Mundial de Judô, dia 2: Érika Miranda faz Brasil subir mais um degrau no pódio

No masculino, Charles Chibana avançava de modo perfeito, mas bateu de frente com dois japoneses na parte da tarde e ficou sem a medalha de bronze.

No segundo dia de competições do Campeonato Mundial de Judô, que está sendo disputado no Ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, quatro brasileiros entraram no dojô e mais uma medalha foi computada para o país na busca pela quebra do recorde de Paris-2011. Érika Miranda mostrou a força do judô feminino brasileiro e conquistou a medalha de prata na categoria meio-leve. Ontem, Sarah Menezes abriu as conquistas do país com uma medalha de bronze.

Érika Miranda exibe orgulhosa sua medalha de prata no Mundial de Judô (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX)

Érika Miranda exibe orgulhosa sua medalha de prata no Mundial de Judô (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX)

Este foi o terceiro mundial que Érika, sexta colocada no ranking, teve a chance de conquistar uma medalha. Nas duas vezes anteriores, no Rio-2007 e Tóquio-2010, ela perdeu a disputa da medalha de bronze. Neste ano, estreou batendo a holandesa Birgit Ente numa luta dura por ippon a 16 segundos do final. Em seguida, venceu a russa Natalia Kuziutina de modo ainda mais apertado, por três punições a duas. Miranda chegou à semifinal com outro ippon, desta vez sobre a finlandesa Jaana Sundberg.

Na parte da tarde do programa, empurrada pela barulhenta torcida, Érika disputou uma vaga na final com a romena Andreea Chiţu, terceira do ranking mundial, e a superou com um wazari no fim do tempo regulamentar.

Na decisão, o encontro com a kosovar Majlinda Kelmendi, campeã mundial júnior em 2009 e atual líder do ranking mundial sênior. Kelmendi abriu a contagem com um wazari vindo em um belo uchi mata e logo em seguida confirmou o título com um ippon por imobilização. Feliz por ter conquistado o título mundial depois de vencer uma japonesa e uma brasileira que lutava em casa, Kelmendi comemorou efusivamente. Como resposta, o público brasileiro mostrou que é tão bom na hora de apoiar quanto é mal educado quando perde e vaiou a kosovar.

Esta foi a quarta vez que Érika e Kelmendi se enfrentaram. A brasileira venceu a primeira, mas a representante do Kosovo ganhou as demais, comprovando sua excelente fase – ela conquistou medalhas no Campeonato Europeu e no Grand Slam em 2013.

Charles Chibana aplica um ippon sensacional em (Foto: Luciano Belford / Futura Press)

Charles Chibana aplica um ushiro goshi sensacional em Mikhail Pulyaev (Foto: Luciano Belford / Futura Press)

No masculino, Charles Chibana fazia um campeonato impecável até topar com os japoneses. Na parte da manhã, ele quase pegou o equatoriano Israel Verdugo numa chave de braço, mas completou o serviço com um ippon. Na segunda rodada, o canadense Patrick Gagne foi vitimado por um sensacional ushiro goshi que resultou em ippon. Pelas oitavas-de-final, outra luta resolvida na via rápida, desta vez contra o israelense Tal Flicker, derrotado por estrangulamento. Nas quartas-de-final, Chibana precisou de apenas 35 segundos para chapar o russo Mikhail Pulyaev com outro belo ushiro goshi e conquistar mais um ippon.

O caminho perfeito da manhã colocou Chibana frente a frente com Masashi Ebinuma, japonês de 23 anos, campeão mundial na última edição e bronze nos Jogos Olímpicos de 2012. Charles já perdia por um wazari quando levou o ippon a seis segundos do fim. Na disputa da medalha de bronze, outra derrota por ippon para um japonês. O algoz da vez foi Masaaki Fukuoka.

Ebinuma conquistou o bicampeonato mundial de modo espetacular. Na final, o cazaque Azamat Mukanov o pegou num waki gatame que pareceu ter machucado o cotovelo do japonês. Ebinuma gritou, mas não bateu e o árbitro deu sinal de mate. Praticamente com um braço, Masashi sofreu um shido a um minuto do fim. Com a derrota iminente, ele explodiu num o uchi gari espetacular e aplicou o ippon derradeiro.

O Japão, escola mais forte e tradicional do judô mundial, faz campanha redentora no Rio de Janeiro, depois da vergonha (para seus padrões) passada nas Olimpíadas de Londres, quando ganhou apenas um ouro. Em dois dias de competição, os judocas japoneses já conquistaram dois títulos, uma medalha de prata e duas de bronze, liderando o quadro de medalhas. O Brasil está em quarto, atrás da Mongólia (um ouro e uma prata) e do Kosovo (um ouro).

Outros brasileiros no segundo dia do Mundial de Judô

Em luta decidida nos shidos, Luiz Revite foi derrotado logo na estreia pelo sul-coreano Cho Jun-Ho, medalha de bronze na Olimpíada de Londres. Já Eleudis Valentim passou pela argentina Abi Cardozo na primeira luta, mas caiu diante da japonesa Yuki Hashimoto no segundo combate. Hashimoto acabou a competição com uma das medalhas de bronze.

  • Victor C

    Muito legal a cobertura! Uma sugestão: a gente que é leigo no assunto acaba se perdendo com os nomes em japonês, principalmente dos golpes. Será que não rola de colocar breves explicações em parênteses ou um glossário no final dos textos? Abraços e parabéns pelo ótimo trabalho!

    • Você já viu que rola um glossário no próprio MMA Brasil? Olha lá no menu Saiba Mais. Se algum termo não tiver explicado lá, pede no comentário por ali mesmo que a gente coloca.
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      Isso ajuda?

      • Victor C

        Vou dar uma olhada lá! Valeu!