Por Alexandre Matos | 20/01/2020 00:19

Estamos de volta! Não somente o maior evento do mundo deu seu pontapé inicial em 2020, como a Resenha MMA Brasil retorna de um período de hibernação, não maior que a minha. E, convenhamos, o UFC 246 foi um baita momento para voltar.

Foi um evento inesquecível? Não. Pelo menos até a luta principal. Ali, a maior estrela da história fez seu retorno triunfal. De quebra, deu mais uma mostra que não é apenas nos números que ele brilha. Ainda, garantiu um merecido ordenado polpudo para o maior funcionário do mês do UFC.

Tivemos ainda barangas fazendo disputas divertidas, algumas zebras enormes, lutadores(as) se firmando e mais algumas outras coisas que comentaremos aqui na Resenha MMA Brasil: UFC 246.

Vem comigo?

Conor McGregor não para de crescer

Para desespero das inimigas, Conor McGregor não para de crescer. Provavelmente a vendagem do UFC 246 não vai quebrar recorde. Já ele…

O octógono montado na T-Mobile Arena, em Las Vegas, tinha como um dos patrocinadores o Proper Twelve, uísque do McGregor. A renda de bilheteria chegou nos 11 milhões de dólares, para pouco mais de 19 mil pessoas que basicamente estavam lá por causa do irlandês. Esportivamente falando, ele teve provavelmente a vitória mais impactante de sua carreira.

Conor McGregor nocauteou Donald Cerrone no UFC 246

Foi uma atuação praticamente à prova de erros. Donald Cerrone tentou surpreender ao iniciar numa tentativa de queda. Encontrou o joelho esquerdo de McGregor e levantou grogue. Ficou travado no clinch e levou uma sequência de ombradas. Uma delas estourou o nariz do americano. O “Cowboy” se afastou e levou uma canhota. Viu o tablado virar gelatina. Conor avançou com duas canhotas e uma direita. Cerrone caiu em posição fetal, claramente desistindo da luta. Porém, Herb Dean, cada vez pior, deixou o americano ser guerreiro e esticou o sofrimento de Donald por pelo menos mais uns 15 desnecessários segundos.

Herb Dean já está merecendo virar patrono no Barangão.

McGregor saiu do octógono depois de 40 segundos de ação com 75% de aproveitamento nos golpes contundentes e reduziu Cerrone a um total de um golpe tentado e zero acertados. A atuação magistral serviu para o pessoal lembrar que estamos diante de um dos grandes da história.

Agora, muita gente pergunta: qual será o próximo passo de Conor McGregor? O vencedor de Khabib Nurmagomedov-Tony Ferguson? Desafiar o cinturão de Kamaru Usman? Desafiar o ~cinturão BMF de Jorge Masvidal?

São todas opções viáveis. Na verdade, a próxima luta de McGregor será contra quem ele quiser, valendo o que ele quiser, inclusive o cinturão dos moscas com ele batendo 77 quilos e o adversário nos 57. Mas a minha aposta não seria nada neste sentido. Não no MMA.

Logo após o combate, Floyd Mayweather foi ao Instagram publicar um pôster da revanche contra McGregor em 2020. Isso mesmo: MayMac 2 com cheques de nove dígitos para cada. Quem também andou por essa linha foi Sean Gibbons, presidente da Pacquiao Promotions, que fez o mesmo que Mayweather. Ou seja, McGregor pode arrumar duas lutas de boxe em 2020 valendo ordenados estratosféricos.

MMA? Risos.

Holly Holm venceu Raquel Pennington mais uma vez. Daquele jeito

Chatíssimo.

Tem horas que vale a pena existir o peso pesado

Eu sou o primeiro a dizer que não sei por que peso pesado existe no MMA, tamanha a quantidade de barangudas em estados atléticos deprimentes e capacidades intelectuais reduzidas, pelo menos esportivamente. No entanto, às vezes essa gente nos brinda com vergonhas-alheias divertidas. Foi isso que Aleksei Oleinik e Maurice Greene fizeram por quase dez minutos.

Aleksei Oleinik finalizou Maurice Greene no UFC 246

Greene é um gigante de dois metros de altura e porte físico mais avantajado do que a maioria dos roliços da divisão. Mas não se engane: ele é ruim. Apesar de fisicamente ser capaz de nocautear um quarentão de striking mondrongo como Aleksei Oleinik, o americano era uma vítima em potencial para o traiçoeiro jiu-jítsu do veterano russo. Não deu outra.

Em vários momentos, Maurice nem sabia o que fazer. Oleinik transitava facilmente entre as posições. Passava guarda de bobeira, raspava parecendo uma cobra, montava como se estivesse em cima de um boneco de grappling. Tentou algumas posições e ficou dando mole até se embolar com Greene e puxar o braço do americano, na posição engraçada da foto acima. O “Chefão do Crochê” (pois é) deve ter pensado que aquilo não daria em nada. Logo depois, teve que batucar.

No fim do combate, Fabricio Werdum, que teve sua pena por doping reduzida, foi ao Twitter desafiar o jiu-jítsu de Oleinik para sua volta ao octógono. Queremos.

CDF é bom, mas tem teto. Pettis tem porão

Carlos Diego Ferreira conquistou sua vitória mais importante e deu um importante passo para adentrar o ranking mais cabuloso do UFC. Anthony Pettis mostrou que era papo furado colocar na conta do corte de peso a má fase, que já dura quase tanto quanto a boa.

Carlos Diego Ferreira finalizou Anthony Pettis no UFC 246

Enquanto o duelo esteve em pé, vimos equilíbrio, com o americano, um dia tido como um dos melhores strikers do esporte, com leve vantagem. Porém, sobra ao brasileiro o que vem faltando a Pettis: inteligência estratégica.

Quando CDF viu que botar Pettis para baixo era bem mais fácil do que ele pensava, o duelo mudou completamente. No chão, o ex-campeão não foi páreo para Diego. Foram três quedas, quatro passagens de guarda e um bom tempo de controle posicional. O “Showtime” defendeu um mata-leão, mas nem precisou ceder integralmente as costas para bater em desistência quando Diego montou pelas costelas e encaixou uma pressão forte no queixo.

Diego vem mostrando ser uma versão menos polida que Rafael dos Anjos e, por isso, com um teto bem mais baixo. Em contrapartida, provavelmente vai provar o gosto do ranking dos leves nesta semana. Quem diria que aquele cara que chegou no UFC batendo o velho Jorge Patino Macaco chegaria tão longe?

Resenha MMA Brasil: UFC 246 – outros destaques

Roxanne Modafferi ganhou mais uma luta que na teoria não era para ter vencido. Provavelmente Maycee Barber é uma das favoritas com odds mais altas a ter perdido no UFC. A jovem candidata a estrela não teve espaço para imprimir seu jogo violento e levou um vareio da veterana, especialmente no chão. Barber rompeu o ligamento cruzado anterior, mas não reparei em que momento exatamente isso aconteceu. Sei que ela não tinha a menor condição de seguir no terceiro assalto, mas o médico e o árbitro Jason Herzog permitiram que o combate fosse adiante. Agora, provavelmente vamos ver Roxanne desafiar Valentina Shevchenko. Que os deuses tenham piedade.

– O deficiente auditivo Askar Askarov conseguiu uma vitória maiúscula sobre o ex-desafiante dos moscas Tim Elliott. O russo passou o carro em pé e no solo, inclusive aplicando botes quando estava por baixo. Venceu os três rounds na minha visão, com o primeiro cabendo um 10-8. Porém, os juizaços não viram assim. Michael Bell deu o segundo assalto para Elliott, enquanto Sal D’Amato e Dave Hagen foram no conservador 30-27. Claro que nenhum dos três aplicou 10-8.

– O Barangão parece que terá trabalho em 2020. Marcarem vitória da Sabina Mazo sobre JJ Aldrich foi tenso. Os sempre queridos juízes Adalaide Byrd e Junichiro Kamijo foram de 29-28 para a colombiana, enquanto Chris Lee foi no certo. Pro Lee ser o certo, você vê como o negócio foi puxado.