O K-1 e a origem das lendas do kickboxing

Com o acervo de lutas do Glory liberado na internet, talvez o fã mais novo não conheça a era de ouro da luta em pé e os nomes que fizeram história na trocação. O MMA Brasil faz um passeio pela história de um dos maiores eventos de luta, o K-1.

Seria impossível até para o melhor historiador do mundo descobrir quando ocorreu a primeira troca de golpes do homem. Seria difícil saber também a data de origem das artes marciais, pois ela se mistura com a própria civilização humana.

O termo artes marciais deriva do deus grego da guerra, Ares, e segundo a mitologia, o ensino da técnica da troca de golpes foi passado pelo próprio deus aos homens.

O que sabemos é que as artes marciais sempre atraíram a atenção do ser humano e ao longo dos séculos foram criados diversos estilos de luta. Alguns milhares de anos depois, no ano de 1993, Kazuyoshi Ishii criou um evento com o objetivo de revelar qual era o melhor lutador dos estilos de luta em pé. E assim surgiu o K-1.

Logo-K-1

As regras eram simples. As lutas tinham três rounds com a duração de três minutos cada. Elas eram decididas por nocaute, nocaute técnico, decisão dos juízes, desqualificação ou no contest (sem resultado). Caso acontecesse empate, poderiam haver até dois rounds extras. Não eram válidas cabeçadas, mordidas, cotoveladas, técnicas de projeção, ataques quando o oponente estava no chão ou tentando se levantar, segurar as cordas e golpes na nuca. Os torneios funcionavam em modelo de Grand Prix, sistema onde os competidores se eliminavam até que houvesse apenas um campeão.

O K-1 durante anos foi o maior evento de trocação do mundo, até chegar ao fim por problemas financeiros. Foi também o berço de vários lutadores que se aventuraram no mundo do MMA, tais como Mirko Cro Cop, Semmy Schilt, Mark Hunt, Ray Sefo, dentre outros.

Mas qual a importância do K-1 para o fã atual de lutas? Em primeiro lugar, o K-1 foi o precursor e a inspiração de todos os outros eventos de trocação que temos hoje e foi ali que se forjaram as grandes lendas da luta em pé. Segundo, muitas referências que o fã certamente já ouviu e ainda ouvirá são oriundas desta organização. Quando um comentarista afirma que Semmy Schilt venceu Ernesto Hoost, ou que Mark Hunt, Alistair Overeem e Cro Cop já foram vencedores do K-1, o ouvinte que não conhece a organização jamais entenderá a dimensão deste feito. Todos que acompanharam o K-1 sabiam que ali acontecia algo único, embates de gênios das artes marciais.

Seria impossível contar toda a história do K-1 aqui, mas o objetivo é apenas instigar os leitores para que conheçam melhor ou revisitem o passado da luta em pé. E para que o fã de lutas possa correr atrás do tempo perdido, vamos listar aqui os cinco maiores lutadores da história do K-1.

1. Ernesto Hoost

Ernesto Hoost (à esquerda) em ação contra Jérôme Le Banner, outra lenda do K-1

Ernesto Hoost (à esquerda) em ação contra Jérôme Le Banner, outra lenda do K-1

A lenda dentre as lendas. Apelidado de Mr. Perfect, o holandês foi quatro vezes campeão do Grand Prix do K-1 (em 1997, 1999, 2000 e 2002).

Ernesto era um lutador completo e imprevisível, possuía um grande poder de nocaute, mas a sua marca registrada eram os fortíssimos chutes baixos. Ele pode ser considerado o Pelé do K-1.

2. Peter Aerts

peter_aerts

O “Lenhador Holandês” é apontado por diversos especialistas como o maior kickboxer da história. Esteve entre os finalistas do GP do K-1 em praticamente todas as vezes que competiu. É conhecido pelos chutes que nocauteavam qualquer ser humano. Venceu o GP do K-1 em três oportunidades, nos anos de 1994, 1995 e 1998.

3. Remy Bonjasky

Pensou em joelhada voadora, lembrou Remy Bonjasky

Pensou em joelhada voadora, lembrou Remy Bonjasky

Vencedor do GP do K-1 também em três oportunidades (2003, 2004 e 2008), Remy possui uma técnica de defesa invejável e é famosos por suas joelhadas voadoras.

4. Andy Hug

Uma das marcas registradas de Andy Hug era o axe kick, o chute da machadada.

Uma das marcas registradas de Andy Hug era o axe kick, o chute da machadada.

Um dos técnicos lutadores da história. Praticante de caratê kyokushin, era dono de um vasto arsenal de golpes tão potentes quanto plásticos. Foi campeão do GP do K-1 apenas uma vez, em 1996. Porém, o motivo do titulo solitário é triste: Andy morreu com apenas 35 anos devido a complicações de uma leucemia.

5. Semmy Schilt

Semmy Schilt usando sua principal arma contra Badr Hari

Semmy Schilt usando sua principal arma contra Badr Hari

O maior vencedor do GP do K-1, empatado com Hoost, com quatro titulos (2005, 2006, 2007 e 2009). O gigante holandês não é o primeiro da lista porque é tecnicamente inferior aos demais, porém o controle da distância, a força e o uso do caratê kyokushin fizeram dele o lutador mais dominante da história do K-1. Schilt foi também o primeiro campeão dos pesados do Glory.

Menções honrosas: Stefan Leko, Jérôme Le Banner, Badr Hari, Mirko Cro Cop e Mike Bernardo.

Tendo em vista tudo isso, é hora do leitor procurar as lutas dessas lendas e se aventurar no mundo da luta em pé. Divirta-se.

  • Airton S

    Lembremos também do Musashi.

    • Pedro Lins

      eu também sempre achei estranho, mas se tratando do Royce, um monte de coisas são dificeis de entender, né?

      Fiz só um top 5 mas ficou faltando muita gente boa como o Musashi, Le Banner, Hari e por ai vai…

      • Airton S

        Verdade. Olhaí ele como embaixador do Bellator. Dana White ganhou cabelos brancos… não, pera.

        • Pedro Lins

          hehehehe pedir coerência pro Royce é dificil. Principalmente quando “ele não estava lá” .

          • Airton S

            “ele não estava lá” – hahahahahahaha, ele mandou essa pérola se referindo à luta contra o Hughes, eu acho.

  • Airton S

    Gostei da intro sobre Ares!

    Na magia e religiões comparadas, Ares é um dos muitos nomes que se dá a uma frequência astral de caráter divino (acessível por mediunidade ou sacerdócio desde o antigo Oráculo de Delfos até os terreiros de macumba, centros espíritas e ordens magistas atuais) caracterizada pela agressividade, ímpeto, vontade, diligência (quando contida), necessidade de confronto, ira (mesmo aquela que, uma vez não canalizada para o exterior, te mata por dentro) e estados de consciência correlatos.

    No modelo da cabala hermética (derivada da judaica pelos magos da Golden Dawn apenas como diagrama visual e doutrinário adaptável para os mais diversos sistemas esotéricos), existe uma esfera chamadea GEBURAH, onde está domiciliada toda a energia de confronto, ou sejam, os supracitados deuses da guerra.

    Ares corresponde a diversas outras divindades, vide: Marte (para os romanos, daí “artes marciais”), Kali (deusa indiana destruidora do ego; coisa que muito lutador, quando alcança o estrelato, esquece de fazer), Hórus (egipício, teve que ir pra cima de Set pra vingar o derrota do pai), Hefestos e Vulcano (forjadores gregos das armas mágicas na lava, e aí dá pra fazer uma relação com o corte de peso na banheira fervente), Ogum (nos cultos afrobrasileiros é aquele que abre caminhos, i.e. Joe Silva; também me lembra Cezar Mutante mandando a meia-lua capoeirista), Thor (e seu carro que cruza os céus tanto quanto as “passadas de carro” que eventualmente vemos, ou seu martelo similar ao “mata -cobra” que resolve situações nas divisões mais pesadas), São Jorge (derrotou o Dragão: Shogun, quando tomou a cinta na LHW?), Joana D’Arc (guerreira feminina: nossas saudações a Ronda, Miesha, Zingano e boas-vindas à nova categoria palha), Guan Yu e Bishamonten (respectivamente Japão e China, generais honrados do oriente) etc.

    Esta sefira da guerra corresponde, no hinduísmo e yoga, ao chacra Vishuda: ele se localiza na garganta e serve pra entoar o mantra que pacifica e harmoniza o espírito (tão precioso nos iminentes momentos de verborragia do Bruce Buffer) ou para emitir o comando verbal da operação mágica. Do ponto de vista facilitador, é o grito que encerra o golpe: o “kiai”, no karatê, que otimiza a potência do golpe. Dissonante, é o pomo de adão comprimido num mata-leão estratégico que leva o contendor a dar os três tapinhas.

    Na astrologia, o indivíduo cuja carta natal apresenta Marte na Casa 5 tem grandes chances de virar praticante ou fã de esportes de contato, agressivos… inclua-se aí o MMA.

    E estes foram meus dois centavos sobre a relação MMA e as artes iniciáticas.

    • Pedro Lins

      mano, que colcha de retalhos.. hehehehe

      • Airton S

        Tava tomando umas enquanto escrevia e me empolguei. Voltemos à programação normal.

    • Muito maneiro!

  • Rodrigo13

    K-1 era sensacional… Vale lembrar também de Ramon Dekkers, Buakaw, Mike Zambidis…

    • Pedro Lins

      sempre vai faltar um na lista, foi a era de ouro da trocação, só tinha monstro…

    • Buakaw = mito. Ótimas lembranças.

  • Diego Cavera

    Só monstros da trocação, Andy Hug com seus chutes plásticos era lindo de ser ver, era pura arte, Mr Perfect com seus chutes baixos brutais faziam muito estrago, Mike Bernardo o boxeador do K-1, menções honrosas tbm á Francisco Filho, que fez história já derrotando o Bonjasky, nocauteando o Hoost e sendo o algoz do Hug vencendo em 2 ocasiões, uma no karatê,ah e tem o Ray Sefo que era sinônimo de show, eu sempre recomendo a luta do Hunt x Sefo, aquilo é aula, os 2 trocando pedradas com a guarda baixa e se provocando, muito respeito ao K-1, bela matéria.

    • Pedro Lins

      Na minha opinião o Andy era insuperável quando o assunto é plasticidade, ele tem um pouco de Senna, já que partiu prematuramente e no meio da carreira. Francisco Filho é um ótimo lutador, fez frente a todo mundo ai e grandes lutas no k-1 foram inúmeras. Qualquer uma do Ernesto x Peter já vale muito a pena assistir… hahahaha

    • Francisco Filho merece a lembrança também.

  • Leo Corrêa

    Joguei muito nas antiga um jogo do k-1 para playstation (e foi assim que eu conheci este campeonato). Tempos gloriosos!

    • Pedro Lins

      na época eu achava o jogo o máximo…

    • Opa, já passei meia hora no camelódromo da Uruguaiana jogando K-1 com meu primo, eu de Bonjaski e ele de Aerts (se não me engano).

    • Rafael Bortoli Debarba

      q jogo eh esse? pra qual play?

      • Leo Corrêa

        Era para playstation 1. salvo engano era o segundo jogo da série.

  • Rafa FriAll

    Eu também considero o Aerts o maior lutador da história do K1, apesar de Hoost e Hug terem sido melhores técnicamente. Ah, e por falar em Hoost, ele deveria mudar esse apelido de Mr. Perfect após ser derrotado pelo Bob Sapp…por 2 vezes ainda.

    • hehehehehe

    • Pedro Lins

      mas tem que levar em consideração que o Bob Sapp daquela época era um outro Bob Sapp. Venceu usando da força fisica e da pressão. Vc pode ser muito mais técnico que ele mas com a diferença de força e peso, se uma mão entrar, já era… ademais pra mim a segunda luta pra mim foi mal interrompida. Faltavam uns 10 segundos pra terminar, o Ernesto estava ganhando, o Sapp colocou uma pressão encurralando e o juiz encerrou, sendo que o Ernesto já tinha passado por momentos piores e já havia colocado pressão maior em outros momentos da luta.
      Quanto ao Aerts, as estatisticas não mentem, ele e todos os outros são inferiores ao Ernesto, dá uma olhada:

      Ernesto: 4×1 Aerts, 1×0 Wessels, 0 x 1 Bonjasky, 3 x 1 Hug, 0 x 2 Schilt, 0 x 2 Sapp, 3 x 2 Le Banner, 1 x 0 Mike Bernardo, 3 x 0 Stefan Leko, 3 x 0 Ray Sefo, 2 x 0, Crocop e 1 x 0 Musachi.

      Aerts: 1 x 4 Ernesto Hoost, 0 x 1 Wessels, 1 x 0 Bonjasky, 2 x 2 Hug, 3 x 2 Schilt, 1 x 0 Sapp, 3 x 1 Le Banner, 3 x 3 Mike Bernardo, 0 x 2 Stefan Leko, 2 x 1 Ray Sefo, 0 x 1 Crocop e 2 x 1 Musachi.

      Ernesto tem um restrospecto melhor contra o próprio Aerts e Wessels, Hug, Bernardo, Leko, Ray Sefo, Crocop e Musachi. Enquanto o Aerts tem apenas com o Bonjasky, Schilt, Sapp e Le Banner…

      • Rafa FriAll

        Pode ser tudo isso, mas prefiro o Aerts, heheheh.

  • Nathan Oliveira

    Filho poderia entrar ai… No jogo pelo menos, sempre foi minha preferencia, rsrs.

    • Pedro Lins

      eu jogava com o Aerts…

    • Rafael Bortoli Debarba

      sou fa do hari

  • Malk Suruhito

    Pelo histórico dos grandes campeões e lutadores, pode-se dizer qual é a Arte Marcial Suprema da trocação?

    • Pedro Lins

      Pergunta dificil. Eu penso que não existe arte melhor, mas o lutador melhor. Até mesmo porque estilos fazem lutas. Veja por exemplo o Ernesto Hoost, que teve dificuldade com a brutalidade do Sapp e a envergadura do Schilt. Já o Aerts tem um retrospecto positivo contra os dois, mas tem um negativo contra o Ernesto. Ou o Lyoto que tem um ótimo estilo para enfrentar o Jon Jones, mas tem um ruim pra enfrentar o Shogun que por sua vez tem um estilo ruim pra enfrentar o Jones. Estilos fazem lutas.
      Outro ponto relevante, é que muitos estilos de trocação não tem como objetivo competições e sim situações reais de combate. Logo por não poderem usar golpes que possam matar o oponente saem prejudicados em competições.
      Mas a sua pergunta foi MUITO boa. Esse é o nível do MMA Brasil.

      • Malk Suruhito

        É que eu sempre lembro da vontade do mestre Lee Jun-Fan em criar a arte marcial perfeita. Ai lembro que a figura mais notória em competições que luta Jeet Kune Do é o Tim Boetsh.
        Mas eu tenho a impressão pessoal de uma ligeira vantagem do Muay Thay/KKB, com o Kyokushin vindo em segundo por este TOP-5.

        • Pedro Lins

          Em competição eu também vejo assim, mas em um combate real ai é outra conversa. Wing Chun, Krav Maga, Aikido são artes muito eficientes também em uma luta valendo a sobrevivência.

  • edu machado

    Menção honrosa, bob sapp invicto contra o ernersto hoost kkkkkkkkkkkk

    • Rafael Bortoli Debarba

      hahaha

  • Willian Henrickson

    Lindo!!

    • Pedro Lins

      obrigado