Por João Gabriel Gelli | 30/07/2017 22:50

Finalmente os deuses do MMA nos agraciaram com a revanche mais aguardada da história. O UFC 214 foi capitaneado pelo segundo encontro entre os rivais Daniel Cormier e Jon Jones, um dos casamentos de maior nível técnico já realizados no esporte. Como se esta luta já não bastasse, foi montado um card muito forte ao redor, com outras duas disputas de cinturão e diversos duelos relevantes e empolgantes.

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Agora, passado o evento, chega a hora de incorporar o matchmaker interno e analisar o que o futuro reserva aos principais envolvidos nas lutas de sábado.

Jon Jones contra Alexander Gustafsson

O retorno triunfal de Jon Jones ao octógono foi encerrado de maneira espetacular, com uma canelada que estourou contra a cabeça de Daniel Cormier e permitiu que o ex-campeão reconquistasse a coroa dos meios-pesados com um nocaute no terceiro round. Assim, Jones confirmou sua genialidade ao superar seu mais gabaritado adversário pela segunda vez e cravou seu posto como o melhor lutador da história do MMA.

Jones mal entrou em seu segundo reinado e já limpou a categoria, por conta do estrago que deixou em sua primeira passagem. Muito por conta disso, uma subida para os pesados pode estar em seus planos para o futuro próximo. Inclusive, Jones tratou de pedir um rentável confronto com Brock Lesnar em sua entrevista pós-luta, mas este ainda precisa cumprir a suspensão que recebeu por cair no antidoping no UFC 200. Dessa forma, o que deve acontecer é uma aguardada revanche com Alexander Gustafsson, com quem proporcionou a melhor luta da história da divisão.

Outra opção: Volkan Oezdemir.

Daniel Cormier contra Fabricio Werdum

Mesmo com um começo forte, quando acertou bons golpes e venceu o segundo round, Daniel Cormier caiu pela segunda vez diante de Jon Jones ao ser nocauteado no terceiro assalto. O resultado encerrou sua corrida como campeão dos meios-pesados e parece ter afetado fortemente seu psicológico. Para um competidor do calibre de Cormier, a incapacidade de superar o maior rival deve deixar cicatrizes difíceis de curar, o que pode levá-lo à aposentadoria. Contudo, a proposta aqui é que DC volte para os pesados, onde seu talento poderá brilhar contra competição nova e já entrará como membro da elite, o que poderia ser confirmado num duelo contra Fabricio Werdum, que tem uma rivalidade com sua academia.

Tyron Woodley contra Robbie Lawler

A terceira defesa de cinturão de Tyron Woodley seguiu a mesma tônica da anterior, com um combate sem muita ação, no qual ele defendeu as 25 tentativas de queda do desafiante Demian Maia e saiu vitorioso por decisão unânime. No entanto, a apresentação segura não impressionou Dana White, que tratou de colocar Georges St. Pierre para enfrentar Michael Bisping, o que acabou deixando a categoria sem nenhum desafiante óbvio no momento.

Neste cenário, surge Robbie Lawler, que retornou após um ano superando Donald Cerrone em combate muito disputado e movimentado. Assim, o ex-campeão se recuperou da derrota para o próprio Woodley e está de volta na elite. Como não existem muitas opções, provavelmente uma revanche seria o caminho a seguir, mas vale deixar o adendo de que o atual detentor do título fez quatro lutas no últimos 12 meses, então pode querer descansar, o que abriria espaço para a categoria se desenvolver e um desafiante mais consolidado surgir.

Demian Maia contra Dong Hyun Kim

A jornada de Demian Maia o levou a incríveis sete vitórias seguidas como meio-médio e uma disputa de cinturão contra o campeão Tyron Woodley. No entanto, seu estilo unidimensional o limitou, uma vez que todas as mais que duas dúzias de tentativas de quedas foram frustradas pelo oponente. Com uma idade avançada, esta deve ter sido a última chance de o brasileiro conquistar um cinturão no UFC e talvez uma das aparições finais de sua excelente carreira. Nestas condições, que tal um duelo de aposentadoria contra Dong Hyun Kim, no card que o UFC organizará em São Paulo, cidade onde Demian nasceu e mora?

Cris Cyborg contra Holly Holm

Finalmente chegou a hora de Cris Cyborg deter um cinturão do UFC. O feito veio após uma atuação metódica para nocautear a dura Tonya Evinger no terceiro round. Agora, a brasileira tem somente mais três desafios que geram interesse no momento, que seriam contra Holly Holm, Cat Zingano e Megan Anderson. Como as duas primeiras são mais qualificadas, mas Zingano vem de duas derrotas seguidas, a opção é colocar Holm como a próxima oponente de Cyborg, num duelo de destaque na luta em pé.

Volkan Oezdemir contra o campeão

Em três lutas em um período de menos de seis meses, Volkan Oezdemir concluiu uma trajetória de ascensão meteórica com o nocaute em 42 segundos contra Jimi Manuwa, na luta que abriu o card principal. Como a categoria dos meios-pesados é rasa e Oezdemir superou uma trinca de adversários posicionados no top 10, o suíço fez por merecer uma disputa de cinturão. Entretanto, deverá esperar o mais atrativo duelo entre Jones e Gustafsson para ter sua chance, o que pode levá-lo a um combate eliminatório contra Maurício Shogun, caso este supere Ovince St. Preux, no Japão.

Ricardo Lamas contra Darren Elkins

O subestimado Ricardo Lamas impediu a ascensão de mais um prospecto ao nocautear Jason Knight na primeira parcial do combate que encerrou a porção preliminar do evento, chegando ao segundo triunfo seguido, o que o aproxima de mais uma chance de disputar o cinturão. Para se aproximar deste objetivo, um passo interessante seria superar Darren Elkins, que vem de forte sequência de vitórias, num duelo que posicionaria o vencedor em uma situação de eliminatória pelo título.

Aljamain Sterling contra John Dodson

Depois de encontrar problemas com duas derrotas seguidas, parece que Aljamain Sterling finalmente se encontrou e voltou a evoluir. Apesar das dificuldades no primeiro round, mostrou força mental e exibiu seu ótimo grappling, além soltar mais golpes em pé para conquistar a maior vitória de sua carreira contra Renan Barão, em decisão unânime. Com a confiança restabelecida, Sterling poderá continuar em sua trajetória rumo ao cinturão com um confronto com John Dodson, que pode deixá-lo próximo de uma eliminatória.

Brian Ortega contra Cub Swanson

Yoel Romero, saia para lá, porque o terceiro round tem um novo dono.

No combate bonificado como o melhor do UFC 214, Brian Ortega aproveitou uma brecha de Renato Moicano numa queda para encaixar uma guilhotina no terceiro assalto e sair com sua quarta vitória seguida na parcial, após 12 minutos de intensa pancadaria. Sua sequência é uma das melhores atualmente na categoria dos penas e o triunfo de sábado desbancou outro nome crescente, o que o coloca em posição de disputar uma eliminatória contra Cub Swanson pelo posto de desafiante que virá após Frankie Edgar.

Além dos confrontos acima, seguem algumas sugestões para os outros envolvidos no card de sábado:

Tonya Evinger vs. Alexis Davis
Donald Cerrone vs. Tarec Saffiedine
Jimi Manuwa vs. Glover Teixeira
Jason Knight vs. Renato Moicano
Renan Barão vs. Andre Fili
Calvin Kattar vs. Dennis Bermudez
Alexandra Albu vs. JJ Aldrich
Kailin Curran vs. demissão
Jarred Brooks vs. vencedor de Joseph Morales-Roberto Sanchez
Eric Shelton vs. vencedor de Matt Schnell-Marco Beltrán
Drew Dober vs. Chris Wade
Josh Burkman vs. demissão ou aposentadoria

E aí? Curtiram os casamentos? Deixem suas sugestões nos comentários.