Por Alexandre Matos | 11/08/2016 13:49

Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro estão a pleno vapor e as principais organizações do MMA mundial resolveram não bater de frente com o mega evento esportivo. A situação nos deixou pobres de assunto – poderíamos falar do trailer da evolução de CM Punk (risos) ou de alguma treta entre Conor McGregor e Nate Diaz, que voltam a se enfrentar na próxima semana. Mas nem isso tem acontecido. Então vamos unir a história olímpica com a do UFC?

Atletas olímpicos no octógono não é novidade, vem dos tempos pré-históricos do vale tudo. E não parou ali, visto que até hoje eles seguem brilhando no maior palco do MMA mundial. Quem foram os olímpicos que atuaram do UFC 3 ao UFC 200? Vocês vão se surpreender com alguns deles.

Campeões olímpicos que lutaram no UFC

A lista de atletas que passaram pelo UFC após chegar ao ápice em suas modalidades é seleta e se resume a apenas um esporte. Os três campeões olímpicos que lutaram no octógono conquistaram a glória no wrestling.

Mark-Schultz-podio-olimpico

O primeiro deles foi Mark Schultz (foto ao lado). Campeão na categoria até 82 quilos nos Jogos Olímpicos de 1984, em Los Angeles, Schultz disputou uma luta no UFC 9, a primeira edição que contou com lutas casadas no card, sem torneio. Dizem que a ideia original era fazer o primeiro clássico entre um campeão mundial de wrestling contra um de jiu-jítsu, ao escalar Schultz contra Amaury Bitetti, mas o americano acabou enfrentando Gary Goodridge. Mark venceu por nocaute técnico aos 12 minutos.

Um ano depois da luta de Schultz foi a vez do segundo campeão olímpico aparecer no octógono. Kevin Jackson, medalha de ouro em Barcelona-1992, venceu o torneio dos médios (atual meios-pesados) no UFC 14 e recebeu a oportunidade de desafiar o cinturão de Frank Shamrock, no Ultimate Japan. Jackson foi finalizado em 16 segundos, resultado que permaneceu como o recorde de disputa de cinturão mais rápida da história do UFC até 2005, quando Andrei Arlovski precisou de um segundo a menos.

O terceiro da lista repetiu o que Jackson fez, mas agora nos tempos modernos. Henry Cejudo é o mais jovem americano a conquistar uma medalha de ouro no wrestling olímpico – 22 anos, em Pequim-2008 – e também disputou o cinturão do UFC. Após vencer as quatro primeiras lutas na organização, Cejudo conquistou o posto de desafiante número um de Demetrious Johnson, mas foi nocauteado pelo rei dos moscas em pouco menos de três minutos, no UFC 197.

Medalhistas olímpicos que lutaram no UFC

Os degraus mais baixos do pódio olímpico revelaram mais cinco lutadores para o UFC e dois deles inclusive se enfrentaram num combate histórico.

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O primeiro desta lista foi Townsend Saunders, medalha de prata no estilo livre em Atlanta-1996. Sua estreia no octógono, no UFC 16, também foi a primeira luta de MMA que ele disputou. O adversário? Pat Miletich, que também debutava na organização. O “Sensação Croata”, que ainda não tinha esse apelido, venceu uma decisão disputada no caminho para se tornar um dos maiores de todos os tempos. Saunders lutou mais uma vez no UFC, perdeu novamente por decisão e desistiu do MMA.

O último evento do século passado trouxe o segundo desta lista. Matt Lindland foi medalhista de prata em Sydney-2000 no estilo greco-romano e estreou no octógono poucos meses depois, no UFC 29, em dezembro daquele ano. Lindland viajou a Tóquio para nocautear Yoji Anjo, na primeira de quatro vitórias que o conduziram à disputa do cinturão contra Murilo Bustamante. O brasileiro precisou finalizar Lindland duas vezes, graças a um erro grosseiro do árbitro John McCarthy, que não viu o americano bater na primeira vez. No total, Lindland disputou 12 lutas no UFC e venceu nove delas. Hoje ele é o técnico da seleção americana de greco.

O ano de 2013 marcou a estreia dos outros três medalhistas desta parte do nosso artigo. Em fevereiro, Ronda Rousey, medalha de bronze no judô em Pequim, disputou a primeira luta feminina da história do UFC, defendendo seu cinturão importado do Strikeforce pela primeira das seis vezes. Em abril, no dia 20, o cubano Yoel Romero, medalha de prata no wrestling estilo livre em Sydney, venceu a primeira das sete apresentações que realizou no UFC. Uma semana depois foi a vez de Sara McMann, igualmente vice olímpica de wrestling, mas em 2004. McMann desafiou o cinturão de Rousey um ano depois, na primeira luta da história do UFC entre dois medalhistas olímpicos.

Atletas olímpicos que lutaram no UFC

O grupo de lutadores do UFC que disputaram os Jogos Olímpicos, mas não subiram ao pódio, tem campeão, lendas e medianos.

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Puxando a lista, um mito. Mark Coleman (foto acima) chegou no UFC barbarizando, vencendo por atropelamento os torneios do UFC 10 e do UFC 11, para em seguida conquistar o primeiro cinturão da história da organização, no UFC 12, ao bater outro integrante desta matéria. Sétimo colocado nos Jogos de Barcelona, em 1992, “The Hammer” é um dos integrantes do Hall da Fama do UFC.

Falando em mitos, vamos a outro. Dan Henderson disputou os Jogos Olímpicos no estilo greco-romano em Barcelona e em Atlanta, terminando em 12º e sétimo, respectivamente. Hendo chegou no octógono no UFC 17, quando venceu o torneio dos médios, em 1998. O elemento é tão mito que, merecendo ou não, será o próximo desafiante da categoria, em outubro, 18 anos após a estreia na organização.

Membro da seleção cubana de judô em Sydney-2000, Hector Lombard terminou a competição em sétimo lugar e abandonou a delegação depois dos Jogos para se fixar na Austrália em busca de uma carreira profissional. Lombard chegou no UFC em 2012, derrotado por Tim Boetsch, mas chegou a se postar como candidato a desafiante dos meios-médios.

Outra lenda chegou ao UFC em 2013. Daniel Cormier foi o capitão da seleção americana de wrestling nos Jogos de 2004 e 2008, chegando na semifinal na primeira oportunidade – por uma falha renal decorrente do corte de peso, não conseguiu lutar em Pequim. DC venceu duas lutas como pesado e mais duas como meio-pesado no UFC antes de desafiar o cinturão de Jon Jones. Com as inúmeras trapalhadas extraoctógono do problemático Bones, Cormier se beneficiou do título vago e o conquistou em 2015, mantendo-o até hoje.

De volta ao judô temos o último participante olímpico de nossa lista. O australiano Dan Kelly disputou todas as edições dos Jogos entre 2000 e 2012, mas só passou da primeira fase em casa, em Sydney. Kelly chegou ao UFC já com idade avançada, através do TUF Nations, mas vai surpreendendo com uma campanha de quatro vitórias em cinco lutas, incluindo parar o trem do hype de Antonio Carlos Cara de Sapato.

Reservas olímpicos que lutaram no UFC

A lista de atletas que chegaram a viajar para uma edição olímpica, mas que não competiram por serem reservas, cobre desde gente que nem fã hardcore lembra com outros que muitos conhecem, mas não lembram que passaram pelo UFC até verdadeiras lendas do esporte.

Quem aí lembra de Christophe Leininger? O americano, reserva da seleção olímpica nacional de judô de 1984 a 1992, esteve no torneio do UFC 3, quando pediu para parar debaixo de pancadas contra Ken Shamrock. Leininger voltou no UFC 13, quando perdeu para Guy Mezger, companheiro de Shamrock na Lion’s Den.

Se ninguém lembrava de Leininger, não deveria haver um que não saiba quem foi Dan Severn. O homem do bigodón chegou no UFC 4 arremessando corpos pelos ares. Reserva do time olímpico americano de wrestling em 1984, Severn foi o primeiro representante à vera da modalidade e o cara que mostrou que a vida do jiu-jítsu nunca mais seria a mesma ao dar um calor tremendo em Royce Gracie antes de ser finalizado aos 16 minutos na final do UFC 4. “A Fera” venceu o UFC 5, o Ultimate Ultimate 95 e foi o primeiro a disputar o cinturão dos pesados, quando perdeu para Coleman, no UFC 12. Obviamente Dan está no Hall da Fama.

Se alguém não sabia quem é Severn, não há uma alma que goste de MMA e não conheça Randy Couture. O “Natural” foi reserva da seleção de greco nos Jogos de 1988, 1992 e 1996. No ano seguinte, estreou no UFC 13, quando venceu o torneio dos pesados. No passo seguinte, inseriu o plano tático no MMA ao surpreender Vitor Belfort, se classificar para a disputa do cinturão e conquistá-lo no UFC Japan, ainda em 1997. Entre idas e vindas nos pesados e meios-pesados, Couture conquistou o título máximo do UFC cinco vezes (recorde) e é, juntamente com BJ Penn, o único a ter papado um cinturão em duas categorias. Em 2010, venceu Mark Coleman na única luta até hoje envolvendo dois integrantes do Hall da Fama no octógono.

Completamos a lista com três nomes que só os mais fanáticos se lembrarão. Darrel Gholar era companheiro de Couture como reserva da equipe de greco em 1988. Ele só lutou uma vez no UFC, quando perdeu para o futuro campeão dos médios Evan Tanner (R.I.P.), no UFC 18. O sul-africano Trevor Prangley é conhecido por vários por ter passado por inúmeras organizações de MMA. O que a maioria não deve saber é que ele foi reserva da seleção de seu país no estilo livre, em 1996. Prangley venceu Travis Lutter e perdeu para Chael Sonnen, dois desafiantes derrotados futuramente por Anderson Silva. Por fim, o americano Mike Van Arsdale, reserva no estilo livre em 1996 e em 2000, que estreou no distante UFC 17, em 1998. Ele voltou em 2005, quando venceu uma luta antes de perder para o ex-amigo Couture, com quem teve uma treta dentre as várias tretas do Team Quest. No ano seguinte, Mike perdeu para Renato Babalu e nunca mais lutou no UFC.

Bônus: olímpicos que passaram pelo PRIDE FC

Além dos muito conhecidos casos de Coleman, Henderson e Lombard, o extinto PRIDE também teve vários atletas olímpicos, inclusive campeões, lutando no lendário ringue branco.

O polêmico polonês Pawel Nastula, campeão olímpico no judô em 1996, quando eliminou controversamente o brasileiro Aurélio Miguel; os judocas japoneses Hidehiko Yoshida, ouro em 1992, Makoto Takimoto, ouro em 2000, e Naoya Ogawa, prata em 1992; o wrestler georgiano Eldar Kurtanidze, bronze em 1996 e em 2000, fazem parte da lista. Porém, o caso mais curioso é o de um wrestler americano.

Rulon Gardner só fez uma luta de MMA, quando venceu o também campeão olímpico Yoshida, no PRIDE Shockwave 2004. Foi uma tentativa do PRIDE de capitalizar em cima do vencedor da maior zebra da história olímpica. Gardner venceu o mitológico Aleksandr Karelin na final dos Jogos Olímpicos de Sydney, encerrando uma invencibilidade difícil de acreditar. LEIA MAIS: Os 15 anos da maior zebra da história olímpica

E aí, faz ideia de quem seja o sujeito da foto de destaque?

Fundador e editor-chefe do MMA Brasil. Colunista do site oficial do UFC. Prestes a se aposentar e virar colunista especial do próprio site.