Por Alexandre Matos | 11/08/2019 02:45

¡Hola!

Esta noche nosotros vimos un evento en Montevidéo, capital de la província de Cisplatina, antigo Uruguay. Muchas personas estaban en las tribunas de Antel Arena y puderam presenciar una disputa de cinturón de los pesos moscas con la mejor peleadora do UFC en la actualidad.

La pelea estelar no fue de las mejores, pero la co-estelar no deixó a desear, con derecho a nariz deformado. El dueño de la casa fez la alegria de los compatriotas en una muy mala pelea. Un gran campeón de jiu-jitsu estreó en lo octágono haciendo lo que mejor sabes: apretar el cuello de las personas.

Depois dessa moralizadora introdução em uruguaio, vamos parar de bobagem e falar sério (ou nem tanto assim) sobre o UFC Montevidéu.

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Valentina Shevchenko levou uma sessão de treino aberto para o octógono

Em toda semana de evento do UFC, há um dia dedicado para os fãs acompanharem uma sessão de treinos das principais estrelas que estarão em ação dois ou três dias depois. Eu não vi o que Valentina Shevchenko fez no treino aberto em Montevidéu, mas provavelmente ela não se esforçou muito mais nesta luta contra Liz Carmouche.

Valentina Shevchenko venceu Liz Carmouche no UFC Montevidéu

Sério, teve uma hora que eu falei que a Carmouche poderia levantar da guarda e ir logo pra casa, porque ali na jaula ela não arrumaria nada. A ex-desafiante do peso galo levou um passeio que chegou a ser constrangedor. Até Priscila Pedrita fez mais que Liz contra Shevchenko – foi mais guerreira, pelo menos.

Tendo basicamente como única chance de vitória as quedas e o controle posicional, a americana viu logo cedo que só cairia por cima se Valentina tropeçasse. E a quirguiz-peruana não vai tropeçar numa sessão de treino aberto. A campeã fez praticamente nenhum esforço para controlar a distância, acertar meia dúzia de três ou quatro combinações curtas só para pontuar e aplicar umas quedas para lembrar que ela é a melhor e a mais versátil.

No fim da luta, tinha gente que não sabia em que round estava, porque todos foram muito parecidos ou porque tinham dado aquela tradicional batida do queixo no peito sucedido por um “PORRA, DORMI NÃO, TÔ VENDO”. Shevchenko se levantou do último ground and pound chamando Carmouche para o centro. Pensei que ela iria pedir pra próxima parceira de treino aberto entrar.

Vicente Luque deve ter zoado o casamento de Mike Perry

O americano Mike Perry vai casar em setembro. Provavelmente terá que usar uma máscara tipo a do Bane na cerimônia. Vicente Luque deveria pagar o adereço depois de deformar o nariz do rapaz.

Vicente Luque venceu Mike Perry no UFC Montevideu

A joelhada de Vicente Luque que deformou o nariz de Mike Perry (Foto: UFC via Getty)

Para surpresa de ninguém, os maníacos fizeram a melhor luta da noite. Luque mostra a cada dia mais paciência para trocar porrada, mas sem deixar de ser agressivo. Com isso, consegue dosar melhor seu gás, o que será fundamental agora que o nível de concorrência deve mudar para dentro do ranking dos meios-médios. Socos precisos, uma sólida artilharia de chutes baixos e algumas joelhadas foram as principais armas do brasiliense que nasceu em New Jersey.

Por sua vez, Perry não negou fogo, atingindo a cabeça e o corpo do oponente. O “Platinum” passou por um dos momentos mais incômodos já vistos no MMA quando levou uma joelhada tão violenta que transformou seu nariz num sólido amorfo. Ele já sangrava pelos dois supercílios e resolveu entrar em queda. Foi recepcionado por uma guilhotina de Luque. O estrangulamento, que nem parecia tão encaixado assim, fez jorrar uma quantidade de sangue tão grande que eu pensei que Perry teria que receber infusão para recuperar aquela cachoeira vermelha.

Luque havia pedido alguém posicionado no top 15, mas disse que nenhum estava disponível. Faz sentido que seu próximo adversário seja um ranqueado mesmo. Este poderia ser Elizeu Capoeira. Nunca pedi nada pra você, Mick Maynard.

Rodolfo Vieira conseguiu o melhor modo possível de afastar o nervosismo da estreia

Estrear no UFC nunca é fácil. Imagine quando a pessoa é um dos maiores expoentes da história do jiu-jítsu. Pelo menos tiveram o cuidado de oferecer a Rodolfo Vieira alguém de mesma especialidade. Por mais decente que Oskar Piechota seja adaptando a arte suave ao MMA, o nível do carioca é apenas outro.

Piechota não é dos melhores defendendo queda, tampouco trocando socos e pontapés. Ainda assim, o ás do jiu-jítsu precisou de uma adaptação. Forte como um touro, Rodolfo fez fama nos tatames derrubando gente e jogando por cima, num ritmo de passador monstro para um cara de seu porte físico. Porém, no MMA tem grade, que tira espaço para trabalhar no chão. E Vieira ainda não está totalmente adaptado.

Rodolfo completou uma queda no primeiro assalto, mas deixou o polonês colado à grade. Piechota tem talento de costas para o chão e minimizou o trabalho do oponente. Como Rodolfo é um cavalo, ficou um bom tempo grudado, colocando pressão, mas sem arrumar nada mais agudo.

De volta no segundo assalto, Vieira conseguiu derrubar mais perto do centro. Assim, com espaço, ficou mais fácil. Ele não se afobou, chegou na montada e dali saiu para o katagatame. Qual a chance de um candango se defender no MMA? Baixa, né? Piechota batucou na marca de 4:26 da segunda etapa.

Apesar da boa vitória, Rodolfo terminou o combate muito cansado – ele concedeu a entrevista a Michael Bisping com dificuldade para falar. Talvez seja fruto de um corte de peso mais agudo, numa carcaça com muita massa muscular. MMA não é esporte para gente gigante. Eu aconselharia que ele baixasse o peso de off para ficar mais rápido e menos desgastado. Quando pegar um wrestler de pujança física e lastro de treino, o negócio pode ficar ruim para ele. E não estou falando nem de alguém ranqueado; um camarada como Andrew Sanchez pode lhe dar alguma dor de cabeça.

Resenha MMA Brasil: UFC Montevidéu – outros destaques

Volkan Oezdemir se livrou da sequência negativa de três reveses. Contra o sempre garboso Ilir Latifi, o suíço mostrou a conhecida potência de suas bigornas na curta distância, além de explorar um velho defeito do sueco, de se expor ridiculamente a joelhadas. Várias delas foram minando o condicionamento físico de Latifi, além do excesso de massa muscular. No segundo round, só sobraram os restos mortais da Marreta Sueca. No minuto final, Oezdemir largou um ganchinho curto de esquerda que fez Latifi invocar seus ancestrais. O ex-desafiante ainda meteu outro e o sueco caiu de cara no solo.

– Quem cometeu Eduardo Garagorri e Humberto Bandenay num card principal do UFC? Aliás, por que eles estão no UFC? O duelo de perebas animados (Bandenay nem estava tão animado) fez o público vibrar por seu compatriota. Se Garagorri, que certamente chegou no UFC por cota, é o melhor lutador uruguaio, o negócio está puxado para os nossos vizinhos. Pelo menos ele venceu.

– Não consegui prestar muita atenção em boa parte do card preliminar por questões de clubismo, mas vi que Gilbert Durinho teve uma atuação consistente, à base de quedas e ground and pound, para tirar a invencibilidade de Alexey Kunchenko. Vi também a estreia de Ciryl Gané, revelado em nosso projeto De Olho no Futuro. O francês não tomou conhecimento de Raphael Pessoa, o “Bebezão” e fez o brasileiro desistir no fim do primeiro assalto com um surpreendente katagatame.