No excelente UFC 209, Tyron Woodley mantém cinturão em luta totalmente esquecível

O UFC 209 teve duas viradas antológicas, uma das melhores lutas do ano até agora, mas acabou de maneira lamentável. Tyron Woodley venceu Stephen Thompson numa das piores disputas de cinturão da história.

As disputas de cinturão do peso meio-médio do UFC renderam as melhores lutas dos anos de 2014, 2015 e 2016. Chega 2017 e o excelente UFC 209 abriga o provavelmente pior duelo de título da história da organização. Stephen Thompson foi menos pior, mas perdeu os únicos 30 segundos decentes e viu Tyron Woodley sair com a coroa.

Mais tensão do que luta nos dois primeiros rounds. Thompson se posicionou de modo a encurralar Woodley na grade. O campeão, por outro lado, se mantinha a uma distância segura da tela como se estivesse pronto para disparar uma queda em direção ao centro do octógono. Porém, quase nada aconteceu. Vantagem para o desafiante em duas parciais que poderiam ter sido marcadas como 0 a 0.

No terceiro, Woodley finalmente percebeu que Thompson não acelerava e avançou para o clinch e dali para o double leg perto da grade. O campeão não fez muito no chão, mas abriu vantagem num cenário pobre de movimentação. Quando Thompson voltou em pé, o combate lembrou as duas parciais anteriores. Woodley diminuiu a desvantagem para 29-28.

Tudo parecia a mesma ladainha até a reta final. Woodley esperava o momento que nunca chegava de acertar uma mãozada e Thompson, com receio de levar a tal mãozada, fazia pouco. Nos 30 segundos finais, antes tarde do que nunca, bateu o senso de urgência no campeão. Woodley explodiu em sequência de socos e mandou Thompson a knockdown. O desafiante se levantou e conseguiu resistir até o fim. Tyron não conseguiu o nocaute por pouco.

Na contagem do MMA Brasil, 48-47 Thompson. Como Woodley venceu os únicos rounds que não foram inteiramente nojentos, acabou levando a vitória por decisão majoritária quando dois juízes marcaram 48-47 para o campeão e o terceiro anotou empate em 47 pontos. Nem dá para reclamar de garfo, já que ninguém mereceu vencer. E se ninguém mereceu vencer, o cinturão fica com o campeão.

David Teymur surpreende Lando Vannata na melhor luta da noite

Lando Vannata tinha a responsabilidade de justificar o hype depositado nele. David Teymur não tinha nada a perder. O resultado foi mais uma luta sensacional no UFC 209.

Excelente primeiro assalto disputado por Vannata e Teymur. O americano abusou da criatividade nos chutes rodados, socos em ângulos diversos, cotoveladas, entradas rápidas para quedas. Porém, sua postura ereta e guarda baixa, que o deixam em perigo algumas vezes, foram brechas bem exploradas por Teymur.

O nível seguiu elevado no segundo round, inclusive com um genial chute rodado de Vannata aplicado enquanto segurava uma perna de Teymur depois de defender um chute do rival. Porém, de tanto se manter ereto, de guarda baixa, encaixando golpes, o americano deu espaço para o sueco pontuar e empatar a luta.

Teymur aumentou a pressão no terceiro e variou o jogo com entradas de quedas que confundiram a já deficitária defesa de Vannata. Mais momentos plásticos de lado a lado, mas o sueco estava sempre um passo à frente. Em momento algum Lando pareceu preocupado em evitar que os golpes de David entrassem. Uma luta que parecia em suas mãos escorreu pelos dedos.

Daniel Kelly frustra estreia de Rashad Evans no peso médio

Com uns cinco anos de atraso, finalmente Rashad Evans estreou como peso médio. Não mudou muito. Com seu estilo de mais vontade do que técnica, Daniel Kelly chegou à quinta vitória seguida.

Evans pareceu ágil no começo, socando e chutando com velocidade. Ele demorou a acelerar, o que era compreensível para um sujeito que vinha numa fase tão difícil. Kelly chegou a disparar um cruzado potente, mas assustou pouco. Rashad acertou uma queda e um belo chute no corpo no estouro do cronômetro, garantindo o 10-9 inicial.

Na segunda etapa, Rashad aceitou muito a luta na curta distância, situação que beneficiava o judoca australiano. Kelly quase derrubou com um uchi mata e abriu alguma vantagem com bons golpes curtos. Depois de uma interrupção por dedo no olho acidental aplicado pelo americano, Evans tentou ficar mais ativo no boxe, acertou um single leg quase na altura de ankle pick, mas não manteve o oponente no solo e não conseguiu virar a parcial.

A diferença técnica era visível a favor de Rashad, mas pareceu que faltou o resto todo para o americano. Ele demorou muito para perceber que a postura do australiano pedia uppercuts e insistiu muito nos ganchos por fora da guarda alta de Kelly. O assalto foi bem movimentado, mas a pressão de Daniel nivelou as ações por baixo. Rashad até venceu o assalto, mas não a luta. Na contagem oficial, dois juízes anotaram 29-28 para Kelly e o outro marcou o mesmo placar, mas para Evans.

Cynthia Calvillo passeia no chão e finaliza Amanda Cooper na estreia

O Team Alpha Male é uma fábrica de produzir bons grapplers. Cynthia Calvillo foi a bola da vez. Ela não tomou conhecimento da vice-campeã do TUF 23, Amanda Cooper.

Nem parecia que era a estreia de Calvillo. Ela se mostrou à vontade no octógono, mesmo quando houve equilíbrio na troca de golpes em pé. Quando Amanda telegrafou um chute alto, Cynthia agarrou o golpe e conseguiu a primeira queda. A luta então ficou desigual.

Cooper tentou escapar e aplicar uma queda, mas Calvillo retribuiu quase com um tomoe nage para cair por cima. Primeiro ela tentou um triângulo de mão, mas inteligentemente abriu mão da posição para pegar as costas de ABC. Dali foram duas tentativas de mata-leão. Na terceira, a representante do Team Alpha Male espalhou o frango, pesou nas costas de Cooper e fez a rival batucar na marca de 3:19 de luta.

Thai clinch de Alistair Overeem dá cabo de Mark Hunt

Quando a longa distância não estava rendendo e as quedas não estavam saindo, Alistair Overeem voltou às raízes. Com um incansável trabalho de clinch, o holandês nocauteou Mark Hunt na disputa de ex-campeões do K-1.

O primeiro round foi tenso. Ao tentar um chute, Hunt cravou a canela no joelho de Overeem e viu abrir um rombo profundo. O holandês percebeu e passou a mirar as pernas do neozelandês com chutes e pisões frontais. Quando Alistair tentava a aproximação para a queda, Hunto abaixava a cabeça como se deixasse acontecer um choque com a cabeça do rival. Com a pouca movimentação do assalto, vantagem dos golpes mais contundentes de Hunt, mas com margem para 10-9 a favor de Overeem.

O ritmo de Hunt baixou no segundo assalto e Overeem conseguiu abrir uma pequena vantagem, principalmente trabalhando no clinch e duas joelhadas de encontro no corpo. Pouco depois da metade da parcial, Mark acertou uma cotovelada que balançou o oponente. Alistair se protegeu, atraiu Hunt, mas o “Super Samoano” perdeu a pressão. Novo clinch com domínio de Overeem e outro susto com uma cotovelada de Hunt. No fim, Hunt tentou uma combinação, mas estava contra a grade. Luta empatada, com possibilidade de 20-18 para Overeem.

Overeem usou uma estratégia clara na terceira etapa: ficar nas duas extremidades da distância, seja longe a ponto de dar as costas e correr, seja no clinch. Foi nesta última que Overeem decidiu a parada. Quando o holandês acertou uma cotovelada dura, abriu a defesa de Hunt. Foi o suficiente para duas joelhadas insanas entrarem no thai clinch. Hunt caiu quase de cara no chão quando o cronômetro marcava 1:33 do terceiro round.

Foto de destaque: Esther Lin/MMA Fighting