Penn State conquista tetra da Divisão I da NCAA e cresce a lenda de Cael Sanderson

Por Alexandre Matos | 24/03/2019 13:43

Pelo quarto ano consecutivo, a Penn State University conquistou o título por equipes da Divisão I da NCAA, no March Madness do wrestling. Foi o segundo tetracampeonato dos Nittany Lions nos últimos nove anos, sequência derrubada apenas pelo campeonato dos Buckeyes de Ohio State, em 2015. As finais aconteceram neste sábado, na PPG Paints Arena, em Pittsburgh, que recebeu 18.950 fãs na última sessão de lutas e 109.405 nos três dias de competição.

O resultado da Penn State tem inúmeras faces, como as dos campeões Bo Nickal, Jason Nolf e Anthony Cassar. Mais do que todos, o título tem a feição de Cael Sanderson, que vai marcando seu nome como um dos maiores da história do esporte.

O segundo tetra dos Nittany Lions foi um sacode na concorrência. Mal foram definidos os finalistas e a universidade da Pensilvânia já havia garantido o título por equipes. Na contagem final, a Penn State acabou com 123,5 pontos, contra 96,5 da Ohio State University, 84 dos Cowboys da Oklahoma State University, 72 dos Hawkeyes da Universidade de Iowa e 62,5 dos Wolverines da Universidade de Michigan.

Os principais nomes desta edição do torneio universitário americano nos tapetes foram Nickal, premiado com o troféu de Wrestler Mais Dominante, e Mekhi Lewis (Virginia Tech), que levou o prêmio de Wrestler Mais Excepcional. O primeiro conquistou seu tricampeonato individual, agora na divisão até 197lbs, batendo Kollin Moore (Ohio State) na decisão por 5-1. Bo junta-se a David Taylor, Zain Retherford, Ed Ruth e Jason Nolf como os únicos tricampeões de Penn State. De quebra, ele e Taylor são os únicos a terem disputado a finalíssima nos quatro anos (Nickal perdeu a final em seu ano de estreia, em 2016). Já Lewis, campeão mundial júnior (sub-20) no ano passado, levou o título da categoria até 165lbs superando na final o favorito Vincent Joseph (Penn State) por 7-1.

Outro atleta para ficar de olho é Spencer Lee, que em breve deve brilhar no cenário internacional. O jovem baixinho de Iowa, apelidado de “O Pequeno Sadulaev”, chegou ao bicampeonato nas 125lbs superando Jack Mueller (Virginia) por 5-0 na final. Lee venceu as duas temporadas que disputou na D1 da NCAA, somando as conquistas com o bicampeonato mundial júnior e o mundial cadete (sub-17).

Os demais campeões de 2019 foram Nick Suriano (Rutgers University), que subiu para 133lbs depois de perder a final da 125 em 2018 para Lee; o excelente Yianni Diakomihalis (Cornell) ficou com o bicampeonato em seus dois anos na divisão até 141lbs; Anthony Ashnault (Rutgers) terminou a carreira universitária com o primeiro título na 149lbs, compensando o ano anterior perdido inteiro por lesão; Jason Nolf, outro tricampeão da Penn State, levou o título da 157lbs; Zahid Valencia (Arizona State), vice-campeão mundial júnior em 2016, desempatou a disputa com seu arquirrival Mark Hall (Penn State) na decisão e conquistou o bicampeonato; Drew Foster (Northern Iowa) levantou o troféu da categoria até 184lbs; e Anthony Cassar (Penn State) foi o vencedor entre os grandalhões da 285lbs.

Cael Sanderson muda a história da Penn State

Até o começo desta década, a Penn State tinha apenas um título por equipes na D1, conquistado no longínquo ano de 1953, quando o torneio final foi disputado em casa. Em 2010, a diretora esportiva Sandy Barbour resolveu que a universidade teria que dar um passo além. Foi quando ela tirou Cael Sanderson de Iowa State. Desde então, os Nittany Lions deixaram de ser coadjuvantes para se tornarem a maior potência do wrestling universitário americano.

Sanderson já era considerado um dos maiores nomes da modalidade nos Estados Unidos em todos os tempos. Ele é um dos quatro tetracampeões da D1 na história da NCAA e o único a conquistar o feito de forma invicta, com assombroso cartel de 159-0. Na época, Sanderson disputava o circuito universitário contra Daniel Cormier e foi responsável por seis das dez derrotas do atual campeão do UFC na NCAA. Em 2004, Sanderson se tornou medalhista de ouro olímpico no estilo livre superando o então campeão Yoel Romero na semifinal. No ano anterior, Cael ficou com a medalha de prata no Campeonato Mundial, perdendo a decisão para o russo Sazhid Sazhidov.

No primeiro ano de Sanderson à frente dos Nittany Lions, em 2010, a equipe acabou em nono lugar na classificação geral, com três All-Americans e nenhum campeão individual. A partir de então, a Penn State tomou a D1 de assalto. De 2011 até hoje, a universidade venceu oito das nove competições por equipe, fez 23 campeões individuais e 55 All-Americans. Isso faz de Sanderson 12 vezes campeão da D1 da NCAA, quatro como atleta e oito como técnico.

Antes de Cael chegar à Penn State, a competição na D1 da NCAA era dominada pela Oklahoma State University por larga margem, com 34 títulos por equipes, seguido por Iowa, com 23. O tricampeonato de Iowa em 2008-2009-2010 foi a última conquista da dupla na era pré-Sanderson. A Penn State saiu da nona colocação para a terceira no ranking histórico de títulos, pulando de um para nove conquistas, superando os oito títulos de Iowa State, que não vence desde 1987. Apesar de ainda manter uma folga enorme, os Cowboys não conquistam o título por equipes desde o tetra encerrado em 2006.

A carreira universitária de Sanderson é considerada o segundo maior feito da história da NCAA. O tetracampeonato invicto na D1 só é superado pelo velocista Jesse Owens (Ohio State University), que bateu três recordes mundiais de atletismo (220 jardas, 220 jardas com barreiras e salto em distância) e igualou um quarto (100 jardas) em apenas um dia. Owens venceu as provas de 220 jardas com tempos inferiores aos recordes mundiais de 200 metros, mesmo correndo 1,2 metro a mais.