Modelo, filósofo e lutador: Tom Duquesnoy fala sobre vida dentro e fora do MMA

Em meio a um card com duas disputas de cinturão, um dos maiores talentos naturais do UFC será destaque nas preliminares do UFC 216. O peso galo francês Tom Duquesnoy fará a sua segunda luta no octógono, enfrentando o americano Cody Stamman.

Com 24 anos de idade, Duquesnoy foi campeão de duas divisões no BAMMA e foi personagem do Radar MMA Brasilalém de ter aparecido na nossa série Top 10 do Futuro. Depois de uma vitória avassaladora sobre Patrick Williams na sua estreia, ele terá um teste um pouco mais duro pela frente ao enfrentar Stamann, mas ainda é o favorito para o confronto.

MMA Brasil teve a oportunidade de conversar com um dos principais prospectos da atualidade. Tom contou sobre o que acha do seu adversário, o início da carreira na França e ainda sobre paixões fora do MMA, revelando uma formação acadêmica incomum no meio das lutas:

Qual é sua opinião sobre seu futuro adversário, Cody Stamman? Você assistiu a algumas de suas lutas? O que você pensa sobre ele?
R: Eu estou sempre assistindo aos vídeos. Às vezes, quando entro no octógono, sinto como se já tivesse lutado com o adversário contra o qual eu vou lutar. É por isso que gosto de visualizar, de assistir aos vídeos das lutas anteriores dos meus adversários, para poder saber exatamente o que devemos fazer com relação ao planejamento (gameplan).
Eu vejo o Cody muito forte fisicamente e mentalmente, um wrestler de alto nível, que tem também habilidades na área do striking. Eu acho que ele vai me oferecer tudo que tem a oferecer e sinto que faremos uma boa luta.

Quão difícil foi para você começar sua carreira de MMA na França, país onde o MMA é banido?
Na verdade, é engraçado: o MMA é proibido na França mas, ao mesmo tempo, somos uma nação incrível no que diz respeito às artes marciais. Temos um nível muito alto de boxe, wrestling, judô… isso nos torna um país de alto nível nas artes marciais, ainda que o MMA seja de fato banido em razão do lobby das federações de judô. Eu comecei praticando sambo, e, paralelamente, praticava MMA. Eu tive meu próprio caminho e ele funcionou muito bem a mim. Sambo, MMA, muay thai, boxe. Muito wrestling também… tive três pódios nacionais competindo no wrestling. Meu objetivo era capitalizar em todos os esportes que praticava, para que, quando atingisse os 18 anos, a idade legal para praticar MMA enquanto luta, eu estivesse o mais completo possível. Esse era o objetivo, e eu não acho que o fato de o MMA ser proibido na França tenha sido um problema. Porque, ao fim e ao cabo, acabou me forçando a evoluir, buscar outra cultura. Lutar na Inglaterra, na Alemanha, agora nos EUA… isso me força a evoluir, aprender novos idiomas… na verdade, estar em um país no qual o MMA é proibido chega a ser um ponto positivo para minha carreira.

Como foi sua transição do BAMMA ao UFC? Quais são as maiores diferenças entre as duas organizações?
R: Eu considero as duas como complementares. O BAMMA me ajudou muito a desenvolver minha carreira na Inglaterra e na Irlanda. Me deu bastante visibilidade, exposição, em uma organização profissional. Obviamente, não é o mesmo poder do UFC, mas é como se fosse uma espécie de pequeno UFC. Você tem o mesmo processo, deve estar pronto na semana da luta, tem a pesagem, as conferências de imprensa, etc. De uma maneira menor, mas ainda assim, às vezes, eu estava lutando em Dublin para 5000 pessoas. Isso é algo grande para o padrão europeu, então, em termos de carreira, foi muito interessante para mim me desenvolver no BAMMA. Acho que sempre fui visto por lá como um adversário de alto nível, com bom wrestling, striking… um lutador completo. Enfim, acho que o BAMMA me ajudou muito e eles me deram tudo para que eu pudesse estar o mais preparado possível para o UFC. É uma boa organização de transição.

Você sentiu um pouco de pressão em sua estreia, diante de Patrick Williams? Caso positivo, sente que isso está resolvido?
R: Na verdade, foi uma experiência incrível. A continuidade dos meus objetivos e um sonho realizado. Eu estava sentindo mais pressão, mas tudo é tão organizado que acaba ficando calmo. Na semana da luta, tudo está em ordem, é organizado, profissional… eu estava mais relaxado logo antes da luta, sabe? Então, tenho todas as razões para acreditar que estarei ainda mais calmo na próxima.

Como você se vê nos galos agora e quem você acha que seria seu adversário mais difícil?
R: O bom dessa divisão é que ela está cheia de talentos dos Estados Unidos, do Brasil, da Ásia… e é interessante que todos têm força, todos tiveram seus próprios caminhos. É muito impressionante ver todos lutando. Não tenho nenhum nome à mente, prefiro pensar que todos representariam dificuldades, cada um à sua maneira.

Quais são suas paixões fora do MMA? Como a filosofia, leitura…
R: Sim, exatamente. Sou bacharel em filosofia e literatura francesa, e sou apaixonado por isso. Especialmente filosofia. Falando nisso, estou escrevendo meu primeiro livro. Será sobre como me preparo para uma luta de MMA, então será um livro técnico, psicológico, mas filosófico também. Eu reservo um espaço no livro para falar sobre minha própria experiência, o que penso que pode ajudar na preparação para uma luta, tudo pelo qual já passei… tento colocar isso no papel para que isso possa ajudar outras pessoas.
Então, minhas paixões… escrever livros, ainda estudar filosofia… não sou o tipo de pessoa que gosta de sair, beber com os amigos, ir a festas. Me vejo sempre mais interessado em meditação, viajar ao redor do mundo, cuidar de minhas oportunidades profissionais. Eu também sou modelo, e uma das coisas que gostaria seria desenvolver uma carreira no cinema, atuando.

Quem é seu ator favorito?
R: Robert De Niro, com certeza.

Colaboração de Gilberto Morbach

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  • Pedro Carneiro

    Gosta de filosofia e do De Niro. Como não amar?

  • James sousa

    Baita entrevista

  • Idonaldo Gomes Assis Filho

    Muito foda, mais um que treina de tudo um pouco antes de entrar no MMA, grande prospecto mas o adversário é muito competente também, curioso pra luta.

  • Bruno Fares

    Bela entrevista! Parabens Biel e Gilberto!

  • Matheus Araujo

    Que homões da porra!!! Biel, Tom e o Gilberto!

    • Gabriel Carvalho

      Me tira disso aí.

  • Bruno Coelho

    Sensacional! Esse cara é o prospecto que mais me chama a atenção. E agora que fiquei sabendo que ele é versado em letras vou ficar ainda mais atento à sua carreira.

    PS. Quando ouvi o nome dele pela primeira vez, através do podcast, dei uma googleada e disse a mim mesmo “pô, tirando o nariz de pugilista, esse Duquesnoy é a cara do Albert Camus”. E não é que o maluco também curte umas filosofias. Kkkkkk.

    • Gabriel Carvalho

      Hahahahaha