O que esperar do Dana White’s Tuesday Night Contender Series, nova série de eventos do UFC

O que esperar do Dana White’s Tuesday Night Contender Series, nova série de eventos do UFC
MMA

O novo programa de Dana White, Tuesday Night Contender Series, estreia amanhã, com transmissão do canal Combate para o Brasil. Entenda como o DWTNCS funcionará, qual a sua importância para o MMA e para o UFC. Temos ainda uma pequena prévia do primeiro card.

Depois de investir no Lookin’ For a Fight para alimentar o UFC Fight Pass com conteúdo original e mostrar um pouco do lado de olheiro que permeia o MMA, Dana White lançará uma nova empreitada a partir do dia 11 de julho, vulgo hoje, batizada como Tuesday Night Contender Series, que será referida daqui em diante como Contender Series, para facilitar.

O que é o Contender Series?

O programa consiste em um pequeno card com cinco lutas de MMA com atletas posicionados na fronteira do plantel do UFC. Os lutadores serão nomes em ascensão no cenário regional que procuram um contrato com o UFC; veteranos que já passaram pela organização, refizeram seus passos e agora pretendem voltar; ou até lutadores que ainda têm vínculo com o UFC, mas estão em situação próxima da demissão.

Os eventos serão disputados semanalmente, sempre às terças-feiras (como o nome em inglês já diz), na Academia do UFC, em Las Vegas, onde é gravado o The Ultimate Fighter. A expectativa é de que sejam oito semanas de combates, com possibilidade de renovação para novas temporadas no futuro.

O presidente do UFC Dana White estará à frente do Contender Series (Foto: Ron Chenoy/USA TODAY Sports)

O presidente do UFC Dana White estará à frente do Contender Series (Foto: Ron Chenoy/USA TODAY Sports)

As lutas contarão para o cartel profissional de seus participantes e serão sancionadas pela Comissão Atlética do Estado de Nevada, a NSAC. Os lutadores assinarão contrato com a organização de apenas uma luta e receberão US$ 5 mil pela aparição, podendo dobrar a bolsa em caso de vitória, além de terem todas as despesas médicas pagas. Os vencedores não necessariamente receberão um contrato com o UFC, mas aparentemente alguns lutadores têm em seus contratos cláusulas que garantem um vínculo se triunfarem.

Em nota mais irreverente, foi anunciada a parceria entre Urijah Faber e o rapper Snoop Dogg como uma das equipes de transmissão, que toda semana servirá como opção alternativa aos times principais, que revezarão entre as duplas formadas por Dan Hellie e Yves Edwards e Brendan Fitzgerald e Paul Felder. Além disso, o programa não será associado à Reebok, mas os atletas não terão direitos a apresentar patrocinadores em seus shorts ou levar banners.

Qual a importância do Contender Series?

Existem lutadores em ascensão de diversas formas diferentes. Podem estar invictos contra uma série de adversários de baixo nível técnico; com retrospecto recente forte, mas dificuldades anteriores; com desempenho irretocável contra concorrência de qualidade; vindo de uma derrota controversa; ou até uma que lhe ensine algo sobre suas habilidades atuais. Estes são apenas alguns cenários possíveis nos quais um lutador pode receber um chamado do UFC.

No entanto, sem experiência prévia contra oponentes igualmente qualificados, não se sabe com maior precisão até onde eles podem chegar. É nesse ponto que o Contender Series age.

No outro lado da moeda, existem os veteranos que podem ainda estar no plantel do UFC ou terem passado por uma sequência recente ruim e, por consequência, foram demitidos. O Contender Series também serve para que alguns deles possam mostrar que ainda pertencem ao MMA do mais alto gabarito.

Seja por trazer prospectos interessantes, lutadores mais experientes em boa fase ou até antigos membros do plantel do UFC, o Contender Series busca entregar aos atletas uma amostra da pressão de atuar na frente de Dana White, com o vislumbre de um contrato com o UFC e enfrentando adversários respeitáveis. Por se tratar de apenas uma luta e do resultado contar para os cartéis oficiais dos atletas, tudo se torna ainda mais intenso e diferencia o programa do The Ultimate Fighter, que já está com sua fórmula desgastada.

Vale reforçar que nem todos os vencedores receberão uma chance no UFC imediatamente. Contudo, um convite para participar do programa combinado a um triunfo nele provavelmente significam que o lutador estará no radar da organização no curto prazo, para assim assinar oficialmente caso consiga mais alguns resultados positivos no cenário regional ou então ser chamado para ocupar uma vaga que surja de última hora num evento do UFC.

Entre os lutadores escalados para participar do programa estão nomes de destaque no CES MMA, LFA, gente com passagem pelo TUF ou até pelo próprio UFC. Com o caráter oficial que o Contender Series estabelece nesse relacionamento do UFC com os lutadores de interesse, forma-se a uma espécie de organização de base. Esta seria uma matriz que reúne talentos de destaque no cenário regional e os coloca para disputar uma posição de destaque ainda maior. Com a possibilidade de uma maior exposição, uma bolsa decente para os padrões do MMA fora do UFC e a chance de assinar com o UFC, diversos nomes são atraídos. Assim, esta se prova uma experiência muito válida para ambos os lados.

Pensando na perspectiva do UFC, também existe outro ponto de destaque para o programa. De acordo com Joe Carr, diretor de assuntos internacionais e de conteúdo da organização, o Contender Series é o maior investimento já feito para fortalecer o UFC Fight Pass. Carr declarou que uma pesquisa com os assinantes do serviço apontou para o fato de que os clientes gostariam de mais conteúdo ao vivo, pois a plataforma oferece apenas poucos cards de promoções parceiras, como o Invicta FC e o Titan FC, além de algumas lutas no começo de cada card do UFC. Com o Contender Series, Carr disse que espera atingir cerca de 50% do público do UFC Fight Pass durante cada transmissão.

Uma estratégia que busca fortalecer o UFC Fight Pass pode ser interessante, por mais que o serviço não esteja disponível para o público brasileiro. Caso a experiência seja bem sucedida, o UFC deve passar a investir cada vez mais na direção da exibição online ao vivo, o que seria capaz de representar uma política global de transmissão diferente e mais diversificada. Dessa forma, o Contender Series pode ser o primeiro passo no caminho de um teste para tornar a organização menos dependente da televisão por assinatura e modificar a forma como o UFC é assistido atualmente. No entanto, este é um pensamento especulativo e a longo prazo, restando assim muitas variáveis e tempo para que se cumpra de fato.

O Dana White’s Tuesday Night Contender Series 1

O primeiro card do programa, que ocorre amanhã e terá transmissão do canal Combate a partir das 21:00h, não poderia ficar de fora de nosso guia. Por isso, colocamos aqui uma pequena prévia do que deve acontecer de melhor no evento.

Peso Pena: Matt Bessette (EUA) vs. Kurt Holobaugh (EUA)

A luta principal colocará frente a frente dois campeões de eventos importantes do cenário regional. De um lado do octógono estará Matt Bessette (22-7), que tem o título dos penas do CES MMA e já o defendeu duas vezes. Do outro, Kurt Holobaugh (17-4), que conquistou o cinturão interino dos leves no Titan FC em seu último compromisso e teve passagem pelo TUF e UFC. Os dois se enfrentarão pelo peso pena.

Semifinalista do torneio da nona temporada do Bellator, onde teve retrospecto de 5-2, incluindo uma vitória sobre o ex-UFC Diego Nunes, Bessette venceu seis de suas sete lutas pelo CES MMA e está invicto há sete combates. Antes essencialmente um wrestler, agora opta por manter suas lutas em pé e usar o muay thai, que é poderoso, mas também deixa muitas brechas. Quando a luta vai para o solo, mostra guarda agressiva e bom senso para finalizar, como foi o caso da luta em que conquistou seu cinturão, contra Joe Pingitore.

Já Holobaugh tem total preferência pelo kickboxing, mas também sabe se virar no solo, mostrando-se bastante agressivo ao encaixar finalizações. Além do título nos leves, ele também já deteve o cinturão dos penas no Titan FC, mas o perdeu logo em sua primeira defesa, contra Andre Harrison. Muito antes de chegar ao Titan, teve passagem de uma luta no UFC, quando foi derrotado por Steven Siler, no UFC 159. Com sólidas vitórias sobre Desmond Green, Gesias Cavalcante e Yosdenis Cedeño, Holobaugh provou que merece a oportunidade e que tem evoluído.

Kurt Holobaugh vs Matt Bessette odds - BestFightOdds
 

O estilo de ambos é muito propício a uma intensa pancadaria e este deve ser o cenário no qual a luta se desenrolará. Como as últimas derrotas de Holobaugh foram provenientes quedas sofridas e controle no solo por parte dos adversários, Bessette pode tentar alternar os rumos do combate. Entretanto, a expectativa é que o campeão do Titan FC consiga superar os eventuais momentos de luta no chão e consiga aproveitar alguma das brechas para conquistar a vitória por nocaute.

Peso Pesado: Greg Rebello (EUA) vs. Zu Anyanwu (EUA)

No combate coprincipal, os pesos pesados Greg Rebello (22-7) e Azunna Anyanwu (14-4) se enfrentarão. Rebello fez sua carreira majoritariamente no CES MMA, no qual chegou a disputar o cinturão, mas acabou derrotado por Ashley Gooch. Ele já atuou como médio, mas foi ganhando peso até chegar aos 110 quilos que anotou em seu último compromisso. Em 2017, tem duas vitórias.

Anyanwu também realizou a maior parte de suas lutas por uma mesma organização, no caso, o CFFC. Ele ostentou o título em três diferentes oportunidades, inclusive no atual momento, chegando para o Contender Series com quatro triunfos seguidos, dois deles em defesas de cinturão.

Azunna Anyanwu vs Greg Rebello odds - BestFightOdds
 

Este é um confronto que promete proporcionar cenas lamentáveis caso se prolongue. Então, o melhor é esperar que acabe em um nocaute rápido, o que deve acontecer a favor de Rebello.

Peso Galo: Boston Salmon (EUA) vs. Ricky Turcios (EUA)

Um duelo entre dois grandes prospectos do peso galo promete boas emoções. O havaiano Boston Salmon (5-1) encara o membro do Team Alpha Male Ricky Turcios (8-0), campeão do Fury Fighting Championship.

Depois de três vitórias em igual número de lutas como amador, Salmon decidiu se profissionalizar e assinou com a extinta RFA. Realizou todas as suas seis lutas na organização, encarando concorrência de nível adequado. Em seu último compromisso, foi vítima de uma decisão absurda contra Zac Riley e viu sua invencibilidade ruir. Ele tem base original no boxe, modalidade na qual competiu durante o período na universidade. Com quatro triunfos por nocaute, já mostrou punhos pesados, mas precisa aumentar o volume de golpes, pois assim se torna especialmente perigoso. Sua defesa de quedas é sólida e seu atleticismo é acima da média.

Turcios iniciou a carreira após largar os estudos, em 2013. Desde então, passou a se dedicar ao MMA e chegou ao Team Alpha Male em 2015, onde treina até hoje. Ele fez a maior parte de suas lutas no FFC, conquistando o cinturão do peso galo em sua última aparição, quando nocauteou Trent Meaux. Ricky também fez um combate no Bellator e anotou sua maior vitória até aqui ao superar Steve Garcia por decisão dividida. Com base no taekwondo e no muay thai, Turcios gosta de se movimentar constantemente, com eventuais trocas de base e fluxo elevado de chutes e socos. Seu ritmo é intenso e ele se sente à vontade pressionando os adversários, com um forte controle posicional tanto quando trabalha no clinch como na luta de solo. Contudo, precisa melhorar as fintas para entrar nas quedas, já que estas são defendidas com relativa facilidade.

Boston Salmon vs Ricky Turcios odds - BestFightOdds
 

O panorama do combate aponta para 15 minutos disputados de pé. Nesta situação, Salmon é mais técnico e mais perigoso, mas terá dificuldades para lidar com o maior volume do adversário. Numa luta que promete diversas mudanças de vantagem, Turcios deve impor um jogo constante de clinch e tentativas de queda para alternar com momentos de troca de golpes. Este é um duelo de difícil prognóstico, mas o palpite é que a qualidade superior de Salmon será suficiente para superar o maior índice de trabalho de Turcios e ele ganhará uma decisão apertada na base da potência.

Peso Médio: Charles Byrd (EUA) vs. Jamie Pickett (EUA)

Os pesos médios Charles Byrd (7-4) e Jamie Pickett (7-2) digladiarão em busca de um potencial contrato com o UFC.

Não estamos falando do ex-jogador de basquete campeão brasileiro e sul-americano pelo Vasco. A versão lutador de MMA de Byrd é um atleta que fez parte do plantel do Legacy FC e enfrentou nomes como Bojan Velickovic, que está sob contrato com o UFC. Byrd está sem lutar há um ano, mas tem mãos pesadas, que usa sem muita técnica para se aproximar dos adversários e derrubá-los com o intuito de trabalhar no ground and pound.

Com uma infância muito complicada após ser abandonado pela mãe que estava envolvida com o mundo das drogas, Pickett conheceu as lutas para se defender. Conforme o tempo passou, começou a tomar gosto pelo negócio e as artes marciais se tornaram um prazer. Assim, decidiu se tornar um profissional no MMA. Apesar de ser faixa-marrom no jiu-jítsu e gostar de trabalhar com quedas, sua única vitória por submissão veio quando o adversário deu os três tapinhas por conta de golpes. De resto, são cinco nocautes contra concorrência de nível muito duvidoso.

Charles Byrd vs Jamie Pickett odds - BestFightOdds
 

Pickett entrou para a luta de última hora ao substituir o ex-UFC Justin Jones. Por isso, pode sofrer caso a luta seja um duelo de atrito. Contudo, parecer ser um atleta superior a Byrd, o que deve lhe render alguma vantagem na disputa por posições na luta agarrada. Assim, Pickett deve sair vitorioso por nocaute na parte final ou por decisão.

Peso Mosca: Joby Sanchez (EUA) vs. Manny Vazquez (EUA)

Após uma passagem mal sucedida pelo UFC, Joby Sanchez (9-2) tenta retornar à organização. Ele enfrentará o ex-campeão dos galos do Legacy FC, Manny Vazquez (11-2), que fará sua estreia como peso mosca.

Contratado pelo UFC como substituto de última hora, Sanchez foi superado por Wilson Reis por decisão após conseguir aplicar um knockdown no brasileiro. Depois, superou Tateki Matsuda e foi nocauteado por Geane Herrera, quando acabou cortado pela organização. Desde a demissão, fez duas apresentações, finalizando Martin Sandoval e batendo Jesus Urbina por decisão dividida, mas não impressionou nem mostrou grande evolução. Seu jogo é pautado principalmente no boxe e defesa de quedas, mas já mostrou que pode ser derrubado.

Algoz de Ricardo Carcacinha, um dos personagens do Radar MMA Brasil, Vazquez levou o cinturão dos galos do Legacy ao finalizar o brasileiro rapidamente. Entretanto, perdeu o título em sua primeira defesa ao dar os três tapinhas contra Steven Peterson. Agora com duas vitórias consecutivas, realizou seu último combate no Bellator 175. Trata-se de um bom atleta que tem sua maior eficiência quando a luta está no solo, com transições rápidas e instinto matador. Por outro lado, peca por ser um tanto inconsistente e apenas funcional trocando golpes, com uma defesa muito falha.

Joby Sanchez vs Manny Vazquez odds - BestFightOdds
 

Este será um duelo de estilos, com Sanchez tentando impor suas habilidades no boxe enquanto Vazquez buscará levá-lo ao solo. Como estará estreando no peso mosca, Vazquez tem uma interrogação a responder no que diz respeito ao condicionamento após realizar o corte de peso pela primeira vez. Caso consiga manter o desempenho, terá uma grande vantagem física e deve conseguir derrubar Joby para finalizá-lo. Se estiver debilitado, pode encontrar sucesso no primeiro round, mas terá dificuldades conforme o tempo passar e se tornará presa fácil de pé. A aposta é de que o primeiro cenário se desenrolará e Vazquez sairá vitorioso com um mata-leão.

  • Gabriel Fareli

    Tô curioso pra ver como vai ser essa serie. Ela deve ajudar bastante na abstinencia, quando tivermos um intervalo grande sem eventos do Ultimate…rs

    • João Gabriel Gelli

      Durante julho ela só deve piorar o vício, já que tem cards do UFC toda semana hahaha

  • James sousa

    é bom uma novidade com o TUF já desgastado

    • João Gabriel Gelli

      Gosto muito mais dessa ideia do que do TUF.

  • Idonaldo Gomes Assis Filho

    Achei bacana demais, é uma bosta essa porcaria de proibir patrocinadores, mas ainda sim é uma ferramenta muito bacana pra descobrir bons lutadores pra compor categoria, e como eles sabem que é a chance deles chegar no UFC, vão entregar tudo!

    Só acho meio ruim que é só nos EUA, poderiam fazer em outros lugares também, ou se não chamar lutadores de outros lugares, aqui no Brasil tem muita gente boa, não duvido que consigam achar gente de qualidade na Europa/Ásia/Austrália também.

    • João Gabriel Gelli

      Provavelmente vão chamar lutadores de outros países em temporadas no futuro. Como se trata de um piloto, ainda têm testes a serem feitos. Por isso o UFC deve ter optado por levar só lutadores americanos.

  • Lucas Natan

    Curti a ideia, vou assistir. Agora… no cartel dos caras vai aparecer lá que lutou no “Dana White’s Tuesday Night Contender Series”? Fica meio estranho kkkk

    • João Gabriel Gelli

      Vai sim, deixa de ser implicante hahaha

    • Beto Magnun

      Lutou no DWTNCS.

  • Rafael Alves

    Gosto muito da idéia mas como a proposta é diferente, não me parece um programa pro “grande publico” que é a proposta (que não tava sendo atingida, diga-se) do reality.
    Fico com a impressão que o UFC seguirá precisando de um programa de entrada pro público médio, como já foi o TUF.