Por Alexandre Matos | 20/01/2019 05:17

Começamos o ano bem, hein? Aliás, se o UFC queria impressionar os telespectadores da ESPN americana, fizeram um bom serviço. Neste sábado, a temporada 2019 da maior organização do MMA mundial iniciou com um evento excelente, que fechou com um campeão fazendo história novamente. A Resenha MMA Brasil: UFC Brooklyn conta a história do que aconteceu no Barclays Center, no Brooklyn, em Nova York.

No encontro entre campeões, melhor para o menor. Já o espancador de mulher teve sua estreia manchada por uma desclassificação. O filhotinho de Khabib jantou mais um. O filho de Sobrália chegou a ver o Pennywise sorrir para ele no bueiro, mas saiu com vida. A Rainha da Violência aprendeu que UFC é outro nível e o Rei da Violência fez a alegria de seus súditos.

LEIA MAIS UFC Brooklyn: Cejudo vs. Dillashaw – Resultados

Henry Cejudo não para de crescer

O talento é diretamente proporcional à cabeçorra. Daqui a 15 dias, completa seis anos que a gente apresentou Henry Cejudo aos leitores. Hoje, ele confirmou ser o maior acerto da história do Radar MMA Brasil.

Testemunhas oculares dão conta que TJ Dillashaw foi visto no porto de Nova York embarcando num bote a caminho de Denver, no Colorado. Ele perdeu o caminho de casa assim que as portas do octógono foram fechadas e o homem de preto autorizou o início da execução de Cejudo.

O campeão dos moscas levou às últimas consequências a orientação de retaliar os ataques de Dillashaw. Na primeira tentativa, Henry devolveu dois chutes. Na segunda, liberou o inferno. Cejudo mandou o desafiante ao chão com um empurrão e, assim que TJ se levantou, foi pego por um cruzado na têmpora. A partir dali, a diferença entre um wrestler campeão olímpico e um competidor universitário: enquanto Dillashaw tentava agarrar as pernas de Cejudo, o dono do cinturão girou junto enquanto socava a cabeça do oponente. Quando parecia que ele estava batendo num speed bag, o árbitro interrompeu a sova aos 32 segundos de ação.

Nem deu tempo de analisar se foi o corte de peso que diminuiu o poder de absorção de Dillashaw. Tampouco deu pra ver se a movimentação seria intensa como de costume. Esperávamos 25 minutos de guerra e vimos pouco mais de 25 segundos de luta unilateral. O lado bom é que eles deixaram encaminhada uma revanche valendo o cinturão dos galos de TJ. Vai travar a categoria? Vai. Foda-se. Eu quero ver essa luta em até 61 quilos. E vocês?

Estreia de Greg Hardy acaba de modo polêmico como ele próprio

É bem verdade que Greg Hardy deveria estar em cana e não no octógono, mas como meu papel é de analista de luta e não de advogado criminal, vamos segurar os sentimentos para avaliar a estreia do ex-defensive end do Carolina Panthers. O oponente, Allan Crowder, não tinha muito mais do que condicionamento físico para oferecer.

A luta foi como a maioria esmagadora dos combates entre pesados: ruim. Hardy chegou a dar a impressão que venceria mais uma por nocaute rápido, mas logo viu-se por baixo de Crowder. Neste momento, chegamos à conclusão que Allan sabe pouco de luta de solo e Greg sabe nada.

Pensei: “Bom, essa merda vai voltar em pé e talvez o Hardy nocauteie esse sujeito”. O duelo se arrastou mais feio que bater em mãe até que Hardy largou uma joelhada totalmente intencional na cabeça de Crowder, que estava em quatro apoios. O negócio foi tão acintoso que o árbitro Dan Miragliotta mandou um “Você tá de sacanagem comigo?” para o espancador de mulher. Desclassificação justa, nem precisava saber se Crowder tinha condição de continuar.

Hardy até tem talento para subir na desértica divisão dos pesados. Porém, além de aprender a dosar o gás no novo esporte, vai precisar gastar um bom tempo contra a rafameia da categoria até pegar a experiência que a ganância do UFC tentou encurtar.

Parece que Khabib Nurmagomedov tem um filho bastardo que se chama Gregor Gillespie

O campeão dos leves não é o único wrestler carrapato violento da divisão. O americano Gregor Gillespie segue os mesmos passos. Neste sábado, Yancy Medeiros sentiu na pele.

Algumas estatísticas dão conta do que aconteceu no octógono. Em 9:59 de luta, Medeiros acertou um mísero soco. Sofreu 57, com mais seis quedas, sete passagens de guarda, uma montada nas costas e mais sei lá o quê.

O havaiano até tentou se defender com dignidade, mas apenas adiou o inevitável. Gillespie derrubava, grudava. Medeiros tentava se arrastar e voltava com a cara no chão. Não importava para onde Yancy tentava se mover e Gregor parecia uma cobra grudada na presa. No segundo assalto, com Medeiros mais cansado, Gillespie teve ainda menos trabalho de botar para baixo e largar a mão na cara do sujeito até o árbitro achar por bem interromper faltando um segundo para o estouro do cronômetro.

Como Gillespie já tem 32 anos, o UFC poderia adiantar o lado dele entregando um oponente na margem do top 10. O vencedor de James Vick-Paul Felder é uma boa pedida, embora eu acredite que apenas o primeiro possa fazer alguma coisa. Felder seria executado.

Quase que a vaca de Glover Teixeira deitou

Aos 39 anos, Glover Teixeira já está mais perto do fim da carreira do que do auge. Hoje, ele quase perdeu para um substituto de última hora. Sorte que Karl Roberson não tem muito traquejo na luta agarrada.

Sem a explosão de outrora, Teixeira foi fazer o certo e quase se estrepou. Quando o mineiro agarrou as pernas do americano para derrubá-lo, levou várias cotoveladas que o fizeram ir ao chão caindo por baixo. Roberson até conseguiu montar, mas assim que Glover recobrou os sentidos, reverteu a situação, chegou ele próprio na montada e foi para o katagatame. A primeira tentativa deu em água. A segunda foi perfeita.

Resenha MMA Brasil: UFC Brooklyn – Outros destaques

Paige VanZant e Rachael Ostovich fizeram um duelo muito animado e cheio de erros técnicos. VanZant foi surpreendida de pé e se viu obrigada a levar a luta para o solo. Ali, Ostovich parecia gringo no samba e teve que se render a um armlock.

– Dificilmente o Rei da Violência decepciona. Donald Cerrone estava no córner azul e era o azarão diante de Alexander Hernandez. No fim das contas, valeu quem mais lutou, mais venceu e mais papou bônus na história do UFC. Hernandez equilibrou as ações com sua agressividade no começo, mas o “Cowboy” tomou as rédeas da situação e imprimiu seu ritmo intenso de golpes no muay thai. Paulatinamente, Hernandez foi ruindo até tentar defender um chute alto. O bloqueio estava bem posicionado, mas o chute de Cerrone levou tudo e encerrou a parada.

– Já a “Rainha da Violência” aprendeu algumas lições em sua estreia. Ariane Lipski percebeu que, a despeito da fama fora do UFC, é preciso chegar enfrentando alguém fora do ranking. Outro ponto de aprendizado foi a necessidade de melhorar a defesa de quedas. A striker Joanne Calderwood surpreendeu a brasileira levando a luta para o solo e aplicando um vareio ali, numa demonstração de evolução. Nos dez minutos finais, Lipski, receosa de ser derrubada novamente, não aplicou a pressão que precisava e deixou JoJo cuidar da distância e vencer sem sustos na decisão.

– Se Ariane Lipski precisa melhorar o jogo de solo, Vinicius Mamute tem que aprender a socar para ontem. O brasileiro teve uma atuação digna de fazer parte de todas as categorias do Barangão. Quando tentou um chute rodado patético, Alonzo Menifield, que não é nenhum suprassumo, o fez pagar e conseguiu o nocaute.