vs. Diego Sanchez

Por incrível que pareça, este foi o ponto mais relevante do evento. Pra mim, negativamente.

Como era de se esperar, Michel Pereira e Diego Sanchez protagonizaram um freakshow de péssima qualidade, mas que sempre alimenta os fãs que gostam desse entretenimento de quinta categoria. O brasileiro já afirmou publicamente que não pensa em vencer, não luta para vencer e sim para dar show, não se importando de cometer erros básicos se assim for para entreter o público. Enquanto isso, o campeão do TUF 1 que sempre foi meio estranho, vive uma fase mais estranha ainda. Hoje, ele é treinado por um coach espiritual. Acho que isso é o suficiente, né?

Contraste de sentimentos entre Diego Sanchez e Michel Pereira (Foto: UFC/Divulgação)

No primeiro assalto, parecia até uma luta séria. Pereira manteve a distância e foi minando Sanchez com chutes e diretos, já que o americano não conseguia lidar com a envergadura mais avantajada de seu adversário. No segundo assalto, Diego, que claramente não sabia o que estava fazendo e não tinha um treinador para lhe dizer o que de fato tinha que fazer, aceitou mais ainda o ímpeto de Michel ao invés de tentar encurtar a distância e trabalhar no pocket. Como foi dito na transmissão americana, teve momentos em que o lutador simplesmente se acomodou com os danos.

E aí chegou o terceiro e decisivo round, onde ocorreu a desqualificação de Michel, que claramente vencia a luta até então. De fato, é triste a atual situação de Diego Sanchez, que está bee(…)m longe de seu auge e está sob os cuidados de um indivíduo QUE NÃO TEM A MENOR CONDIÇÃO DE SER CONSIDERADO UM TREINADOR. Enfim. Vamos para o ocorrido.

Michel acertou uma sequência de joelhadas no clinch e, consequentemente, Sanchez caiu de bunda no chão e costas na grade. Então, o brasileiro aplicou uma joelhada na cabeça do veterano. Isso é considerado uma falta e, logo, Pereira foi desclassificado. É importante explicar que um lutador que esteja no chão não pode ser atingido com joelhadas na cabeça, independente de sua intenção. Falta grave, desclassificação merecida.

Também quero falar sobre a transmissão do Canal Combate e seu ufanismo. É válido dizer que eu estou falando em meu nome, não do site que escrevo. Foi triste. Foi bem, bem triste. Na luta anterior, Brok Weaver recebeu uma joelhada ilegal da MESMA maneira que o brasileiro Michel Pereira aplicou em Diego Sanchez. Foi praticamente igual. A violação foi a mesma. Mas a justificativa usada pelo comentarista, não. Quando Rodrigo Vargas o atingiu, a desqualificação do lutador mexicano foi aprovada. Quando Michel Pereira fez exatamente a mesma coisa, foi injusto pois “ele não teve intenção”.

Logo após, o perfil do UFC no Brasil sofreu diversas críticas do público, que pela falta de uma justificativa técnica, foi ludibriado a achar que o brasileiro havia sido prejudicado. É importante dizer que além do profissionalismo, o MMA é um esporte novo e cheio de regras. Ao invés de difundir conhecimento técnico ao público médio, a transmissão, mais uma vez, optou pela tática barata do parcialismo por dividir a mesma nacionalidade do lutador que, sim, cometeu uma infração e foi desclassificado de forma correta. Esse tipo de coisa já não acontece de hoje, e infelizmente, parece que não vai mudar.

Não é hora de passar o bastão

Embora eu esperasse um duelo equilibrado, achei que Wood iria provar seu favoritismo e mostrar para o ex-desafiante da categoria dos moscas que estava na hora de passar o bastão para a nova geração. Eu estava errado.

John Dodson provou que ainda tem gás no tanque ao nocautear Nathaniel Wood (Foto: UFC/Divulgação)

Mesmo aos 35 anos de idade, Dodson mostrou que seu estilo ainda é o mesmo, embora não viva mais o auge de sua jornada de 16 anos no MMA. Como dito na prévia, Wood possui um ótimo estilo de pressão, e é desse estilo que Dodson gosta de lutar, já que usa seu excelente footwork para contragolpear com socos bem potentes em saídas laterais. As brechas que o inglês deixa na hora de golpear foram muito bem exploradas pelo ágil adversário, que soube capitalizar no momento certo.

Se a movimentação de cabeça não é mais a mesma, a agilidade e a potência de seus golpes aparenta estar intacta. Sofreu sim com o ímpeto de Wood em alguns momentos da luta, mas em uma perspicácia, culminou tudo e nocauteou o prospecto no início do fim para Nathan, que conseguiu sua primeira derrota na maior organização de MMA do globo terrestre.

Não que Dodson estivesse ultrapassado, muito pelo contrário. Mas com as derrotas para os contenders e lutas um pouco abaixo do nível que costuma entregar em suas lutas, o americano deu alguns indícios de que estaria iniciando uma curva de declínio. Esse não é o caso. Óbvio, ele não deve chegar longe na categoria ou sequer passar da barreira do top 10 na divisão, mas o atleta provou ser um porteiro excelente para testar a excelente geração que está chegando no peso galo.

UFC Rio Rancho – Outros destaques

– Merab Dvalishvili olhou para o judoca Casey Kenney e viu um esfregão. Ao todo, foram 12 quedas em apenas 15 minutos de luta, o que torna o duro peso galo um dos poucos lutadores a aplicarem mais de 10 quedas em mais de uma luta, se juntando a nomes de Georges St. Pierre, Demetrious Johnson e Colby Covington como os únicos. Uma baita de uma conquista. Que homem.

– Está mais do que na hora de Jim Miller e Tim Means darem adeus ao esporte e pendurarem suas luvas. Eu não sou ninguém para aposentar alguém, mas é visível que Miller e Means precisam se despedir do esporte. O auge já está muito bem distante para os dois, e a possibilidade de ambos possuírem danos cerebrais e/ou físicos precisa ser considerada.

– Parece que, enfim, Lando Vannata se acertou no UFC. Deixando de ser um lutador totalmente irresponsável, que somente pensa em aplicar golpes plásticos, o atleta parece ter mudado de postura. Ele mostrou isso ao dominar o havaiano Yancy Medeiros, pela categoria dos leves. Vannatta, sem dúvidas, é um nome bom o suficiente para permanecer na “porta” do top 15, fazendo boas lutas com bons adversários.