Por Alexandre Matos | 07/07/2018 05:37

Tem sido uma semana inesquecível aqui em Las Vegas. Depois de comemorar meu aniversário junto com o feriado nacional, caminhar debaixo de 44ºC e 5% de umidade (e não suar), perder alguns dólares no cassino do Caesar’s Palace, apostar na boca do caixa do Sports Book do MGM Grand tipo Floyd Mayweather dos pobres, chegou a vez de cobrir meu primeiro evento no exterior. A Resenha MMA Brasil TUF 27 Finale conta essa história.

Antes de mais nada, são meia-noite e eu já cheguei em casa, depois de parar para comer. O evento terminou às 22:40h. Isso significa, no horário de vocês aí no fuso de Brasília, 20 minutos antes de começar o card principal. Nada de ficar até o meio da madrugada e ver o sol nascer enquanto publico a resenha. Uma beleza.

Como o Pearl, teatro do Palms Resort & Casino, é muito pequeno comparado a um ginásio esportivo, acabei ficando na sala de imprensa. Inclusive foi complicado achar o lugar (que era o mesmo do media day de ontem), já que o pessoal da orientação estava meio mal informado. Chegando lá, vi que estava na companhia de Ariel Helwani, Marc Raimondi e outros vetados do octagon side. Diminuiu minha frustração. Na hora de ir embora, já no meio do cassino, Chuck Liddell perguntou se eu queria tirar uma foto com ele. Que homem!

Teve luta? Opa, se teve. É pra isso que a Resenha MMA Brasil TUF 27 Finale está aqui.

Israel Adesanya avisa ao peso médio do UFC: tem que respeitar

Quando o UFC anunciou que Israel Adesanya enfrentaria Brad Tavares, me veio à cabeça: “Nunca imaginei que eu ficaria interessado numa luta do Tavares”. Apesar de chatíssimo, o havaiano era um teste interessante para Adesanya pela experiência e pela capacidade de explorar uma vulnerabilidade exposta por Marvin Vettori. Risos.

O legal do MMA é que, mesmo quando o adversário é muito superior numa área, há incontáveis possibilidades de reverter este quadro, dada o caráter multidisciplinar do esporte. Tavares tinha duas macro opções: botar o nigeriano naturalizado neozelandês de costas no chão ou dar uma de vida loka e trocar pau com um ex-campeão profissional de kickboxing. Ele optou pela segunda e vocês podem imaginar no que deu a empreitada.

Na verdade, dizer que Brad optou por isso seria uma injustiça à grande atuação de Israel. Assim que teve a primeira oportunidade, Tavares o chapou na grade. Ou seja, a intenção era a luta agarrada. Porém, só tivemos equilíbrio no primeiro round enquanto Adesanya mapeava os movimentos de Tavares. Depois, como diria Galvão Bueno, virou passeio. Só não foi mais constrangedor porque o americano levou na cara com muita dignidade.

Foi bonito ver a antecipação de Adesanya, graças à diferença de velocidade – e de talento. Tavares cansou de tomar joelhada no corpo quando tentava superar o raio de ação do oponente. No meio da luta, a sensação era de que só um milagre salvaria Tavares. A queda até chegou no quarto assalto, mas Brad errou um movimento, perdeu a posição e o restante de confiança que ainda existia no fundo do tacho. Para piorar, a luta ainda terminou com Adesanya montado tentando uma guilhotina de uma mão. Passeio do “Stylebender”.

O povo adora criticar um sujeito que se movimenta e ataca como se estivesse debochando do adversário (a menos que seja o Anderson Silva, aí o deboche vira estilo e nego bate palma). Adesanya vai ser criticado, vão duvidar de sua capacidade mesmo quando for o óbvio ululando em nossas cabeças. Então, já digo logo: melhor respeitar o sujeito, porque parece que ele é bom mesmo. Ainda mais numa divisão que ficou aberta.

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Duas finais bem diferentes para o TUF 27

A maioria das temporadas do TUF revela lutadores que sequer chegam à quinta apresentação oficial no UFC – isso quando são aproveitados. Salvo algum caso de evolução aguda, este deve ser o caso de Mike Trizano, vencedor do TUF 27 no peso leve, e de Joe Giannetti, derrotado por decisão nesta sexta, em luta que só teve uma série de cotoveladas no fiofó de ~interessante.

Quem deve fugir desse destino amargo é o pequeno Brad Katona. O canadense, que largou a vida de engenheiro para se dedicar ao MMA na Irlanda, sob a orientação de John Kavanagh e parceria com Conor McGregor, mostrou desenvoltura em todos os ramos do jogo e aplicou um verdadeiro passeio no inglês Jay Cucciniello para vencer o TUF 27 na divisão dos penas.

Com movimentos muito mais fluidos que os do adversário, Katona deu dois knockdowns, derrubou, fez transições no solo e bateu no ground and pound. Só faltou atacar uma finalização para receber o selo de “Passeio no Parque”.

Quando o evento acabou, cruzei com Katona a caminho do media scrum. Como o sujeito é muito pequeno, realmente deve voltar ao peso galo, sua categoria de origem. Já estou interessado em vê-lo em ação novamente, mas talvez não seja para logo, pois ele saiu com o pé direito imobilizado.

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Resenha MMA Brasil TUF 27 Finale: Demais pontos relevantes do evento

– De onde a gente menos espera, é quando sai porra nenhuma mesmo. Felizmente não foi o caso do combate entre Alex Caceres e Martin Bravo. O vencedor do TUF Latino 3 cortou um dobrado para derrubar o Bruce Leroy e não deu conta da movimentação do americano por dois rounds, apesar de ser agressivo. O confronto se animou ainda mais no terceiro round e terminou merecidamente bonificado como o melhor da noite.

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– Depois de 15 anos de carreira, finalmente Roxanne Modafferi venceu a primeira no UFC. Ela sofreu nos minutos iniciais contra o striking de Barb Honchak, mas mudou definitivamente os rumos do combate quando levou a veterana de 38 anos para o solo. Ex-número um do mundo, Barb foi um rascunho de si própria e sequer esboçou reação até o decreto do nocaute técnico no segundo assalto após uma saraivada de cotoveladas da montada. Resultado legal pela carismática Roxy, mas seguimos sem esperar nada dela.\\

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Luis Peña é uma figuraça autoapelidada de “Bob Ross Violento” devido à hilária semelhança com o antigo apresentador de TV. Além de saber tirar proveito para se promover, Peña ainda mostrou ser o melhor lutador do TUF 27. Depois de deixar o programa por contusão, ele mandou Richie Smullen a knockdown, apertou uma guilhotina da montada e finalizou o combate em três minutos e meio. Se pudesse, ele ainda voltaria e venceria os dois finalistas. O “Bob Ross Violento” é outro que quero ver em ação novamente.

Fundador e editor-chefe do MMA Brasil. Colunista do site oficial do UFC. Prestes a se aposentar e virar colunista especial do próprio site.