Por Pedro Carneiro | 15/03/2020 12:59

Eu já cobri alguns eventos do UFC, mas nada tão diferente e único como este que ocorreu em Brasília, em meio ao caos do coronavírus. A palavra mais vezes proferida pelos lutadores e jornalistas foi “estranho” e é por aí mesmo. Atividades como o media day e a pesagem foram canceladas, houve um clima de incerteza se teríamos ou não o evento, logo depois a notícia de que o evento seria realizado sem a presença do público. Todos esses fatores culminaram nos eventos que ocorreram nessa noite, com o primeiro UFC a portas fechadas da história.

Peso leve: Kevin Lee x Charles do Bronx

O roteiro parecia o mesmo: Charles faz uma sequência de vitórias, enfrenta um lutador top 10 da divisão e… perde. Mas nesta noite o resultado foi diferente, bem diferente. O adversário dessa vez era Kevin Lee, o oitavo colocado do ranking, que vinha de um nocaute avassalador sobre Gregor Gillespie. Houve provocações, depois Lee não bateu o peso e, na hora da chinela cantar, Charles do Bronx veio transformado. Foi superior em pé e no chão nos dois primeiros rounds, acertando golpes contundentes, conseguindo ótimas posições no solo e disparando um amplo arsenal de tentativas de finalização. Kevin Lee teve uma atuação daquelas de se esquecer e, no final do segundo round, já dava sinais de que a vaca iria deitar.

O terceiro assalto foi só pra fechar a fatura. Rapidamente o brasileiro aplicou uma guilhotina para finalizar um Lee que ainda quis ficar engatado no Charlnho mesmo com os pedidos do árbitro que quase jogou água quente nos dois pra separar. Charles agora é recordista de finalizações no evento e pediu por mais um adversário do topo da divisão.

Peso meio-médio: Demian Maia x Gilbert Durinho

Quando dois lutadores que são referências na luta agarrada se enfrentam, é comum que a peleja se decida na “terra de ninguém” da troca de golpes. Não deu outra. Havia o desejo de que os dois já começassem a luta de joelhos, fazendo o cumprimento de mãos do Galvão Bueno e partissem pra um disputa de jiu-jitsu. Contudo, Gilbert Durinho preferiu partir para onde era melhor para ele ao aplicar o segundo nocaute da carreira do interminável Demian Maia.

Após um início na luta em pé, até fomos presenteados com uma disputa de chão entre os dois, com momentos sensacionais e com Demian chegando até a pegar as costas de Durinho. Porém, Gilbert conseguiu sair da posição ruim de modo plástico, para retornar a luta em pé e lançar o famoso porradão por cima de um jab de Maia. Quase queimou a largada pedindo pro juiz parar a luta, mas depois de alguns golpes no chão o árbitro declarou o nocaute técnico. Durinho pediu Colby Covington e ainda se arriscou no trash talking em inglês. Se os dois estiverem sem fazer nada…

Peso leve: Renato Moicano x Damir Hadzovic

A luta depois da luta demorou mais que a luta. Se você não entendeu nada, foi como todos que viram Renato partir todo pistolito pra cima de Hadzovic logo depois de finalizá-lo em 44 segundos com um mata-leão. O motivo? O brasiliense queria que a luta tivesse durado mais. Quando ouviu um “então você não deveria ter me finalizado”, veio aquela serenidade que só um argumento irrefutável traz. Moicano agora pretende transitar entre o peso leve e o pena. Construindo a trajetória na categoria de cima, mas não se recusando a pegar a elite do peso-pena.

Peso meio-pesado: Johnny Walker x Nikita Krylov

Dizem que você tem hoje o que você tinha ontem se não fizer nada diferente. Então… O brasileiro que parecia até um pouco mais sério, entrou para matar ou morrer no início da luta, desferindo golpes que sugavam a sua energia rapidamente. Para piorar o cenário, também recebeu duros golpes de Krylov. Na metade do segundo round o condicionamento físico já tinha ido pro espaço e consequentemente a luta também foi. Ou Johnny aprende a controlar seu ímpeto e evolui na luta agarrada ou amanhã vai ter o mesmo que hoje.

Peso leve: Francisco Massaranduba x John Makdessi

O rei do carisma já tem 41 anos. Mas quem parecia o idoso dentro do octógono não era Massaranduba, que começou a luta trabalhando chutes na linha de cintura e boas sequencias. Makdessi estava com a lateral do corpo bem avermelhada e não tem conseguido mais repetir o desempenho que tinha outrora. E colocando o seu ritmo e de golpe em golpe, o brasileiro saiu com a vitória na decisão por unanimidade dos juízes.

Peso-palha: Amanda Ribas x Randa Markos

Já são três vitórias seguidas para a carismática lutadora da American Top Team. Amanda Ribas conseguiu boas quedas, com passagens e montadas no primeiro round, além de bons golpes no corpo. A luta foi se desenrolando em um ritmo agitado, com Amanda liderando as ações em praticamente toda a luta. No final do combate, a mineira conseguiu castigar bastante na meia-guarda, para vencer a luta em uma tranquila decisão unânime. Ribas mostrou que segue evoluindo e subindo passo a passo a escada da categoria. Merece um bom teste no próximo combate.

Peso meio-medio: Elizeu “Capoeira” x Aleksei Kunchenko

Capoeira se recuperou da derrota na última luta, com uma vitória na decisão dos juízes contra Aleksei Kunchenko. O combate começou em um ritmo morno, com o primeiro round se encerrando quase sem ação. O segundo assalto começou melhor, com Aleksei ditando o ritmo e se saindo melhor na aproximação. O último round também teve um rimo morno e uma queda do brasileiro pareceu ter sido o diferencial na visão dos juízes, que deram a vitória para Elizeu, embora o MMA Brasil tenha marcado 29 x 28 para Kunchenko.

Peso-galo: Rani Yahya x Enrique Barzola

Rani voltou a sua cidade natal para enfrentar o peruano e o resultado foi frustrante para ambos. O primeiro round foi dominado pelo brasiliense que usou bem o seu jiu-jítsu para dominar as ações. Após a primeira buzina, Yahya logo levou o combate para o chão onde manteve o peruano por quatro minutos, até o momento onde Barzola conseguiu se levantar e acertar um soco que abalou o brasileiro. Após vencer os dois primeiros rounds, Rani só precisava se manter vivo até o final da peleja, mas o castigo que recebeu foi tão duro que levou dois dos juízes a marcarem o terceiro assalto por 10 a 8 para Enrique Barzola. Por conta dessa parcial, foi declarado um empate majoritário.

Peso-mosca: Mayra Bueno x Maryna Moroz

Depois de duas lesões no joelho, Mayra fez uma luta divertida e disputada. A brasileira começou bem a luta, aplicando os golpes mais potentes, enquanto Moroz apostava no volume. Tudo correu bem até Mayra ter sido derrubada e ter recebido alguns golpes no ground and pound. O segundo round foi bastante parecido com o primeiro, com Mayra indo melhor em pé até ser derrubada novamente pela ucraniana. No último assalto, a brasileira conseguiu defender as quedas, muito pelo cansaço de Moroz, aplicou bons golpes para vencer o round. Os juízes deram a vitória para Maryna Moroz por 29 a 28.

Peso-galo: Veronica Macedo x Bea Malecki

Veronica começou bem, conseguindo superar a diferença de envergadura se aproximando com golpes retos mais pela inabilidade de Malecki do que por imposição técnica. Foi assim, até que a venezuelana cansou e passamos a ver uma luta acima de tudo ruim.O problema da Veronica Macedo foi o condicionamento físico, o problema da Bea Malecki foi, bem… foi a Bea Malecki. Veronica venceu o primeiro round e perdeu os dois seguintes. Vitória justa de Bea Malecki e nem eu sei o porquê coloquei essa luta nos destaques.

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