Por Alexandre Matos | 23/06/2019 02:20

A maior organização do MMA mundial desembarcou pela primeira vez no estado americano da Carolina do Sul para o UFC Greenville, evento que acabou saindo melhor que a encomenda, já que a encomenda era tipo capinha de celular no Ali Express.

A luta principal da terra de Kevin Garnett seria vencida de qualquer maneira por um grande sujeito – deu aquele com a maior base de fãs e protagonista de mais um momento sensacional. De resto, alguns duelos divertidos num evento executado a toque de caixa, finalizado antes das 22:30h daqui.

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Vamos às minhas impressões do UFC Greenville. Depois fiquem à vontade para seguir o debate na caixa de comentários.

Zumbi Coreano é um dos maiores seres vivos

Foi-se o tempo que o sul-coreano Chan Sung Jung era apenas um porra-louca que trocava cacete como se não houvesse amanhã. Ele ainda sabe fazer isso, mas o passar dos anos lhe deu habilidade, frieza e capacidade de definição. Neste sábado, o popular “Zumbi Coreano” usou todas essas características contra Renato Moicano.

Zumbi Coreano nocauteou Renato Moicano no UFC Greenville

O duelo nem chegou a ter muita ação. Moicano iniciou meio lento, tentando calcular a melhor distância para agir, já que, para ele, era melhor lutar de longe. O brasileiro lançou o braço do jab à frente algumas vezes e, numa dessas, o Zumbi mostrou para que serve aqueles treinos de boxe nos quais o lutador atravessa o ringue passando por baixo de uma corda esticada. Sem tirar os olhos de Moicano, Jung esquivou de um jab e saiu com um cruzado de direita violento. Enquanto Renato caía, o asiático emendou um gancho de esquerda. Moicano foi ao solo, mas mostrou brios ao tentar sobreviver. O traiçoeiro Zumbi tentou uma finalização mão-com-mão, mas rapidamente fez a transição para o ground and pound, de onde encerrou a fatura em 58 segundos.

Com isso, o Korean Zombie é o primeiro peso pena da história do UFC/WEC a vencer duas vezes em menos de um minuto. Nos nove combates que disputou nos octógonos do UFC e WEC, o Zumbi levou oito bônus para casa, contando com o deste sábado. Ele só não foi premiado no nocautaço sofrido por George Roop (que levou o bônus do WEC 51) e na derrota para José Aldo, na disputa do cinturão no UFC 163.

Randy Brown tem sua melhor atuação diante de Bryan Barberena

Um card cuja penúltima luta é Randy Brown contra Bryan Barberena nem parece evento do UFC – obra de John Lineker, que saiu da luta contra Rob Font na véspera. O americano de raízes jamaicanas segue na gangorra de resultados, enquanto o americano filho de colombiano perde a terceira nas últimas quatro lutas.

Brown venceu com um bem executado controle de distância, o que era esperado, mas também deu trabalho no ponto forte do rival, o clinch. Fisicamente mais forte, o “Garoto Rude” não permitiu que o barbudo o manipulasse na grade. Para piorar, Barberena aceitou a troca de golpes – o que deixou o duelo mais divertido e menos favorável a ele. No terceiro assalto, Brown acertou uma bica na boca do estômago, fazendo o pouco gás que restava a Barberena ir pelo ralo. Randy terminou o serviço juntando o rival na grade e seguindo para o ground and pound.

Andre Ewell vence raçudo Anderson Berinja

A técnica superior na troca de golpes e a notória vantagem na envergadura desempenharam papel preponderante na vitória de Andre Ewell sobre Anderson Berinja, em duelo promovido para o card principal com a retirada da luta de Lineker.

Andre Ewell venceu Anderson Berinja no UFC Greenville

O brasileiro mais uma vez mostrou sua enorme disposição e a coragem de seguir adiante, mas demorou muito a conseguir implementar o jogo que seu córner pedia, de levar a luta ao chão. Como Ewell sabe muito pouco de jiu-jítsu, essa era mesmo a melhor estratégia para o simpático Berlingeri. Ainda assim, Anderson conseguiu alguns bons momentos na troca de golpes, mas esteve sempre um ou dois passos atrás do rival.

Apenas no terceiro round que Berinja conseguiu finalmente botar para baixo e manter Ewell no solo. O paulista chegou a montar e tentar um katagatame, mas Andre escapou e retornou ao centro do octógono, em pé. As demais quatro tentativas de queda de Berinja deram em água, o que tornou inviável qualquer chance de vitória.

Resenha MMA Brasil: UFC Greenville – outros destaques

– O peso mosca vê surgir uma potencial desafiante. Em sua terceira luta no UFC, Andrea Lee mostrou ótima variação de golpes entre cabeça e corpo contra Montana de la Rosa e contou com boa defesa na luta agarrada para impedir mais da metade das tentativas de queda da rival e os botes que De La Rosa arriscou no chão. Lee agora tem três vitórias no octógono, enquanto Montana amargou o primeiro revés em quatro lutas no UFC.

Jairzinho Rozenstruik nocauteou Allen Crowder em 9 segundos no UFC Greenville

Jairzinho Rozenstruik não perdeu muito tempo para aniquilar Allen Crowder no card preliminar. Logo no primeiro jab, o gigante surinamês mandou o adversário à lona. Rozenstruik foi como um Furacão (perdão) no ground and pound em pé e quase enterrou a cabeça do pobre coitado no tablado. O árbitro Blake Grice encerrou a disputa em reles 9 segundos, o que faz deste o segundo nocaute mais rápido da história do peso pesado do UFC.

Matt Wiman completaria cinco anos sem lutar em novembro. Deveria ter ficado em casa. Sem a menor condição de competitividade, ele foi massacrado por Luis Peña. O “Bob Ross Violento” aproveitou que o americano só queria lutar no chão e picou a porra em Wiman em pé. O italiano não teve muitas dificuldades de se livrar de alguns botes que Wiman tentou e aproveitou as ocasiões para trabalhar um sonoro ground and pound. Chegou a dar pena de Matt, que sobreviveu até 1:14 da terceira etapa.

Ariane Lipski pode se converter num dos maiores fracassos da história recente do UFC. A “Rainha da Violência” recebeu a muito limitada Molly McCann de presente, mas teve uma atuação muito fraca. A brasileira se movimentou mal, basicamente apenas para frente e para trás, em baixa velocidade. Ela até disparou uma enorme quantidade de golpes, mas teve aproveitamento perto de pífio, além de não conseguir deter as tentativas de queda da inglesa. A derrota na estreia, para Joanne Calderwood, foi totalmente compreensível. Porém, perder para McCann foi um balde de água fria na expectativa sobre a ex-campeã do KSW.