O futuro dos meio-médios no UFC

Por Alexandre Matos | 15/07/2009 21:00

A despeito da goleada sofrida na enquete do MMA-Brasil.com, quando 75% dos visitantes votaram na vitória de Thiago Pitbull, Georges St-Pierre mostrou que não tem adversários entre os meio-médios. Depois de varrer Matt Hughes, BJ Penn (duas vezes cada um), Matt Serra, Jon Fitch, Josh Kosheck, Sean Sherk e Karo Parysian, GSP completou a limpeza da divisão no UFC 100, ao vencer Pitbull de modo categórico e com superioridade assustadora, que era considerado por muitos o adversário mais perigoso desta lista. Quando muitos duvidavam da capacidade de St-Pierre quedar Thiago, o canadense não só o fez, como repetiu a tática por mais nove vezes, em muitas delas parecendo que derrubava um iniciante.

    Como parar Georges St-Pierre?

Se eu soubesse, não estaria aqui escrevendo isso e sim treinando para derrotá-lo ou, sendo mais realista, empresariando alguém capaz de colocar em prática o plano. St-Pierre atropelou Penn, lutador veloz, bom de boxe e com jiu-jitsu de ponta. Tratorizou Matt Hughes, considerado por muito tempo o melhor wrestler peso por peso da história do UFC. Lutou por 25 minutos em alto nível, sem deixar a intensidade cair e sem tomar conhecimento de Jon Fitch, wrestler habilidoso e muito voluntarioso. E agora varreu, sem se expor na trocação e abusando dos takedowns, Pitbull, um striker mais forte do que ele, perigosíssimo na luta em pé e com excelente defesa de quedas.

Talvez a solução seja Georges enfrentar um lutador completo, que consiga imprimir um plano variado. Alguém que transite em alto nível entre o stand up, o clinch e a luta de chão. Alguém que seja ágil e inteligente o suficiente para escapar do timing preciso do canadense. Ou seja, precisaria enfrentar outro Georges St-Pierre. Infelizmente (para o esporte) isso só é possível em videogame.


    O futuro de Thiago Pitbull

Thiago ganhou muita experiência com esta luta e tem tudo para complicar um pouco mais a vida do campeão em uma revanche no futuro. Com apenas 25 anos, Pitbull tem muito a evoluir e o aprendizado do passeio levado no UFC 100 vai ajudar muito neste processo de amadurecimento profissional. Dentre os possíveis adversários de St-Pierre, Thiago é o que mais reune condições de ter sucesso em uma revanche futura. E, no caso específico de GSP subir de categoria (fato explanado abaixo), Thiago seria possivelmente o maior beneficiado do cinturão vagar.

    O futuro de GSP e da divisão

Imaginar que Dana White possa trazer Jake Shields e Nick Diaz para o UFC é esperar por algo que pode não se materializar. E contra eles, ainda pesa o fato de ambos serem tecnicamente menos capazes que GSP, ou seja, não são garantia de trazer equilíbrio para a divisão no UFC.

Em relação ao campeão, ele nada mais tem a provar, depois de limpar a divisão. Por enquanto, vamos aguardar as especulações de uma luta em catchweight entre GSP e Anderson Silva, que eu não acredito que vá acontecer, pois não sei se Anderson irá se submeter a um corte de peso ainda mais rigoroso do que faz para lutar entre os médios. O que temos como certo é que o próximo adversário do Rush pelo cinturão dos meio-médios sairá do duelo entre o americano Mike “Quick” Swick e o dinamarquês Martin Kampmann, conforme antecipado na transmissão do UFC 100 na TV americana pelo matchmaker do UFC, Joe Silva. Seja lá qual dos dois entrar no octógono contra Georges, representará um desafio menor do que Thiago, BJ ou Hughes levaram ao campeão.

Talvez Dana White possa baixar de categoria lutadores como Demian Maia, Yushin Okami ou Rousimar “Toquinho” Palhares. Se pensarmos que Diego Sanchez começou como peso médio e hoje luta entre os leves, não são absurdos estes exemplos. Pensar em GSP lutando entre os médios só deve ser feito após a aposentadoria de Anderson Silva, como o próprio canadense deixou subentendido na entrevista pós-luta no UFC 100.

Alguns podem imaginar que, com a falta de desafios, St-Pierre possa se desmotivar, tornar autoconfiante em excesso e diminuir o ritmo de treinamento, aumentando assim a possibilidade de derrota. Sinceramente acho muito difícil que isso aconteça. GSP já passou por momento de salto alto na carreira quando perdeu para Matt Serra contra todos os prognósticos. A resposta do canadense foi uma sequência avassaladora de vitórias incontestáveis, sobre adversários de alto nível. E mesmo que se sinta desmotivado, ele apenas chegaria ao ponto em que Anderson se encontra hoje, depois de limpar a divisão dos médios do UFC. O Spider nitidamente se poupou em suas últimas apresentações contra Patrick Coté e Thales Leites, mas sem que isso significasse algum risco de derrota. Georges é um atleta diferenciado até neste ponto: assim como Anderson, ele sabe exatamente onde quer chegar. E o local não é de fácil acesso, tampouco alcançado por muitos. Georges St-Pierre luta pelo seu legado, para se tornar o maior lutador peso por peso da história do UFC. E para chegar a este ponto não pode se dar ao luxo de ter salto alto ou qualquer tipo de sem-vergonhice que o valha.

O Rush é um dos maiores lutadores da história do esporte e está apenas chegando em seu auge. Seu comportamento ético e sua técnica refinadíssima inspiram os torcedores. É, junto com Anderson Silva e Lyoto Machida, um campeão sem adversários aparentes. E assim a divisão dos meio-médios tende a continuar parada em seu topo.

Fundador e editor-chefe do MMA Brasil. Colunista do site oficial do UFC. Prestes a se aposentar e virar colunista especial do próprio site.