O “Clube dos Cinco” do MMA ganhou o sexto membro

Por Alexandre Matos | 18/04/2017 01:40

De uns anos pra cá, sempre que penso numa lista de melhores lutadores da história do MMA, me vem à cabeça o filme “Clube dos Cinco” (The Breakfast Club), seja porque sempre listo cinco nomes, ou porque são cinco pessoas de personalidades, talentos e realizações diferentes. Ou porque é um filme legal mesmo, que me recorda as sessões da tarde de um tempo em que minha maior preocupação era não ter o mesmo destino dos adolescentes do filme.

Alguns de vocês devem estar se perguntando por qual motivo eu penso nisso se vivo dizendo que ranking peso por peso é cretinice. Eu continuo achando que comparar um peso mosca com um pesado é um tanto bizarro e pior ainda se forem lutadores de épocas diferentes. Às vezes eu me sinto pateta discutindo isso. Mas quem nunca?

Faz um certo tempo que eu listo Anderson Silva, Fedor Emelianenko, Georges St. Pierre, Jon Jones e José Aldo, não necessariamente nesta ordem – até porque ordenei alfabeticamente aqui – como os maiores/melhores lutadores que o MMA produziu. Cada um a seu modo, esses caras escreveram alguns dos mais sensacionais capítulos da história das artes marciais mistas, com recordes a rodo, de toda sorte.

No fim das contas, o que vocês querem mesmo saber é qual deles é o melhor de todos.

Jon Jones é um trocador versátil e criativo, mesmo tendo origem na luta olímpica (Foto: UFC.com)

Jon Jones é um trocador versátil e criativo, mesmo tendo origem na luta olímpica (Foto: UFC.com)

Há quem diga que é o Spider. Dos cinco, Anderson provavelmente é o que menos domina todas as áreas do jogo, mas certamente é o que alcançou o nível mais elevado em um desses pontos. Existe quem defenda que Bones seja o maioral, afinal ele choca o mundo desde cedo sempre trazendo novas nuances, novos truques, vencendo gente da pesada em seus fortes. GSP é apontado por outra leva, o cara que provavelmente tem menos buracos dentre todos, que sempre foi um superatleta e que joga magistralmente nas onze.

O Último Imperador também é apoiado por uma horda barulhenta de fãs, que, com justiça, exaltam o fato de um sujeito baixo, com naipe de padeiro e fisionomia de quem espera a de fora no dominó na praça, ter ficado 10 anos invicto numa categoria em que o fim está mais próximo do que o muro da Fórmula Indy. Correndo por fora vem o Junior, cidadão que levantou um sistema defensivo quase inexpugnável e que, ofensivamente, tem uma origem e virou especialista em outra área.

As discussões vão longe e rendem bate-bocas que lembram torcedores de futebol defendendo suas agremiações em botequins Brasil afora. Nunca se chegará a um consenso – eu mesmo já mudei de ideia várias vezes. E agora ficou ainda pior, porque o Clube dos Cinco ganhou um novo membro. Quem ainda acha que Demetrious Johnson não faz parte desse seleto grupo precisa rever seus conceitos. Ou tratar seus preconceitos.

O Mighty Mouse igualou o incrível recorde de 10 defesas consecutivas do cinturão do UFC que pertencia apenas a Anderson. Johnson é um superatleta e obediente taticamente como St. Pierre, montou uma defesa sólida como a de Aldo, é versátil no ataque e vence os oponentes em seus pontos fortes como Jones, é frio e oportunista como Emelianenko. Porém, Demetrious não tem uma característica que os outros cinco possuiam. E talvez isso seja um belo diferencial.

Cada um a seu modo, os cinco eram apontados como futuras estrelas, o talento transbordava desde cedo. Johnson, não. Até chegar ao UFC, ele era mais um. Mesmo no UFC. As vitórias iniciais sobre Kid Yamamoto e Miguel Torres foram grandes resultados, mas longe de terem sido grandes atuações. O trabalho dado a Dominick Cruz pareceu obra do acaso quando ele quase foi jantado na luta seguinte, no controverso empate contra Ian McCall. Foi a partir dali que Matt Hume foi mais “Mago” do que nunca. Já no combate seguinte, a revanche contra McCall, Demetrious parecia outro lutador. No caminho da evolução, nunca mais olhou para trás. Conquistou o cinturão inaugural, nunca o largou e parece cada vez melhor quando sobe novamente no octógono.

É uma pena que um monstro dessa magnitude jamais seja a estrela que seu talento merece. Jamais enriqueça como seus pares. Nunca atraia a atenção devida. Na verdade é mais pena para os fãs do que para ele. Muitos dizem que desligam a TV ou mudam de canal quando ele luta. As audiências, recordes negativos em seu portentoso histórico, mostram que ninguém se importa com um sujeitinho de 1,60m, mesmo se for o melhor do mundo contando todas as categorias na atualidade. No fundo, eu me pergunto que tipo de fã não gosta de ver atuações como a de sábado, ou contra Henry Cejudo, John Dodson, Tim Elliott. O nocautaço sobre Joseph Benavidez. A busca incessante pela finalização em lutas já definidas. A perseguição pela inalcançável perfeição.

Como bem disse Dave Doyle no MMA Fighting, se você achou essas lutas chatas, talvez MMA não seja para você.

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Fundador e editor-chefe do MMA Brasil. Colunista do site oficial do UFC. Prestes a se aposentar e virar colunista especial do próprio site.