Por João Gabriel Gelli | 06/11/2017 12:49

UFC 217 foi uma noite histórica na segunda viagem do UFC para o Madison Square Garden. O melhor evento de 2017 marcou a primeira vez em que três novos campeões foram declarados em uma única noite na organização. Na luta principal, Georges St. Pierre retornou de quatro anos de inatividade para tomar o cinturão dos médios de Michael Bisping. As outras disputas de título viram TJ Dillashaw e Rose Namajunas destronando Cody Garbrandt e Joanna Jedrzejczyk, respectivamente. Além disso, o evento ainda contou com nomes como Stephen Thompson, Jorge Masvidal e Ovince St. Preux.

Agora, passado o evento, chega a hora de incorporar o matchmaker interno e analisar o que o futuro reserva aos principais envolvidos nas lutas de sábado.

Georges St. Pierre contra Robert Whittaker

Para coroar um evento espetacular, nada como o melhor de todos os tempos do esporte fazendo seu retorno após quatro anos afastado. Como se a inatividade já não fosse o suficiente, Georges St. Pierre ainda voltou disputando o cinturão da categoria de cima e fez história ao se tornar o quarto lutador a conquistar títulos em duas divisões diferentes ao finalizar Michael Bisping no terceiro round. Esta vitória lhe colocou de volta no topo do ranking de vitórias no UFC e foi sua primeira interrupção desde o UFC 94, contra BJ Penn, há mais de oito anos.

Agora, o mistério está em torno da categoria na qual GSP disputará seu próximo compromisso. Supostamente, ele teria encontro marcado com Robert Whittaker, campeão interino dos médios, e informações anteriores diziam que seu contrato lhe obrigava a defender o título ao menos uma vez. No entanto, ninguém ficaria surpreso caso o canadense retorne para o peso meio-médio, no qual fez toda a sua carreira, para desafiar Tyron Woodley. Entre estas opções, ficamos com a primeira, com St. Pierre descendo após encarar Whittaker.

Michael Bisping contra a aposentadoria

Michael Bisping nunca foi o melhor em nada em sua carreira no MMA. Por mais que se trate de um lutador talentoso, nunca teve aquele algo a mais que fazia o mundo do esporte considerá-lo uma grande ameaça e futuro campeão. Eis então que, quando ninguém mais acreditava que ele poderia alçar grandes vôos, o inglês cai de paraquedas em disputa de cinturão contra Luke Rockhold e choca a todos ao vencer por nocaute e conquistar o título. Bisping ainda defendeu o posto com sucesso uma vez, mas finalmente viu seu reinado chegar ao fim quando foi finalizado por Georges St. Pierre na noite do último sábado.

Este resultado deve representar o fim de sua carreira. Um período marcado por diversas frustrações, derrotas em eliminatórias, o avanço do MMA no Reino Unido, lutas principais e a glória máxima logo quando menos se esperava. Já com 38 anos, Michael Bisping não tem muito mais a oferecer e dificilmente terá condições de conquistar ou até mesmo disputar o cinturão novamente. Por isso, este é o momento ideal para pendurar suas luvas e coroar uma ótima carreira.

TJ Dillashaw contra o vencedor de Dominick Cruz – Jimmie Rivera

Em mais um grande combate, o cinturão dos galos mudou de mãos mais uma vez. Depois de passar dificuldades no primeiro round, TJ Dillashaw se encontrou na segunda parcial e conseguiu nocautear Cody Garbrandt. Assim, reconquistou o título que perdeu em janeiro de 2016.

A vitória de Dillashaw mantém a divisão em constante fluxo na elite. No entanto, seu primeiro desafiante neste novo reinado pode marcar uma revanche contra o adversário que lhe tirou o cinturão. Para isso, basta que Dominick Cruz saia vitorioso do confronto contra Jimmie Rivera, que também estará credenciado caso triunfe.

Cody Garbrandt contra o vencedor de Raphael Assunção – Matthew Lopez

O começo de Cody Garbrandt deu a impressão de que teria sucesso mais uma vez e se colocaria como um dos melhores atletas peso por peso do MMA. No entanto, TJ Dillashaw freou seu crescimento e o nocauteou no segundo round, tomando seu cinturão. Mesmo assim, Garbrandt não está longe de tentar disputar o título mais uma vez. Seu caminho para tal pode ser encurtado caso vença um oponente no top 5 em seu próximo compromisso, que pode ser uma eliminatória contra o vencedor do embate entre Raphael Assunção e Matthew Lopez, sobretudo se o primeiro sair com o braço levantado.

Outra opção: John Lineker

Rose Namajunas contra Joanna Jedrzejczyk

Na maior zebra do ano, Rose Namajunas chocou o mundo ao obliterar a campeã Joanna Jedrzejczyk e vencer por nocaute, com a polonesa ainda dando três tapinhas para desistir quando estava sob intenso ground and pound. Dessa forma, Rose tomou o cinturão do peso palha e já parece pronta para defendê-lo. Do outro lado, Joanna perdeu sua invencibilidade, mas com cinco defesas de título com surras aplicadas em todas, tem um currículo que justifica uma revanche imediata. Resta saber se ela ainda pretende lutar na categoria ou se realizará o já planejado salto para o peso mosca. Neste caso, o posto de próxima desafiante deve ficar com a brasileira Jéssica Bate-Estaca.

Stephen Thompson contra Colby Covington

No último confronto sem cinturão em jogo no evento, Stephen Thompson se recuperou das tentativas fracassadas de conquistar o cinturão meio-médio ao superar Jorge Masvidal por decisão unânime. A vitória veio com o plano de jogo clássico do atleta, com muita movimentação e contragolpes que lhe renderam um triunfo sem maiores sufocos. Assim, volta para o caminho do título e pode estar envolvido em uma eliminatória em seu próximo compromisso. Por isso, a sugestão é que Thompson encare Colby Covington.

Jorge Masvidal contra o vencedor de Alex Cowboy – Yancy Medeiros

Após ser derrotado por Demian Maia, Jorge Masvidal acabou superado pela segunda vez seguida ao perder para Stephen Thompson por decisão. O resultado bota o veterano em rota descendente depois de ter alcançado o top 5 dos meios-médios com o nocaute sobre Donald Cerrone em janeiro. Com isso, deve dar um passo atrás e enfrentar concorrência fora da elite da categoria e servir como teste para um nome ascendente, como aquele que sair vitorioso do embate entre Alex Cowboy e Yancy Medeiros.

Paulo Borrachinha contra David Branch

Rapidamente promovido pelo UFC, Paulo Borrachinha adicionou o escalpo mais relevante ao seu currículo ao nocautear o ex-campeão meio-médio Johny Hendricks no segundo round da luta que abriu o card principal do UFC 217. Com três vitórias pela via rápida dolorosa no ano, o brasileiro está escalando a categoria dos médios e parece pronto para receber um teste mais robusto. Assim, com o intuito de verificar como lida com um adversário que terá como maior intenção colocá-lo de costas para o chão, a sugestão aqui é por um embate com David Branch.

Outras opções: Brad Tavares ou Tim Boetsch

Ovince St. Preux contra Ilir Latifi

Depois de começar 2017 com a terceira derrota seguida ao perder para Volkan Oezdemir, Ovince St. Preux parece ter reencontrado seu rumo entre os meios pesados. Apesar das dificuldades com o wrestling de Corey Anderson, o haitiano conseguiu um nocaute espetacular com um chute alto que apagou o adversário imediatamente. Assim, já com três vitórias consecutivas, St. Preux já está escalando novamente o ranking da divisão e pode dar mais um passo importante em um confronto com o bruto Ilir Latifi.

Além dos duelos acima, seguem algumas sugestões para os outros envolvidos no card de sábado:

Johny Hendricks vs. demissão ou aposentadoria

James Vick vs. Michael Chiesa

Joseph Duffy vs. vencedor de Joe Lauzon – Clay Guida

Mark Godbeer vs. Oleksiy Oliynyk

Walt Harris vs. Luis Henrique KLB

Corey Anderson vs. Patrick Cummins

Randy Brown vs. Serginho Moraes

Mickey Gall vs. Brian Camozzi

Curtis Blaydes vs. Stefan Struve

Ricardo Carcacinha vs. Cody Stamann

Aiemann Zahabi vs. Davey Grant

E aí? Curtiram os casamentos? Deixem suas sugestões nos comentários.

Matchmaker do MMA Brasil, fanático por esportes, mesmo sem botá-los em grande prática. Fã de MMA, NFL, estudante de Engenharia e viciado em séries.