Por Alexandre Matos | 01/06/2019 20:19

UFC de tarde, vai dar pra fazer a resenha cedão :)
UFC de tarde, na hora da final da Champions League, da final do NBB e de rodada do Campeonato Brasileiro, ambos com o Flamengo :(

Posso imaginar que a atenção da maioria não foi das maiores para o UFC Estocolmo, que começou ainda no final da manhã deste sábado. Compreendo perfeitamente. Eu mesmo maltratei o controle remoto pulando do Combate para a ESPN, para o FOX Sports e a TNT. Deu trabalho. Para piorar, o UFC não ajudou muito na escalação das lutas, né? Entendo.

A capital sueca viu uma zebra aposentar o maior ídolo local. Viu também um veterano nocauteador sofrer um dos nocautes mais brutais do ano, em passagem de bastão também no meio-pesado. Triângulo de mão no reloginho. Brasileiro parado há quase três anos de volta com nocautaço. O evento prometia pouco, mas até que divertiu.

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Vamo simbora com as minhas impressões do UFC Estocolmo. Depois quero ler as suas na caixa de comentários.

Síndrome de Estocolmo?

No jargão da psicanálise, “Síndrome de Estocolmo” é uma expressão usada para explicar a atração que uma vítima acaba sentindo de seu agressor. No MMA, é como chamamos quando o maior ídolo sueco entrega o ouro diante de sua torcida. Alexander Gustafsson lutou quatro vezes em casa. Perdeu duas. Hoje foi a vez de Anthony Smith sair montado no equino listrado.

Anthony Smith finalizou Alexander Gustafsson no UFC Estocolmo

Quando escrevi a prévia desta luta, frisei que Gustafsson era melhor que Smith em todas as áreas, mas ponderei que o americano poderia capitalizar caso o sueco cometesse um erro. Batata. O que eu não consegui foi a atuação esquisita de Alex no começo do combate.

Gustafsson levou um tempo para engrenar na luta. Nos dois primeiros assaltos, ele se preocupou mais em saltitar e rodar bastante, como se estivesse testando a capacidade ofensiva de Smith. Acho válido, até importante, fazer isso, mas acho também que Gustafsson demorou tempo demais nessa. Em dois rounds com pouca ação, Smith fez pouco mais e saiu com um perigoso 20-18 na frente. Mais um round ruim e Gustafsson estaria encrencado.

No terceiro assalto, o sueco voltou bem melhor e imprimiu o jogo que pensávamos. Gustafsson passou a golpear mais, variando as combinações e evitando os principais esforços de Smith. Quando a buzina tocou pela terceira vez, a impressão era que Gustafsson ainda perdia a luta (29-28), mas que o momento estava totalmente a seu favor e que seria questão de tempo (no máximo dez minutos) para a esperada vitória. Que nada.

É incrível como um lutador tão qualificado como Gustafsson comete uns erros bisonhos. Pior, na frente de seu povo, situação em que as pessoas costumam crescer de produção. Ele tinha o controle das ações no quarto quando tentou mais uma queda. Tudo bem, isso também era previsto. O problema foi ceder a posição de modo ridículo antes de completar o movimento. Resultado: acabou com Smith em suas costas. Não se pode ter um oponente tecnicamente mais limitado, mas muito oportunista, nesta situação. Anthony abriu caminho com socos e cotoveladas até conseguir passar o antebraço pelo pescoço de Alex e apertar o mata-leão.

Silêncio na Ericsson Globe, que estava cantando “Seven Nation Army” amarradão. Quem diria que o mediano peso médio Anthony Smith seria o número um do ranking dos meios-pesados?

Alexander Gustafsson anuncia sua aposentadoria no UFC Estocolmo

Na entrevista pós-luta, Gustafsson jogou suas luvas no centro do octógono, no sinal clássico de aposentadoria. Disse ele que estava preparado, que estava em sua área, mas que ficou desapontado com o resultado. Ele realmente nunca pareceu levar bem as derrotas. Já faz um tempo que eu sinto que Gustafsson simplesmente não estava mais a fim. A chance para disputar o cinturão contra Jon Jones foi o canto do cisne, já até meio forçado. Aliás, “Bones” deixou uma mensagem bem legal para o ex-rival.

 

Vai lá, cara. Vai se divertir com sua família. E obrigado pelos momentos memoráveis.

“MMA é um esporte para jovens”

A frase acima foi cunhada por Dana White quando um dos velhos de guerra do MMA insistiam em esticar a carreira para além do plausível. Tendo a concordar com o presidente do UFC. Neste sábado, Jimi Manuwa também já deve achar que o patrão está correto. Aleksandar Rakic certamente acha.

Aleksandar Rakic nocauteou Jimi Manuwa no UFC Estocolmo

Nem teve muita luta para se analisar. Na primeira oportunidade que teve para trabalhar uma combinação, Rakic não desperdiçou. Ele lançou três socos alternando os punhos. O terceiro passou meio vadio, tipo o penúltimo que Chris Weidman acertou em Anderson Silva antes de nocauteá-lo. Os golpes tiveram a mesma intenção de confundir o sistema defensivo do rival. Manuwa pensou que, depois daquela esquerda safada, viria uma direita. Ele nem viu o chute alto de esquerda nascer e explodir contra sua cabeça. Quando percebeu, já estava com a lanterninha do médico no olho.

Esta foi a quarta derrota seguida de Manuwa, que vai completar 40 anos. Dessas, três foram nocautes brutais. Duas delas, a primeira e a de hoje, acabaram em 42 segundos. Hora de parar.

Resenha MMA Brasil: UFC Estocolmo – outros destaques

– Imagine um sujeito de 39 anos resolver voltar a lutar depois de quase três parado. Receita para o desastre, né? Leo Santos não concorda. O carioca acertou um botadão monstruoso e mandou Stevie Ray para os braços do capeta. O cara não estava fazendo praticamente nada e me sai com um porradão daquele, todo estranho, parecendo soco de baile funk, mas certeiro. Com seis vitórias e um empate, Santos segue invicto no UFC. Incrível.

Leo Santos aplica nocaute em Stevie Ray no UFC Estocolmo

Leo Santos aplica nocaute em Stevie Ray no UFC Estocolmo

Makwan Amirkhani não vinha tendo a sua melhor atuação, mas conseguiu uma finalização sensacional em Chris Fishgold. Quando o britânico errou na execução de uma guilhotina, o “Mr. Finlândia” escapou e saiu para o triângulo de mão no reloginho. O peixe-dourado tentou girar para esfriar o estrangulamento, mas Amirkhani foi junto. Não teve jeito, Chris teve que batucar.

– Parecia que Daniel Teymur faria o de sempre: início avassalador, depois cansa e entrega o ouro. Apostei babando no Sung Bin Jo, sujeito de boa técnica e duro como o diabo. Teymur fez a parte dele, atacando e cansando. No segundo round, quando era para Jo crescer, parece que os octagon jitters pegaram no sul-coreano. Depois de uma parcial quase zerada, o sueco conseguiu se recuperar o suficiente para vencer o último assalto e garantir sua primeira vitória no octógono depois de três derrotas abrindo sua carreira no UFC.

– Gustafsson não foi o único a cometer um erro que jogou a vitória fora. Duda Cowboyzinha também. A brasileira passou o carro em Bea Malecki no primeiro assalto e estava vencendo o segundo quando tentou uma queda. Eu virei o olho para o celular e, quando volto para a TV, Duda estava por baixo. Como assim? Nem teve muito trabalho para a sueca apertar o mata-leão.