Por Bruno Fares | 08/11/2015 04:43

No duelo que fechou o card preliminar do UFC Fight Night 77, Gleison Tibau conseguiu várias marcas. Muito agressivo desde o começo, o potiguar precisou de 1:45 para levar Abel Trujillo para a lona e aplicar um passeio na arte suave. Tibau tentou uma guilhotina, montou e pegou as costas. Dali, o brasileiro passou o antebraço e encaixou o mata-leão. Trujillo não chegou a bater e o árbitro Keith Peterson interrompeu achando que o americano havia apagado. Abel logo se levantou protestando, mas nada mais podia ser feito.

Esta foi a 17ª vitória de Tibau no UFC, igualando-se a Michael Bisping na terceira colocação geral e estabelecendo-se como o brasileiro que mais venceu no octógono mais famoso do mundo. Ele está agora a uma vitória de empatar na vice-liderança com Matt Hughes e a duas do líder Georges St. Pierre. Além disso, falta apenas uma luta para Tibau se tornar o lutador que mais atuou pelo UFC, empatando com Tito Ortiz, com 27 apresentações.

A penúltima luta do card preliminar opôs o brasileiro Yan Cabral ao americano Johnny Case. O primeiro round transcorreu sem grandes emoções na troca de golpes em pé, com Yan conseguindo uma queda na grade para cima do rival, garantindo a parcial por pouco. No segundo assalto, o americano conseguiu manter a luta de pé e prevaleceu na trocação, empatando o combate. O decisivo round de desempate foi movimentado. Yan Cabral conseguiu mais uma queda e pegou as costas do americano, causando estrago. Entretanto, Case conseguiu girar no próprio centro e se posicionar por cima do brasileiro já cansado, bombardeando Yan, que conseguiu levantar às custas de muito dano sofrido. Luta difícil de pontuar, com decisão final unânime polêmica em favor do americano.

Um dia antes de completar sua 31ª primavera, Thiago Tavares subiu no octógono buscando reencontrar o caminho das vitórias contra o enérgico veterano Clay Guida. Só que, embora velho de guerra, Guida cometeu um erro de principiante ao tentar o double-leg com o pescoço totalmente exposto, erro que um ás do jiu-jítsu como Thiaguinho não deixa passar. Guilhotina encaixada, Guida tentou rolar para se desvencilhar, mas a sentença estava dada. Finalização em 39 segundos, a mais rápida da história da categoria no UFC.

Treinado pelo boxe de Kelson Pinto, Kevin Souza entrou no octógono buscando sua quarta vitória seguida no UFC contra o americano Chas Skelly, que dominava a primeira parcial com jogo justo no chão até engolir um cruzado de esquerda e ir à lona, fechando assim o round em 10-9 para o brasileiro. Na volta para o segundo assalto, o brasileiro conseguia manter a luta na trocação em pé, favorável ao seu jogo, até Skelly aproveitar a grade para quedar o brasileiro e pegar suas costas com o mata-leão já ajustado, ganhando o combate por finalização, o segundo por mata-leão no UFC.

Fechando a porção preliminar do UFC Fight Pass, o semifinalista da segunda edição do “The Ultimate Fighter Brasil” Viscardi Andrade recebeu o primeiro russo da noite, Gasan Umalatov. O primeiro round se mostrou equilibrado, disputado inteiramente em pé, com leve vantagem para o brasileiro na trocação. A segunda parcial seguiu na mesma toada, com a disputa se desenrolando de pé e mais uma vez com Viscardi em leve vantagem obtida por um chute alto parcialmente bloqueado e uma blitz no final do round junto à grade. Em desvantagem na luta, o russo voltou com mais intensidade, acertando um chute alto rodado no começo e mantendo o ritmo para vencer o terceiro round, mas não foi suficiente para evitar a derrota por decisão unânime na visão dos juízes.

A primeira luta da noite contrapondo um brasileiro a um estrangeiro, entre Pedro Munhoz e Jimmie Rivera, teve um primeiro round morno, com leve vantagem para o americano. O segundo seguia igualmente morno até Rivera furar a guarda de Munhoz com um direto, deixando o brasileiro tonto. No instinto de se salvar, Pedro revidou a pedrada, deixando o americano desnorteado com o round chegando ao final em ritmo mais lento e leve vantagem para o brasileiro, mesmo com o olho direito bastante machucado. O último assalto foi disputado todo na trocação em pé, novamente com o americano conectando os melhores golpes até a buzina soar. No final, decisão dividida – e justa – em favor ao americano, que agora soma 17 vitórias seguidas.

Mateus Nicolau, colunista do MMA Brasil durante o TUF Brasil 4, abriu a noite do Ibirapuera com sua primeira vitória no UFC, contra o também ex-TUF Bruno Korea. Após ganhar um primeiro round disputado, Matheus navegou em águas profundas no segundo ao levar um knockdown, sobrevivendo por pouco ao ground and pound, mas quase encaixando uma chave de braço. E se a finalização não veio no round anterior, ela chegou via triangulo de mão no último round, aproveitando uma montada conseguida após knockdown para o atleta da Nova União, que chegou ao cartel de 10-1.