Parceria UFC-ESPN: os primeiros números são animadores

Por Alexandre Matos | 21/01/2019 18:13

Parece que dois pensamentos que repetimos como mantras há alguns anos no MMA Brasil podem estar corretos, pelo menos a julgar por alguns números divulgados depois do UFC Brooklyn, disputado no último sábado. A internet realmente é a plataforma de divulgação do MMA, especialmente nas mãos de alguém que sabe trabalhar de verdade com esportes – a ESPN, no caso.

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De acordo com um comunicado de imprensa divulgado pela ESPN, o UFC Brooklyn rendeu 568 mil novos assinantes para o ESPN+, o serviço de streaming da emissora da Disney, que foi responsável pela transmissão do card principal do sábado. Foram 43 mil assinantes na sexta, no dia da pesagem, e mais 525 mil no sábado, para o evento, tornando o UFC Brooklyn a maior audiência e maior catalisador de vendas da história da ESPN+.

A transmissão online não foi a única que apresentou bons resultados. A porção do card preliminar que foi exibida na TV (nos canais ESPN e ESPN Deportes, em inglês e em espanhol) alcançou 1.4 ponto de audiência, maior do que toda a era FOX Sports para um card preliminar de UFC Fight Night.

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É fato que o infame Greg Hardy ajudou a puxar a audiência na ESPN+, seja para assistir à estreia do defensive end recordista de sacks numa temporada do Carolina Panthers, seja para ver a derrocada do espancador de mulher. Porém, é fato também que o UFC Brooklyn foi liderado por uma disputa de cinturão numa categoria em que ninguém se importa e que, por causa disso, está em vias de desaparecer. Portanto, é animador ver bons números num evento liderado por pesos moscas.

Já faz tempo que dizemos aqui que o futuro do MMA está nas transmissões pela internet e que esse futuro é bem breve. É muito legal vermos o MMA divulgado em jornais ou em programas de TVs abertas, mas quem realmente se importa com isso? Quem lê jornal de papel diariamente? Que tipo de audiência a TV aberta alcança que pode ser fidelizada ao MMA? O caráter segmentado da internet (da teoria da cauda longa, que sai do mercado de massa para o mercado de nicho) é ideal para promover um esporte que nasceu e cresceu junto com a internet.

Fora isso, faz tempo que pensávamos em como a ESPN poderia ajudar o MMA. Com muito mais tempo de mercado e consolidado como principal emissora esportiva do mundo, a velha Entertainment and Sports Programming Network tem décadas de experiência com o boxe e pode ajudar muito o MMA. O presidente do UFC, Dana White, várias vezes usou o SportsCenter, principal programa da emissora, para divulgar informações em primeira mão, inclusive durante a vigência do contrato com a FOX, quando o UFC tinha um programa exclusivo na programação do FOX Sports 1. Dana fazia isso porque sabia do alcance da ESPN.

Por enquanto, este acordo vale apenas na América do Norte. Por aqui ainda é válido o contrato que o UFC fez com a Globo para transmissões no Combate, SporTV 2 e, mais raramente, na TV Globo. A dupla Globo e SporTV é líder de audiência em seus segmentos no Brasil, mas, na minha opinião, poderiam trabalhar melhor o esporte. A parceria com a ESPN nos Estados Unidos tem condição de inclusive servir como base para uma redefinição dos acordos em nosso país.

Sem entrar no mérito de assinar o Combate ser ou não caro, espalhar conteúdo por plataformas mais sólidas do que um canal de muito baixa penetração é um caminho melhor para o MMA de modo geral. O SporTV não deveria se limitar a apenas alguns cards preliminares. Em vez de largar o TUF escondido no Combate ou nas madrugadas de segunda na Globo, não seria melhor uma noite de terça no SporTV2? Do mesmo jeito que o SporTV Play poderia ser utilizado como a ESPN+, com conteúdos próprios e não somente como um reprodutor do canal da TV. Enquanto isso, o Combate em pay-per-view poderia funcionar como o PFC para transmitir, ora ora, cards principais de eventos em pay-per-view. Para você, fã hardcore, não mudaria nada. Porém, esta proposta alcançaria muito mais gente. Não é apenas uma questão de custo: o modelo americano é mais abrangente que o brasileiro.

Enfim, usar o principal canal esportivo do mundo na TV a cabo e a internet para massificar o UFC e, por consequência, o MMA, provavelmente se mostrará uma decisão correta nos Estados Unidos. Tomara que façam algo parecido no Brasil.