Mundial PRO de Jiu-Jítsu 2016: não é sobre resultados, é sobre respeito

Enquanto sonhamos em ver os esportes no Brasil valorizados como deveriam, os xeiques dos Emirados Árabes Unidos abrem um oásis para que profissionais do jiu-jítsu levem a arte suave para o mundo - e desenvolvam os atletas locais.

O WPJJC 2016, o Campeonato Mundial Profissional de Jiu-Jítsu, mostrou mais uma vez como o amor dos xeiques árabes pelo jiu-jítsu ajuda o esporte a crescer.

Na semana que passou, tivemos mais uma edição do World Pro organizado pela UAEFJJ, a federação de Jiu-jítsu dos Emirados Árabes Unidos. O campeonato distribuiu 700 mil dólares em prêmios e mostrou mais uma vez a estrutura impecável dedicada ao jiu-jítsu naquele país.

Neste ano eu não vim trazer os resultados das categorias de peso e absoluto, isso vocês podem encontrar em outros sites especializados, ou talvez muitos até tenham acompanhado as finais pelo canal Combate. Dessa vez vim analisar o World Pro 2016 por um outro prisma: o do respeito dado ao jiu-jítsu.

Não é novidade para ninguém o quanto nossas configurações políticas, sociais e culturais enfraquecem o esporte no Brasil. E não se trata de um discurso de brasileiro “vira-lata”. Esta fraqueza se torna um dos principais fatores para exportarmos grande parte dos nossos melhores atletas para capacitação de outros mundo afora. Dificilmente conseguimos reter os nossos campeões, que facilmente conseguem melhores oportunidades em outros países. Falando de jiu-jitsu, um dos principais destinos são os Emirados Árabes.

Respeito ao Jiu-jitsu

No país sede do World Pro, o salário de um professor de jiu-jitsu gira em torno de 4 mil dólares americanos. E os benefícios são ainda maiores, como plano de saúde para o faixa-preta e sua família, um apartamento mobiliado e férias de um mês. Nada mal, né?

Lá, o jiu-jitsu é ensinado nas forças armadas e em escolas, na sexta e sétima séries do ensino fundamental. Eles veem benefício nisso. E já estão colhendo os frutos. Inclusive um atleta local foi campeão mundial na faixa marrom na sua categoria de peso. Ponto para eles.

Neste ano, não acompanhei ao vivo, mas no ano passado assisti através de um link do maior canal de esportes da TV aberta do país. Sim, eles transmitem jiu-jitsu em canal aberto. Aqui, só em canal fechado, em pay-per-view, a um custo de 75 mangos por mês, mais pacote. Talvez o jiu-jitsu brasileiro seja mais emiradense do que podemos imaginar.

Os responsáveis por isso tudo, herdeiros da família real local, sentam na primeira fila e cumprimentam os lutadores ao término das finais. Em se tratando de família real, imagine o quanto isso representa em relação ao respeito. Os lutadores de jiu-jitsu são tratados como astros no país.

Por enquanto, os brasileiros continuam reinando, tanto no peso, quanto no absoluto. Mas não sei por quanto tempo, pois essa estrutura dada ao esporte me faz vislumbrar um futuro brilhante para os jiu-jiteiros e cidadãos emiradenses. Em todos os âmbitos, pois não tratam o esporte apenas como entretenimento e sim como ferramenta de mudança.

Prometi não trazer os resultados, né? Mas no quesito respeito ao jiu-jitsu, vocês, xeiques, são campeões no peso e absoluto. Talvez não façam ideia do benefício que estão trazendo para seu próprio país. E também o quanto tornam a vida dos que sonham em viver do esporte um pouco mais esperançosa.

Oss!

  • André Guilherme Oliveira

    Massa Gustavo, também acho muito foda o trabalho e respeito dado ao Jiu por aqueles lados de lá. É algo a ser aplaudido e se possivel adaptado para os lados de cá também.
    O Brasil ainda domina o esporte, mas é um quadro que deve mudar na proxima decada.

    • Gustavo Menor

      Já aconteceu no futebol e em breve acontecerá com o BJJ, André. Talento sustenta até um certo ponto. Estrutura conta demais! Valeu pela ideia. Abs

      • André Guilherme Oliveira

        Poize man, aqui em Ouro Preto temos três locais onde o ensino e praticamente gratuito e aberto a toda a comunidade, inclusive dois dos locais sendo dentro da Universidade Federal local. Ainda assim a procura e pouca, e mesmo tendo cerca de dez mil estudantes na universidade e igual número de jovens na cidade, não somos mais do que 50 alunos juntos nas três iniciativas. Ainda é pouco, mas a galera é unida e ainda vamos crescer. Um dia chegaremos lá.

        • Tomara! Se quiser mandar um texto sobre o projeto, me avisa.

          • André Guilherme Oliveira

            Poxa cara, eu não vou me arriscar, mas se você abrir o espaço vou pedir para os meus mestres falarem um pouco de cada iniciativa e te mando. Sem compromisso nenhum.

      • Já tem gringo batendo de frente. Daqui a uma década o bagulho deve ficar doido.

    • Deve mesmo. Já tá começando a mudar.