Pedro Munhoz fala sobre tensão com Sterling e se defende de acusações: “Fui testado mais de 20 vezes”

Por Gustavo Bizzo | 16/05/2019 14:58

Na última vez em que colocou os pés no octógono, Pedro Munhoz não quebrou a banca, mas fez muita gente perder dinheiro. No UFC 235, o brasileiro conseguiu a maior vitória de sua carreira contra o ex-campeão Cody Garbrandt, combate para o qual era cotado como azarão e, para muitos, como luta de recuperação — famosa escada — para as duas derrotas seguidas que o americano sofreu. Só esqueceram de combinar com a escada. Munhoz, ao nocautear o antigo rei do pedaço, passou da nona para a quarta posição no ranking dos galos, chegou ao ponto mais alto da carreira e está na fila para fazer um possível title eliminator contra Aljamain Sterling, combate já agendado para junho, no UFC 238.

Em conversa com a imprensa durante o fim de semana, o aspirante a contender mostrou que a preparação para a luta está acirrada. O “Funk Master” escolheu um tema e têm se dedicado a ele há alguns dias para provocar Munhoz nas redes sociais. O americano vem lembrando de um caso de 2015, quando a Comissão Atlética da Nova Escócia suspendeu Pedro por um ano após identificar níveis de testosterona acima do normal na amostra do lutador. O brasileiro, que é conhecido por uma postura mais calma fora do octógono, não gostou do que leu: “Não tenho respeito por ele. Ele acusa sem prova. Eu coloco minha cabeça no travesseiro e durmo tranquilo. Deixe que ele continue falando o quanto quiser (…) Eu digo as coisas pelo que elas são. Não sou um trash talker, mas, se alguém começa a falar [acusações], é bom que tenha prova do que está dizendo”, disse o atleta.

O brasileiro se defendeu das acusações. “Ele tá dando desculpa pra sua derrota. Meu caso, o que eu tive, quatro ou cinco anos atrás, foi anterior à USADA. Foi uma zona. Tive que gastar muito dinheiro pra provar minha inocência. Tinha algo de estranho, porque eles não conseguiram detectar nenhuma substância. A única coisa que disseram foi que meus níveis de testosterona estavam mais altos, em comparação às outras lutas que tinha feito. Imagino que esses níveis devem variar ao longo do dia, de manhã é um e por aí vai”. Munhoz atribui as mudanças nas políticas antidoping como positivas e as usa como argumento: “Eu adoro os protocolos da USADA. Acho que temos que competir no mesmo nível (…) eles estão por aí há uns dois anos e eu já fui testado mais de 20 vezes”.

Corroborando a defesa de Munhoz, ontem (15), o jornalista Guilherme Cruz, do portal MMA Fighting, divulgou que a USADA enviou uma camiseta congratulando o brasileiro por 25 testes limpos.

Provocações colocadas de lado, Munhoz fez uma análise de como a luta contra o americano deve se desenrolar. “Ele é parecido com o Bryan Caraway, ele também é um wrestler. Vai ser um pouco diferente, em comparação à minha última luta contra Cody Garbrandt. Ele vai trazer mais pressão de wrestling. Eu já lutei com muitos wrestlers e vim do jiu-jítsu, mas já me tornei um lutador completo e venho mostrando isso nas minhas últimas lutas. Meu jogo de striking tem apagado meus oponentes”, explicou, garantindo também que não pretende deixar a escolha do vencedor na mão dos juízes. “Eu sou um cara direto, eu nunca tento levar as lutas pra decisão. Minhas últimas lutas mostram isso, eu sempre procuro a interrupção. Dessa vez não será diferente”.

Novo contender: Munhoz nocauteou o ex-campeão Cody Garbrandt no UFC 235

Enxame de moscas

Caso tenha seu braço levantado no dia 8 de junho, Munhoz acredita que, se fizer uma atuação que impressione o público, ele será o próximo da fila a bater de frente com o vencedor do cinturão vacante da categoria dos galos, que será disputado por Marlon Moraes e Henry Cejudo. Não por coincidência do destino ou por alinhamento dos planetas, a decisão do próximo campeão da categoria está agendada para a mesma noite em que Pedro enfrentará o seu mais novo desafeto. O paulistano diz que existem acordos não oficiais, colocando-o na linha de frente, caso algum imprevisto atinja a corrida do ouro. “Não há nada oficial, foi só uma concordância verbal. Conversei isso com meu agente. Se alguma coisa acontecer com a luta, eu entro”, explicou. Se Moraes vs Munhoz acontecer, Pedro dá sua prévia: “Acho que vai ser um jogo bem excitante de trocação, com os dois buscando o nocaute”.

“O que eu penso é que tem uma boa galera que luta na categoria mosca e eles vão perder a oportunidade de lutar. Isso seria uma infelicidade”

No entanto, o brasileiro se vê prejudicado pela caça incessante de títulos duplos que sua divisão vem passando. “Eu fiquei um pouco frustrado. É a segunda vez que eles travam a categoria, sendo que a primeira foi quando o TJ Dillashaw quis descer para os moscas. Agora, mais uma vez, a divisão fica travada porque não vão ser dois pesos galo que disputarão o título”, explicou. Cabe lembrar que a relação entre as duas divisões não acaba nas tentativas por cinturões duplos. Com os rumores sendo ventilados sobre uma possível extinção da categoria de até 56.7 kg, alguns atletas podem decidir subir para os galos para não perder o emprego. “Não é algo oficial, ninguém sabe. O que eu penso é que tem uma boa galera que luta na categoria mosca e eles vão perder a oportunidade de lutar. Isso seria uma infelicidade”, comentou Munhoz.

Falando em TJ Dillashaw, que foi pego pela USADA, suspenso e deixou o cinturão vago, Pedro, talvez por já ter passado por situação parecida, evita fazer juízo de valor. “Ele é o campeão, é um grande lutador. O que aconteceu com ele foi uma infelicidade. Não o julgo pelo que fez ou pelo que deixou de fazer. Ele está numa situação complicada agora. Muita gente tá falando coisas bem ruins sobre ele. Ele deve estar se sentindo horrível, deve estar passando por muita coisa, no ponto de vista emocional. Como eu disse, ele pode ter tido suas razões para ter feito isso, mas, de toda forma, irá pagar pelo que fez”.

“Eu acredito 100% numa vitória dele [Marlon Moraes] contra o Henry Cejudo”

Mesmo não julgando o ex-campeão, Munhoz não esconde que seu afastamento pode ter encurtado sua corrida para o title-shot. “Abriu caminho. Eles tavam naquela incógnita de TJ novamente contra o Cejudo, então ele saiu e se abriu um atalho. Foi uma oportunidade excelente pro Marlon, que foi lá e, agora, vai ser o próximo desafiante. Eu acredito 100% numa vitória dele contra o Henry Cejudo”, completa o brasileiro.