Resenha MMA Brasil: UFC 218

Mais um evento sensacional foi para a conta neste sábado, aumentando a incrível sequência de bons eventos montados pela maior organização do MMA mundial. Desta vez o palco foi a Little Caesars Arena, no centro de Detroit.

O UFC 218 teve todos os ingredientes que fazem a alegria dos fãs: disputa de cinturão, nocaute aterrorizante, finalização, dois quebra-paus homéricos e muita ação. Uma pena que uma noite deveras divertida não deverá render uma polpuda venda de pay-per-views para engordar as contas bancárias dos atletas. Quem não viu, perdeu.

Acompanhe aí embaixo as minhas reflexões sobre o UFC 218 e vamos ao debate.

O peso pena está diante de uma nova era

Imagine se o duelo entre Max Holloway e José Aldo fosse um filme. Irritado com o desfecho da primeira obra, um diretor, fã de um dos atores, resolve inserir novos aspectos para tentar um final diferente. A “versão do diretor” chega a dar a impressão de algo novo, mas termina exatamente como o anterior. Seria como se não fosse possível mudar os rumos do filme.

O MMA Brasil disse na prévia que Aldo teria que se reinventar para vencer a revanche. O brasileiro basicamente tinha três missões: a) reduzir o ritmo da luta; b) diversificar o boxe com chutes baixos e quedas; e c) não deixar Holloway ser o agressor.

Aldo falhou no item c), o que tornou o a) mais difícil de ser implementado. Diferentemente do primeiro combate – e de seu padrão – Holloway buscou desde os primeiros momentos tomar a iniciativa do combate. Isso aconteceu porque ele já tinha o conhecimento empírico da distância a ser adotada. E como Junior demorou a diversificar os ataques, Max se sentiu à vontade.

O ex-campeão finalmente usou os chutes baixos e conseguiu alguns bons momentos. Especialmente no primeiro assalto, Aldo mostrou um bom movimento de cabeça para escapar dos golpes do havaiano. O problema é que a defesa de striking consiste na movimentação de cabeça, quadril e pernas de modo orquestrado. O manauara esteve muito bem no primeiro, razoavelmente bem no segundo e mal no terceiro. Isso representou um alvo que se mexia como um bonecão de posto: ativo da cintura para cima, porém, estacionário.

A solução estava em seu próprio repertório. No primeiro round, enquanto o jogo de pernas funcionava, Aldo poderia ter usado sua lendária capacidade de retaliação para baixar o ritmo do combate e impedir que Holloway imprimisse um fluxo elevado de golpes. Conforme o combate teve sequência, o brasileiro não mais se movimentava como antes. A partir dali, os jabs de Holloway perfuraram o sistema defensivo do desafiante. A movimentação de cabeça ajudava a tirar alguns golpes, mas, no volume com que o campeão ataca, é preciso ajuda das pernas. Uma hora a cabeça estaria no lugar errado (para Aldo).

Quando este cenário se concretizou, Holloway pisou no acelerador e transformou a vida do adversário em pesadelo. No tiroteio, Aldo ficou à mercê do campeão. Max já havia captado o movimento de cabeça e, aproveitando a maior envergadura e a falta de movimentação do brasileiro, aplicou uma surra de socos, cotoveladas, joelhadas e até chute alto. Quando Aldo tentou derrubar no desespero, Holloway defendeu facilmente e terminou a sessão de espancamento no solo.

A geração de Aldo pode ser considerada parte do passado para o novo reinado da divisão dos penas. Além do brasileiro, Ricardo Lamas, Cub Swanson e Jeremy Stephens já foram abatidos por Max. Chad Mendes voltará de dois anos parado, aos 33, precisando desenferrujar e com um estilo que não casa com o de Holloway. Frankie Edgar até tem ferramentas (velocidade e transição para o wrestling) para trazer problemas ao campeão, mas, aos 36 anos, o tempo não lhe é favorável e, a cada dia que a luta não é marcada, a vantagem de Holloway aumenta.

Resta então olhar para o futuro e para o crescimento de alguns. Abre-se no horizonte um cenário com Mirsad Bektic, Zabit Magomedsharipov, Shane Burgos, Alexander Volkanovski, Brian Ortega, Doo Ho Choi, Arnold Allen. Holloway terá trabalho por muito tempo, com diversos candidatos a lutão.

E Aldo? Ele pode subir ao peso leve e tentar repetir Rafael dos Anjos nos meios-médios. O problema é que tem muito mais gente encardida nos leves do que em qualquer outra divisão, além de serem sujeitos maiores e mais fortes. Se permanecer nos penas, corre o risco de virar porteiro do havaiano. Não tenho certeza se Aldo está disposto a uma completa reformulação, que passaria inclusive por mudar de equipe.

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Francis Ngannou quase arrancou a cabeça de Alistair Overeem fora

“SE A MÃO ENTRAR…” é uma das grandes frases proferidas por fãs de MMA tentando justificar uma saída alternativa para um combate. Bem, se a mão em questão for de Francis Ngannou, talvez seja prudente verificar as condições de seguro de vida e parcelamento de jazigo. Vitimado pela mão do besta-fera, Alistair Overeem morreu, mas passa bem.

Já se passaram algumas horas do nocaute e eu sigo abismado. Overeem tentou adotar a correta estratégia de trabalhar na ausência de distância, fosse para desgastar os braços do camaronês no clinch ou tentar uma queda. Porém, a execução não foi das melhores, o que facilitou a tarefa de Ngannou de defender a queda e sustentar o clinch em vantagem. Como nada acontecia, Dan Miragliotta mandou os lutadores se separarem. Acho que Overeem vai amaldiçoar todas as gerações do árbitro quando ele acordar.

De volta ao centro, Overeem tentou pendular como se ele fosse um peso leve. Como tem trinta quilos a mais e quase 40 anos, não teve agilidade para executar o movimento. Resultado: ficou exposto, de guarda aberta e com o corpo fora do centro de gravidade, diante de Ngannou. O africano viu o presentão aberto e largou um uppercut de esquerda que entra imediatamente para os violentos anais do MMA. A cabeça de Alistair parecia a de um daqueles bonecos de teste de batida de carro. A coluna cervical teve trabalho para manter a cabeça acoplada ao pescoço. Overeem caiu como uma árvore abatida, sua cabeça quicou no solo. E eu sigo abismado até agora.

O campeão Stipe Miocic também deve ter ficado abismado. O sistema ali é bruto. Depois dessa, não vejo problema algum em tornar Ngannou o próximo desafiante e deixar Cain Velasquez tirar a ferrugem contra um cordeiro de sacrifício qualquer. Pode ser até Fabricio Werdum, numa eliminatória no nível do mar, para não ter desculpa.

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Henry Cejudo separou adultos de crianças contra Sergio Pettis

O UFC parece cada vez mais perto de ter um medalhista de ouro olímpico ostentando um cinturão – obviamente é preciso que o ET que chefia o peso mosca com mão de ferro há cinco anos deixe o trono e suba de categoria. Se isso acontecer, o caminho fica aberto para Henry Cejudo.

Henry Cejudo venceu Sergio Pettis no UFC 218 (Foto: Gregory Shamus/Getty Images)

Henry Cejudo venceu Sergio Pettis no UFC 218 (Foto: Gregory Shamus/Getty Images)

O campeão olímpico de wrestling em 2008 mostrou mais uma vez que não há ninguém na divisão – e aqui eu conto inclusive com o ET – capaz de enfrentá-lo em sua modalidade de origem. Sergio Pettis engrossou a estatística que mostra que todos que cruzaram com Cejudo foram derrubados e nenhum deles conseguiu lhe aplicar uma queda. E, a cada luta que passa, Henry se mostra mais polido nas transições, o que torna a missão de impedir suas quedas cada vez mais complexa.

Em dados momentos da luta, Pettis até chegou a fazer alguma frente na troca de golpes em pé, mesmo que de leve, mas não chegou a ter vantagem nunca. Para piorar, ele parecia com medo das quedas de Cejudo – quem nunca? Incapaz de deter o ex-desafiante, o caçula de Anthony Pettis mostrou-se inútil por baixo, recebendo de bom grado o passeio nos giros e ground and pound de Cejudo.

As fileiras do peso mosca estão cheias de gente talentosa, mas nenhum atualmente capaz de fazer frente a Cejudo. Joseph Benavidez é um oponente óbvio, até para passar a limpo a polêmica do combate entre ambos. Se Demetrious Johnson subir, o peso galo ganha mais um monstro e os moscas terão uma disputa de cinturão vago sensacional.

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Eddie Alvarez exorciza Justin Gaethje

Que homão da porra é Eddie Alvarez. No confronto entre o ex-campeão do Bellator (e do próprio UFC) contra o detentor do cinturão do WSOF, melhor para Alvarez, que tirou a invencibilidade de Justin Gaethje.

O confronto entre dois sujeitos violentos entregou a emoção que os fãs esperavam. Alvarez teve uma atuação magistral, juntando velocidade, jogo de pernas, um trabalho fantástico na linha de cintura de Gaethje, capacidade de absorver os golpes do filho do demo e inteligência para escapar da armadilha sádica do rival.

Como Gaethje também é um homão da porra, Eddie voltou para casa com uma grotesca deformação no rosto – dava a impressão que ele tinha uma bola de squash dentro da boca. Justin se viu em dificuldades quando Alvarez minou sua resistência com socos implacáveis na região abdominal. Ainda assim, Gaethje era capaz de seguir andando para frente, como se fosse um zumbi. Alvarez se manteve focado mesmo quando o adversário tentava transformar o duelo em pancadaria anárquica. Os lutadores trocaram pau fixe e levantaram o público que lotou o ginásio do Detroit Pistons.

A defesa de Gaethje foi ficando cada vez mais esburacada e sua movimentação não o ajudava em nada. Mesmo cansado e também surrado, Alvarez encontrou uma brecha para mandar uma joelhada dos infernos. O filhote de cruz-credo foi à lona e não conseguiu se defender da insana bateria do ground and pound do ex-campeão.

Como próximo passo desses dois elementos: revanche encabeçando um Fight Night. Precisamos de Alvarez-Gaethje em cinco rounds #fodace #pas.

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O card preliminar do UFC 218

– Sempre que você estiver triste, assista ao duelo entre Yancy Medeiros e Alex Cowboy. Os caras saíram na mão como se não houvesse amanhã. Primeiro foi o havaiano quebrando o nariz do entrerriense no primeiro assalto. Recuperado, Cowboy quase conseguiu o nocaute na mesma parcial com direito a dois knockdowns, mas, sabe-se lá como, Medeiros resistiu e trouxe o caos ao octógono. Então foi a vez de Yancy aplicar uma queda, chegar à montada e despejar um selvagem ground and pound. Na terceira etapa, foi a vez de Alex derrubar. Porém, o brasileiro não manteve o oponente no solo e ainda foi vitimado por socos e cotoveladas brutais em pé. Um gancho de esquerda pôs fim à candidata a luta do ano.

– Muito bacana o duelo entre os prospectos David Teymur e Drakkar Klose. #Xatiado por ter perdido o posto no Top 10 do Futuro para o rival, Teymur frustrou Klose com um senso excelente de contra-ataque, forte defesa de quedas e variação de jogo. Drakkar tentou ser agressivo, mas só serviu para alimentar o sueco. Agora Teymur, com vitórias sobre Klose e Lando Vannata, mostra como o peso leve é difícil de prever.

Charles do Bronx vive um problema grave. Ele não consegue bater o limite do peso pena com saúde e é magro e frágil demais para o peso leve. Ontem ele deu trabalho a Paul Felder no chão atacando com um versátil arsenal de finalizações. Porém, quando Felder esteve por cima pelos seus méritos, terminou a discussão com brutais cotoveladas no ground and pound que fizeram Charles bater em desistência. Como o árbitro não viu, apesar de estar de frente para a situação, a derrota de Do Bronx acabou sendo por nocaute técnico e não por submissão.

  • James sousa

    Que evento !! Além de Alvarez x Gaethje tivemos Cowboy x Yancy Medeiros uma pena que não deve vender muito ppv. Poucas vezes um nocaute me assustou tanto como esse do Ngannou

  • Fernando Cruz

    Dizem que quando uma pessoa passa por uma experiência de quase morte, esta passa a encarar a vida de outra forma. Depois da luta contra o Ngannou, creio que o Overeem deve se tornar um novo homem. Acho que até quando estiver tomando um copo de água, o holandês deve pensar o quão bom é estar vivo para saborear uma água gelada numa manhã de domingo – porque meu amigo… a patada de urso que o Camaronês soltou no queixo do Overeem, derrubaria até um búfalo. Fiquei preocupadíssimo quando vi o Holandês no chão com as pernas duras que nem um boneco. Temi que ele só fosse se levantar depois que ressuscitassem ele na ambulância, a caminho do hospital. E olhe lá!

  • Malk Suruhito

    Ainda sobre o nocaute do camaronês: o “Morreu mas passa bem” é fato. Vejam o replay e notem que os pés do Overeem se juntam e ele fica totalmente duro! Sem sacanagem, só faltou cruzar os braços sob o peito. Eu fazia pouco da técnica do Nganou, agora, não ouso levantar uma vírgula contra.

    • Eu ainda acho que um boxeador-wrestler do nível do Miocic janta o Ngannou, mas o bicho é bruto demais. Qualquer erro na frente dele e o sujeito vai pra vala do jeito mais brutal possível.

      • Diego Florentino

        Já selecionaram uma amostragem quase completa de estilos de lutadores pra enfrentar o Ngannou, menos o kickboxer-wrestler do nível de Cain e Miocic. E será o achievement mais difícil da coleção, sem dúvidas.

      • Malk Suruhito

        Com certeza, mas como vc bem frisou “SE a mão entrar” nunca fez tanto sentido em um atleta. E sério, eu não tinha noção do tamanho do Ngannou até ver ele prensar o Overeem na grade. O cara é um armário!!

        • A questão do “se a mão entrar” não é a consequência, mas sim a causa. Se a mão do Ngannou entrar no Miocic e no Velasquez, é caixão e vela. Porém, a questão é: contra esses dois, a mão vai entrar?

  • Franklin Stein

    Que evento!!! e que tristeza ver que enquanto a insanidade rolava solta entre Cowboy vs Medeiros a Little Caesars Arena estava vazia! :/
    Alexandre, será que o Aldo embarangou? não estou tirando o mérito do Holloway de maneira nenhuma, ele é o Furacão do Inferno!!! mas o Aldo está estranho… apesar de falarem q ele estava 100% física e mentalmente, não aparentou estar 100% em nenhuma das coisas. Fizeram paralelo entre Aldo e Barão mas eu acho q dessa vez, apesar dos discurso dizer que não, o Dedé preparou uma estratégia diferente, tentou mudar. Parece é que o Aldo é que não consegue mais seguir as instruções, talvez exatamente pelo corte de peso cobrando o preço, ou por estar abalado psicologicamente mesmo…. não sei. Claro, o Holloway começou com mais pressão dessa vez, mas a queda de rendimento do Aldo do primeiro pro segundo round ta sendo muito grande. No primeiro round ele manteve a guarda bem alta durante todo o round e já no segundo round não conseguia manter… ficou só no “head movement” literalmente. Nos intervalos, o Dedé dizia que o caminho da luta era pelo chutes baixos ( o próprio Holloway disse q estava difícil lidar com os chutes, até deu umas mancadas após pular a grade) mas o Aldo parou de seguir as instruções/gritos do Dedé de chutar e foi entrando cada vez mais no automático, fazendo uma troca franca totalmente sem inteligência (levava 2 a 3 golpes enquanto acertava o vento).

    “Morreu, mas passa bem” ahahahah As definições de coice de mula foram atualizadas após NegãoNu! A foto do golpe parece até um frame de filme de ação B com aqueles golpes falsos onde o dublê se joga longe! O Khalil Rountree postou um vídeo de treino com o Ngannou onde ele escapou fedendo desse mesmo golpe https://www.instagram.com/p/BcO3sZPljEH/?taken-by=khalilrountree

    • Eu não acho que o Aldo embarangou. O jogo do Holloway impõe um “contrajogo” que o Aldo não conseguiu implementar, mas muito por mérito do campeão também. Holloway é física e tecnicamente um cara diferente da grande maioria dos adversários do Aldo até hoje. E provavelmente, como você bem disse, o corte de peso deve estar cada vez mais difícil pra ele.

      • Franklin Stein

        Pode ser isso do “contrajogo” mesmo só achei o Aldo muito hesitante, até apático em alguns lances quando o Holloway dava algumas brechas, por isso classifiquei como “estranho” e novamente, não quero com isso tirar nenhum mérito do Holloway. Tanto que apostei nele na primeira luta e na revanche.
        Agora, outra ponto sobre o evento. Temos um record das fotos mais sensacionais do ano em um único evento? Cada hora aparece uma nova imagem brutalmente fantástica!

  • Marco antônio

    Aldo deveria subir. Se quer parar mesmo, que acabe o contrato na divisão de cima para não ficar manchando o legado com derrotas na divisão que se consagrou. No peso leve ele luta “sem compromisso”, joga a obrigação para os adversários, e se lutar bem contra um Pettis da vida, quem sabe se anime a buscar algo um pouco maior na divisão. Ele mesmo diz que anda desmotivado, ou pelo menos dando a entender, quem sabe a busca de desafio que nunca teve (lutar na divisão de cima) deixe mais fácil a tarefa de encontrar motivação.

    Alvarez pode ser chamado de “campeão dos campeões”, o verdadeiro (o que se intitula assim no brasil a gente sabe que não passa de uma piada). Ganhou de Pettis ( campeão do WEC e UFC), Dos Anjos (campeão do UFC), Gilbert Melendez (campeão Strikeforce), Chandler (Bellator), Aoki (Dream) e Gaethje (WSOF).

    Agora me rendi totalmente a Francis Ngnnou. Mesmo achando que Overeem entrou todo cagado da mão do adversário e tenha decidido por uma abordagem bem diferente do que vinha tendo, agora ficou claro Ngannou é uma ameaça real a elite e é praticamente inevitável que se torne campeão um dia, quem sabe até na próxima luta.

    • Aldo ficaria muito pequeno diante de um Alvarez ou Gaethje. Seria foda pra ele subir, mas eu também acho melhor. Ele já fez o que tinha que fazer nos penas. Não acredito que ele vença o Holloway e pode acabar perdendo pra uma nova força da divisão. Subir evitaria isso mesmo.

  • Idonaldo Gomes Assis Filho

    O Ngannou conseguiu tirar o Arlovski do chão e jogou a cabeça do Overeem pra lua, os caras citados não aguentam muito mas essa aí ninguém aguentaria…
    Uma coisa que me preocupa demais é o corte de peso do Cejudo, ele tá sempre cadavérico e terrível na balança, por mais que esses wrestlers aí sabem muito bem cortar peso uma hora vai cobrar o preço, mas é o ser humano mais talentoso da divisão sem dúvida.
    E o Felder se defendeu bem demais, aqueles triangulos de mão (acho que era isso que o Charles tava tentando) foram tensos, segurou a onda.
    Sem comentários pra Gaethje x Alvarez e Cowboy x Medeiros, só que o Medeiros encontrou a categoria dele.

    • Pois é, não dá pra criticar o queixo do Overeem. Nem um dinossauro suportaria aquela pancada de pé.

  • Lero

    Acho que o Aldo tem maior envergadura do que o Holloway.

    Sem querer ser engenheiro de obra pronta. Mas agora parece que o feijao com arroz do Aldo é bater em wrestlers pequenos. Nas tres ocasoes que ele pegou strikers de élite e esguios, ele foi nocauteado tres veces.

    Tem tres Aldos conhecidos, dois deles acho que poderiam ganhar do Conor e do Max:

    1. WEC Aldo, poderia ganhar dos dois campeoes virando um tailandés da vida, Thai Clinch, joelhadas, chutes nas pernas até o mundo acabar. Acho que esse Aldo teria 50% de posibilidades de ganhar do Conor e do Max.

    2. Aldo Pragmático. Aquele do comeco de carrera no UFC. Sossegado, muito jab, muita mistura com quedas, muito chute na perna e fechadinho. Ele teria 60-70% de posibilidades de ganhar do Conor e do Max.

    3. Aldo Wanna be boxer. Esse Aldo que vimos contra Conor e Max. Ele tem 30% de chance de ganhar desses dois campeoes.

    • Boa reflexão.

      Aldo passou algum aperto contra strikers no UFC, mesmo os que não eram da elite. Hominick deu canseira e fez o Aldo ter que mudar de nível. Korean Zombie deu algum trabalho também, ainda que seja necessário fazer o aparte da lesão no pé do Aldo.

      Sobre o WEC Aldo, concordo contigo. Essa estratégia inclusive poderia facilitar pra ele botar pra baixo e cair por cima. Aldo por cima do McGregor e do Holloway provavelmente seria passeio nos dois.

      Sobre o Aldo pragmático, ele teria que mudar de nível. Ficar chutando as pernas do McGregor seria um risco de uma hora entrar um diretaço quando o McGregor percebesse o ritmo dos chutes. Seja lá a versão do Aldo, contra o McGregor a solução é wrestling + jiu-jítsu.

      • Danielsson

        Como eu comentei com você na hora da luta, eu não sei pq o Aldo não usa mais o JJ. Será que essa ainda seria uma boa solução pra ele depois de tanto tempo sem aplicar em uma luta?

        • Seria nas ocasiões em que ele tem dificuldade na troca de golpes, contra o Holloway ou contra o McGregor. Mas realmente ele não usa o jiu-jítsu faz tanto tempo que talvez esteja enferrujado hahaha

          • Danielsson

            Pois é. Nao é questão de jogo do McGregor ou Holloway. Ja faz muitos anos que eu não vejo ele tentar. No UFC mesmo eu não me lembro.

        • Lucas Natan

          Tá lutando boxe no MMA, aí complica. A primeira luta contra o Holloway já tinha mostrado que seria complicado o trabalho em pé, daí o cara vem na segunda e não tenta uma quedinha… ¯ _ (ツ) _ / ¯

      • Lero

        A nova geração de MMA está foda para a nova União. Faz menos de 3 anos Barão era top 3 p4p e agora acho ele zebra contra quase todo o top 10 dos galos. Mal pensantes dirão que a Aldo e Barão estão com cartel negativo desde a USADA mas esse é outro papo 🙊 eu acho que os novos lutadores, especialmente no galo. Estão foda demais

        • Tenho a impressão que a Nova União parou no tempo, não conseguem se reinventar. Não é só o Aldo ou o Barão, são quase todos.

  • Marcos Henrique Lira

    Sei q no MMA as coisas são muito dinâmicas. Mas eu estava lá Aldo vs Mendes 2 no maracananzinho. Aldo trocou 5 rounds de porrada ligado no 220 volts. Já faz um tempinho eu sei, mas hoje não é nem sombra daquele lutador. Infelizmente o irlandês tem uma parcela muito grande nessa queda de rendimento.
    Mas falando do evento em si: foi top de mais, com lutas empolgantes com direito a tentativa de “assassinato” que nocaute brutal!
    Infelizmente não foi um evento bom para os brasileiros. Mas nos próximos teremos mais sorte.

    • O jogo do Mendes é bem diferente do Holloway. Eles são muito diferentes mesmo fisicamente. Mendes usa mais a potência do que o volume e isso sempre facilitou a tarefa do Aldo, ainda que a luta tenha sido uma guerra. Holloway não deixa o cara respirar, não deixa se sentir à vontade.

      Talvez o McGregor tenha alguma parcela na queda de rendimento, mas a gente tem que lembrar que o Aldo teve uma atuação magnífica no UFC 200, contra o Edgar. Eu deixo mais na questão do confronto de estilos do que em algum problema psicológico. McGregor e Holloway são confrontos de estilo ruins pro Aldo.

      • Marcos Henrique Lira

        Então vc tá querendo q o estilo de lutar do havaiano é ruim pro Aldo. Então vc acha que o Holloway no auge como esta agora vs Aldo antes da luta contra o macgregor o resultado seria o mesmo? ??????

        • Adivinhar resultado é chute. O que eu acho que é o Aldo, em qualquer fase da carreira, teria dificuldades enormes contra o Holloway atual.

      • Fernando Silva

        Mas você não acha que a diferença de altura e envergadura também não foi um fator preponderante para a derrota do Aldo ?

        Fico curioso para ver como seria uma futura luta entre Magomedsharipov que tem 1,85 de altura e bom e wrestling e trocação contra Holloway.

        Os caras são bem mais altos que o Aldo e conseguem bater os 66 kg da categoria e manter um alto rendimento fisico durante a luta. (Qual o segredo ? )

        Eles são cerca de 5 anos mais jovens que o Aldo, mas o Aldo completou 31 anos outro dia, uma idade na minha opinião ainda boa para tal esporte, acredito que este não seja o motivo para a queda de rendimento fisíco. ( exemplos : Daniel Comier (38 anos) e ainda mandando bem; e o fênomeno Dan Handerson que lutou em ótimo nível até os 46 anos de idade.

        • A altura e a envergadura não adiantariam muito em outro tipo de jogo. Por exemplo, acho que o Chad Mendes não daria mais trabalho pro Aldo se fosse mais alto e menos forte. E a envergadura do Holloway na verdade nem é maior que a do Aldo, mas ele a usa tão bem que parece ser maior do que é.

          Eu também fico curioso por uma luta do Magomedsharipov com o Holloway, mas novamente pelo confronto de estilos e não pelo tamanho.

          Não há segredo pra bater peso. Holloway é bem mais fino que o Aldo, o processo dele é diferente. Aldo poderia facilitar a própria vida cortando menos peso, diminuindo o peso de off, mas aí teria que mudar uma cultura da Nova União de anos.

          Daniel Cormier e Dan Henderson são de categorias mais pesadas. Do peso leve pra baixo, a queda de rendimento aparece bem antes. E, cara, dizer que o Hendo lutou em ótimo nível até os 46 anos é uma bondade enorme sua. Ele não tava em ótimo nível há anos.

          • Fernando Silva

            Alexandre, eu li alguns comentários falando que o condicionamento físico do Aldo não estava muito bom, que ele cansou muito rápido, que no terceiro round ele já estava “morto” / “sem gás”.

            1 ) Você acha que estes comentários procedem ou não ?

  • Fernando Chaves

    Ansioso pelo podcast !!! hehe

    • Hahaha não sei se vou conseguir gravar, mas certamente a equipe fará um excelente trabalho.

  • William Oliveira

    Resenha muito bem escrita como sempre, parabéns Alexandre.

    Alguns pontos a se considerar:

    1 – Aldo já deixou claro que não pretende continuar no MMA, a subida para os leves não seria uma tentativa de seguir competitivo e ir atrás de outro cinturão, na verdade seria uma decisão tomada pensando em sua saúde, esse corte de peso absurdo está afetando suas performances já faz anos, é hora de parar com essa loucura e terminar a sua carreira como peso leve, nem que seja lutando contra porteiros do top 15 como Jim Miller, Stevie Ray, Clay Guida etc. Não acho que o Aldo se daria tão mal contra Dunham, Pettis etc. Teria sim uma desvantagem de tamanho, mas também uma de vantagem de velocidade pro Aldo e sendo 3 rounds cortando menos, não cansaria.

    2 – Dana White já confirmou que o Francis é o próximo, a questão é quem virá depois. Eu não vejo explicação alguma pra colocar o Cain na frente do Werdum nessa fila aí, por mais que seja um match up novo contra o Stipe, o Cain não vem mostrando atividade alguma e se analisarmos sob o ponto de vista meritocrático merece menos que o Derrick Lewis. Acho que podemos ver Cain x Werdum II nos próximos meses, e favoreço fortemente o gaúcho, acho que é um casamento bem favorável.

    3 – Mini Pettis não estava pronto sequer pro DJ que perdeu pra Dominick Cruz, imagina esse de hoje dezenas de vezes melhor, graças a deus essa luta não foi feita. Peso mosca segue com um abismo entre DJ, Joe B e Cejudo e os demais. Eu não daria o Joe B não, acho que o vencedor de Formiga/Nguyen faz mais sentido, Benavidez vai voltar de mt tempo parado, alguém mais tranquilo seria melhor. Por fim, não acho que o DJ vá subir em algum momento de sua carreira, não vejo pq ele o faria, sendo pequeno até pra mosca. A luta com o TJ é coisa de uma só.

    4 – Alvarez-Poirier II é necessário e just bleed total também, 5 rounds por favor!

    • 1- O problema do corte de peso absurdo não seria falha de planejamento? É melhor ele ser um leve pequeno e mais fraco ou continuar nos penas baixando o peso de off e o peso de camp pra cortar menos (e se desgastar menos) na semana da luta?

      2- Como eu disse no texto, pode colocar o Ngannou contra o Miocic e o Velasquez contra o Werdum. Sobre o Werdum merecer ou não estar à frente do Velasquez, lembre-se que o brasileiro tem 3-2 no retrospecto recente e as vitórias foram contra oponentes de níveis mais baixos. O Browne foi dizimado pelo Velasquez. Pra mim não teria problema algum o Velasquez na frente do Werdum (ou vice-versa).

      Sobre Werdum-Velasquez ser “um casamento bem favorável ao Werdum” e “favorecer fortemente o gaúcho”, eu não gostaria de ser o portador de más notícias, mas acho que você tá bem equivocado…

      3- Eu acho que o Demetrious Johnson vai subir. E vou mais além: acho que sobe na próxima luta. Eu diria que a próxima luta dele será contra o TJ Dillashaw pelo cinturão do peso galo.

      • William Oliveira

        1 – Eu não acho que seja o caso, isso já vem acontecendo faz anos e só está piorando, não é algo novo. Também tem a questão de novos match ups no peso leve, com nomes maiores do que os que ainda não lutou nos penas.
        Sempre quis assistir Aldo e Pettis, por exemplo. Claro que lá trás teria sido mt melhor, mas é uma boa hora pra abrir mão do preciosismo que geralmente temos muitas vezes.

        2 – Pela questão da atividade do Werdum, acho absurdo essa ideia.
        Ainda mais pq o próprio Werdum venceu o Velasquez e de lá pra cá a única coisa que o lutador de AKA fez foi ganhar do Browne, que dizimado ou não, está em 5 (?) lose streak. Werdum dizimou o Walt Harris, se for assim kk
        Werdum tá 4-2 contando a do Velasquez, Cain está 1-1 e fodeu o evento cancelando várias lutas. O próprio DW, embora não seja mt confiável, disse que Cain sequer está nas conversas sobre titleshot, o que concordo totalmente, não deveria.

        Discordaremos sobre quem será favorito então haha

        3 – Duvido muito. DJ chegou a falar em lutar de peso casado, fazer cinturão especial etc, ele aparentemente não quer subir, quer fazer isso só uma vez mesmo. Acho que será contra o TJ, mas no peso mosca ou casado.

        • Eu não teria problema nenhum com você achar que o Werdum é favorito contra o Velasquez. O que eu discordo bastante – e digo com todas as letrar que você está totalmente equivocado – são com as expressões “casamento bem favorável” e “favorecer fortemente o gaúcho”. Isso simplesmente não existe. Não existe ninguém na face da Terra com casamento bem favorável contra o Velasquez, muito menos ser fortemente favorito.

          • William Oliveira

            Werdum e Overeem tem os dois melhores clinchs dos pesos pesados que vi lutarem no UFC, isso por si só é uma enorme vantagem sob o jogo do Velasquez de levar pra grade e tentar castigar no dirty boxing enquanto cansa o adversário, o Werdum na luta deles usando as joelhadas no corpo e na cabeça a empurrando para baixo com as mãos mostrou um caminho pra se lutar contra o Velasquez.
            Derrubar o Werdum e entrar na guarda dele é uma péssima ideia então fazer o que o Cain fez com o Pezao é impossível.
            Além disso o Werdum tem um condicionamento físico ótimo, tá aí com 40 anos fazendo 5 rounds e controlando o ritmo das suas lutas, e é claro, tem um dos melhores queixos dos pesados, não vejo o Cain tendo o punch necessário pra o nocautear tbm.

            Casamento vantajoso pro Werdum, na minha opinião. Diferente de muitos, não acho que o gás foi o único motivo pro Werdum vencer, uma vez que dei ambos rounds pro gaúcho. Assim que Werdum achou a distância, a luta só foi virando cada vez mais uma surra.

            Claro que não conto o Cain fora, só dou vantagem pro Werdum e não teria mt medo de apostar nisso, sempre quis que a revanche saísse do papel para que acabassem as desculpas de nível do mar.

            • Cara, você falou até de condicionamento físico. Nem tem como seguir com esse debate. Pra mim você tá errado na origem e provavelmente não terá nada que eu diga que fará você repensar alguma coisa. Então nós ficamos com as nossas opiniões e esperamos essa revanche acontecer um dia.

              Se você acha que aquela primeira luta pode ser levada 100% como parâmetro e se você acha que o Werdum vai dar uma surra no Velasquez, eu sinceramente nem tenho mais o que falar.

              • William Oliveira

                De que forma estou errado sobre o condicionamento? Olha a situação do Hunt e Lewis nas últimas lutas, o Werdum tem 40 anos, seu condicionamento tá ótimo. Miocic e Cigano naquela guerra que fizeram no 3º round já estavam como o Werdum no 5º contra o Tybura. Isso é peso pesado Alexandre, não dá pra sair como o DJ sai das lutas não.

                Não falei que o Werdum dará uma surra, falei que irá vencer e que tem vantagem no casamento, o que disse foi que a primeira luta virou uma surra dps que o Werdum achou a distância e Cain cansou, e foi o que aconteceu.

                Concordarei em discordarmos sobre o que vai rolar na revanche, se rolar.

              • Gabriel

                Acho que temos uma falha de comunicação aqui. Vou dar a minha opinião, pra tentar aproximar a de vocês hahahaha
                Werdum tem um bom condicionamento físico, visto que é mais durável nas suas lutas do que a maioria dos pesados, mesmo tendo 40 anos – vá lá, nos pesados não é uma proeza isso em relação a idade.
                O melhor Cain que vimos era um dínamo, o cara parecia um leve lutando como pesado (pela movimentação), cardiorrespiratório surreal.
                Na questão confronto de estilos, isso é o que daria alguma vantagem pro Cain (opinião minha), poder se movimentar muito, entrando no infight e saindo sem muitos problemas com o gás. Werdum “equilibrou” as coisas quando obteve uma trocação, tanto no clinch quanto na distância. Pelo menos o suficiente pra lutar em pé contra a elite da categoria.
                A questão é algo que até acho que li aqui no site, a já pensava comigo em casa: o cardio superior é o que sustenta o jogo do Cain, e isso tem que ser mantido com um treinamento insano (ninguém é uma potência física do nada). Acontece que, pra estar preparado dessa forma, com esse ritmo todo, Cain acaba se submetendo a lesões graves. Ocorre o famoso “cobertor curto”: ou ele entra muito bem preparado, ou ele não entra (lesões). O histórico de eventos cancelados chancela minha opinião, eu acho.
                Forte abraço e boa discussão – alto nível mesmo na discordância.

  • Rafael Oreiro

    A diferença de tamanho e força entre o Alistair Overeem e o Francis Ngannou me surpreendeu e muito. Quando o Overeem foi buscar o clinch eu já pensei “caralho, nunca que ele vai conseguir levar esse camaronês pro chão”. E olha que o Overeem nunca foi pequeno.

    • Aquele clinch foi assustador. Overeem continua sendo enorme mesmo sem os aditivos e ele ficou bem menor que o Ngannou. Quem quiser derrubar o Ngannou vai ter que apostar nos ataques de perna. Derrubar a partir do clinch vai ser difícil até pro Miocic e Velasquez.

    • Ricardo Sedano

      O Ngannou pare ser um mosntro… Um sujeito que faz o Overeem parecer pequeno é uma parada bizarra.

      Como postei no grupo dos colaboradores: Se vc tivesse que escolher entre ser trancado em uma jaula com o Velasquez ou com o Ngannou, como vc se mataria antes?

      • Ngannou parece cansar antes. É uma esperança. Não há esperança com o Velasquez se não entrar com uma marreta pra dar no joelho dele.