Por Alexandre Matos | 15/10/2018 00:28

O Bellator aproveitou mais um fim de semana de trégua de seu rival mais poderoso para emendar uma dose dupla de eventos. Na sexta, Ryan Bader se classificou à final do torneio dos pesados ao atropelar Matt Mitrione. No sábado, o Bellator 208 apresentou a Bader seu oponente na decisão.

O evento, que aconteceu no Nassau Veterans Memorial Coliseum, em Uniondale, Nova York, teve também o alívio de um ex-número um do mundo, um veterano alcançando sua maior série invicta e um duelo de russos que prometia muito e entregou pouco.

A Resenha MMA Brasil Bellator 208 fala do evento e vocês debatem comigo na caixa de comentários.

Fedor Emelianenko vence luta maravilhosamente feia contra Chael Sonnen

O “Último Imperador” e o “Gângster Americano” protagonizaram uma vergonha totalmente demais na luta principal do Bellator 208. Fedor Emelianenko explorou uma antiga deficiência de Chael Sonnen e carimbou seu passaporte para o encontro com a Dona Morte em janeiro.

Antes de falar da luta em si, um momento análise de shape (sdds PJ). Fedor sempre foi carinhosamente apelidado de “padeiro” por conta da circunferência abdominal avantajada que sempre exibiu mesmo nos tempos áureos de PRIDE. Era uma pança protuberante, porém dura, típica de atletas de alcova jogadores de sinuca que mantêm uma tulipa de chope e um pratinho de torresmo na quina da mesa. Agora, aos 42 anos, a barriga do russo escorre por cima da lendária sunga. Cada vez mais ídolo.

Não que Sonnen, um ano mais novo, ainda seja um exemplo de atleta. E o pior: segue com os mesmos defeitos de sempre. Aproximação estilo touro bravo, metendo o chifre pra frente enquanto larga um matacobra que passa por Tóquio antes de aterrissar na América. E falando em matacobra, esta segue sendo especialidade da casa de Fedor. Com cinco segundos, Sonnen tentou entrar em queda totalmente destrambelhado. Tomou um cachação e foi a knockdown pela primeira vez. Como disse o narrador de Rocky Balboa vs. Mason Dixon, a última coisa que abandona um homem é seu soco. Emelianenko que o diga.

Depois de tomar a pedrada, Chael se deu conta de que o melhor caminho era o solo. Esqueceu porém que Fedor foi um grappler de elite e, dadas as situações técnica, física e idade dos dois, ainda é perigoso. O americano tentou um hip toss e caiu por baixo, numa bela contraqueda do ex-campeão mundial de sambô. Foi engraçado ver Sonnen postar a guarda e Fedor, claramente lembrando de Fabricio Werdum, pensando: “Melhor não”.

Sonnen segue sendo cabaço no chão. Ele chegou até a pegar as costas de Fedor, mas foi ridiculamente raspado e acabou debaixo do lendário ground and pound do russo, que ainda é capaz de machucar quarentões. Por sorte de Chael, Fedor está nas últimas e teve que parar para respirar várias vezes. Somente por isso o nocaute técnico demorou quatro minutos para acontecer.

A vitória classificou Fedor para a final do torneio dos pesados. Ele vai enfrentar Ryan Bader. Nem quero imaginar o que vai acontecer. Emelianenko estava com dois metros de língua de fora com metade de um round contra um peso médio acabado. Diante de um atleta como Bader, tende a ficar puxado pro nosso herói. Se Bader conseguir esconder o queixo, será processado por abuso de idoso.

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Finalmente Ben Henderson estreou no Bellator

A vida de Ben Henderson não foi fácil no Bellator. O ex-campeão dos leves do UFC e WEC disputou cinco lutas no cage circular e só venceu o decrépito Roger Huerta (não dá pra contabilizar o triunfo por lesão contra Patricio Pitbull). A organização manteve o nível baixo para recuperar a moral de Benson e lhe entregou o violento, porém limitado, Saad Awad. Henderson enfim relembrou seus velhos tempos. Pena que era a última luta do contrato.

Os principais pilares do jogo do ex-número um do mundo estavam lá: o ritmo intenso, a movimentação lateral, os chutes, as quedas e as transições no solo, fossem para o controle posicional ou para tentar uma finalização – no finzinho do segundo round, faltou apenas abrir espaço para o katagatame encerrar a disputa.

Mesmo com os bons momentos, não foi uma vitória que ajudou Henderson na condição de free agent. Awad conseguiu raspar, defender quedas, tentou um triângulo de mão invertido. Ainda que não tenha levado sustos, Ben precisa mostrar que pode subir de nível no próprio Bellator. Até lá, um retorno ao UFC é improvável – ele é caro demais para servir de escada na divisão mais atroz do MMA mundial e fará 35 anos daqui a um mês. O caminho agora é renovar o contrato com vencimentos mais baixos e encarar alguém na faixa de Derek Campos, Adam Piccolotti ou o ex-UFC Norman Parke. Em seguida, Goiti Yamauchi e o perdedor da próxima disputa do cinturão entre o campeão Brent Primus e o ex Michael Chandler. Fiquemos de olho.

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Cheick Kongo estende a maior série invicta da carreira aos 43 anos

Não se trata de mentira: realmente Cheick Kongo tem sete vitórias seguidas e duas de suas vítimas estão no UFC atualmente. UFC nele? Risos. Pelo menos, depois de uma paca de decisões chatíssimas, o francês emendou o segundo nocaute consecutivo.

A figuraça Timothy Johnson, cosplay de Charles Bronson (o bandido, não o falecido ator), é patética. O elemento tentou pressionar o kickboxer europeu avançando igual um boneco de Olinda. Kongo largou o primeiro tiro. JohnsonBronson encaixou. Kongo largou o segundo. Pensei: “no terceiro, o sujeito vai pra vala”. Nem precisou. Tim tentou se agarrar na canela de Cheick para botar para baixo, mas deslizou na perna do rival e ridiculamente ficou com as costas no chão. Kongo viu aquela cena esdrúxula e deu duas marretadas de cima para baixo. Acho que o árbitro interrompeu por vergonha alheia.

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Anatoly Tokov vence Alexander Shlemenko

Pelo que li no play by play aqui no site, Nemvy & Nemverey essa luta.

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Fundador e editor-chefe do MMA Brasil. Colunista do site oficial do UFC. Prestes a se aposentar e virar colunista especial do próprio site.