MMA-Brasil.com Entrevista: Frederico Mitooka

Um técnico de ponta não é feito apenas de conhecimento teórico sobre o esporte. Ter vivido o esporte como atleta ajuda bastante. Além disso, estar aberto às novas tendências e ter relacionamento cordial com os comandados também fazem parte do rol de características de um bom treinador. Frederico Mitooka tem isso e mais. Ex-atleta de Taekwondo, formado em Comunicação, muito inteligente e bem articulado, consciente de suas responsabilidades e muito profissional, desistiu da carreira dentro do tatame para se dedicar à equipe da cidade de Piracicaba, no interior paulista. Lá ele vem construindo uma base que tem tudo para se tornar a referência do esporte no país. Com ele treinam Diogo Silva e Michael Silva, além do preparador físico Claudio Aranda. Conheça um pouco mais sobre Mitooka e preste bastante atenção no que ele tem a dizer, pois vale para qualquer esporte no Brasil. Com certeza Fred tem muito a acrescentar ao esporte nacional.

[MMA-Brasil.com] Como foi o seu começo no Taekwondo? Qual a sua história no esporte?

[Frederico Mitooka] Comecei no esporte na adolescência, quando o MMA (antigo Vale Tudo) ganhou espaço na mídia. Nunca gostei de esporte coletivo e por ter um biótipo adequado para o esporte (Taekwondo), procurei uma arte marcial que usasse as pernas. Tive uma carreira curta como atleta devido às lesões (cirurgia no quadril) e as políticas no esporte, mas posso citar a medalha de bronze no Universíade em 2003 em Daegu, na Coreia do Sul, como um feito, pois foi a primeira medalha do Brasil neste evento. Pude também ter a felicidade de aplicar o primeiro nocaute da história do Taekwondo, também neste campeonato, na luta que me garantiu a medalha. Foi o início de uma parceria de trabalho com o Fernando Madureira, que tenho como meu mestre e mentor. Atualmente, sou faixa preta quarto dan, técnico e treinador de diversos atletas de alto rendimento de todo país que se encontram aqui em Piracicaba em busca do sonho olímpico.

[MMABr] Além do Taekwondo, você teve alguma experiência em outra atividade esportiva?

[FM] Quando criança treinei Judô e depois de adulto um pouco de Jiu-jitsu, mas troquei pelo Hapkido, que se assemelha mais com o Taekowndo pelas raízes coreanas e por não ter ênfase competitiva. Mas tenho um plano de voltar a treinar o Jiu-jitsu. Só está faltando um pouco de tempo e vergonha na cara…

[MMABr] Como surgiu a equipe de Piracicaba, que você treina atualmente?

[FM] Minha carreira de atleta era divida com a de técnico, pois já tinha alguns atletas de alto rendimento e coordenava a equipe da cidade. Formei alguns campeões nacionais, mas no último ano (2008) já tinha quase 10 atletas de diversos estados morando aqui e treinando comigo. Não conseguia ter o mesmo desempenho nas duas funções. Um dia uma atleta da equipe me disse: “Fred, acho você um excelente atleta, inspira os outros com garra e determinação, mas hoje você tem uma equipe e, quando você treina, não consegue dar um bom treino.”. Isso fez com que refletisse e fizesse uma opção. Escolhi então ser treinador e poder oferecer aos atletas tudo o que eu não tive como desportista. A proximidade com os atletas e uma visão profissional do esporte fez com que diversos atletas viessem treinar aqui. Não por dinheiro, mas por estrutura e profissionalismo.

Além do treinamento, oferecemos bolsa de estudo, moradia, alimentação, atendimento médico, hospitalar e odontológico em caso de lesões durante os treinos ou competições, suplementação, entre outros benefícios que nos são dados. Porém tudo é limitado, o que nos obriga a selecionar os atletas com o perfil que possa trazer bons resultados, não importando se é agora, daqui a quatro, oito ou doze anos. Mas só investimos em atletas que se identificam com o grupo: trabalho em equipe, objetivo, disciplina, perseverança, inteligência e determinação. Estas qualidades vem de berço e sem isso não tem como fazer parte dessa equipe.

[MMABr] Como a vinda do preparador físico Claudio Aranda influenciou no seu trabalho técnico na equipe?

[FM] O Claudio é um excelente preparador físico, com bagagem internacional. É faixa preta terceiro dan e conversamos muito sobre as planificações dos treinos. Ele me acompanha nos treinos técnicos e táticos e desenvolve exercícios específicos para uma melhor performance de nossos atletas. Um diferencial em um país onde realmente as coisas ainda são amadoras.

[MMABr] Mudando um pouco de assunto: os critérios de escolha do técnico da seleção brasileira adulta não são exatamente um primor de justiça, uma vez que é apontado o técnico que mais levou atletas para a seleção. Isso pode fazer com que técnicos prefiram contratar estrelas a formar talentos? O que acha deste critério e qual seria o ideal, na sua opinião?

[FM] Aqui entramos em um assunto delicado, pois todos tem o seu valor profissional. Professores e Treinadores. Porém temos que saber diferenciar uma coisa da outra. Atletas brotam em academias e floram em centros de treinamento. Mestre é uma coisa, Treinador é outra.

Um atleta faixa preta, treinando no alto rendimento, leva em torno de oito anos pra alcançar um nível olímpico. O Brasil tem atualmente cerca de 600 mil praticantes da modalidade, porém só enviou 7 representantes aos Jogos Olímpicos em toda sua história e trouxe apenas uma medalha de bronze. Isso porque o atleta insiste em permanecer treinando em sua academia de origem, um local onde se desenvolve a base e não o alto rendimento e passam da idade de acreditar no sonho olímpico. Aqui em Piracicaba os atletas não convivem com os alunos de academia. São coisas separadas, treinam em local separado e tem objetivos diferentes. Impossível desenvolver as duas coisas no mesmo lugar.

Sobre contratar ao invés de formar atletas, tenho a seguinte visão: aqui não damos dinheiro e sim estrutura. São poucos os que recebem ajuda de custo aqui, pois nosso objetivo é dar condições para o desenvolvimento do atleta. Se todos os professores que se acham técnicos tivessem esta mesma preocupação, não haveria esta demanda de atletas nos procurando para treinar aqui. É importante lembrar que, na maioria das vezes, eles que nos procuram e quase sempre não podemos ajudá-los, pois são limitados os números de vagas na equipe.

Na minha opinião o critério mais justo para se escolher o técnico é deixar o próprio atleta escolher com quem tem mais afinidade. A função do técnico é auxiliar o atleta. Não é um cargo de luxo e sim de responsabilidade, que faz total diferença dependendo do grau da sintonia entre ambos durante o combate.


[MMABr] Estamos começando a viver uma mudança no esporte provocada pela tecnologia, com os sensores nas competições, por exemplo. Como você vê a influência da tecnologia no Taekwondo, tanto nos treinos como nas competições?

[FM] O Brasil vive uma realidade diferente dos seus principais adversários, que contam com enorme suporte financeiro. O uso dos protetores eletrônicos em treinos é uma exclusividade longe de termos aqui no país. Porém tive o privilégio de estar presente no Panamericano de 2008, onde foi feita a estreia dos protetores em eventos oficiais e já estamos adequando a parte tática para podermos entrar na briga por medalhas nos eventos oficiais esse ano.

[MMABr] Há mais ou menos 15 anos o Taekwondo era um esporte mais plástico, pelo menos no ponto de vista do espectador. Atualmente o esporte vem se tornando cada vez mais eficiente, em detrimento da beleza e plasticidade. O que influenciou esta mudança e como você vê isso?

[FM] Quando o esporte chega ao status olímpico, o importante é superar limites e não dar show. Melhorar e aperfeiçoar a precisão do golpe em busca de pontos acaba inibindo técnicas mais acrobáticas. Mas com as mudanças nas regras (2 pontos para o chute em giro e 3 pontos para chutes no rosto), acredito que o esporte vai passar por transformações.

[MMABr] Infelizmente, sempre que pesquisamos sobre notícias do Taekwondo brasileiro nos deparamos com confusões, brigas na CBTKD e etc. Como você acha que isso interfere na evolução do esporte? Como afeta o trabalho dos atletas e técnicos?

[FM] Acho que a política é necessária para tudo, porém as vezes atrapalha realmente nosso trabalho. A falta de critérios para escolha dos atletas para determinados eventos e a inexistência de um calendário fixo dificultam a programação dos treinos.

[MMABr] Como você enxerga o Taekwondo brasileiro hoje e o que espera para o futuro?

[FM] Acho que em relação a alguns anos atrás, o esporte evoluiu muito graças ao status olímpico da modalidade e à participação da mesma nos Jogos Abertos do Interior, que na minha opinião é onde se apresentam os principais atletas do país. Não posso falar pelo futuro do esporte no Brasil porque não está sob o meu comando, mas aqui em Piracicaba trabalhamos um grupo de atletas para o próximo ciclo olímpico (2009 – 2012) e outro grupo para o outro ciclo (2013 – 2016). Temos como meta dois intercâmbios internacionais por ano para auxiliar no desenvolvimento através da vivência e troca de experiências, principalmente visando o desenvolvimento destes atletas que visam encerrar a carreira no final do próximo ciclo. Atletas como o Diogo e o Washington auxiliam no desenvolvimento de promessas do nosso esporte, como o Michael e o Guilherme. Atletas como a Débora e a Laura auxiliam no desenvolvimento de outras meninas como a Fernanda, a Talisca e a Hellorayne. Espero que, com este trabalho, possamos conquistar nesses dois ciclos olímpicos resultados mais expressivos do que anteriormente.

[MMABr] Fale sobre a Natalia Falavigna

[FM] Uma vencedora que não mede esforços, sacrifícios e as consequências para alcançar seus objetivos.

[MMABr] Você disse que começou no esporte motivado pelo MMA. Qual a vantagem de um praticante de Taekwondo numa eventual migração para o MMA?

[FM] Não sei… o Taekwondo atual visa pontos. No MMA se visa o nocaute e a imobilização. Acho que não combina muito.

[MMABr] Sobre sua vida fora do esporte: o que pensava em fazer da vida antes do Taekwondo? Qual a sua formação?

[FM] Sou formado em Comunicação Social mas cheguei a cursar Educação Física e mestrado em Educação, mas parei porque vi que ambas não se enquadravam com o meu trabalho. Quando era atleta, pensava em fazer programas de TV, vídeos-aula e filmes sobre o Taekwondo, pois tinha muita dificuldade em conseguir material didático e de competição. Gastava fortunas em cursos e fitas de VHS para aprimorar meus conhecimentos, pois treinava sozinho e a política do esporte não possibilitava nossa participação em muitos eventos. A política do pensamento arcaico de não poder treinar com outros grupos me irritava profundamente. Então decidi por essa área. Tenho uma visão do esporte diferente. Penso que o treinador não necessita especificamente ser formado em educação física. Esta obrigação é do preparador físico. O treinador tem que ser inteligente e entender da estratégia do combate. Saber se comunicar e transmitir seu conhecimento ao seu atleta, para que haja uma perfeita sincronia na comunicação para alcançar bons resultados.

[MMABr] Bom, espero que muitos tenham acesso ao que foi dito… Quer falar sobre algo que não foi perguntado?

[FM] Sim. O Taekwondo no Brasil precisa parar de ser AMADOR. E para isso precisamos de profissionais e atletas comprometidos com o alto rendimento, para que a mídia nos dê mais valor e os patrocinadores nos vejam como uma modalidade que pode dar retorno. E para isso precisamos de bons atletas e bons dirigentes.


[MMABr] Para finalizar, deixamos espaço para você fazer seus agradecimentos.

[FM] Em primeiro lugar agradeço aos meus pais, que me dão todo suporte para eu dar suporte a equipe. Em segundo, gostaria de agradecer ao mestre Fernando Madureira, que cumpre perfeitamente a sua função de Mestre… aprendi muito com ele e continuo aprendendo com sua experiência de técnico olímpico nessa minha nova caminhada. Em terceiro, a SELAM (Secretaria de Esportes e Lazer de Piracicaba), AMHPLA, UNISA, FRIOS PAULISTA, BIOTIPO, NUTRIACTIVE, MULTISERVICE e FLEX TRAINING, que são nossos parceiros nesta jornada em busca do alto rendimento. E por último, minha segunda família: a equipe. Pois são com eles que passo todos os dias da minha vida e dedico todo meu tempo para que possamos juntos alcançar um sonho. Todos aqui dentro tem uma função com que faz que sejamos um expoente da modalidade e essa união faz a diferença. São integrantes dessa família: Claudio, Natalia, Laura, Talisca, Leidiane, Débora, Fernanda, Hellorayne, Herrison, Michael, Charles, Washington, Diogo, Guilherme e Ricardy. Agradeço a todos pela parceria e confiança.

Agradecimento especial ao site MMA-Brasil.com pelo espaço. A informação não pode ser um privilégio apenas de alguns, por isso esse site está de parabéns e desejamos todo sucesso do mundo.

  • Lana farias da Silva

    parabéns pela entrevista…

  • Jerson Santos

    Parabéns. Uma verdadeira aula de profissionalismo e comprometimento com o TKD esportivo. Jerson Santos-1.DAN.TKD-Gravatai-RS

  • Jerson,

    Assino embaixo. E o titulo do Diogo na Universiade ja mostra os resultados aparecendo.

    Abraços!

  • MANO Á VERDADE E´UMA SÓ MUITO TRAMPO PARA POUCO RETORNO ! O NOSSO MEDALHA DE OURO NOS PANAMERICANO O DIOGO SILVA E´O MELHOR ATLETA NA GATEGORIA ATE´68 KG NIGUEM CATO O CARA … MAIS ESTA´ABANDONADO NÃO TEM CARRO, MOTO OLHA LA´UM BIKE , ISSO E´TRISTE É O BOM MAIS IAI VAI SOFRER ATE´QUANDO ? E´CAMPEÃO MUNDIAL UNIVERSITARIO !! ESTA´COMO O MELHOR DO MUNDO E NÃO TEM $$$ IMAGINA QUEM ESTA COMEÇANDO CHEGA UMA HORA QUE MEDALHA NÃO PAGA ÁGUA , LUZ, TELEFONE E COMIDA NA MESA ! COM ESTA´OPNIÃO EU PULEI FORA 10 ANOS DE PRETAS … PRA QUE ….. NO BRASIL SABIO E´AQUELE QUE ESTUDA !!! DESCUPA SE EU OFENDI ALGUEM SÓ NÃO QUERO ILUDIR COMO EU FUI ILUDIDO !

  • FORA QUE DEPOIS DE UMA VIDA INTEIRA COMO ATLETA UMA PÁ DE FRATURA DOR PELO CORPO POR UM ESPORTE VC E´OBRIGGADO A FICAR EM POSTO DE SAÚDE NEM CONVENIO MÉDICO TEM … PEDINDO FAVOR PARA O VIZINHO TE LEVAR ….. AI PASSA UM E FALA!! ESSE CARA JÁ FOI BOM RSRSR ……….. MULHERADA NÃO TE QUER PQ VC NEM TEM UM CARRO , MOTO UMA GRANA UM MONTE DE ALUNO CALOTEIRO RSRS ISSO NÃO É NO TKD ISSO E´GGERAL BOXE O POPÓ TINHA UM CASA DE 1 COMODO TINHA UMA PÁ DE TITULOS , JIU JISTU O JACARÉ BI MUNDIAL QUEBRO O BRAÇO NÃO TINHA $$ PARA IR EMBORA PARA CASA !!! ISSO SÃO COISAS QUE VC VAI VENDO OS TOP DO MUNDO COM NADA ….. POR QUE CONTINUAR !! QUE DUVIDAR DISSO QUE ESTOU FALANDO PROCURA NO YOUTUBE AS MATÉRIAS TEM TUDO !!! MINHA REVOLTA (PARTE 2)

  • A GALERA QUE LUTA COSTUMA FALAR O CARA QUE LUTA E´GUERREIRO ……….. E´SIM ,MAIS UMA LUTA JÁ VENCIDA…….. O BRASIL NÃO ESTA´NEM AI PARA SEUS SONHOS SUAS FRUSTRAÇÕES …………

  • quen q lutar com a minha equipe