Os 10 anos da maior zebra da história do UFC

Na véspera do último evento do PRIDE, o UFC vivenciou a maior zebra de sua história quando a estrela em ascensão Georges St. Pierre foi nocauteado pelo esforçado Matt Serra.

O Jogo do Bicho é uma bolsa de apostas brasileira que consiste em colocar 25 números, nomeados por 25 animais em ordem alfabética. É impossível dar “zebra” no Jogo do Bicho, visto que ela não está entre os 25. Porém, o esporte já nos proporcionou inúmeras zebras ao longo de sua grande história.

Cada esporte tem a sua grande zebra. O hóquei tem o Milagre no Gelo, o boxe tem a derrota de Mike Tyson para James “Buster” Douglas, o basquete tem a queda do Seattle Supersonics para o Denver Nuggets e o MMA – dadas as devidas proporções – tem Matt Serra vs. Georges St. Pierre.

O programa The Ultimate Fighter salvou o UFC da falência, em 2005, e impulsionou a organização a entrar no mainstream. Depois de três edições, o UFC decidiu realizar o reality show com uma novidade. Sem treinadores, a edição reuniu lutadores que já tinham contrato com o UFC e premiaria os dois vencedores com disputas de título contra os campeões Anderson Silva e Georges St. Pierre, dois talentosos lutadores prestes a iniciarem seus respectivos legados na organização.

Com um cartel de oito vitórias e quatro derrotas, Matt Serra nunca chamou muita atenção antes de sua entrada no TUF 4 – ele ficou mais conhecido por tomar um belo nocaute de Shonie Carter e por ser derrotado por BJ Penn na semifinal do torneio dos leves. Dentro da casa, venceu Pete Spratt, vingou a derrota para Carter e venceu Chris Lytle na final, recebendo a oportunidade de disputar o cinturão dos meios-médios contra a estrela em ascensão St. Pierre. Na outra categoria, Travis Lutter venceu o reality na divisão dos médios e teve a missão de enfrentar Anderson Silva.

As duas disputas de título foram marcadas para o mesmo evento, o UFC 67, mas, por conta de uma lesão de St. Pierre, o duelo contra Serra foi adiado. Com todos os holofotes voltados para si, Anderson finalizou Lutter em um combate que não valeu o título do brasileiro, já que o grande Travis não bateu o peso.

Um novo palco foi definido para a luta. O Toyota Center, em Houston, recebeu o UFC 69 na noite do dia 7 de abril de 2007, véspera do último evento da história do PRIDE. Com seu tradicional quimono e um rap canadense ao fundo, Georges St. Pierre entrava no octógono confiante. Era um atleta de apenas 25 anos e que vinha de vitórias sobre Penn e Matt Hughes. Era um grande fenômeno na época lutando contra um adversário que aparentemente não lhe oferecia maiores perigos. Uma bela história para um filme, não é?

A larga odd de -1300 era o tamanho do favoritismo de GSP naquela noite. Os dois tocaram as luvas para o combate que tinha tudo para ser disputado em ritmo de amistoso, semelhante aos jogos da Seleção Brasileira antes da Copa de 2006.

A luta então começou. Serra, em desvantagem de altura, arriscou um gancho de direita contra o corpo do canadense, que lançou o primeiro chute alto, semelhante ao que nocauteara Hughes em sua luta anterior. St. Pierre soltou mais chutes altos, que não acertaram o pequeno Serra, que chegou a se desequilibrar ao tentar encurtar a distância.

Outra tentativa de encurtada de Serra, novamente bem respondida pelo campeão, que voltou a tentar um chute, de novo passando no vazio. O americano tentou alguns jabs e, pouco tempo depois, conseguiu encurtar e acertou o canadense pela primeira vez. Matt passou a chutar baixo também e cresceu na luta ao soltar outro bom combo de socos.

Com metade do primeiro round na história, a impressão passada era que o desafiante estava confortável na atual situação, ganhando confiança, enquanto o campeão já tentava impor o seu jogo. Eis que Matt Serra encurta e acerta uma direita e uma esquerda que fazem St. Pierre tremer as pernas. Serra avança, acerta uma nova sequência. O campeão estava desesperado, tentando se jogar nas pernas do desafiante, mas sem sucesso.

Quando GSP voltou de pé, sofreu um cruzado de direita e foi ao solo pela última vez. Serra montou e despejou mais socos até a interrupção do árbitro John McCarthy. O Toyota Center inteiro se levantou vibrando e aplaudindo o feito inacreditável de “The Terror”, que, de patinho feio, virou um cisne negro na categoria dos meios-médios do UFC.

  • James sousa

    acho que só teremos zebra maior se um Thiago Silva ou um Rafael Feijão voltarem para o UFC ganharem um TUF e vencerem por Nocaute um Jon Jones já consolidado como um dos melhores da historia ou se o Wilson Reis ganhar do DJ amanhã

    • Malk Suruhito

      Acho o primeiro exemplo muito mais zebra que o Reis vencer ser campeão. A do Reis eu igualaria a Holm fez com a Ronda.

      • Gabriel Carvalho II

        Reis ganhando por nocaute no primeiro round é coisa de top 5 de todos os tempos.

        • Malk Suruhito

          fica um degrau acima do Bisping no Rockhold…

      • Falar agora parece tosco, mas Wilson vencer o Johnson era uma zebraça da peste, acho que bem maior que a Holm na Ronda.

        • Marco antônio

          Muito maior…

        • Malk Suruhito

          Sim, mas dos acontecidos, ainda acho o do Bisping sobre o Rockhold, principalmente como foi maior que o da Holm, simplesmente pq eles já haviam lutado e tinha sido um passeio e o Bisping veio de ultima hora para esta luta.
          Mas após a este fim de semana, e como foi, se o Reis tivesse vencido tinha passado a Zebra do Serra com folga.