Por Rodrigo Rojas | 23/02/2020 18:21

O último sábado entregou um prato cheio para os fãs dos esportes de combate. Foram três grandes eventos – um maior do que os outros, é claro – com a brilhante vitória de Tyson Fury sobre Deontay Wilder roubando as atenções. Além disso, o Bellator entregou um bom evento em Dublin, na Irlanda. Por isso, fui incumbido com a honra de escrever a resenha do divertido UFC Fight Night Auckland.

O evento marcou a volta da maior organização do mundo ao continente polinésio, com um de seus maiores expoentes capitaneando. O card, que não contava com nomes muito expressivos para o público médio, acabou entregando várias lutas divertidas, com a principal como cereja do bolo. Vamos nessa?

Pancadaria na Nova Zelândia

Dois dos melhores trocadores da melhor categoria de peso, ambos afeitos à agressividade e muito resistentes. O que podíamos esperar? Pancadaria das boas, óbvio. E foi o que tivemos com o local da Oceania Dan Hooker e o americano Paul Felder.

Por cinco rounds, Hooker e Felder trocaram sopapos em uma luta extremamente acirrada, com bons momentos dos dois lados. A tônica do combate foi Felder tomando o centro do octógono, tentando encurralar Hooker e acertar golpes pesados, como os cruzados de esquerda e vários chutes baixos. Enquanto isso, o australiano ofereceu uma dieta equilibrada de jabs, diretos e chutes baixos, tocando constantemente o americano. Felder contava com envergadura menor e movia-se com menos velocidade, apresentando problemas para encontrar a distância. Os dois também mostraram seus golpes preferidos, com Felder acertando vários rodados e Hooker, suas joelhadas de encontro.

A decisão dos jurados causou polêmica, muito por causa da subjetividade da importância dada à potência dos golpes. Enquanto Hooker conectou mais vezes, Felder pareceu ter acertado os golpes mais poderosos. Apesar disso, o americano tinha o rosto totalmente avariado ao final do combate, e os dois foram parar no hospital, juntos.

Em uma luta tão equilibrada, a vitória poderia ir para qualquer um dos lados, sem maiores problemas. No fim, Hooker conquistou o triunfo por decisão dividida, cravando seu posto na elite da divisão.

Paul Felder e Dan Hooker no UFC Auckland (Foto: UFC/Divulgação)

Na entrevista a Dan Hardy, Paul Felder emocionou-se ao falar do filho pequeno, que sentia sua falta quando ele viajava para lutar. Então, ele retirou as luvas e as deixou no octógono, sinalizando uma aposentadoria. A decisão parece ter sido no calor da emoção, mas seria compreensível, já que Felder tem uma bela carreira como comentarista e entrevistador nas transmissões do UFC. Boa sorte para ele.

O futuro dos meios-pesados. Ou não.

A luta coprincipal entre Jimmy Crute e Michal Oleksiejczuk contava com dois dos maiores prospectos da envelhecida categoria dos meios-pesados. Os dois vinham de situações parecidas: chegaram ao evento conquistando boas vitórias, mas acabaram derrotados quando tentaram subir de nível no UFC.

Jim Crute no UFC Auckland (Foto: UFC/Divulgação)

A luta tinha um cenário bastante claro: Michal é o melhor striker e Crute, o melhor grappler.

A última apresentação do polonês expôs suas duas grandes fraquezas: a luta agarrada e a burrice. Crute explorou ambas com gosto. Mais forte e atlético, tratou de grudar no oponente imediatamente. A partir dali, o polonês não fez mais nada. Foi queda atrás de queda e um monólogo do jovem faixa preta. Michal não demonstrou nenhum tipo de defesa no chão e o australiano passou a guarda como quis, finalizando com uma bela kimura em pouco mais de três minutos de luta.

O duelo foi tão desparelho que Crute pareceu melhor do que de fato é, e Oleksiejczuk mostrou que precisa evoluir muito se quiser se manter em alto nível.

Invasão chinesa entre as palhas

Coronavírus à parte, as chinesas vieram para ficar. A ex-desafiante Karolina Kowalkiewicz não ofereceu nenhuma resistência contra Yan Xiaonan. A asiática utilizou a agressividade para passar por cima do jogo conservador da polonesa, abusando de longas combinações de socos e chutes, quedas de grande amplitude e contragolpes. Karol, que sofria com um machucado no olho, parecia sem saída, já que era dominada em pé e acabava arremessada no chão todas as vezes em que buscava a luta agarrada contra uma oponente muito mais forte fisicamente.

Xiaonan Yan golpeando Karolina Kowalkiewicz (Foto: UFC/Divulgação)

Deve ser o fim da caminhada de Kowalkiewicz no UFC, já que ela amargou a quarta derrota seguida. A chinesa, invicta desde 2010, conquista sua maior vitória até o momento – a quinta na maior organização do mundo –  e deve se juntar à compatriota Weili Zhang no topo da categoria ainda nesse ano.

Outros destaques

– Dois brasileiros recuperaram-se com nocautes no primeiro round no evento de sábado. Na primeira luta da noite, Priscila Pedrita nocauteou a fraquíssima Shana Dobson em menos de um minuto, com um belo uppercut no queixo. A vitória deve dar uma pequena sobrevida à carreira da carioca no UFC.

– Já no card principal, Marcos Pezão nocauteou Ben Sosoli em uma luta tecnicamente muito feia, porém divertida. Os dois pesos pesados trocaram pombos sem asa por um minuto e meio, até que Sosoli foi de encontro a Pezão, que lançava overhands no ar, parecendo nem olhar para onde estava batendo. Uma das mãozadas acertou o australiano na tampa do coco, fazendo com que apagasse de cara no chão. Bizarro.

Priscilla Pedrita no UFC Auckland (Foto: UFC/Divulgação)

– Outro representante da boa geração de lutadores da Oceania, Brad Riddell venceu o favorito Magomed Mustafaev, para delírio da torcida local. O australiano mostrou resiliência e poder nas mãos para vencer o cansado russo por decisão dividida.

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Jake Matthews e Emil Meek fizeram outra luta feia e divertida, cheia de reviravoltas. O australiano venceu na decisão e o norueguês deve ser convocado ao RH.

– O parça de Khabib Nurmagomedov Zubaira Thukhugov nocauteou o mexicano Kevin Aguilar ainda no primeiro round, conquistando sua primeira vitória desde 2015.

Jake Matthews no UFC Auckland (Foto: UFC/Divulgação)