Por Alexandre Matos | 26/08/2018 04:20

Eu não estava muito na pilha de escrever a resenha hoje, tava pensando em deixar para depois de acordar (sdds férias). Então pensei que Justin Gaethje estava por vir e que talvez ele despertasse a vontade de escrever. Eis a Resenha MMA Brasil UFC Fight Night 135.

Deixar nas mãos do sujeito que tem mais bônus do que lutas no UFC é sempre correto. E olha que eu ainda nem vi a distribuição da bonificação. Se ele não ganhar hoje, prometo tentar juntar uns caraminguás para pagá-lo. Que homão da porra.

A Pinnacle Bank Arena, em Lincoln, Nebraska, viu um filho do estado se aposentar, umas decisões contestáveis, um nocaute brutal com abertura para discussão de regra, árbitro açougueiro e otras cositas más.

Vamos em frente com a Resenha MMA Brasil UFC Fight Night 135 antes que o sono aplique um Justin Gaethje em mim.

Justin Gaethje 😍

Não há palavras para descrever o espaço que Justin Gaethje ocupa no meu coração. Contra James Vick, ele mandou às favas o risco que o imenso oponente poderia lhe impor.

Nos primeiros movimentos do combate, meu pensamento foi que Vick sabia o que tinha que ser feito. Movimentando-se lateralmente, sem se tornar um alvo fixo, o texano fez seus longos membros trabalharem para manter o oponente distante. O problema (para Vick) e a felicidade (para os fãs) é que Gaethje também sabia o que tinha que ser feito.

Se há algo na vida que Gaethje não liga é tomar soco na cara. Então ele simplesmente varou o raio de ação de Vick e deixou seus punhos falarem. O esquerdo deu uma gaguejada, pois a distância estava errada. Já o direito, poliglota que é, aterrissou firme no queixo de Vick, que caiu parecendo uma meia-lua da grande área de um campo de futebol. A comemoração fechou a situação de modo brilhante: Justin deu uma olhada breve pro lado e aplicou seu backflip rapidinho antes que um oficial da Comissão Atlética de Nebraska lhe desse uma dura.

Que psicopata maravilhoso.

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Michael Johnson venceu, mas seu processo de embarangamento segue firme

Dois dos três juízes deram vitória para Michael Johnson contra Andre Fili, mas dez contra seis analistas no MMA Decisions ficaram ao lado do perdedor. Não estive atento o suficiente para entrar no mérito de questionar o resultado, mas foi o suficiente para perceber que Johnson segue se distanciando da sua boa fase.

Não que Fili seja um lutador ruim, porque ele não é. E também não adianta botar a culpa apenas no corte de peso, pois Johnson já vinha lutando mal como leve. Mas ver o Alpha Male derrubar e chegar tão facilmente às costas de Johnson – e repetir a dose – me faz pensar que ele precisa mudar algumas coisas em sua preparação.

A potência estava ao lado de Johnson e o maior volume com Fili, o que é natural num encontro entre atletas que estavam em divisões distintas. Como potência vale mais do que volume, é capaz de a vitória ter sido correta mesmo. Porém, o Johnson de alguns anos atrás não deixaria dúvida ao dominar um striker como Fili. Michael é capaz de impor maior fluxo de golpes.

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Mais controvérsia na vitória de Cortney Casey contra Angela Hill

Nesta altura dos acontecimentos eu estava mais alerta, então posso dizer que inicialmente não concordei com o resultado oficial da luta. Porém, o triunfo de Cortney Casey sobre Angela Hill não é absurdo e as meninas fizeram ainda a melhor luta do card principal.

Hill cometeu um erro de estratégia no começo do combate que pode ter lhe custado a interpretação da vitória. Como ela é mais técnica na troca de golpes e mais ágil, não poderia permitir que Casey trouxesse as ações para a curta distância. O tiroteio nos pesos mais leves é mais difícil de ser avaliado ao vivo. Casey não é tão precisa quanto Hill, mas muitos golpes no vento ou no bloqueio podem parecer acerto em alta velocidade.

No segundo assalto, Casey conseguiu um bom momento, mas uma queda de rendimento permitiu que Angela se recuperasse e adotasse uma postura mais agressiva. No terceiro, novamente Hill se perdeu no controle de distância e tornou a troca de golpes mais equilibrada do que em tese deveria ter sido. Pelo menos a situação serviu para mostrar que Angela andou trabalhando na defesa de quedas, bloqueando inúmeras tentativas da adversária.

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Finalmente Jake Ellenberger se aposentou

Neste sábado, diante de seus conterrâneos, Jake Ellenberger deixou o MMA. Já não era sem tempo, pois o MMA deixou Jake Ellenberger faz tempo. Uns bons quatro anos.

Não sei se Mick Maynard achou que o ano de inatividade de Bryan Barberena faria este duelo ter algum sentido. Achou errado, otário. Bem mais saudável, sem sinais de apodrecimento, Barberena não teve nenhum trabalho para avançar sobre o decrépito oponente e oferecer a ele a quarta derrota seguida por nocaute, três no round inicial.

Ellenberger tentou travar o confronto no clinch, de onde poderia utilizar sua conhecida potência. Foi só Barberena conectar o primeiro golpe limpo que Jake caiu. Ele até se levantou, mas apenas para tomar outra e ruir de vez. O confere foi até desnecerrário, assim como desnecessárias foram as últimas lutas de Ellenberger.

Felizmente, antes tarde do que nunca, Jake deixou suas luvas no centro do octógono sob ovação intensa do público de seu estado. Espero que o excesso de castigo e de concussões não o impeçam de ter uma velhice minimamente saudável.

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Deiveson Figueiredo segue rumo à elite do peso mosca

Não tem mais como esconder: Deiveson Figueiredo já pode ser lançado à elite do peso mosca do UFC. O paraense não tomou conhecimento do ex-desafiante John Moraga e anotou a quarta vitória na organização, a terceira por nocaute.

Além da tradicional agressividade na troca de golpes em pé, especialmente na segunda etapa, “Daico” mostrou uma nova faceta em seu jogo, adquirida nos treinos no Team Alpha Male. Em mais de uma oportunidade, Deiveson derrubou o wrestler americano e o controlou no solo. Mesmo quando Moraga tentou alguns botes no braço e no calcanhar, Figueiredo se defendeu e bateu no ground and pound. No segundo assalto, com o “Chicano” nas trevas, Deiveson largou um gancho violento na boca do estômago e encerrou a disputa segundos depois.

Ainda há um trabalho árduo a ser feito, especialmente defensivo, antes de pensar em Henry Cejudo ou Demetrious Johnson. Porém, já é possível pedir Ray Borg ou Jussier Formiga, por exemplo.

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Resenha MMA Brasil UFC Fight Night 135: Outros destaques

Eryk Anders tomou uns bons sustos com o Tim Williams, mas adaptou o jogo em voo e conseguiu controlar a situação até chegar ao nocaute com um chutaço na cabeça. O golpe derradeiro suscitou discussão, visto que Tim se levantava e poderia estar em mais de dois apoios. Realmente, quando sua fuça foi alvejada pela canela de Anders, Williams tinha dois pés e os dedos da mão direita tocando o solo. A questão é que Nebraska usa as regras novas, que dizem que encostar os dedos no solo não configura um terceiro apoio. É necessário a palma ou a mão fechada. Portanto, golpe legal e segundo nocaute em três vitórias (quatro lutas) pelo UFC.

– A virada do ano até agora pertence a Cory Sandhagen. O sujeito teve sua articulação do cotovelo virada ao lado oposto num armlock de Iuri Marajó, mas não bateu. Como o maldito do árbitro parecia esperar pra ver o que aconteceria se o ligamento rompesse (talvez achasse que Cory fosse uma marionete), o americano se safou e ainda arrumou energia para rumar la disgraça pra cima do paraense. O maldito do árbitro agiu novamente ao deixar Marajó ser punido em excesso. O brasileiro voltou para o córner no intervalo já nocauteado, só ele (e o maldito do árbitro) não sabia. Porém, logo no começo do segundo assalto, Iuri descobriu da pior maneira possível.

Markus Maluko é maluco perdão. Não só pela zoa no técnico no intervalo, mas por permitir que um wrestler grande e lento, com um boxe robotizado, impusesse pressão. Andrew Sanchez aproveitou as oportunidades, pontuou no clinch e venceu por decisão uma luta meio chatinha.

– Saí para testar o desempenho sanitário do Rio de Janeiro e perdi a vitória de Mickey Gall sobre George Sullivan.

Kalindra Faria estava com o sinal de alerta ligado depois de duas derrotas em igual número de lutas no octógono. Então ela tentou não correr riscos e levou logo a kickboxer Joanne Calderwood para o chão. Porém, parecia que a faixa-azul era a brasileira e a roxa, a escocesa. Por baixo, JoJo escalou no triângulo, ergueu o quadril, girou o braço e fez Faria batucar. Primeira finalização da carreira da europeia.

Rani Yahya brinca no chão e Luke Sanders não é Chad Mendes. Como Sanders é grandão, Yahya foi sagaz ao mudar a estratégia e, em vez de tentar uma queda, atacou o pé do rival a fim de arrastá-lo ao solo. A missão logrou êxito e disparou o cronômetro de quanto tempo Luke suportaria antes de ser finalizado. Não foi muito.

Fundador e editor-chefe do MMA Brasil. Colunista do site oficial do UFC. Prestes a se aposentar e virar colunista especial do próprio site.