O pesado fardo dos pequenos melhores lutadores do mundo

O pesado fardo dos pequenos melhores lutadores do mundo
MMA

O peso mosca hoje domina o boxe e o MMA, mas ninguém quer ver os geniais Demetrious Johnson e Román González. Como reverter este quadro?

Demetrious Johnson é o menor campeão da história do UFC, com 1,60m de altura. Ele também é o mais leve a ostentar, em todos os tempos, o cinturão de uma categoria masculina, batendo 56,7 quilos.

Román González não é o menor campeão da história do WBC, mas tem o mesmo diminuto metro e sessenta de Johnson e bate ainda menos peso (50,8 quilos) para defender sua coroa.

Nas vendas de pay-per-view, o “Super Mouse”, natural de Madisonville, no Kentucky, Estados Unidos, é um fiasco, dividindo os recordes negativos do período pós-TUF com o ex-campeão dos pesados Andrei Arlovski. Das cinco piores vendagens deste intervalo de tempo no UFC, três foram protagonizados por Johnson e duas pelo “Pitbull” bielorrusso. Em defesa de Arlovski, no entanto, é justo colocar que a categoria dos pesados vivia tempos sombrios de segundo plano, vendo as principais estrelas do mundo brilharem no PRIDE FC. Já as marcas de Johnson foram obtidas em tempos de praticamente monopólio de mercado do UFC. A situação de Demetrious é tão ruim que o UFC inventou um cinturão interino para os meios-pesados, no retorno de Jon Jones, quando Daniel Cormier ficou impossibilitado de lutar no último UFC 197, só para não deixar mais um card numerado nas mãos de seu menor campeão.

EVENTO DATA LUTA PRINCIPAL PACOTES
UFC 186 25/04/2015 Demetrious Johnson vs Kyoji Horiguchi 125.000
UFC 55 07/10/2005 Andrei Arlovski vs Paul Buentello 125.000
UFC 174 14/06/2014 Demetrious Johnson vs Ali Bagautinov 115.000
UFC 191 05/09/2015 Demetrious Johnson vs John Dodson 115.000
UFC 53 06/04/2005 Andrei Arlovski vs Justin Eilers 90.000

Proveniente de Barrio La Esperanza, em Manágua, Nicarágua, o “Chocolatito” jamais encabeçou um pay-per-view na vida. Ele só lutou em um show desta natureza, na aba de Gennady Golovkin, numa noite que a HBO amargou números (in)dignos de Demetrious Johnson. Na verdade, Román mal lutou na versão a cabo do canal e sempre por trás de GGG, a quem a emissora aposta suas fichas para seguir o legado de Manny Pacquiao.

Nos salários, comparado com outros campeões do UFC, a situação de Johnson também não é das melhores. Dos 11 donos de cinturão que a organização hoje tem, o rei dos moscas é o oitavo mais bem pago – ou o quarto mais mal pago – com os US$133 mil recebidos no UFC 191. Dentre os que fizeram pelo menos uma defesa, ou seja, que lutaram pelo menos uma vez como campeões, Cormier ganha US$95 mil (uma defesa), TJ Dillashaw ganhava US$70 mil (quatro defesas) e Joanna Jedrzejczyk embolsou US$30 mil (duas defesas) em seu último compromisso. É possível imaginar que o próximo vencimento de Joanna será maior, por conta da participação como técnica do TUF 23, assim como Cormier deve ter um aumento para a unificação contra Jones e Dominick Cruz deve faturar mais que Dillashaw no UFC 199. Estes valores não englobam bônus por vitória ou de desempenho, tampouco participação em pay-per-view (pelo quadro acima, talvez Johnson sequer receba), ou o pagamento da Reebok. É apenas a grana que cada campeão embolsa por subir no octógono portando o cinturão mais desejado do MMA mundial.

A questão financeira também é madrasta de González. A bolsa de seu último compromisso, no mesmo sábado passado que Johnson lutou, foi de US$300 mil, o maior pagamento que Chocolatito já recebeu. Nem vamos comparar com o que recebe Wladimir Klitschko, muito menos Pacquiao ou Floyd Mayweather. Fiquemos com os US$2 milhões que Keith Thurman embolsa, ou o milhão e meio que Adrien Broner e Leo Santa Cruz levam para casa.

Por outro lado, a vitória no UFC 197 de sábado passado colocou Johnson na terceira colocação na lista dos campeões com o maior número de defesas consecutivas. Suas oito empatam com Jones e estão uma atrás de Georges St. Pierre e duas atrás de Anderson Silva, o recordista. O detalhe é que apenas Johnson pode estender sua marca. Dentre os demais campeões, quem vem atrás de Johnson são Robbie Lawler e Jedrzejczyk, com duas defesas cada. Ou seja, o mosca é o mais dominante campeão do MMA mundial na atualidade por larga margem.

10309648_795801847146452_2847821533517124995_n

Já González alcançou sua 45a vitória em igual número de lutas, aproximando-se do icônico 49-0 de Mayweather e Rocky Marciano. Dentre todos os campeões mundiais das 17 categorias do boxe profissional, nos quatro principais órgãos sancionadores (WBC, WBA, IBF e WBO), ninguém tem retrospecto melhor do que o pequeno nicaraguense. Além disso, a taxa de 85% de nocautes de Chocolatito é menos de 3% menor do que a do heroico peso pesado e quase o dobro da de Mayweather.

O que Demetrious vem fazendo na categoria masculina mais leve do UFC é assombroso. Salvo em dois rounds na primeira luta contra John Dodson, nenhum desafiante fez frente ao campeão. O próprio Dodson foi dominado na revanche, assim como Joseph Benavidez, que deu calor quando ambos disputaram o posto de primeiro campeão do peso mosca no UFC, mas que foi obliterado na revanche. O mesmo aconteceu com Ian McCall, que quase venceu a semifinal do torneio inaugural da categoria, mas foi feito de gato-e-sapato no segundo confronto. Naquele dia, o mundo viu pela primeira vez a enorme capacidade de adaptação que Johnson tem.

“Eu menosprezei o clinch dele”. Foi com essa frase que Henry Cejudo, terceiro campeão olímpico a lutar na história do UFC, explicou sua derrota para Johnson exatamente numa posição forte da modalidade em que, na teoria, ele tinha grande vantagem sobre o campeão. Do mesmo jeito, o faixa-preta de caratê Kyoji Horiguchi e o kickboxer Dodson foram batidos em suas especialidades.

O que González faz no quadrilátero cercado por cordas também é assombroso. Fora uma luta aqui e outra ali (Juan Francisco Estrada é a única equilibrada de Román que eu vi, na verdade), seus combates normalmente são unilaterais. A movimentação, simples e econômica, é eficiente demais. As combinações juntam velocidade, volume e potência incomuns. O senso de equilíbrio é notável e o queixo ainda por cima é duro.

Pela primeira vez na história, o melhor lutador de boxe da atualidade e o melhor do MMA são pesos moscas. Outra coincidência, dessa vez infeliz, é que, fora alguns fãs hardcore das duas modalidades, ninguém quer saber deles. Fora do octógono, Johnson tem um perfil nada carismático e, quando fala, acaba num arrogante tô-nem-aí que não o ajuda em nada. Fora dos ringues, González adota o mesmo estilo low-profile do José Aldo pré-trash talking, o que também não vai fazer milagres comerciais por ele.

O que os dois têm demais é talento esportivo. Demetrious é muito mais lutador que Conor McGregor, a atual galinha-dos-ovos-de-ouro do UFC. Román é superior a Canelo Álvarez, o garoto de ouro do boxe mundial na atualidade. Johnson certamente já se colocou na conversa sobre o maior de todos os tempos do MMA. González não chega a tanto num esporte sesquicentenário, mas certamente o é se considerarmos as mesmas duas décadas de vida do MMA.

No entanto, infelizmente isso não é suficiente. McGregor e Nate Diaz venderam 1,5 milhão de pacotes numa luta sem sentido e que não valia nada. Johnson é melhor do que os dois. Canelo e Miguel Cotto venderam um milhão num duelo que valia muito, mas cujo final era previsível, numa categoria acima da que ambos deveriam estar. González é melhor que os dois.

O que se pode fazer para mudar esse quadro? Provavelmente nada. Demetrious não vai virar um provocador talentoso como McGregor nem González vai despertar um carisma como o de Canelo. Mas o pior mesmo é que eles não vão crescer fisicamente. Esqueça a absurda ascensão de mosca a médio-ligeiro de Pacquiao. Na verdade lembre-se, pois o Pac-Man era igualmente ignorado quando lutava com 112 libras.

Milhares lotarão a Manchester Arena para ver a revanche da enfadonha disputa entre Tyson Fury e Wladimir Klitschko. Quarenta mil estarão no Estádio Atlético Paranaense para ver Fabricio Werdum e Stipe Miocic. Johnson e González talvez não consigam isso nem em Manágua ou em Madisonville. Azar dos fãs que deixarão de testemunhar tamanhos talentos por motivos tão diminutos. Azar de Demetrious e Román, que não se aposentarão ricos como mereciam.

Quer se tornar um COLABORADOR do MMA Brasil? Conheça os BENEFÍCIOS do nosso projeto no APOIA.SE!

  • Bruno Brunet

    Realmente uma pena dois grandes atletas, que se não são os melhores, são Top 3 indiscutíveis em suas modalidades, não serem valorizados como tal. E nem vale usar a máxima que os pequenos não nocauteiam, Demetrious vem finalizando suas lutas e González tem imensa taxa de nocautes e causa surpresa quando não vence pela via rápida como na última luta. Um desperdício as pessoas deixarem de ver atletas em estado de graça, no auge da forma e da técnica, apenas pelo seu tamanho!
    Não conheço tanto a categoria do Roman no boxe, mas não vejo ninguém a curto prazo tirando o cinturão do Demetrious. Talvez falte isso. Será que uma rivalidade forte e disputada com alguém não ajudaria a alavancar ambos?

    • Ajudaria, mas não na quantidade que deveria. O tamanho é um entrave enorme.

  • Fernando

    Aldo também não vende bem né…

    Muita gente critica esses caras e principalmente os lutadores brasileiros que geralmente não tem dom pra trash talk, por problemas do idioma, mas principalmente pela mentalidade que os lutadores costumam ter mesmo. Vender a luta, fazer um mechan pesado devia ser responsabilidade, em primeiro lugar, da companhia.

    Os lutadores tem mais com o que se preocuparem do que ficarem batendo boca pra vender payper view. Eles se prepararam a vida toda pra estarem bem física e tecnicamente. Pra manterem o ápice físico precisam estar bem mentalmente, é um stress muito grande o corte de peso, convivência com lesões, a instabilidade da carreira e ainda querem que o cara se preocupe em falar isso ou aquilo pra gerar esse tipo de reação na press conference… os caras raramente buscaram aptidões cênicas durante a vida pra ficarem dando o show que o Conor, por exemplo, dava. Se não for um dom do cara, se não tiver na personalidade fica difícil forçar.

    O UFC podia muito bem se focar em criar um mito em cima dos lutadores das categorias de baixo, virar os holofotes pra esse lado, já que há muita margem pra crescimento ali.

    Os campeões do Pride eram campeões introvertidos, o Fedor é o melhor exemplo. Os japoneses tratavam de criar toda a hype sem nem precisar envolver os lutadores, os caras no máximo faziam fotos e uns vídeos com script e pronto, o resto era por conta dos caras de mídia. O UFC devia fazer isso tb ao invés de transferir a responsabilidade.

    • Fernando, você tocou num ponto muito legal. Vender, fazer a publicidade, deveria ser responsabilidade em primeiro lugar da companhia. E já é assim, visto o que o UFC faz pra promover seus eventos. O lutador não tem mais responsabilidade que a organização e nunca terá.

      Porém, no fim das contas, as pessoas pagam pra ver o UFC ou os lutadores? Sendo os lutadores, bastaria o talento deles, correto? E não é assim que rola. Dentre os grandes vendedores de PPV da história, o único que nunca precisou de nenhum atributo além de suas próprias qualidades como atleta é o GSP (tem a questão do bom-mocismo, mas isso tem em vários outros que não vendem como ele).

      O UFC tentou focar nos caras mais leves. Tentou vender o Barão como #1 peso por peso, colocou Johnson, Barão, Dillashaw na FOX. No fim, não adiantou nada.

      Aí a gente para pra pensar: mas se eles montassem uma parada grandiosa, tipo McGregor e Aldo, pra, por exemplo, Cruz e Faber, que é uma rivalidade que passa facilmente como verdadeira? Você acha que teria retorno ou que o McGregor é um ponto fora da curva (até porque a própria categoria dele não é vendável)?

      Sobre o PRIDE, eles não vendiam PPV, era outra história. E o sucesso era muito menor fora do Japão, tanto que muita gente nem conhece os astros de lá, só viram fodidos no UFC. O MMA explodiu depois do PRIDE.

      • Fernando

        É complexo… O Pride era coisa de nicho mesmo…
        E é verdade que o UFC faz a parte dele… mas imaginei eles investindo mais no marketing, criando os mitos, assim como se faz muito no esporte em geral, onde muitos dos atletas considerados mitos são muitas vezes só marketing…

  • Anderson Cachapuz

    Agora vou levantar uma discussão…

    Será que o problema é o DJ que não sabe se promover?
    O que mudaria se ele tivesse o talento do Mcgregor no trash talking? Será que mudaria?
    Ou será que é o publico que nao se interessa mesmo e não há o que ser feito para mudar essa situação?

    E kd o McCall? Sumiu.. última luta dele foi em janeiro do ano passado contra o lineker…

    • Thiago de Carvalho

      “Vamos colocar em perspectiva. Eu tenho dois discos lesionados no pescoço, uma cirurgia no ombro, uma fratura no cotovelo e tive uma infecção no braço. Preciso ser realista. O meu corpo já não está trabalhando tão bem. Eu ainda treino diariamente, mas não acho que meu corpo aguenta mais um camp. Estou me acostumando com a ideia de que eu talvez nunca mais faça uma luta. É claro que eu gostaria, mas tenho que ser realista”, declarou Ian McCall.

      • :(

      • Anderson Cachapuz

        putz.. q bosta.. não sabia disso…

        Quando foi essa declaração? :(
        Uma pena.. curtia o cara…

        • Thiago de Carvalho

          Na última segunda-feira (25), McCall contou no programa ‘The MMA Hour’.(vi no AgFight)

          Uma pena mesmo.

    • Que o Johnson não sabe se promover, isso qualquer criança já sabe. A questão é que o McGregor é ponto fora da curva (além de ser 10cm maior e 10 a 15kg mais pesado que o Johnson hahaha). Ele é o exemplo a ser seguido, mas o cara claramente tem um dom pra parada, então é foda. É um papel que, se não for feito à perfeição, vira chacota e o tiro sai pela culatra.

      Eu acho que, no fim das contas, sempre vai passar pelo tamanho dos caras.

      • Anderson Cachapuz

        Quando temos que usar um bom exemplo, temos que pegar logo o melhor, não? :)
        Por isso usei o McGregor…

        E é exatamente esse o ponto que eu queria colocar… supondo que ele fosse melhor ainda que o McGregor nessa arte, estaria ele em um nível acima do que o irlandês tem hoje?

        Se você respondeu que provavelmente não, então é culpa do tamanho mesmo…
        Se a resposta for “sim”, então a culpa é do DJ, única e exclusivamente…

        Se for ficar em cima do muro como é hábito das pessoas do direito, como eu, vai ficar no “depende”…. pode ser que sim, pode ser que não… poderia melhorar, mas nunca atingiria o nível do mcgregor.. e ponto! :)
        Nem tão pra alho nem tão pra caralho… kkk

        • Pra mim está totalmente claro que a culpa não é exclusivamente do Demetrious Johnson.

  • André Guilherme Oliveira

    No caso do Demetrious eu acredito que também existe muita má vontade do lado do UFC

    • Anderson Cachapuz

      E dele também, né?

      • André Guilherme Oliveira

        Sim, claro. Ele não se ajuda também.

    • Lero

      botaram ele na tv aberta, botaram ele em PPV. Tem Joe Rogan dizendo dia e noite que ele é o melhor lutador do mundo…

      • André Guilherme Oliveira

        Sim claro, mas isso é uma exposição voltada ao que o UFC quer e não ao que ele quer. Já que o cara é patrocinado pela Xbox e fanático por vídeo games, porque não mandar ele num estande da E3 ou em um desses campeonatos mundiais de games que lotam estádios com públicos superiores a média do campeonato brasileiro ? Ele não ajuda muito, mas expor só um lado do cara, enquanto existem outros mais chamativos também é uma falha da empresa.

        • Como o Lero falou, o UFC tentou expô-lo. O sujeito foi lá, desfilou talento na frente de milhões e adiantou nada. Você acha que colocar um nanico cabeçudinho numa final de campeonato mundial de League Of Legends vai ajudar a popularizar o Johnson? Tinha mais gente o assistindo na FOX do que num estádio vendo uma final dessa.

          Já a EA Sports poderia usar o DJ numa feira. De novo, você acha que isso o ajudaria? Eu sou bem cético.

          • André Guilherme Oliveira

            Cara, eu penso que sim. Em um ambiente em que ele estaria confortavel, podendo interagir com pessoas que estão interessadas em se divertir tanto quanto ele, em algo que para ele é diversão total e não trabalho, o desempenho dele seria bem melhor.
            Bota um cara desse pra jogar o LOL dele ai num mundial da categoria com geral, bota ele pra falar merda com esses malucos que com um video movem milhões de pessoas pela internet.
            Além de exposição poderiam mostrar um lado mais carismatico do cara. E eu acredito que o custo seria bem baixo, menor do que colocar ele num PPV ou liderando a FOX.

            Pode dar errado, pode, mas é uma possibilidade. E devem existir outras ainda melhores. Pra ele qualquer 15 mil pacotes de ppv a mais vendidos já é negocio.

            • Então, eu não tô por dentro, mas acho que nem rola megacampeonatos do jogo do UFC. Se rolasse um e ele fosse lá usar ele mesmo, aí pode ser. Mas pra ele aparecer num mundial de LoL ou de FIFA, sei lá, acho que ele seria um qualquer e nego cagaria.

  • Patrick Santos

    Excelente texto, Alexandre!! Acredito que um dia terão o reconhecimento que merecem, pena que talvez não poderão desfrutar disso enquanto atletas.

    • Reconhecimento, eles terão. Só que eu acho que só quando pararem.

  • Gabriel Fareli

    Perdoe minha ignorância de não conhecer o González, então vou falar mais do DJ especificamente.
    Apesar de eu achar que ele tem muita culpa de não ser popular, por ser um cara que “só” está preocupado em treinar e se preparar pra luta e não tá nem aí pra vende-la, acho que tudo ainda está relacionado a aquele velho clichê de que “a maioria das pessoas preferem ver 2 grandões de 120 KG sem técnica nenhuma trocando socos, do que 2 baixinhos de 57 kg numa luta técnica”.
    Eu até acho que falta uma rivalidade, uma categoria mais equilibrada, com mais lutas dificeis para o campeão, mas no final de tudo,acho que o principal motivo é o “pé atras” que as pessoas tem com os mais levinhos.

  • Simba

    É uma pena que lutadores do talento do Johnson sejam pouco atrativos para vendas. Só a questão do tamanho para explicar tamanha resistência. Gosto bastante do DJ, pela técnica dele. Não conhecia o González, mas dei uma olhada no perfil dele e, não sei se você concorda que, salvo algum desastre, o Chocolatito baterá o recorde do Rocky Marciano e do Mayweather muito em breve. Ele só tem 28 anos. Penso o mesmo sobre o Demetrious arrasar o recorde de defesas do Anderson Silva. Falta pouco. E eles devem bater esses recordes porque além de excelentes no que fazem, os rivais estão longe de alcançá-los, em tese.

    A história deve dar o lugar dos dois depois que pararem, porque infelizmente nada ajuda estes lutadores a serem canhões de venda de PPV e depois será inevitável reconhecer seus feitos.

    • Chocolatito tem chance de perder caso suba de categoria, mas eu acho que ele ganha de todos os campeões do supermosca (um deles é o irmão do último oponente do Chocolatito).

      Uma luta de alto risco pro González, que seria épica, era uma contra o Guillermo Rigondeaux. Pra isso acontecer, seria mais fácil o Rigo voltar pro peso galo, o que eu acho difícil, já que ele tá com 35 anos, o que, na idade de cachorro das categorias mais leves, equivale a um peso pesado com 70 hahaha

      Enfim, se ficar como peso mosca, só um desastre impede que ele chegue a 50-0. Como supermosca, acho que consegue também. Se a gente levar as categorias do MMA em consideração e uma subida de palha (115lbs, perto dos 112 do mosca do boxe) pra mosca (125lbs), daria pro Chocolatito ir até peso pena (126lbs no boxe). Aí ele teria Vasyl Lomachenko, Leo Santa Cruz, Jesus Cuellar, Rigo com menos corte de peso. A parada ficaria bastante interessante.

      Obs.: é bom explicar que 49-0 não é recorde, essa palavra só se encaixa como sinônimo de cartel, não de marca máxima a ser atingida.