Resenha MMA Brasil: UFC Fight Night 115

O MMA Brasil estreia nova coluna no UFC Holanda após a nova fase do site. Nosso editor-chefe Alexandre Matos faz uma resenha do UFC Fight Night 115, apontando pontos positivos e negativos que aconteceram na Ahoy Rotterdam neste sábado.

Como vocês já perceberam, algumas coisas mudaram no MMA Brasil após a incorporação do Olimpo MMA. Além da produção intensa de notícias, nossa equipe também mudou a maneira de cobrir eventos. Especificamente sobre o UFC, nossa cobertura agora conta com uma postagem de referência com os resultados do evento e matérias individuais sobre as lutas do card principal e uma geral do preliminar. Hoje, inauguramos uma nova coluna, a Resenha MMA Brasil, na qual eu farei uma análise opinativa do evento. Começamos com o UFC Fight Night 115, que aconteceu neste sábado, no Ahoy Rotterdam, na Holanda.

Stefan Struve mostra melhora e velho problema contra Alexander Volkov

A luta principal do UFC Rotterdam foi a maior de todos os tempos – pelo menos na questão da altura dos lutadores. Alexander Volkov, 2,02 metros, encarou o local Stefan Struve, 2,12 metros, e a barulhenta torcida holandesa.

Talvez esta tenha sido a melhor atuação de Struve na área de striking. O jab tem sido mais bem utilizado e algumas combinações com chutes e cotoveladas saem do gigante holandês com mais fluidez. Ele chegou a deixar Volkov, um striker muito mais experiente, em dificuldades no primeiro assalto.

O problema é que Struve melhora ofensivamente, mas não consegue sair do lugar defensivamente. Ele ainda é muito facilmente encurralado, apesar da obrigação de controlar a distância com seus brações sem fim. Para piorar, cinco metros de tronco e pernas formam um alvo imenso para um trocador do nível de Volkov fazer a festa. Em algumas oportunidades, deu a impressão que ele levaria um nocaute parecido com o que tomou de Travis Browne, envergando metade do tronco para trás. Em outras, parecia que ele seria desmontado na grade, como fez Junior Cigano.

Struve vencia o primeiro round quando foi derrubado e metralhado no ground and pound. No segundo assalto, Volkov finalmente se entendeu com a envergadura do oponente e passou a acertar os melhores golpes, a despeito de um aparente maior volume do holandês. No terceiro, quando a movimentação de ambos já quase inexistia, valeu a maior qualidade do carateca russo, que chegou ao nocaute na marca de 3:30 do terceiro assalto.

Ponto negativo para o ótimo árbitro Marc Goddard, que foi um banana no tratamento de dedos nos olhos. Struve acertou a primeira e Goddard chamou atenção. O holandês insistiu na mão espalmada e deu outra dedada no olho de Volkov. Era para Goddard ter descontado um ponto de Struve, ainda mais porque a falta interrompeu a luta num momento em que Volkov tinha bom ritmo. Chegamos ao momento tosco de uma dedada dupla no terceiro assalto.

Siyar Bahadurzada anota nocaute brutal sob o olhar sanguinário do árbitro

Um ponto que merece crítica no UFC Fight Night 115 foi a tolerância da arbitragem com o sofrimento alheio desnecessário. Neil Hall, na primeira luta, Kevin Sataki, na segunda, e Leon Roberts, na coprincipal, deixaram os derrotados Andrew Holbrook, Bojan Mihajlovic e Rob Wilkinson apanharem além da conta.

Wilkinson foi vitimado pelo violento Siyar Bahadurzada. O afegão radicado na Holanda mostrou no corpo a longa inatividade – ele tinha feito apenas uma luta em quase quatro anos. A singela pança sobrando acima da bermuda fez par com uma movimentação quase estática. Para sorte dele, um sujeito com seu poder de destruição não precisa de muito para dar cabo de um jiu-jiteiro um tanto atrapalhado na troca de golpes. Mesmo paradão, Bahadurzada conseguiu encaixar uma poderosa direita que tirou o lutador da Tasmânia do prumo. Siyar seguiu no espancamento diante da complacência de Roberts, que demorou uma vida para interromper a luta.

Destaque: você nunca viu tudo na vida até ver Bahadurzada tentar um triângulo de mão invertido num jiu-jiteiro.

Marion Reneau quase se complica, mas vence estreante Talita Oliveira

A americana descendente de belizeanos Marion Reneau fez toda a preparação para o UFC Fight Night 115 para enfrentar uma striker de elite, a ex-campeã do peso pena Germaine de Randamie. A menos de uma semana da luta, ela viu a adversária mudar para uma faixa-preta de jiu-jítsu, a estreante Talita Oliveira.

Quando a brasileira superou o início nervoso, conseguiu levar o combate para o chão. Um animado duelo de grappling se seguiu com Talita saindo para um leglock e Reneau respondendo com um triângulo. Talita ainda conseguiu pegar as costas para levar o primeiro round.

Reneau voltou para o segundo percebendo que as coisas seriam mais difíceis no chão e tratou de manter as ações na troca de golpes. Ela se aproveitou da queda de ritmo da brasileira e abriu vantagem, mas tomou algumas decisões difíceis de explicar, como buscar o clinch e cair por baixo de uma queda telegrafada. Por sorte de Reneau, Talita não tinha mais forças para tentar a vitória e acabou nocauteada faltando seis segundos para o fim.

Leon Edwards vence o sempre encardido Bryan Barberena

Durante a próxima semana, o MMA Brasil vai iniciar um especial em que Leon Edwards é um dos personagens. Neste sábado, ele quase virou estatística do coração gigante de Bryan Barberena, mas o maior talento por fim prevaleceu.

Edwards foi melhor em pé e no chão, com boas quedas e uma sufocante pressão por cima no solo. Ele pegou as costas, tentou encaixar mata-leão, bateu, executou transições. No segundo assalto, porém, um seco uppercut de Barberena quase deu contornos finais ao duelo. Este momento aconteceu quando a luta estava nas mãos de Leon, muito bem nos contragolpes, capitalizando em cima dos inúmeros erros do descendente de colombianos. No terceiro round, Edwards foi mais cauteloso e saiu da longa distância para catar as pernas de Barberena lá embaixo e encaixar uma queda. Costas dominadas, cadeado fechado, mata-leão encaixado, mas Bryan resistiu até o fim. O placar de 29-28 para Leon Edwards dado pelo MMA Brasil foi replicado entre os três juízes oficiais.

Destaques do card preliminar do UFC Fight Night 115

A porção inicial do evento holandês contou com alguns nomes que os fãs de MMA devem ficar de olho. O principal deles foi o russo Zabit Magomedsharipov, que deu até showtime kick em sua estreia no UFC contra o bom Mike Santiago. O daguestani de 26 anos finalizou no mata-leão na marca de 4:22 da segunda etapa.

Outro prospecto importante em ação em Roterdã foi o inglês Darren Till. Apesar de alguns problemas com os chutes baixos de Bojan Velickovic, o aluno de Marcelo Brigadeiro desfilou seu talento na troca de golpes em pé e fez o sérvio disputar uma batalha de boxe por quase todo o tempo.

O checheno Abdul-Kerim Edilov foi o terceiro prospecto da lista. O enorme meio-pesado de 25 anos não tomou conhecimento do limitado Bojan Mihajlovic e desceu o sarrafo no ground and pound perante o carniceiro árbitro Kevin Sataki. Segurança particular do ditador checheno Ramzan Kadyrov, Edilov está invicto há 11 lutas (quatro anos e meio), todas vencidas em interrupções.

Três brasileiros lutaram na Holanda e dois saíram derrotados. Francimar Bodão foi engolido pelo striking do estreante Aleksandar Rakic e Felipe Silva durou 84 segundos contra o vândalo Mairbek Taisumov, que acertou uma violenta direita enquanto recuava, fazendo o brasileiro cair de cara no chão.

Michel Trator foi o único vencedor. Depois de não bater o peso por mais de um quilo, o paraense deu um passeio no chão no dinamarques Mads Burnell e encaixou a quinta finalização norte-sul da história do UFC – o próprio Trator é o autor de duas delas.

  • Felipe Biancardi Justo

    Alexandre, vc acha que o Volkov pode ser um suspiro pros pesados do UFC? Não digo nem ser campeão, mas ser um cara competitivo, rebder boas lutas, enfim ter um futuro legal.

    • Matheus V.

      Ainda acho que o primeiro grappler de alto nível ele pegar o janta. O mais esperto seria cavar uma luta com o Hunt (que já tem luta marcada) ou até N’gannou.

      • Também acho. Ele nunca mostrou evolução no grappling defensivo. E até strikers agressivos podem foder com o Volkov.

        • Allan Philip

          Alexandre, quando lança a serie dos talvez futuros prospect de cada categoria?

    • Ele tem que melhorar muito o aspecto defensivo contra grapplers de elite. Mesmo um striker agressivo fode com ele.

      • Ricardo Sedano

        Mas com 28 anos nos pesados ele deve ter ainda um bom tempo de estrada pela frente para melhorar isso, não? E mais que isso, em um médio prazo, há tantos grapplers de elite assim nos pesados?

        • Óbvio que ele tem tempo pra melhorar ainda que ele não tenha mostrado melhora nenhuma neste aspecto há anos. E eu sequer disse que ele terá dificuldade apenas contra grapplers.

          Sobre os grapplers de elite nos pesados, Volkov passaria sufico até com o Sosnovsky.

    • Gabriel Carvalho

      Acho que o Werdum jantaria ele no chão.

  • Sexto Empírico

    Como esse Struve é molenga. Ele até q tenta usar (mal) sua envergadura kilométrica. O problema é q ele é lento e muito comprido. Um mero jab demora um round pra percorrer toda aquela distância a passo de pombo. Ele deveria considerar mudar para o basquete.

    Achei q o Baharduzada viria totalmente fora de ritmo e forma e fosse perder. Bem, ele veio. Mas, o instinto assassino ainda estava lá e assim q acoou a presa, despachou sem dó. Gostei!

    Numa outra matéria, comentei pra quem eu iria torcer. No final, acabei foi jogando praga, pq TODOS perderam. A partir de agora, vou começar a torcer pro Corinthians ganhar o Brasileiro.

    • Idonaldo Gomes Assis Filho

      Eu ria dele tentar usar a envergadura e acertar dedo no olho, não pareceu intencional igual aos do Jones, mas pareceu dedo no olho por falta de técnica mesmo kkkk. Fiquei com dó dele na entrevista pós luta, nem quis traduzir pro Dan Hardy o que ele falou pra torcida.

  • Rafael Maia

    O Taisumov foi ótimo! Ficou só recuando e esquivando, quando o oponente achou que ia encurralar na grade ele soltou o primeiro é único soco da luta! “Necessário, somente o necessário”!

    Esse Zabit “sopa de letrinhas” foi legal TB! Fez de tudo em pé, mas finalizou a luta no chão! Muito criativo, mas acho que não dá pra arriscar tanto assim contra um oponente mais qualificado.

    • Gabriel Carvalho

      O Felipe era um cara com potencial pra ganhar do Taisumov, principalmente por ser bem técnico na trocação, mas esqueceu de respeitar o poder de fogo sinistro.

  • James sousa

    Até onde o Volkov chegar nessa divisão ?