The Ultimate Business: O Main Event do Tribunal

The Ultimate Business: O Main Event do Tribunal
MMA

Mark Hunt entra com ação na Corte de Nevada contra o UFC, Dana White e Brock Lesnar, na primeira grande ação indenizatória do MMA moderno. Quais as consequências?

As luzes se apagam. Dois lutadores famosos encaminham-se do vestiário para o octógono. Cinco rounds de iguais cinco minutos. Uma grande luta esperada por todos. The main event of the evening. Esse costuma ser o roteiro da atração principal dos eventos promovidos pelo UFC. Mas não é o caso hoje. O caso hoje é aquele mesmo, que você tanto escuta ser falado no dia a dia: caso de Justiça. E Justiça nome próprio, pois falaremos de uma batalha no sistema legal.

No último dia 10 de janeiro, Mark Hunt ingressou na Corte Distrital de Nevada (estado onde fica Las Vegas) com uma ação judicial contra seu empregador, o Ultimate Fighting Championship; seu presidente, o Sr. Dana White; e seu adversário na última luta, o Sr. Brock Lesnar – ação que o MMA Brasil teve acesso na íntegra. O processo pede indenização com base no reconhecimento das seguintes práticas ilícitas pelos três acusados:

Capa da ação movida por Hunt contra o UFC, Dana White e Brock Lesnar.

1- Infração ao Estatuto RICO (pela prática de racketeering – similar ao estelionato);
2- Conspiração para cometer crimes relacionados ao racketeering;
3- Fraude;
4- Pretensões falsas (na elaboração de acordo ou contratos);
5- Quebra de contrato;
6- Quebra de pacto de boa-fé e justa negociação;
7- Negligência; e
8- Enriquecimento ilícito.

Pela primeira vez na história do MMA moderno, um atleta de alto escalão sob contrato do UFC, desafiante de cinturão e com bolsa na casa do quarto de milhão de dólares, entra na Justiça Americana contra a maior organização e detentora do monopólio nas artes marciais mistas. O motivo?

Segundo consta na inicial acusatória, o UFC, Dana White e Brock Lesnar, em ação conjunta, cometeram as infrações acima descritas no contexto do contrato acima pelas partes com Mark Hunt, para a luta do UFC 200, ao agirem da seguinte maneira, segundo os pontos 18 e 19, página 5, da ação proposta:

18. Sem o conhecimento ou consentimento de HUNT, o UFC conspirou e causou com que LESNAR, um lutador dopado, enfrentasse HUNT, um lutador limpo, apesar de LESNAR ter usado substâncias banidas pelo UFC, USADA e WADA. As substâncias, Clomiphene e 4-Hydroxyclomiphene, são conhecidas substâncias de “Terapia Pós-Ciclo” (“TPC”) para serem usadas após um período de treino intenso com esteroides anabolizantes ou substâncias proibidas similares.

19. HUNT perdeu a luta no UFC 200 para LESNAR e sofreu severas lesões físicas, assim como danos econômicos e não-econômicos, incluindo prejuízo ilimitado à sua reputação, à disputa pelo título e à capacidade de ganhos futuros.

O cenário é claro para os advogados do “Super Samoano”: o UFC, White e Lesnar conspiraram para que o canadense lutasse na influência de substâncias proibidas pela própria organização e agências reguladoras, violando os termos dos contratos assinados e causando prejuízos físicos, esportivos e financeiros ao adversário. Ou seja, a boa e velha trapaça, que é descrita ao longo de 27 páginas da ação, esmiuçando como, desde o primeiro momento, a organização da ZUFFA já colaborava com a irregularidade de Lesnar:

A) ao negar, em cumplicidade com o WWE, que negociavam um contrato para a luta no UFC 200, o que tornaria Lesnar elegível para testes antidoping – o que viria a acontecer apenas um mês antes da luta;

B) ao conceder ao ex-campeão uma exceção de testes antidoping via USADA (permitida por uma brecha no regulamento do próprio UFC);

C) ao, mesmo tendo sido informado do teste positivo de Lesnar no dia 28 de junho de 2017, manter a luta no UFC 200, em julho.

Outro argumento usado pelo autor da ação é que Lesnar reconheceu o doping perante a Comissão Atlética de Nevada (NAC, na sigla em inglês), em acordo que definiu a suspensão do canadense por 12 meses e a perda de 10% de sua bolsa; o UFC nada fez para compensar Mark Hunt por todos danos sofridos.

De modo a enfatizar o tamanho dos danos sofridos pelo seu cliente, os juristas inclusive incluem imagens da luta do UFC 200, com Brock Lesnar praticando um violento ground and pound:

Página 17 da ação judicial Hunt vs. UFC, White, Lesnar.

Ainda segundo os advogados, essa não é a primeira vez que o UFC prejudica Hunt ao permitir que lutas contra atletas dopados ocorram. A ação traz o combate contra Frank Mir, em 20 de março de 2016, no qual o americano testou positivo para esteroides anabolizantes. Traz também o confronto de 2013 contra o brasileiro Antonio Pezão, que lutou com índices proibidos de testosterona.

E as acusações à organização não param por aí.

Com o fim de demonstrar a má-fé do UFC, que permite que lutadores dopados entrem no octógono, a ação dedica um tópico inteiro a descrever a vergonhosa tentativa dos executivos da Zuffa em encobrir o teste positivo de Vitor Belfort pré-UFC 152, na luta contra Jon Jones, quando um paralegal da empresa erroneamente enviou resultados de exames do brasileiro para um grupo de mais de 30 pessoas, tornando a informação pública; assim como os episódios seguintes, entre eles o embaraçoso esforço de contenção do vice-presidente do UFC à época, Ike Epstein, em ameaçar de processo qualquer um que divulgasse aqueles testes antidoping. A conclusão do tópico é enfática:

38. Pela informação e entendimento, o UFC permitiu que Belfort lutasse, apesar do resultado de seu teste de drogas, em parte, para prevenir-se do embaraço de um subsequente cancelamento do evento, do dano à reputação e marca do UFC, em busca direta pelo lucro, em detrimento da segurança do lutador, em violação à lei estadual e lei federal, como descrito a seguir.

Cabe lembrar que o confronto entre Belfort e Jones foi marcado na sequência dos episódios que culminaram no cancelamento do UFC 151, a primeira ocorrência do tipo da história do UFC. Um segundo cancelamento de pay-per-view em sequência provavelmente traria danos graves à empresa.

Creio que, a esta altura, já esteja claro o tamanho da encrenca que esta ação proposta por Mark Hunt representa para a maior organização de MMA do mundo. Lógico que o objetivo final primário do atleta é receber uma compensação financeira, vulgo dinheiro. Mark Hunt quer ser indenizado por ter sofridos lesões físicas (despesas médicas), financeiras (bônus que deixou de ganhar), esportivas (possível chance para o título) e em sua imagem ao lutar com um lutador dopado. O valor ainda terá que ser definido – em caso de condenação – por um perito, mas ele certamente será uma cifra multimilionária, tomando por base a bolsa de US$2,5 milhões de Brock Lesnar e as implicações do Estatuto RICO, que podem até triplicar o valor indenizatório.

No entanto, não é só com dinheiro que o samoano radicado na Nova Zelândia parece se preocupar, mas sim com a mensagem que está deixando para a mundo do MMA e outros lutadores. O recado é claro: “o UFC e Lesnar trapacearam para cima de mim e não vou deixar barato”. E ele disse isso com todas letras, em declaração ao portal americano ESPN.com:

“Eu quero que o UFC entenda que não é OK eles continuarem a fazer o que estão fazendo. Eles estão permitindo que os caras façam isso [se dopar]. Eles tiveram a chance de pegar todo dinheiro desse cara [Lesnar], por ele ser trapaceiro, e não fizeram isso. Qual é a mensagem que eles estão passando para os meninos e meninas que querem lutar um dia? A mensagem é: ‘É só você trapacear assim e tudo bem’. Na sociedade, se você comete um crime, você tem que pagar. Por que é diferente no MMA?”

Não se esqueçam do fator mais interessante em toda essa equação: Mark Hunt não só ainda é funcionário do UFC, como tem luta marcada para o próximo dia 4 de março, contra Alistair Overeem, num acordo que prevê que o neozelandês tenha uma bonificação maior que a normal, caso o holandês seja pego no antidoping. Que bela sequência de eventos!

Depois de anos agindo como um ente intocável, que faz o que bem desejar na condução monopolista do esporte, sem pudor de pisar em quem se opõe e sem se preocupar em prestar contas aos atletas e fãs, o UFC finalmente vai ter que se explicar. E na frente de um juiz.

MMA Brasil, assim como todos amantes do esporte e da ética, aguarda atentamente as cenas dos próximos capítulos.

NOTA: O MMA Brasil  agradece ao editor do MMA Payout, colunista do The White Bronco e advogado, Jason Cruz, pela colaboração no esclarecimento de dúvidas quanto ao funcionamento do sistema legal dos Estados Unidos da América, aproveitando para recomendar a leitura diária de todos seus trabalhos.

  • Saulo Henrique

    Mark Hunt, espero que você consiga causar danos nesses merdas. Já cansou o ufc passar o saco na cara de todos, e sair baixando a cabeça. Meritocracia? O que é isso? Respeito com os atletas? Hein? Espero que eles tomem no cu,mesmo sendo a maior organização de mma do mundo. Gosto muito de mma, assim como todos aqui, mas eles passaram a muito tempo do limite. E desculpe o desabafo. Excelente matéria.

    • Bruno Fares

      Obrigado Saulo!

      Acho que todos nós, fãs do esporte e pessoas honestas, torcemos para que o Hunt tenha algum êxito nessa batalha!

    • The Notorious

      Mark Hunt- cartel de 12-10
      Bolsa US$700 mil
      tadinho

      • Saulo Henrique

        Respeito sua opinião, camarada.

  • Rafael Oreiro

    Isso pode abrir um precedente ótimo para os atletas, diminuindo essa liberdade total que o UFC tem hoje no tratamento de seus atletas. Texto sensacional!
    No mais, a empresa relacionada a esse processo será a Zuffa né? Não a WME IMG

    • Bruno Fares

      Isso Oreiro, pois à época o UFC ainda era da Zuffa.

      Em todo caso, é irrelevante para o caso, porque a parte relacionada é o UFC, não importando se o dono dele é a Zuffa, WME ou o Tintin.

      E valeu pelo elogio ao texto!

  • James sousa

    site começou 2017 com tudo só textão, Espero que o Hunt tenha sucesso e que abra um precedente para outros lutadores

  • Luis Coppola

    Acho justo o pedido do Hunt, bem embasado e espero que ele logre exito judicialmente, ganhe uma bolada em cima da empresa. Mas algumas questões tbm precisam ser pontuadas:
    a) Antes da luta ele disse várias vezes em alto e bom som que ganharia do Lesnar, mesmo esse estando entupido de anabolizantes;
    b) Era de se imaginar, sobretudo depois da exceção da quarentena ao Lesnar pela USADA, que o mesmo teria grandes chances de conter substâncias ilícitas no organismo. ( o que não descaracteriza a legalidade da causa de pedir)
    c) Antes de lutar no UFC, Hunt lutava em uma empresa em que era claro para todos que não havia o controle anti-dopagem (Pride). Pq naquela época ele não se pronunciava com tanto ênfase como agora? Processaria todos os dopados que já enfrentou? Processaria na época os antigos patrões que tinham renda e influências suspeitas?

    Enfim, boa sorte ao Hunt na causa, que a justiça americana não tenha a mesma celeridade que a nossa. Que ele se aposente em breve e que isso sirva de lição para o UFC e qualquer liga de MMA não fazer vistas grossas como foi o caso de Vitor x Jones..

    • Bruno Fares

      Fala Luis, vamos por pontos:

      1º – Palmeiras.
      2º – Entendo seus argumentos mas nada disso valida o doping do Lesnar ou tira razão dele.
      3º – sobre o ponto A, isso é discurso pra midia né
      4º – sobre o ponto B, a exceção foi dada pelo UFC, com aval da USADA. Mas é uma exceção de EXAMES, e não permissão para uso de substâncias.
      5º – sobre o ponto C, o Pride não tinha um regulamento anti doping igual ao UFC tem, que inclui esses pontos no contrato. O UFC se compromete a fazer um controle rigido submetido as regras da WADA. Pride mal tinha exame no dia.

      WAR HUNT

      • Luis Coppola

        Sim, sei que o ponto A era discurso pra mídia e jogar pra torcida essa valentia toda, mas bem desnecessário, poderia ter evitado aquela falácia. Eu achei essa exceção dada pelo UFC mta sacanagem, só para alavancar as vendas do 200, e já suspeitava que o Lesnar viria no suco a partir do momento que foi permitido ele não passar pela quarentena.
        Se que o Pride não tinha anti doping, e até por isso a maioria ou quase todos lutavam aditivado, se duvidar até o Hunt usava. Só acho hipocrisia do cara falar que lutaria até contra o Lesnar dopado, falar o tanto que falou e ai depois que perder reclamar o tanto que reclamou. Claro que a causa do pedido dele é mto válida, ele tem toda razão de procurar seus direitos.

        Agora claro que ele está interessado mesmo no valor da bolsa que o Lesnar recebeu. Se por exemplo ele tivesse lutado contra um Lewis que deve receber 50K, 100K e esse caísse no doping, ele entraria na justiça?
        Acho que o Hunt tem razão na atitude que tomou, mas claro que ele quer tirar proveito do valor da bolsa do Gorila Albino. Minha torcida é pelo Hunt, só discordo da postura dele pré luta e tbm acho que ele não é nenhum santo, já deve ter lutado dopado, assim como na época do Pride o mais provável é que ele não tenha enfrentado ninguém limpo.

        • Bruno Fares

          Te entendo. Eu também imagino que o doping seja mais comum do que aparenta, mas até o atleta ser pego no exame, temos que considerá-lo limpo, se não a discussão passa para o campo das suposições e achismos.

        • Alexandre Matos

          Sobre seu ponto A, a maioria desses discursos de “jogar pra torcida” é falácia. Eu sinceramente fico de cara de ver como isso vende luta.

    • Digodasilva

      Eu acredito que o Hunt sofreu muito tempo calada, incluindo os pontos citados por vc Coppola. Ele apenas aproveitou o melhor momento pra jogar tudo no ventilador! Dentre as maiores vantagens está, obviamente, a bolsa do Lesnat. Hunt fez bem. Não só pq vai ganhar um bolada, mas a despeito da veracidade do discurso dele se importar com a ética, vai deixar uma lição pra posteridade!

  • Tadeu Pastorello

    Não sou advogado e vou comentar como leigo mas acho esses argumentos do Hunt furados. Primeiro acredito que o UFC só poderia punir o Lesnar tirando a bolsa dele se tivesse alguma cláusula no contrato que deixasse claro que se ele fosse pego no doping ele perderia a bolsa, como não deve ter e o Lesnar lutou tem que ser pago. Também não deve ter no contrato do Hunt uma cláusula de que se o adversário dele for pego no doping o UFC tem que dar uma grana pra ele. Segundo: quem pode punir o Lesnar e o fez é a comissão atlética, se a punição foi ridícula aí não é culpa do UFC. Terceiro – ele não tem provas de que o UFC sabia que o Lesnar estava dopado antes da luta, as outras lutas que ele fez com os caras dopados entram na mesma regra de que o UFC só soube depois e que a comissão puniu os lutadores e mesmo a questão do Belfort não sei se muda algo pois não tem nada haver com o caso dele e a questão de pedir a isenção não quer disser que eles sabiam de algo ( mesmo também achando que sabiam a questão é provar que sabiam), eles podem alegar vários motivos, até pular burocracia. Outra coisa, tem várias declarações do Hunt antes da luta falando que sabia que o Lesnar estava dopado mas que ia vencer o cara assim mesmo, se sabia pq lutou? Seria pela grana e menosprezou o cara, agora que perdeu ficou com raiva? Não sou a favor de trapaça mas não caio nessa conversa de vítima do Hunt, qualquer cara que lute com o Lesnar sabe que ele está dopado mas cresce o olho na grana que pode ganhar. É essa de que o cara pode morrer lutando com um dopado, apanhou mais do Miocic e Cigano e tomou um nocautaço do Werdum que foram bem piores do que o que o Lesnar fez, se não quer correr risco tem que parar de lutar pois tá lutando muito mal.

    • Bruno Fares

      Bom dia Tadeu. Entendo seus pontos mas discordo deles. Vamos la:

      1- Sobre as declarações do Hunt: Isso é mero papo pra vender luta. Essas declarações não significam um ACEITE dele ao doping.

      2- Não tinha clausula no contrato mesmo, de que “se o outro estiver dopado eu recebo ainda mais.” Se tivesse, não teria pq entrar com o processo.

      3- o UFC PODE SIM punir o Lesnar, porque a politica antidoping faz parte do Código de Conduta do UFC que todos atletas tem que seguir.

      4- Ele não tem provas concretas que o UFC sabia, se não seria muito mais simples. O que o Hunt tenta demonstrar na ação é que o UFC É CONIVENTE com esse tipo de prática, que o UFC fecha os olhos pra isso, por mais que existam fortes indícios, o UFC ainda facilita. Por isso o processo. Ele coloca o UFC na figura de cumplice e cita diversos casos pra mostrar que o UFC é, no minimo, negligente.

      5- Essa parte do risco não tem nada a ver. Risco faz parte do esporte. Apanhar de cara dopado, nas ultimas 3 lutas (caso do Hunt) não faz.

  • Marco antônio

    1° – 4+1 = 5.
    2ª – 2 x em 10 anos.
    3° – Porque o UFC coloca o Hunt pra lutar com o Overeem no meio de um processo desse? Na verdade, achei que ele iria pegar uma geladeira enorme e entrar em briga judicial pra rescindir o contrato.
    4° – Hunt está sendo oportunista mas está certíssimo.
    5° – Parabéns, Sader! Grande matéria.

    • Alexandre Matos

      O UFC não pode tratar o Hunt diferenciadamente, seria um tiro no pé e praticamente uma confissão de culpa indireta.

      • Digodasilva

        Vdd

    • Digodasilva

      Acho que ele aproveitou o melhor momento, juntando o valor da bolsa do Lesnar, a escalação para lutar e tudo o mais. Não me surpreende se ele se aposentar depois da conclusão do processo rsrsrs

  • Fernando Cruz

    Acho que a luta com o Alister Overeem será a última do ‘Super Samoan’. Não sei quantas lutas o neozelandês ainda tem no contrato, mas, a depender da celeridade do caso, creio que o Hunt vai pedir a quebra do contrato de forma unilateral e por conseguinte, o desligamento do UFC.
    E ainda no campo da especulação, este possível rompimento litigioso pode abrir um precedente para que se discuta a ‘juridicidade’ contratual que a orgazinação pactua com seus atletas. Já é de conhecimento de todos que um lutador que assina com o UFC está preso à organização até cumprir o contrato integralmente, e que um rompimento unilateral partindo do atleta é praticamente impossível.
    Quem sabe isso pode ser revisto a partir deste caso. Enfim, nessa sou ‘Team Super Samoan’.

    WAR HUNT!

    (o Bruno Fares demora para escrever, mas quando escreve, meu amigo… Excelente matéria.)

    • Bruno Fares

      Valeu Fernando! Somos todos Mark Hunt!

    • Alexandre Matos

      Praticamente qualquer contrato de trabalho prende o contratado à contratante. Não se pode trabalhar para concorrentes com contrato em vigor.

      • Fernando Cruz

        Sim, mas a questão é sob que condições o atleta pode romper um acordo com a impressa contratante? Um contrato não é uma via de mão dupla? Talvez seja possível o Hunt se desvincular do UFC (mesmo a contragosto da organização) alegando que a empresa o lesou. Quem sabe este caso possa abrir precedente que viabilize um rompimento contratual partindo dos atletas.

        • Alexandre Matos

          Sim, o contrato é uma via de mão dupla e o atleta tem condição de rescindir unilateralmente. Porém, isso é mais fácil pra uma empresa do tamanho do UFC do que pra uma pessoa física que nem sempre é recompensado como deveria.

  • Kelion Almeida

    Excelente trabalho jornalístico!

    • Bruno Fares

      Valeu Kelion! Deu trabalho hahha

      • Alexandre Matos

        Cessam aqui as acusações de vampetagem.

  • Gabriel Fareli

    Que texto !
    Tô ansioso pra ver os desdobramentos dessa história, principalmente pra saber se o Lesnas vai ganhar a causa, e se vai sofrer represalias do UFC por ter processado os seus patrões.

    Parabens pela excelente matéria, Sader !

  • Gabriel Fareli

    Que texto !
    Tô ansioso pra ver os desdobramentos dessa história, principalmente pra saber se o Hunt vai ganhar a causa, e se vai sofrer represalias do UFC por ter processado os seus patrões.

    Parabens pela excelente matéria, Sader !

    • Bruno Fares

      Valeu Fareli!

      Tem a chance ainda de o UFC oferecer uma grana com acordo encerrar o caso sem julgamento. Vamos ver.

  • Ricardo Sedano

    Favor manter essa média de texto, Bruno. Ótimo texto, assim como o primeiro do ano. Ano já começou dando orgulho aos apoiadores do site

    • Bruno Fares

      Valeu Saraiva! Tentarei.

      • Alexandre Matos

        Já me deu orgulho por muito tempo. Muito obrigado.

        • Bruno Fares

          Culpa sua de escrevermos bem assim!

    • Alexandre Matos

      E orgulho a mim também. Faz tempo que não ficava tão feliz com o site. Só falta resolver meu problema com as prévias. Pelo menos o pessoal tá tirando onda.

  • Rafael Alves

    SO uma duvida: a nova proprietaria do ufc pode colocar esse imbrolio na conta da zuffa e se esquivar de responsabilidades?
    Acho que atleta dopado nao deveria receber bolsa. Simples assim. Soma isso com suspensao e o negocio comeca a ficar inviavel de se manter.

    • Bruno Fares

      Sim, pois a Zuffa era a proprietária na época. Mas em todo caso a instituição UFC que está como ré e como ficar de nome manchado, mesmo que a Zuffa pague a conta né.

      Sou a favor do banimento do esporte pra quem é pego dopado. Sem segunda chance.

      • Rafael Alves

        Eu sei que recai sobre o UFC como um todo, mas deixa uma porta de saída bem clara, pro caso de condenação:
        Os erros foram cometidos pela organização anterior e nao mais se repetirão sob nossa direcao

        Eu sou meio cauteloso com punição definitva pra Doping porque as vezes o cara tomou um viagra dado por um amigo da Tailandia, ou comeu carne contaminada… Falando sério as vezes, principalmente se o cara ta no começo, ele pode ser mal assessorado. Sou a favor de”lutou dopado-2 anos. Repetiu? Fora” “pego fora de competicao “um ano e meio. Repetiu? Fora.
        Também gostaria que as empresas que vem contaminando suplementos fossem expostas. Lutador X foi suspenso por seis meses por consumir suplemento contaminado da marca tal. De repente isso evitaria esses repetidos acidentes de suplemento adulterado.

        • Alexandre Matos

          Às vezes a contaminação é falha no processo de fabricação, nem sempre é caso de má-fé.

          • Bruno Fares

            Mas nesse caso o atleta é absolvido.

            • Rafael Alves

              É absolvido mas leva aquela suspensão “simbólica” de seis meses né? Tipo o Romero.

              • Bruno Fares

                6 meses nao atrapalha ninguem. Geralmente atleta de MMA luta a cada 4.

                • Rafael Alves

                  Mas, nesse caso, ele não deixa de ser primário?

                • Bruno Fares

                  Não. Se absolvido, não.

          • Rafael Alves

            Eu sei Alexandre. Mas aí tem dois pontos:
            Em teoria as fábricas deveriam checar seus lotes pra evitar esse tipo de coisa. O Romero, por exemplo, provou ter consumido um produto em que o lote inteiro tava contaminado. Por mais que não seja intencional a responsabilidade é do fabricante.
            Trazendo pro dia a dia. Se eu sou diabético e tomo um produto que foi contaminad com açúcar, mesmo sem ser intencional a culpa é do fabricante por qualquer problema que eu venha a ter. E o medo de ter isso exposto faz eles redobrarem os cuidados no controle de qualidade. Então porque não expor o fabricante de suplemento?

            Outro ponto é que teve acho que tres ou 4 casos de suplemento contaminado nesse ano… Se lembro bem.
            Um acontece… Dois já é irreal. Três em diante faz parecer que contaminar lote faz parte do processo de fabricação de lotes que vão, digamos, pra atletas selecionados.

        • Bruno Fares

          Mesmo que o UFC (WME) não pague a conta, a imagem do UFC suja igual.

          Lutador que se dopa muda a estrutura física pra frente. Vide Overeem. Pode não usar mais nada, sempre vai ser um gigante agora.

          Se for CONTAMINAÇÃO, o cara vai ser absolvido, nao importa se a pena é 1 ano ou 10.

          Outra coisa: Todo atleta profissional tem que verificar 50x o que está consumindo, pra saber se nao tem algo proibido. Não serve essa desculpa de “nao sabia que esse alimento/produto/xampu” tinha isso.

          No mínimo tinha que ter uma pena grande, tipo 5 anos inicial, mas sou a favor do banimento.

      • Alexandre Matos

        Eu concordo com o Rafael, acho radical o banimento na primeira ocorrência, mesmo num esporte como MMA ou boxe.

        • Bruno Fares

          Eu não, pois muda a estrutura física do lutador pra sempre.

    • Alexandre Matos

      É uma solução. Não sei que implicações jurídicas teria o fato de tirar todo o pagamento de um trabalhador, mesmo que ele tenha cometido uma irregularidade. Teria que ver isso, mas, se for possível, me parece bacana.

  • Sexto Empírico

    Matérias como esta fazem falta na midia do MMA aqui no Brasil. Geralmente, ou tratam de maneira superficial, com alguma nota rápida, ou passam batido mesmo. Preferem falar da Ronda e … vcs sabem.
    Lembro-me que, há alguns meses, o Mma Junkie vazou documentos exclusivos de um investidor, que mostravam todos os numeros do UFC para a negociaçao com os novos donos, a WME, incluindo os planos para os próximos 2 anos, negociações com tv, ppv etc, o que ajuda a entender muitas das decisões consideradas, no mínimo, estranhas por muitos. Pois, não me recordo de ter lido uma linha sobre o assunto em português.
    Hunt, apesar de sua decisão ser movida pelo dinheiro (ficou revoltado com a bolsa de 2,5M que o Brock levou) e não necessariamente por justiça, já que cansou de lutar contra dopados sem se importar, está prestando um grande serviço ao MMA ao fazer o UFC prestar contas dos seus desmandos na esfera judicial, como réu, longe de sua zona de conforto e domínio. Se vencer, além de poder levar uma indenização gigantesca, estará deixando seu maior legado para o MMA. Maior que qualquer cinturão, luta do século ou discursos, ameaças, latidos em redes sociais q nunca levaram a nada de prático.

    • Bruno Fares

      Uma pena mesmo a mídia brasileira não dar a atenção devida. Alias, isso vale pra midia mundial esportiva como um todo.

      Prefere por uma análise de redes sociais do McGregor no site do que fazer analises como essas que voce citou.

      • Sexto Empírico

        Por aí mesmo. E parabéns pelo ótimo texto.

        • Bruno Fares

          Obrigado!

    • Alexandre Matos

      Eu pensei em analisar essa matéria do MMAJunkie, mas esperei o desenrolar dos acontecimentos e acabei ficando sem tempo, esqueci de fazer.

    • IMPERADOR

      Outro aspecto importante desse legado e a jurisprudência que, caso Hunt ganhe a peleja, trata outros paradigmas para as relações entre lutadores | eventos, dando limites e colocando mais responsabilidade no ombro dessa gente.
      Os lutadores das gerações mais recentes, vao chegando sabendo que existem meios de se protegerem desses desmandos e trapaças.

      • Bruno Fares

        Concordo.

  • Digodasilva

    Manooooooooo! Que bomba! Parabéns pelo trampo!
    Nem tenho o que comentar. É só sentar, pegar a pipoca e esperar o desenrolar da treta.
    Em tempo: Hunt tem meu apoio tbm. Acho justíssima sua atitude.

    • Bruno Fares

      Valeu Rodrigo! Tem nosso apoio com certeza.

  • Thiago Kuhl

    1º) BAITA TEXTO. Vai Mackenzie!

    2º) Acho do caralho essa atitude do Mark Hunt, esse é o tipo de coisa, que mesmo que tenha sido feita pensando apenas em um benefício econômico próprio, acaba criando um precedente para que outros lutadores busquem benefícios parecidos, ainda mais nos Estados Unidos, por utilizar o sistema da Common Law.

    • Bruno Fares

      Valeu pela correção! Mackenzão da massa voando!

    • Alexandre Matos

      Também acho que pode abrir um precedente muito bacana.

  • Ranilson

    Tenho que elogiar , Ótimo texto…..
    Queria que Mark Hunt tivesse o apoio da Mixed Martial Arts Athletes Association, deste modo outros lutadores talvez teriam a coragem que Hunt teve….

    • Bruno Fares

      Valeu Ranilson!