Por Alexandre Matos | 09/09/2018 03:36

Baita evento os fãs acompanharam em Dallas. A Resenha MMA Brasil UFC 228 fala do evento que aconteceu na American Airlines Center, em Dallas, que entregou algumas grandes atuações, nocautes e finalizações a rodo. Por fim, um campeão pouco popular, mas cada vez mais dominante.

Além da quarta defesa consecutiva do cinturão dos meios-médios, o UFC 228 desvendou a próxima desafiante do peso palha com um nocaute brutal. Reforçou a ascensão de um candidato a gênio no peso pena. Deixou corpos estirados na lona. Apesar dos gritinhos insuportáveis, o público texano voltou pra casa feliz.

Tyron Woodley se estabelece com a melhor atuação da carreira

Conseguir quatro defesas consecutivas de cinturão no UFC é um feito para poucos. Tyron Woodley não só conquistou o feito, mas ainda o fez com a melhor atuação da carreira. Desde que o árbitro Dan Miragliotta abriu as ações, o campeão não deu uma oportunidade sequer para Darren Till.

Até mesmo aquele começo hiper agressivo, que tenderia ao desafiante, foi inteligente. T-Wood deixou dúvida na cabeça de Till e, antes que o britânico reagisse, cravou-o na grade e começou o trabalho de desgastar o oponente. Desgastar o braço esquerdo do canhoto britânico. Genial.

Woodley repetiu a estratégia na abertura do segundo assalto e, para mostrar que estava absolutamente consciente do que tinha que ser feito, enxergou uma brecha defensiva de Till, que manteve o punho esquerdo muito baixo no pocket, e levou um petardo no queixo. No chão, Tyron deu show.

Com sete toneladas de bunda, base de folk wrestler e o submission afiado por Marcelinho Garcia, não tinha como Woodley ser raspado. Till tentou escapar de quadril, tentou meter o pé na virilha, mas não conseguiu mover o campeão. Tyron desceu a mamona no ground and pound e levou pânico ao desafiante. Darren foi valente, aguentou firme o castigo implacável e chegou a dar a impressão que suportaria até a buzina. Que nada. O campeão pegou o inglês num triângulo de mão faltando 41 segundos para o fim do assalto.

Quem não curtia Woodley deve ter mudado de ideia neste sábado. Se não mudar, vai ter que engoli-lo por um tempo.

Sobre Till, derrotas são aprendizados. Ele vai retornar mais forte e provavelmente voltará a disputar o cinturão. Não sei se o do meio-médio ou do peso médio, mas provavelmente vai.

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Jéssica Andrade joga Karolina Kowalkiewicz em outra dimensão

A luta de Jéssica Andrade contra Joanna Jedrzejczyk e o primeiro round contra Tecia Torres mostraram um caminho que Karolina Kowalkiewicz poderia trilhar no UFC 228. Do mesmo modo, a derrota da polonesa para Claudinha Gadelha também era viável para Bate-Estaca. Não aconteceu nada disso risos.

Como Karolina começa devagar, Jéssica iniciou a milhão e largou o couro na cara da europeia sem piedade. Karol demorou a entender o que estava acontecendo e quase foi para a vala. Por sorte, Andrade desacelerou e o cérebro da polonesa parou de chacoalhar na caixa craniana. Foi o suficiente para Kowalkiewicz tentar controlar a distância e manter a adversária longe. Risos.

Sabe-se lá por qual motivo, Karolina voltou a trocar soco no pocket contra a Lineker do peso palha.

A multicampeã de muay thai mostrou que esqueceu os princípios do boxe. Manteve o punho baixo e levou uma muqueta dos infernos. Caiu que nem árvore abatida.

Pelos acontecimentos do UFC 228, provavelmente as duas categorias femininas mais leves tiveram seus destinos decididos. No peso palha não tem caô: Jéssica tem que ser a próxima desafiante de Rose Namajunas. No peso mosca, que viu Nicco Montaño ser destituída, provavelmente Valentina Shevchenko reviverá a rivalidade com Jedrzejczyk. Dá para colocar uma no UFC 231 e outra no UFC 232.

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Zabit Magomedsharipov transformou Brandon Davis num pretzel

O UFC 228 seria uma oportunidade para Zabit Magomedsharipov avançar no ranking dos penas, mas a lesão de Yair Rodríguez colocou o russo numa luta sem nada a ganhar. Porém, quando falamos desse sujeito, sempre há o que ganhar, mesmo quando se é favorito na ordem de 10 para 1.

Brandon Davis era um oponente agressivo o suficiente para fazer Zabit prestar atenção. E foi isso o que ele fez no começo. Enquanto o americano se movimentava e lançava golpes, o daguestani prestava atenção nos movimentos para mapeá-los. Pouco a pouco, Magomedsharipov foi se soltando. E foi fazendo a alegria da garotada.

Primeiro foi no striking. Movimentação de cabeça sensacional, combo de dois jabs e um gancho com o mesmo punho em alta velocidade. Golpes na linha de cintura. Chute rodado vida loka no fim do round.

Depois foi no grappling, que é pra lembrar pra todo mundo que o russo é encardido. Quedas indefensáveis, controle posicional, passagem de guarda. Quando pareceu que perderia a posição, pelas costas, Zabit viu o bracinho dando sopa. Quando foi atacá-lo, percebeu também uma perninha de bobeira. Sério, só ele viu aquilo. O malandro pegou o braço e a perna AO MESMO tempo e puxou ambos. Davis levou uns segundos para entender o que estava doendo. Quando ele percebeu que aquele odor perto do nariz era a própria virilha, batucou em desistência. Como disse João Gabriel Gelli, Zabit transformou Davis num pretzel.

No fim da luta, Zabit pediu Chad Mendes. SIM. Foda-se todo mundo.

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Uma das candidatas a luta da noite foi a pior delas

Juntar Jimmie Rivera e John Dodson no octógono eleva as chances de um combate animado. Infelizmente, não foi o que se viu em Dallas.

O Dodson no peso galo não é sombra do que era entre os moscas. Ele ainda é mais rápido que a maioria, mas não tão rápido como costumava ser quando não tinha essa barriguinha de verme. Se ele não nocautear, acaba fazendo lutas meio chatas. Contra Rivera, havia um problema a se resolver.

Aquele Dodson de 57 quilos conseguiria entrar, bater e sair em velocidade, fazendo Rivera procurá-lo. Sendo menos veloz, as entradas do Mágico eram interceptadas por “El Terror” e muitas vezes o ex-desafiante era alvejado no pocket. E, no peso galo, poucos lugares são tão desagradáveis quanto o pocket com Rivera.

Dodson poderia ter chutado mais, poderia ter investido em entradas em diagonal para aplicar uma queda, mas não fez nada disso. Passou a luta errando o tempo de invadir o raio de ação e foi retaliado em quase todas as oportunidades. Conforme o tempo passou, ele foi ficando mais receoso e cada vez menos móvel e menos rápido. Assim, perdeu sua principal vantagem e não soube sair da armadilha que ele mesmo se meteu.

Rivera tampouco colaborou para o duelo ser mais animado. Houve um momento em que ele mapeou o tempo de entrada de Dodson e poderia ter investido em atacá-lo no tempo futuro. A potência de seus golpes na curta distância certamente acarretariam num risco imenso de nocaute. Ficamos na vontade.

Resta agora, com a mudança no topo da divisão dos moscas, torcer para que Dodson resolva encarar a dieta novamente para voltar a ser aquele sujeito empolgante de outrora. No peso galo, não vai passar dali.

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Outros destaques do UFC 228

– O confronto entre Abdul Razak Al-Hassan e Niko Price só poderia acabar daquele jeito. Neguinho trocou cacete como se não houvesse amanhã. E quase não houve mesmo para Price, que se aconchegou no fundo da vala em menos de um minuto de quebra-pau.

Tatiana Suarez fez o que dela se esperava: passou o carro sem pena sobre a pequenina Carla Esparza. Parecia a mãe lutando com a filha. A ex-campeã não tinha o que fazer perante a maior técnica e pujança física da medalhista de bronze mundial de wrestling. Esparza só não levou um triplo 30-24 porque o árbitro Kerry Hatley corretamente decretou o nocaute técnico a segundos do fim e porque a Comissão do Texas é uma das mais ridículas do mundo. Nenhum dos três patetas juízes deu mais de um 10-8. E o pior, conseguiu a proeza de fazer errado. Eu não sei se o juiz Daniel Mathisen não entende porra nenhuma do que estava fazendo ou se a pessoa que tabulou os placares pela comissão não sabe ler e inverteu as marcações. Só sei que 10-8 Esparza em qualquer situação dessa luta é um dos placares mais absurdos que alguém dotado de massa encefálica poderia cometer.

Sério, a comissão atlética do Texas tinha que ser demitida coletivamente, principalmente esses Moe, Larry e Curly aí. Aliás, não dá pra levar a sério um Aladin julgando luta.

– Magomedsharipov não foi o único a vencer com uma chave de joelho modificada. Aljamain Sterling pegou Cody Stamman de modo parecido. Alguns chamam essa finalização de “Suloev Stretch”, em alusão à finalização de Amar Suloev sobre Paul Cahoon há mais de 15 anos. Porém, como Suloev morreu de câncer enquanto respondia processo de duplo assassinato (e tentativa de um terceiro), ele que acerte suas contas com Satanás. Aqui nós ficamos com chave de joelho modificada ou seja lá como você quiser chamar.

– Nunca mais vou chamar Darren Stewart de chatíssimo (mentira, vou sim). Baita virada para garantir o emprego.

Geoff Neal é um sujeito rude. No Contender Series, ele dizimou Chase Waldon. Hoje, já vinha espancando Frank Camacho quando o mandou para o colo do palhaço com uma canelada certeira na cara.

– A situação ficou preta para os White perdão. Alex White era o favorito contra o decadente Jim Miller, mas levou um knockdown bruto e foi finalizado no dia em que o veterano se tornou o primeiro da história a alcançar 30 lutas no UFC. Em seguida, o fraco Craig White levou um vareio do também decadente Diego Sanchez.

Irene Aldana e Lucie Pudilová trocaram pau por 15 minutos e só pararam nos intervalos porque ainda é proibido se bater nestes momentos. Se fosse possível, as duas estariam até agora se espancando. Luta mais animada da noite e merecidamente bonificada.

Fundador e editor-chefe do MMA Brasil. Colunista do site oficial do UFC. Prestes a se aposentar e virar colunista especial do próprio site.