Por Alexandre Matos | 07/07/2019 05:06

Apesar de uma ou outra restrição na luta principal, que evento, meus amigos! A T-Mobile Arena resistiu a um terremoto na sexta para hospedar um evento que “abalou as estruturas” do ginásio. A Resenha MMA Brasil: UFC 239 conta a história do abalo sísmico que os fãs de MMA testemunharam, que sai com força na disputa do melhor evento do ano.

Os maiores de todos os tempos estiveram em ação e saíram vitoriosos, mas com atuações bem distintas. Quatro nocautes foram aplicados, todos espetaculares, inclusive o mais rápido da história do UFC. Duas submissões por mata-leão, uma baita surpresa, um announcer vestido com terno feito de papel de parede. O UFC 239 foi demais.

Jon Jones venceu; Thiago Marreta também

Ninguém morre de véspera, já dizia Thiago Marreta. O brasileiro teve uma atuação corajosa, lidou com uma lesão no joelho e foi o primeiro a ter um juiz a seu lado contra Jon Jones. O campeão não lutou exatamente bem, mas segue com o cinturão.

Jon Jones venceu Thiago Marreta no UFC 239

O passeio esperado não aconteceu em nenhum dos 25 minutos de luta. Na verdade foi bem longe disso, por mais que o começo tenha dado uma impressão diferente. Marreta precisava de velocidade e explosão para invadir o raio de ação de Jones e acertá-lo com alguns golpes. Enquanto estava sentindo a luta, o brasileiro não foi rápido, nem explosivo, nem executou combinações longas de golpes potentes. Porém, isso durou pouco. O desafiante logo passou a se soltar e a carimbar a cabeça do campeão. Embora essa fosse a única arma de Thiago na luta, a impressão era que a zebra poderia sair galopando de Las Vegas levando o cinturão rumo ao Rio de Janeiro.

Jones cometeu um erro inédito neste combate. Dono da maior envergadura da história do UFC, o americano controlou mal a distância, ficou postado no mata-burro mais do que o desejável e, assim, correu mais riscos do que devia. Com a distância errada, além de ser golpeado, ele não buscou o clinch para desgastar o rival ou até mesmo derrubá-lo para encurtar a disputa. Levou uma boa quantidade de bicas nas pernas e amanhã vai voltar para Albuquerque caminhando com dificuldades. No segundo assalto, Marreta lesionou o joelho e ainda assim assustou o campeão em algumas oportunidades, quando explodia. Jonny Bones dificultou sua situação ainda mais por não impor sequência em suas ações ofensivas.

Marreta também cometeu um erro importante. Ele estava no fio da navalha lutando contra o mais bem dotado tecnicamente que o esporte já produziu. Por este motivo, deveria ter simplificado mais algumas situações. Deixa para dar chute ou soco rodado contra a plebe. Diante do Rei, faz o seguro. Em certas oportunidades, se tivesse optado por uma entrada de socos em linha, talvez o sonhado nocaute ou a vantagem num round apertado poderiam ter pendido a balança para o outro lado.

Jon Jones saiu do UFC 239 com o cinturão

Basicamente todos os rounds foram parelhos, exceto o terceiro, vencido claramente pelo campeão. Na minha visão, Marreta saiu com 20-18 e Jones virou nos três assaltos finais. No entanto, não me incomoda nenhum 48-47 que se marque para qualquer um. Saímos com a sensação que Marreta poderia ter vencido se não tivesse se machucado. Saímos também achando que Jones teria levado com mais clareza se adotasse uma estratégia mais segura ou se fosse menos preguiçoso na luta. Hoje não passava nem agulha no furico dele quando Bruce Buffer anunciou o resultado oficial.

Moral da história: alguns adversários não permitem mais que Jones lute mal de graça.

Amanda Nunes já pode jogar futebol em paz

Certa feita, Amanda Nunes disse que gostaria de jogar futebol. Ela já pode mandar lustrar as chuteiras e pendurar as luvas. A baiana venceu TODAS as campeãs da história dos pesos galo e pena do UFC, SEMPRE no primeiro round. De quebra, venceu duas vezes a campeã do peso mosca. Numa boa, nunca vi isso na vida. A vítima da vez foi Holly Holm, segunda campeã do peso galo e que disputou a coroa do peso pena duas vezes.

Amanda Nunes venceu Holly Holm no UFC 239

Por quatro minutos, parecia que a luta iria longe. Holm tentava manter a distância beeem longa, com forte movimentação e uma incrível taxa de acerto de golpes (acima de 70%). O primeiro assalto se passou com poucas ações ofensivas, Amanda corria o risco de perder três rounds marotos e acabar derrotada. Ela então resolveu que era melhor não.

Num dos raros momentos que Holm baixou a guarda, a “Leoa” largou um chute alto precioso, que explodiu no meio da cara da ex-campeã. Amanda seguiu para o confere final e o árbitro Marc Goddard rapidamente interveio. O único porém do lance foi acertar o chute com o peito do pé e não com a canela, correndo o risco de se machucar. Poderia atrapalhar na futura carreira no futebol.

Amanda Nunes é a maior lutadora da história do UFC

Germaine de Randamie, primeira campeã do peso pena: nocauteada por Amanda em 3min56s
Cristiane Cyborg, segunda campeã do peso pena: nocauteada por Amanda em 51s
Ronda Rousey, primeira campeã do peso galo: nocauteada por Amanda em 48s
Holly Holm, segunda campeã do peso galo: nocauteada por Amanda em 4min10s
Miesha Tate, terceira campeã do peso galo: finalizada por Amanda em 3min16s

Sem mais.

Jorge Masvidal aplica o nocaute mais rápido da história do UFC

Há muitos anos existia a discussão sobre qual seria o nocaute mais rápido da história do UFC. Duane Ludwig teria conseguido um em 6 segundos, mas o árbitro demorou tanto a interromper que a marcação oficial ficou em 11. Outros três aplicaram em 7 segundos. Não importa mais. Neste sábado, Jorge Masvidal implodiu Ben Askren em 5 segundos.

Jorge Masvidal nocauteou Ben Askren em 5 segundos no UFC 239

Masvidal apostou alto e colheu os frutos. Ele imaginou que Askren chegaria para tentar derrubá-lo imediatamente. Sem nenhuma preparação anterior, Ben não ouviu os conselhos do “vem tranquilo” e entrou afobado em queda. Assim, Jorge saiu batido de seu canto e decolou numa joelhada voadora que encontrou a testa do rival. Askren desabou teso, com o Satanás providenciando o lençol para encobri-lo. Ainda assim, Masvidal aplicou três socos fortes num corpo que estava em colapso. Atitude totalmente canalha do vencedor, que vingou a controversa derrota do amigo Robbie Lawler para o mesmo Askren.

Jan Blachowicz mostra a Luke Rockhold que meio-pesado machuca mais

A estreia do ex-campeão dos médios Luke Rockhold na categoria de cima acabou de modo dramático. O americano levou um nocaute brutal do polonês Jan Blachowicz no segundo assalto.

Luke Rockhold foi nocauteado no UFC 239

Rockhold tentou mandar um recado à nova divisão mostrando capacidade no striking e no grappling. Porém, não conseguiu sucesso em situação nenhuma. Apesar de ter passado um bom tempo pressionando na grade, Luke não completou nenhuma das cinco tentativas de queda. Quando tentou trocar porrada, levou prejuízo com a maior potência de Blachowicz, mais acostumado ao peso, ainda que o americano parecesse maior fisicamente.

No estouro do cronômetro do primeiro assalto, Blachowicz mandou Rockhold a knockdown com um uppercut seguido de um chute alto. Luke voltou meio grogue para o córner e viu sua experiência ruir menos de dois minutos depois. Com sua eterna deficiência defensiva, Rockhold baixou o punho esquerdo e abriu uma avenida para um gancho de esquerda violento mandá-lo em condições críticas à lona em definitivo. Herb Dean demorou a chegar, acabou permitindo que Luke sofresse mais uns socos desnecessários e ainda levou esporro de Blachowicz. Dean vive fase complicada há um tempo.

Resenha MMA Brasil: UFC 239 – outros destaques

– O atleta profissional Michael Chiesa passou o carro no acabado Diego Sanchez. O combate transcorreu praticamente inteiro no solo, onde o vencedor do TUF 15 fez o que quis com o vencedor do TUF 1. Chiesa alternou entre ground and pound com socos e cotoveladas e várias pegadas de costas e tentativas de mata-leão. Como Sanchez come ground and pound com farinha e sabe se defender na luta agarrada, o duelo terminou com 150 placares de 10-8 para Chiesa.

Arnold Allen atropelou o veterano Gilbert Melendez no UFC 239

– Quando a Reebok lançou a camisa de Giblert Melendez, muitos acharam que foi erro da marca. Nem foi. Esse impostor tomou a vaga que deveria ser de Gilbert Melendez no UFC. O veterano de 37 anos, que não lutava há quase dois, levou um vareio do jovem Arnold Allen, de 25. Lento, frágil e travado, o ex-campeão do Strikeforce não teve como lidar com a volúpia do inglês. Allen anotou a sexta vitória em igual número de lutas no UFC, enquanto Melendez viu seu retrospecto no octógono ir a 1-6, com cinco derrotas seguidas.

Claudinha Gadelha venceu Randa Markos, mas a luta foi tão sem graça que eu preferi pesquisar no Google os efeitos do chá de picão que um amigo meu está precisando. Descobri que há até um funk do chá de picão e que há uma modalidade especial de chá de picão preto, que promete curar até mau-olhado.

– Se nenhum problema acontecer, Weili Zhang será a primeira chinesa a disputar um cinturão do UFC. Song Yadong deverá ser o segundo. O moleque deu mais um show, aplicando um nocaute absolutamente avassalador em Alejandro Pérez em pouco mais de dois minutos de luta. O peso pena asiático já tem quatro vitórias em igual número de combates disputados no octógono, com dois nocautes e uma finalização. Não vejo a hora de esse guri enfrentar concorrência de peso na divisão.

– O trem do hype de Ismail Naurdiev descarrilou rapidinho. O austríaco de 22 anos, que havia aplicado um vareio em Michel Trator na estreia, foi anulado por Chance Rencountre neste sábado. Enquanto conseguiu trocar golpes em pé, Naurdiev mostrou mais técnica, versatilidade e potência. Porém, foi facilmente dominado no chão por um oponente bem menos qualificado. Sorte que Ismail é muito jovem e tem tempo de absorver os ensinamentos da derrota e seguir evoluindo.