Resenha MMA Brasil: UFC Fight Night 129

O UFC adquiriu mais um país em seu tabuleiro de War na expansão internacional (jogo chatíssimo que só servia pra fornecer bola pra futebol de botão). Neste sábado, a maior organização do MMA mundial visitou o Chile pela primeira vez para o UFC Fight Night 129.

Na capital Santiago, vimos mais do mesmo, integrantes do Top 10 do Futuro distribuindo nocaute e finalização, pesos moscas fazendo a alegria da garotada e até uma pré-candidata a virada do ano.

Confiram meus pensamentos sobre o UFC Chile e vamos ao debate.

Vai cortar um dobrado para colocar wrestler no chão, cap. 384

Fontes infiltradas em Santiago garantem: Demian Maia está até agora tentando derrubar Kamaru Usman.

Demian acumulou quase meia centena de tentativa frustrada de quedas nos três últimos combates

Demian acumulou quase meia centena de tentativa frustrada de quedas nos três últimos combates

Conte comigo: nas últimas três lutas, Demian completou um total de zero quedas de 49 tentativas. Zero de Kharitonov perdão. É um número bastante significativo. É nisso que dá encarar três wrestlers de alto nível quando sua única alternativa é chegar ao chão sem ter um wrestling de nível sequer próximo, aos 40 anos, sem a velocidade e explosão de outrora. Deste modo, toda a exuberância do jiu-jítsu do paulista serve para absolutamente nada. Sequer foi possível puxar para a meia e raspar. O nível de equilíbrio desses caras que defendem queda desde 4 ou 5 anos de idade está em outro patamar. E com a evolução do MMA, com professores brasileiros de jiu-jítsu invadindo as academias americanas, isso tende a piorar.

Usman não foi o rolo compressor que muitos esperavam. Naturalmente. O nigeriano estava diante da maior oportunidade da carreira, uma luta cujo confronto de estilos lhe era altamente favorável contra o último desafiante da categoria, um oponente que praticamente ninguém tem coragem de encarar no chão, mesmo por cima. O que fez Kamaru? Defendeu todas as quedas de Maia, cansou o brasileiro e depois passeou com socos e chutes em volume apenas necessário para terminar o desgaste do rival e garantir uma vitória sem sustos. No meio, ainda percebeu que as tentativas de uppercuts poderiam representar um risco desnecessário de Demian entrar com um duck under e arrastá-lo ao chão, pegando-o numa posição em que a força física não o ajudaria tanto, então adaptou a situação e alongou mais os socos.

Não teve nocaute? Não, mas quem nocauteou Demian Maia? Fora o “autonocaute” que ele sofreu para Nate Marquardt, ninguém mais nocauteou Demian. Kamaru Usman é apenas mais um. Ainda há o agravante de o africano ter achado que quebrou as duas mãos durante o combate. Aí não tem jeito mesmo. Eu entendo as críticas sobre a chance que Usman desperdiçou de ter emitido um recado firme para toda a divisão com um eventual nocaute sobre Demian. E também entendo a estratégia de garantir uma vitória enorme sem sofrer riscos. Cada luta é uma história.

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No confronto de Top 10 do Futuro, vitória de quem deve ir mais longe

Alguém Sean Shelby não deve gostar muito da Alexa Grasso. A jovem mexicana pode se tornar uma peça importante para a organização conquistar de vez o gigantesco mercado de lutas de seu país, mas não vem sendo trabalhada com o devido cuidado pelo UFC. Ontem, ela encarou Tatiana Suarez, uma adversária que não tem nome consolidado no MMA e que ainda seria um confronto deveras complicado. Ou seja, pouco a ganhar e muito a perder.

Para piorar, Grasso fez tudo errado. A vantagem na luta agarrada era claro a favor da americana, duas vezes medalhista em Campeonato Mundial de wrestling. Superior na troca de golpes em pé, Alexa deveria ter controlado a distância e o ritmo do combate. Volume de jogo e agressividade para isso ela tem. No entanto, nem chegou perto de tal estratégia.

Quem fez tudo certo foi Tatiana, com uma estratégia muito inteligente. Ela usou socos e chutes alongados, mantendo uma distância que parecia ser melhor para a rival. Quando Grasso percebeu que a luta poderia ficar boa para ela, Suarez entrou rapidamente em queda. A primeira tentativa, um uchi mata parecido com os de Ronda Rousey, renderam um ataque de triângulo invertido de Alexa. A segunda, um double leg firme, jogou a mexicana no chão de modo definitivo. Tatiana pegou as costas e apertou um mata-leão seguro.

Anote aí: seguindo a linha evolutiva, Suarez não só será top 10 do futuro (futuro, tipo, esta semana), como acho que ela chega à disputa do cinturão. Olho nela!

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Top 10 do Futuro Dominick Reyes é sujeito bruto

Apesar de ter durado pouco, o encontro entre Dominick Reyes e Jared Cannonier foi muito legal. Confrontar dois strikers de estilos diferentes foi uma bola dentro do matchmaker Mick Maynard, embora ele tenha praticamente enterrado as pretensões do ex-peso pesado.

O combate teve três momentos distintos. O primeiro minuto foi travado em igualdade de condições, com a chinela cantando desde o começo, mas com nítida vantagem de agressividade de Cannonier. O segundo minuto mostrou Reyes no trabalho de contragolpes que daria fim ao combate. Na terceira volta do ponteiro, um uppercut recuando balançou Cannonier e outro promoveu o encontro de seu corpo com o capiroto.

Eu sei que é socialmente reprovável, mas eu ri do walk out do Reyes com o Cannonier caindo de nariz no chão.

Reyes pode se tornar um cara interessante. Aos 28 anos, está no momento de ser alçado a um desafio na parte final do ranking para ter sua chance de adentrá-lo. Depois dos 32, pode fazer um trabalho de construção muscular para subir ao peso pesado. Com os cenários de terra arrasada nas duas categorias e as elites envelhecendo, Reyes pode se dar bem.

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Guido Cannetti vs. Diego Rivas

Melhor não.

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Passada de carro protocolar na estreia de Andrea Lee

Veronica Macedo tem muita disposição e uma mentalidade agressiva totalmente voltada ao ataque. Isso faz com que suas lutas sejam divertidas sempre. Porém, faltam ajustes técnicos em praticamente todos os aspectos do jogo. Andrea Lee soube se aproveitar deste cenário.

A americana usou a agressividade da venezuelana contra ela própria. Macedo avançava em socos abertos e foi capturada algumas vezes no thai clinch. Na luta agarrada, Lee aplicou um passeio em transições, tentativas de finalização (mata-leão, armlock, triângulo) e quedas plásticas oriundas do judô, com direito até a um koshi guruma.

O condicionamento físico privilegiado de Macedo não foi suficiente para minimizar os buracos defensivos, o que acabou gerando um combate unilateral. Para a estreante Lee, foi um bom recado para a parte de fora do ranking, que ela deve escalar rapidamente.

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Vicente Luque fez jus ao apelido

O lutador local Diego Rivas teve uma atuação ruim e decepcionou a torcida local, mas o filho de chilena Vicente Luque deixou o povo local feliz com o nocaute avassalador sobre Chad Laprise.

Laprise parecia ter a missão de não parar na frente de Luque. O canadense começou quicando bastante e circulando na periferia do octógono enquanto lançcava poucos golpes. Mais ao centro, Vicente tentava caçar o adversário. Em seguida, Chad tentou cinturar e arrastar o oponente ao solo, mas não teve competência para completar a tarefa.

Quando o combate voltou ao centro, Luque acertou a movimentação. Em vez apenas de ir atrás de Laprise, ele usou a troca de bases para confundir o canadense e minimizar a evasão do adversário. Deste modo, Vicente praticamente tinha Chad dentro de sua área de alcance e no raio de ação. Parecia perigoso, porque o oposto também poderia acontecer e Laprise também o teria na alça de mira. No entanto, valeu a precisão, potência e capacidade de decisão do ex-TUF 21. Depois que Laprise lançou alguns golpes despretensiosos, Luque deu um passo curto para a esquerda e largou a bomba no meio da cara do sujeito. Nocautaço do “Assassino Silencioso”.

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