O jiu-jítsu está perdendo espaço no MMA?

Resultados recentes têm deixado os especialistas em jiu-jítsu sem a larga vantagem que a arte marcial tinha nos tempos iniciais do MMA, a era do vale tudo. Há uma resposta para o fenômeno?

Nos primórdios do vale tudo, quando os lutadores se valiam muito mais dos seus aspectos físicos, como força bruta, resistência e condicionamento físico, uma arte marcial se destacava das outras por ir totalmente pelo caminho oposto: o jiu-jítsu.

Isso foi visto claramente nas primeiras edições do UFC, quando Royce Gracie, sempre devidamente trajado com seu quimono, tornou-se campeão dos torneios das edições 1, 2 e 4 do UFC, vencendo lutadores muito maiores e pesados que ele (Kimo Leopoldo e Dan Severn são alguns exemplos) usando apenas a arte suave. Isso deu ao jiu-jítsu ares de arte marcial imbatível e dominante. Posteriormente, já com o vale tudo transformado em MMA, Royce finalizou o gigante Akebono Tarô, em 2004, no K-1 Premium Dynamite, com uma omoplata, algo extremamente difícil no MMA, dando ainda mais força à imagem do jiu-jítsu brasileiro no cenário internacional.

Royce não foi o único que fez carreira no MMA utilizando-se da arte suave. Rodrigo Minotauro, Rogério Minotouro, Ricardo Arona, Paulão Filho, Fabrício Werdum e Murilo Bustamante também foram grandes disseminadores do jiu-jítsu na década passada.

Hoje, 24 anos depois dos primeiros passos de Royce no octógono, a arte marcial desenvolvida por sua família vem perdendo força e espaço no MMA. Numa época em que os maiores nomes do jiu-jítsu estão migrando para o MMA – como Rodolfo Vieira, Bruno Malfacine e Mackenzie Dern – a modalidade está deixando de ser o aspecto que dita o ritmo, o controle e onde o combate irá transcorrer.

Podemos usar como exemplo o meio-médio do UFC Demian Maia, um dos lutadores que mais bem adaptou o jiu-jítsu ao MMA. Mesmo sendo um ás do Brazilian Jiu-jitsu, Maia não conseguiu aplicar seu jogo quando confrontado por alguém com o mesmo nível de grappling, porém, em outra modalidade, como quando ele enfrentou Chris Weidman, Jake Shields, Tyron Woodley, na segunda disputa de cinturão da sua carreira e, mais recentemente, contra o jovem Colby Covington, atletas que possuem alto nível no wrestling. Assim como Demian, podemos citar Gilbert Durinho, Augusto Tanquinho e Ronaldo Jacaré, todos multicampeões de jiu-jítsu, mas que sucumbiram diante de adversários com o mesmo nível na luta agarrada.

Para entender melhor o que pode estar acontecendo, o MMA Brasil bateu um papo com um dos grandes profissionais da área, Alan “Finfou” do Nascimento. Duas vezes campeão mundial, três vezes campeão europeu e três vezes campeão brasileiro de jiu-jítsu, Finfou, além de possuir um vasto currículo na arte suave, é atualmente o técnico de jiu-jítsu na Allstars Training Center, na cidade de Estocolmo, onde treina diversos lutadores de MMA, um deles o ex-desafiante dos meios-pesado do UFC, Alexander Gustafsson, um dos maiores nomes da categoria.

Questionado sobre o assunto, Alan foi direto ao ponto. Na sua opinião, o jiu-jítsu continua sendo uma grande potência dentro do esporte, mas, com o grande aumento no nível técnico e na preparação dos atletas, talvez os representantes da arte marcial estejam com mais dificuldade de imprimir o seu jogo nos combates.

Alan Finfou:

“Eu acho que, como toda arte marcial, o nível dos atletas de MMA cresceu muito. Isso é o resultado da excelente preparação que os atletas mostram em todas as áreas. Até mesmo o nível nas competições do próprio jiu-jítsu está muito mais alto do que antes, não só na faixa preta. Da azul em diante, já há atletas profissionais que só fazem treinar e competir. No MMA, então, eu acredito que a grande maioria dos atletas de hoje sabe lutar no chão. É claro que existem uns que se destacam por terem mais habilidade no chão do que outros. Para mim, no modo geral, o jiu-jítsu não caiu no MMA, e sim o nível dos atletas e das competições na modalidade que ficaram mais altos.”

Outra discussão é o grande crescimento que o wrestling passou a ter no MMA. Cada vez mais, a modalidade vem ganhando espaço, se consolidando e assumindo o posto que um dia foi do jiu-jítsu. Para o lutador e treinador, o wreslting é definitivamente o melhor caminho para os atletas que buscam a vitória no solo e essencial para qualquer grappler.

“Na minha opinião, o wrestling é o maior complemento para qualquer atleta de chão. O MMA começa em pé e todo lutador de jiu-jítsu com certeza quer levar a luta para o chão. O wrestling é a melhor maneira de se conseguir isso.”

Agora queremos saber a opinião dos leitores do MMA Brasil. Vocês acreditam que o jiu-jítsu está perdendo o seu espaço no MMA? Deixem suas opiniões nos comentários!