Por Alexandre Matos | 11/02/2014 23:29

A ideia principal da coluna Radar MMA Brasil é apresentar aos leitores potenciais futuros astros do MMA mundial em ação no nosso país, antes de completarem 25 anos e assinarem contratos com organizações de primeira linha. Porém, a coluna começou com um estrangeiro e segue neste artigo com mais um. O foco da vez é Mirsad Bektic, o garoto que nasceu no horror de uma guerra e passou por quatro países antes de se tornar um lutador profissional de MMA. E dos bons, já na mira da imprensa americana há um tempo.

Quando a Guerra da Bósnia começou, em abril de 1992, Bektic tinha um ano e dois meses de vida. Com o pai presumidamente morto no campo de batalha (a família só voltou a se encontrar anos mais tarde), sua mãe fugiu para a Itália com ele e os dois irmãos, de lá partindo para um campo de refugiados na Alemanhã, de onde mal podia sair para ver a rua, três anos depois. Aos nove, o garoto desembarcava em Lincoln, no estado americano de Nebraska, sem falar uma palavra de inglês. Se dizem que a dificuldade molda as pessoas, Bektic já tinha história para contar.

Sua relação com os esportes de combate começou aos 12 anos, quando iniciou no caratê. Em seguida migrou para o boxe e chegou a fazer lutas amadoras na nobre arte e muay thai. Quando completou 16, decidiu que seria fisiculturista, apesar de pesar apenas 58 quilos. O moleque se dedicou firme à alimentação, ganhou cerca de 15 quilos de massa e foi apresentado pelo nutricionista aos treinos de MMA. Nasceu ali uma relação que muito provavelmente o conduzirá até o UFC.

O ground and pound violento é a principal ferramenta finalizadora de Mirsad Bektic (Foto: Divulgação/Site pessoal do atleta)

O ground and pound violento é a principal ferramenta finalizadora de Mirsad Bektic (Foto: Divulgação/Site pessoal do atleta)

O peso pena hoje tem 22 anos e é lutador da American Top Team, na Flórida. Bektic migrou para o MMA depois de 9-0 como amador e alcançou retrospecto profissional de 7-0, com cinco nocautes e um mata-leão. Apesar da base estritamente de trocador, o bósnio hoje apresenta uma base versátil. Em algumas características, lembra um pouco o estilo que consagrou Georges St-Pierre, além do começo no caratê: tronco forte, explosivo, agressivo, de excelente tempo de transição da troca de golpes para as quedas e muita pressão no chão com um ground and pound demolidor (todos os nocautes foram conquistados assim). E isso mesmo sem histórico de luta colegial, como é normal na formação dos atletas de MMA nos Estados Unidos – Bektic é ótimo tanto no double-leg do estilo livre quanto nas quedas cinturadas da luta greco-romana.

Três vídeos mostram um pouco da capacidade do jovem europeu. No Victory Fighting Championship 36, em sua segunda luta profissional, Bektic simplesmente apagou Derek Rhodes no ground and pound. Na RFA 7, contra Nick Macias, o ótimo timing no double-leg (o vídeo não mostra a direita tremenda que entrou logo antes) abriu caminho para o serviço de açogueiro amassando carne. Em sua última apresentação, no VFC 41, três pedradas fizeram o experiente Joe Pearson (43-20-1) cometer o suicídio de puxá-lo para a guarda e acabar martelado como mala velha.

O arsenal ofensivo completo e o incrível preparo atlético de Bektic precisam ser testados contra concorrência mais pesada antes de encarar os melhores do mundo. Ele atualmente é contratado do Titan Fighting Championship, que está realizando um trabalho de reconstrução e crescimento, e sua próxima luta está marcada para o Titan FC 28, em abril, ainda sem adversário definido. Porém, se tudo correr sem percalços, anotem na agenda: esperem um chamado de Sean Shelby ainda em 2014 e a inclusão no top 10 do UFC em 2016.